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Mitos sobre a posição missionária – DW – 29/10/2024
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A posição missionária é um nome estranho para uma manobra cara a cara, horizontal e muitas vezes heterossexual no quarto, com o homem por cima.
Mas a história por trás da nomeação dessa posição sexual rotineira tem mais reviravoltas na trama do que se poderia esperar.
Os missionários espalharam a ideia da posição missionária?
Desde os tempos medievais, católico papas, bispos e padres deveriam abster-se de fazer sexo, uma indulgência que desviaria a atenção da sua devoção a Deus.
Mas isso não significa que eles pensem que outras pessoas não deveriam fazer isso.
“É claro que a igreja precisa de pessoas que vão à igreja, para mantê-la viva. Então, quanto mais você tem filhos, mais você é um bom cristão”, disse Cinzia Giorgio, professora de história da mulher e autora de “A História Erótica da Itália”, que ela escreveu enquanto lecionava em uma universidade ligada ao Vaticano.
Além disso, alegou-se que havia uma posição sexual específica que era mais propícia para gerar esses bebês: a posição missionária. Alega-se que as autoridades da Igreja medieval fizeram esta afirmação durante séculos, não com base em evidências científicas, mas em alguns pensamentos vagos sobre a gravidade.
Educação sexual com IA na Índia
Uma teoria plausível e muito popular é que os missionários, que viajaram pelo mundo tentando converter as pessoas ao cristianismo, estavam dizendo às pessoas para terem sexo desta forma particular para aumentar a população cristã.
“Mas isso não é verdade”, disse Kate Lister, historiadora do sexo e da sexualidade e autora de “Uma Curiosa História do Sexo”, à DW.
Lister diz que não há evidências de que missionários cristãos tenham promovido esta posição.
“Mesmo que você encontre essa teoria em livros, em textos médicos, dicionários e artigos de pesquisa, é um grande boato. Foi apenas considerado uma verdade do evangelho que a posição missionária veio de missionários cristãos. Isso não aconteceu.”
Mas embora os missionários possam não ter popularizado uma posição sexual clássica, eles impuseram um sistema totalmente novo de moralidade e valores sexuais.
Isto inclui a Índia, berço do Kama Sutra, um antigo guia de amor e sexo, onde falar sobre sexo se tornou um tema tabu quando os missionários ajudaram os britânicos a colonizar o país.
Resolvendo o mistério de um clichê sexual
Mas por que ainda chamamos isso de posição missionária?
“O próprio termo surgiu por volta da década de 1960”, diz Lister, acrescentando que remonta ao lendário sexólogo americano Alfred Kinsey.
Em 1948, Kinsey escreveu um livro inovador, “Sexual Behavior in the Human Male”, que argumenta que os americanos aparentemente preferem uma posição sexual cara a cara, com o homem por cima. Ele chamou isso de “posição anglo-americana”.
Kinsey fez ainda referência ao trabalho do antropólogo Bronisław Malinowski, que viajou para a Austrália, Nova Guiné e Melanésia para “estudar” os povos indígenas em 1914-1920. Num dos seus numerosos livros, ele escreve sobre a vida sexual do povo Trobriand na Papua Nova Guiné.
Citando este livro em seu próprio trabalho, Kinsey disse que Malinowski notou que o povo de Trobriand estava na verdade rindo da maneira como os homens brancos faziam sexo. Ele disse que eles fizeram “caricaturas” da posição anglo-americana em torno de fogueiras “para sua grande diversão”. E que os habitantes locais chamavam isso de “posição missionária”.
O problema, porém, foi que Kinsey cometeu um erro ao pesquisar e citar Malinowski.
“Se você voltar ao trabalho de Malinowski, ele não diz isso”, observa Kate Lister.
Em vez disso, a certa altura do seu livro, Malinowski escreveu que o povo de Trobriand zombava do sexo cara a cara, ao estilo homem por cima, mas que aprendiam com “comerciantes, proprietários ou funcionários brancos”, e não com missionários.
E o povo de Trobriand inventou uma frase para zombar de algo romântico que o homem branco fazia, mas traduzia-se como “moda missionária” e não como “posição missionária” – e era uma referência a dar as mãos e demonstrações públicas de afeto, não a sexo.
“Então Kinsey relatou erroneamente o trabalho de Malinowski”, segundo Lister. Ela acrescenta que o mito de como essa posição sexual foi nomeada ainda “faz parte da conversa e da cultura geral” porque é uma história “boa e interessante”.
Ao longo do caminho, a história é ligeiramente alterada: em vez de os habitantes locais zombarem do sexo com homens brancos, muitas vezes foi sugerido erroneamente que os missionários estavam dizendo às pessoas para fazerem sexo dessa maneira.
Como os aplicativos de namoro estão mudando a busca pelo amor
Como todo o mal-entendido veio à tona
Em 2001, o antropólogo Robert Priest escreveu um artigo chamado “A posição missionária: cristã, modernista, pós-moderna” – para o qual ele inesperadamente caiu na toca do coelho examinando numerosos textos tentando verificar a verdadeira história por trás do nome.
“Kinsey aparentemente inventou uma lenda enquanto acreditava estar relatando fatos históricos”, escreveu Priest. “(Ele) cunhou uma nova expressão enquanto pensava que estava relatando uma antiga.”
Editado por Stuart Braun.
Este artigo é uma adaptação de um episódio de podcast de Charli Shield e Rachel Stewart e editado por Sam Baker. Ouça ‘Don’t Drink the Milk: A curiosa história das coisas’ para mais informações – em nosso site ou onde quer que você ouça podcasts.
A Posição Missionária: Pregação, poder, engravidar
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Seminário na Ufac tematiza planejamento e governança pública — Universidade Federal do Acre
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23 de junho de 2026O programa de pós-graduação em Planejamento e Governança Pública, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), no âmbito do mestrado interinstitucional para técnico-administrativos da Ufac e do Instituto Federal do Acre (Ifac), realiza o 12º Seminário de Boas Práticas em Planejamento e Governança Pública, de 14 a 16 de julho, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede da Ufac. As inscrições são gratuitas e estão abertas até 16 de julho, por meio online.
O evento será transmitido pelo YouTube e terá como tema “Governança, Políticas Públicas e Desenvolvimento Regional na Amazônia: Desafios Estruturais para o Acre”, propondo um debate sobre questões territoriais, sociais, ambientais, urbanas, institucionais e econômicas que atravessam a realidade amazônica e acreana.
A programação científica será organizada em quatro eixos temáticos: governança urbana, mobilidade e direito à cidade na Amazônia; infraestrutura, saneamento e resiliência em contextos de enchentes e queimadas; governança ambiental, desenvolvimento sustentável e capacidade estatal na Amazônia; e educação e empreendedorismo na Amazônia.
O seminário tem como público-alvo a comunidade universitária e gestores públicos, contando com a participação de autoridades locais, pesquisadores da UTFPR, docentes da Ufac e do Ifac, bem como especialistas convidados de diferentes áreas.
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Estudo indica limitações de conhecimento sobre leishmaniose — Universidade Federal do Acre
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17 de junho de 2026A Ufac é parceira em pesquisa desenvolvida no município de Sena Madureira (AC), a qual identificou limitações no conhecimento sobre a leishmaniose cutânea entre pacientes e profissionais da saúde, além de barreiras geográficas e estruturais que dificultam o acesso ao diagnóstico e ao tratamento precoce em áreas rurais endêmicas.
Os resultados do estudo foram publicados, em maio, na revista eletrônica “Acervo Saúde”, vol. 26(5), com o título “Leishmaniose Cutânea na Amazônia Ocidental: Lacunas no Conhecimento e Barreiras de Acesso Assistencial em Áreas Endêmicas”. O artigo tem coautoria de pesquisadores da Ufac.
A pesquisa foi realizada com 50 pacientes com suspeita clínica de leishmaniose cutânea e 51 agentes de saúde, sendo 63% agentes comunitários de saúde e 37% agentes de combate às endemias.
“Em nosso trabalho, identificamos que tanto os profissionais da saúde quanto os pacientes possuem informações limitadas sobre a doença. Conhecer as limitações para acesso ao diagnóstico e tratamento precoce é uma das principais estratégias para a implementação de programas de controle e de educação em saúde que contemplem o perfil epidemiológico e social das populações de áreas endêmicas”, disse o autor do estudo, Leandro Siqueira de Souza, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC).
A região Norte é responsável por mais da metade dos casos da doença no Brasil; o Acre conta com mais de 11 mil casos notificados na última década. Em 2025, os municípios acreanos de Xapuri, Marechal Thaumaturgo, Assis Brasil, Sena Madureira e Brasileia foram classificados pelo Ministério da Saúde como áreas de risco intenso para transmissão da doença.
“A região amazônica é uma área endêmica para a leishmaniose cutânea, uma doença negligenciada que afeta principalmente populações de comunidades tradicionais”, contou o pesquisador Reginaldo Peçanha Brazil, do IOC. “Conhecer as limitações no conhecimento tanto dos pacientes como de profissionais da saúde de áreas endêmicas é fundamental para o sistema de saúde do Estado do Acre e para o controle mais efetivo da doença.”
A investigação integra um projeto de pesquisa coordenado por Brazil. Além da Ufac, são parceiros na pesquisa a Universidade Federal de Minas Gerais, a Universidade de Brasília, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e a Secretaria de Estado de Saúde do Acre.
Pela Ufac, são coautores do artigo os pesquisadores Andréia Luísa Peixinho da Silva Guimarães, Francisca Alana Costa de Souza, Marcos Bruno Zacarias Campelo, Breno Kalyl Freitas Nascimento, Andreia Fernandes Brilhante e Francisco Glauco de Araújo Santos. Os estudos contam com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e apoio de instituições parceiras.
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Ufac e TCE-AC apresentam pesquisa de vitimização em Rio Branco — Universidade Federal do Acre
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16 de junho de 2026
A Ufac e o Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC) realizaram o Seminário de Apresentação da Pesquisa de Vitimização na Cidade de Rio Branco. O evento, que ocorreu nesta terça-feira, 16, no Plenário do TCE-AC, consistiu em exposições e debate no sentido de contribuir para um diagnóstico da segurança pública e para o aprimoramento das políticas voltadas à população.
A pesquisa foi apoiada por emenda parlamentar do senador Sérgio Petecão (PSD-AC), destinada em 2025 à Ufac. “Quero agradecer a disponibilidade do senador em ajudar a universidade sempre com emendas necessárias para o desenvolvimento da educação e da pesquisa, com retorno garantido para a sociedade acreana”, disse a reitora Guida Aquino.
O seminário teve como público-alvo a comunidade acadêmica, servidores do TCE-AC e do Ministério Público de Contas do Acre, servidores públicos em geral, gestores da área de segurança pública, justiça criminal e direitos humanos e sociedade civil. A pesquisa buscou compreender como a população percebe a segurança, quais situações de violência e criminalidade afetam os cidadãos e como os serviços de segurança pública são avaliados pelas pessoas.
O trabalho provém do grupo de pesquisa Sujeitos, Ações e Percepções: Estudos em Violência e Conflitualidade, coordenado pelo professor da Ufac, Ermício Sena. Ele informou que os produtos da pesquisa foram banco de dados, mapas descritivos de Rio Branco, relatórios de campo, geral e sintético/executivo.
Em seu discurso, Sena agradeceu aos envolvidos na realização da pesquisa e a Fundação de Apoio e Desenvolvimento ao Ensino, Pesquisa e Extensão Universitária no Acre, que foi a intermediária para contratação do Instituto de Opinião Pública para execução da pesquisa.
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