POLÍTICA
Moraes usou uma tática que bolsonaristas adoram us…
PUBLICADO
10 meses atrásem
Matheus Leitão
O efeito surpresa de mostrar um vídeo editado sobre o 12 de dezembro de 2022 e o 8 de janeiro de 2023, levando à sala da primeira turma do Supremo Tribunal Federal o clima da tentativa de golpe, é o mesmo usado pelos bolsonarismo nas redes sociais para a construção de narrativas, muitas delas mentirosas.
Nesse aspecto, foi a bola fora do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso da trama golpista, durante a análise da aceitação da denúncia contra Jair Bolsonaro, Braga Netto, Augusto Heleno, Alexandre Ramagem, Almir Garnier, Paulo Sérgio Nogueira e Mauro Cid.
Com efeitos dramáticos, o vídeo mostrou como não se tratou apenas de um “quebra quebra” como defende Jair Bolsonaro e outros acusados do “núcleo crucial”, mas de uma tentativa real de abolir o estado democrático de direito no Brasil.
A própria peça de acusação da procuradoria-geral da República mostra, com provas quase incontestáveis, que a ideia era primeiramente o de dar o golpe com o apoio das Forças Armadas. Como a cúpula do Exército e da Aeronáutica não toparam, o “núcleo crucial” incitou o 8 de janeiro.
Não é necessário um vídeo editado para mostrar a gravidade da destruição das sedes dos Três Poderes, e a tentativa de golpe, para sensibilizar os colegas de toga da corte – ainda mais se tratando de Cármen Lúcia, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Luiz Fux.
A estratégia de Moraes de usar o bolsonarismo contra ele mesmo pode ser um tiro no pé, ainda mais se tratando do mais importante julgamento da história do STF.
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“Estou muito envergonhado! Isto é uma indignidade inexplicável!” (Ciro Gomes, ex-ministro da Fazenda, usando as redes sociais para reclamar da troca de Carlos Lupi por Wolney Queiroz, seu desafeto no PDT, no comando do Ministério da Previdência Social)
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POLÍTICA
A articulação para mudar quem define o teto de jur…
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8 meses atrásem
5 de maio de 2025Nicholas Shores
O Ministério da Fazenda e os principais bancos do país trabalham em uma articulação para transferir a definição do teto de juros das linhas de consignado para o Conselho Monetário Nacional (CMN).
A ideia é que o poder de decisão sobre o custo desse tipo de crédito fique com um órgão vocacionado para a análise da conjuntura econômica.
Compõem o CMN os titulares dos ministérios da Fazenda e do Planejamento e Orçamento e da presidência do Banco Central – que, atualmente, são Fernando Haddad, Simone Tebet e Gabriel Galípolo.
A oportunidade enxergada pelos defensores da mudança é a MP 1.292 de 2025, do chamado consignado CLT. O Congresso deve instalar a comissão mista que vai analisar a proposta na próxima quarta-feira.
Uma possibilidade seria aprovar uma emenda ao texto para transferir a função ao CMN.
Hoje, o poder de definir o teto de juros das diferentes linhas de empréstimo consignado está espalhado por alguns ministérios.
Cabe ao Conselho Nacional da Previdência Social (CNPS), presidido pelo ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, fixar o juro máximo cobrado no consignado para pensionistas e aposentados do INSS.
A ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck, é quem decide o teto para os empréstimos consignados contraídos por servidores públicos federais.
Na modalidade do consignado para beneficiários do BPC-Loas, a decisão cabe ao ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Wellington Dias.
Já no consignado de adiantamento do saque-aniversário do FGTS, é o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, que tem a palavra final sobre o juro máximo.
Atualmente, o teto de juros no consignado para aposentados do INSS é de 1,85% ao mês. No consignado de servidores públicos federais, o limite está fixado em 1,80% ao mês.
Segundo os defensores da transferência da decisão para o CMN, o teto “achatado” de juros faz com que, a partir de uma modelagem de risco de crédito, os bancos priorizem conceder empréstimos nessas linhas para quem ganha mais e tem menos idade – restringindo o acesso a crédito para uma parcela considerável do público-alvo desses consignados.
Ainda de acordo com essa lógica, com os contratos de juros futuros de dois anos beirando os 15% e a regra do Banco Central que proíbe que qualquer empréstimo consignado tenha rentabilidade negativa, a tendência é que o universo de tomadores elegíveis para os quais os bancos estejam dispostos a emprestar fique cada vez menor.


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