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Morto há 500 anos, Vasco da Gama virou mito em Portugal – 23/12/2024 – Mundo
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João Gabriel de Lima
Vasco da Gama é nome de uma ponte de 17,2 quilômetros sobre o rio Tejo, a mais extensa da União Europeia, e de um conjunto arquitetônico desenhado pelo espanhol Santiago Calatrava. Também é nome de um clube de futebol em sua cidade natal, a minúscula Sines, que não se compara em torcida e prestígio ao congênere brasileiro. Na Índia, Vasco da Gama batiza uma cidade, uma estrada de ferro e um arco do triunfo no estado de Goa.
Morto há 500 anos, em 24 de dezembro de 1524, ele foi o navegador português que pela primeira vez ligou seu país às Índias por via marítima, em 1498, numa viagem que transformou a política, a economia, a cultura e a compreensão do mundo em seu tempo.
Vários eventos marcam o quinto centenário da morte de Vasco da Gama em Portugal, onde é herói nacional —segundo pesquisa recente, mais popular que o Infante Dom Henrique (1394-1460), iniciador da expansão marítima, ou o poeta Luís de Camões (1524?-1580). Já houve cerimônia no Mosteiro dos Jerónimos, onde se encontra seu túmulo, e um concerto sinfônico com obras evocando a famosa viagem. A partir de janeiro haverá conferências em várias cidades destinadas a discutir sua biografia.
Muito se escreveu sobre a influência do navegador, mas bem menos sobre sua vida. A maior parte dos relatos é fantasiosa e ajudou a construir um mito. Vasco da Gama é personagem central de “Os Lusíadas”. No poema, ele convive com deuses da mitologia grega e um gigante fictício, Adamastor, que aterrorizava os navegantes ao afundar navios no Atlântico. No século 19, em ópera do alemão Giacomo Meyerbeer (1791-1864), Vasco foi um personagem galante que cantava com voz de tenor. No libreto de “A Africana”, uma princesa indiana e uma nobre portuguesa disputam sua atenção. Pouco encenada hoje, a peça foi em sua época sucesso estrondoso em Paris, com mais de 200 apresentações.
Sabe-se algo da vida real e da personalidade de Vasco da Gama a partir de relatos das três viagens que empreendeu ao sul da Ásia, em 1497/1498, 1502 e 1524. Morreu pouco após concluir a terceira e última, já com o posto de vice-rei das Índias, provavelmente em decorrência de malária. Emerge desses textos um homem determinado, corajoso, disciplinado, cumpridor de ordens — e também violento e implacável contra governantes e povos de culturas e religiões diferentes da sua.
Vasco da Gama nasceu provavelmente em 1469 em Sines, cidadezinha próxima de Setúbal e de Lisboa, e morreu em 1524 em Cochim, onde hoje fica a província indiana de Kerala. Era filho de um nobre português e aparentemente caiu nas graças do rei D. João 2º (1455-1495) ao confiscar mercadorias de navios com bandeira da França, como retaliação contra o roubo de uma carga de ouro por parte de corsários franceses. Por causa disso foi condecorado com a Ordem de Santiago. Seu prestígio fez com que o monarca seguinte, D. Manuel 1º (1469-1521), o escolhesse para a viagem pioneira ao sul asiático.
O comércio entre Europa e Ásia já existia desde o Império Romano. As especiarias do Oriente vinham por terra e mar, em rotas controladas em sua maioria por muçulmanos, na Ásia, e pela República de Veneza, quando chegavam à Europa pelo Mar Mediterrâneo. Era uma operação dispendiosa, com muitos atravessadores no caminho e sem capacidade de transportar grandes quantidades.
A descoberta do caminho marítimo para as Índias revolucionou esse comércio, pois aumentou a quantidade e a variedade de artigos negociados, segundo o historiador português João Paulo Oliveira e Costa, da Universidade Nova de Lisboa, criador de um curso sobre Vasco da Gama e Luís de Camões. “Passaram a vir para a Europa não apenas especiarias das Índias, mas também porcelana da China, tapetes, joias, chá e até animais que não eram conhecidos na Europa”, diz Oliveira e Costa à Folha.
O principal documento da viagem pioneira é o relato de um dos integrantes da esquadra de quatro navios que zarpou de Belém, às margens do Tejo, em 8 de julho de 1497. O diário do autor anônimo —provavelmente um tripulante de nome Álvaro Velho— mostra a dificuldade de navegar ao sul do Equador, onde constelações como a Ursa Maior, que guiavam os cartógrafos da época, deixavam de ser visíveis. Ele narra várias paradas na costa africana, em que os portugueses reabasteciam seus navios e interagiam com nações locais. Numa das últimas, Vasco da Gama toma a sábia decisão de contratar um navegador com experiência no Índico, oceano desconhecido de seus capitães e dele próprio.
“Ao chegar à Índia, os portugueses se depararam com uma sociedade acostumada a fazer comércio com europeus em troca de ouro, ao contrário dos africanos, com quem estavam habituados a fazer trocas e para quem o ouro não valia muita coisa”, afirma Oliveira e Costa. Ao aportar na cidade de Calicute, Vasco da Gama tentou negociar com o governante local. Os portugueses vinham “em busca de cristãos e especiarias”, na frase famosa de um dos tripulantes da esquadra. Os integrantes da expedição acreditavam que houvesse cristãos na Índia. Acharam que os templos hindus fossem igrejas ocidentais, em que os santos, por alguma razão, tinham várias pernas e braços.
Nada foi fácil, no entanto. Vasco da Gama voltou a Portugal, o rei o cobriu de honrarias e mandou Pedro Álvares Cabral (1467-1520) —que no caminho passou pelo Brasil— para concluir a missão diplomática. Cabral estabeleceu uma feitoria em Calicute, que acabou destruída num conflito com o soberano local. Em 1502, D. Manuel 1º enviou Vasco novamente e deu ao nobre carta branca para guerrear se fosse preciso e restabelecer o domínio português no local. Foi nessa segunda viagem, muito mais documentada que a primeira, que o navegador mostrou sua face brutal.
Alegando vingança contra a morte de portugueses na destruição da feitoria, Vasco da Gama aprisionou e mandou queimar o navio Miri, com muçulmanos que voltavam de uma peregrinação a Meca. A imagem de cerca de 300 civis inocentes ardendo no fogo, entre eles várias mulheres que erguiam suas crianças implorando por clemência, horrorizou os tripulantes da esquadra que escreveram relatos a respeito. “Hei-de recordar todos os dias da minha vida”, anotou um deles, Tomé Lopes. A estratégia de Vasco ao retornar ao sul da Ásia nessa segunda viagem foi fazer alianças com reinos que mantinham contenciosos com Calicute. A chegada dos portugueses, assim, acirrou os conflitos na região, provocando guerras e mortes.
Um conto do escritor indiano Saradindu Bandyopadhyay (1899-1970), publicado nos anos 1930 e inspirado no episódio do Miri, dá a medida de como Vasco da Gama é visto em parte do continente asiático. Na ficção, o navegador português chega às Índias e desrespeita normas éticas e códigos de conduta locais. É batido numa luta com um mercador muçulmano, mas este poupa-lhe a vida. Passam-se anos, e o mercador decide fazer uma peregrinação a Meca. Na volta, seu navio encontra o de Vasco da Gama. Os dois lutam novamente, e desta vez o português é o vencedor. O mercador pede que sua vida seja poupada, em retribuição ao que ocorrera anos antes. O fictício Vasco, no entanto, é impiedoso e afunda-lhe o navio, matando-o.
A narrativa contrasta com o tom épico com o qual Camões retrata o herói português. O conto, intitulado “Crepúsculo Sangrento”, é relembrado em um dos mais bem documentados livros sobre Vasco da Gama, de autoria do indiano Sanjay Subrahmanyam. O historiador, que dá aulas na Califórnia, tem uma visão mais crítica sobre o navegador, embora reconheça sua coragem e importância no contexto da época. .
O livro termina com uma frase de Baruch Spinoza (1632-1677), filósofo holandês de família portuguesa: “Das ações humanas tratei de não rir, de não chorar, de não as detestar, mas de as compreender”. Entender a vida e as viagens de Vasco da Gama é uma das formas de conhecer a gênese do mundo globalizado.
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Ufac e SEE discutem disponibilização de produtos educacionais para professores da rede estadual — Universidade Federal do Acre
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15 de outubro de 2026A Universidade Federal do Acre (Ufac), por meio do Mestrado Profissional em Ensino de Ciências e Matemática (MPECIM), reuniu-se com representantes da Secretaria de Estado de Educação do Acre (SEE) na manhã desta terça-feira, 13, para discutir possibilidades de parceria para disponibilizar produtos educacionais desenvolvidos no programa de pós-graduação aos professores da rede estadual de ensino. O encontro ocorreu na sede da secretaria.
A proposta busca ampliar o acesso dos professores aos materiais produzidos no âmbito do MPECIM, contribuindo para o fortalecimento das práticas pedagógicas e da formação continuada dos docentes.
Participaram da reunião o coordenador do MPECIM, Pierre André Garcia Pires; a secretária adjunta de Ensino, Gleicicleia Gonçalves de Souza; e a assessora técnico-pedagógica da Diretoria de Ensino, Fabiany Soares Mamed.
O encontro permitiu discutir possibilidades de cooperação entre as instituições para viabilizar o acesso dos professores da rede estadual aos produtos educacionais desenvolvidos pela universidade
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Ufac inaugura núcleo de apoio administrativo às coordenações de curso — Universidade Federal do Acre
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14 de outubro de 2026A Universidade Federal do Acre (Ufac) inaugurou, na manhã desta terça-feira, 13, o Núcleo Integrado de Apoio às Coordenações (NIAC), instalado na Pró-Reitoria de Graduação (Prograd). A iniciativa tem como objetivo oferecer suporte administrativo aos cursos de graduação, neste momento com atendimento prioritário a oito coordenações que estão sem servidores técnico-administrativos. A proposta prevê também o desenvolvimento de outras ações de apoio às coordenações no âmbito do núcleo. A solenidade contou com a participação do reitor Josimar Ferreira, da vice-reitora Almecina Balbino, da pró-reitora de Graduação, Danila Torres, e da pró-reitora de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas substituta, Juliana Queirós.
O reitor destacou a importância da iniciativa para o funcionamento dos cursos e reconheceu a colaboração dos servidores envolvidos. “Quero parabenizar toda a equipe da Prograd, reconhecer o voluntariado dos nossos secretários de curso e o apoio das coordenações”, afirmou Josimar. Segundo ele, o serviço dará suporte especialmente às coordenações que estão sem secretários, mas também poderá atender aos demais coordenadores de curso.
A criação do NIAC é uma iniciativa da Prograd e da Pró-Reitoria de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas (Prodgep), que contou também com a participação inicial do Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca). O espaço foi organizado nas instalações da Prograd para facilitar o acompanhamento das atividades e o apoio aos servidores.
Segundo a pró-reitora Danila Torres, a proposta surgiu da necessidade de atender coordenações que enfrentam dificuldades na execução das atividades administrativas. Algumas delas estão há mais de oito meses sem servidores técnicos, deixando os coordenadores responsáveis também pelas rotinas administrativas. “A gente vai tentar apoiar as coordenações naquilo que elas precisam”, explicou.
O núcleo funciona por meio de uma escala de revezamento de servidores técnico-administrativos de outras coordenações. Atualmente, sete profissionais participam voluntariamente da iniciativa, com autorização das chefias imediatas, dedicando dois dias por semana ao atendimento compartilhado, sem deixar suas atividades nas unidades de origem.
A meta é ampliar a equipe para dez servidores, permitindo a presença de dois profissionais no turno da manhã e dois à tarde. “O serviço deles é padrão, é comum, então não tem um técnico para uma coordenação. Todos trabalham em todas essas oito coordenações”, explicou Danila.
Entre as primeiras demandas do NIAC está o lançamento das ofertas de disciplinas do semestre letivo 2026.2 no sistema acadêmico, considerando o início das solicitações de matrícula pelos estudantes nesta quinta-feira, 15. A medida busca assegurar o andamento dos procedimentos acadêmicos nas coordenações que não dispõem de técnicos para executar essas atividades.
Além do atendimento inicial às oito coordenações, a proposta é ampliar gradualmente a atuação do núcleo para oferecer suporte às demais unidades acadêmicas, incluindo o auxílio a novos coordenadores nas rotinas administrativas dos cursos e o desenvolvimento de outras ações de apoio às coordenações.
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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre
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9 de outubro de 2026Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.
Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.
Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).
Aprendizagem no território
Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.
A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.
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