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Mudanças climáticas exigem adaptação do mercado de seguros – 12/01/2025 – Mercado

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João Pedro Capobianco

Os efeitos das mudanças climáticas são um desafio para a precificação de produtos no setor de seguros. Para compor seus preços, seguradoras costumam avaliar uma série histórica de eventos na tentativa de entender a probabilidade de um sinistro acontecer em um determinado local. A imprevisibilidade de catástrofes climáticas, porém, impacta o cálculo de riscos.

Segundo o presidente da CNseg (Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização), Dyogo Oliveira, os incidentes climáticos mudam as séries históricas, dificultando a precificação.

Dada a maior dificuldade na elaboração de modelos estatísticos, há uma tendência de mudança do modelo “histórico” para modelos preditivos, que usam projeções de impacto, com cálculos mais complexos para prever eventos.

“Hoje, a grande dificuldade do setor em relação a mudanças climáticas é como adaptar os modelos de precificação e avaliação de risco para incorporar esses eventos atípicos, não recorrentes”, diz Oliveira.

Uma das propostas que têm sido discutidas pelo setor é a criação de um seguro social contra catástrofes. A ideia consiste em uma cobrança adicional na conta de luz de cada unidade residencial, com pagamento de indenização em caso de sinistro.

Arnaldo Bechara, diretor de automóvel, riscos diversos massificados e precificação na seguradora Tokio Marine, concorda que há, atualmente, uma necessidade de sofisticar análises preditivas, para que as empresas consigam estimar com maior precisão quando eventos climáticos vão ocorrer e qual o tamanho de seus impactos.

No contexto das chuvas que atingiram o litoral norte paulista no início de 2023, a empresa desembolsou indenizações que alcançaram R$ 35,5 milhões. Foram registrados sinistros para seguro residencial, condominial, riscos de engenharia, empresarial, operação portuária e, o mais comum, automotivo.

De acordo com dados da Susep (Superintendência de Seguros Privados) —autarquia subordinada ao Ministério da Fazenda—, em maio de 2023, foram registrados 86,7 mil sinistros para seguro residencial no Brasil. Em 2024, o mesmo mês registrou 240,4 mil sinistros na mesma modalidade.

Há, ainda, uma lacuna na organização do setor no Brasil. Hoje, os seguros acionados não são registrados segundo uma classificação climática. Na prática, isso significa uma dificuldade adicional para o cálculo dos impactos ambientais no setor.

Em junho passado, a Susep instituiu um grupo de trabalho para discutir aspectos regulatórios relacionados ao plano de transição ecológica do governo federal, lançado em fevereiro.

Em nota, a Susep disse estar conduzindo um projeto para a implementação de um “sistema de registro de operações” que vai possibilitar “de forma granular e pormenorizada, o acompanhamento pelo supervisor dos contratos, incluindo os eventuais sinistros associados e suas respectivas coberturas acionadas, abarcando os eventos climáticos”.

Apesar dos desafios do setor, a CNseg ainda não vê, para o Brasil, um cenário tão complicado quanto o que já se observa lá fora.

Dados da confederação mostram que, em 2023, o mercado segurador brasileiro cresceu 10,4%. O seguro habitacional, obrigatório para financiamentos imobiliários, cresceu 13,4%, acompanhando o momento do setor imobiliário.

“A gente tem percebido que, em virtude desses eventos, as pessoas passaram a ficar mais atentas às necessidades de ter um seguro. Isso tem acontecido com seguro de vida, com o residencial, em vários setores”, conta Oliveira.

Na avaliação do presidente da CNseg, o principal gargalo do setor, no Brasil, ainda é a baixa quantidade de segurados. A confederação avalia que, no contexto da tragédia que atingiu o Rio Grande do Sul, por exemplo, apenas 5% do total de bens perdidos estava segurado.

Seguro social contra catástrofes

Na tentativa de aumentar o número de segurados e fortalecer o setor, a CNseg tem pensado em uma fórmula de seguro social contra catástrofes. Ainda em fase de discussão, a ideia consiste, até o momento, na cobrança de uma tarifa de aproximadamente R$ 3,00 na conta de luz de cada unidade residencial do país. Em caso de catástrofes, os segurados dentro das áreas atingidas teriam direito a um prêmio de R$ 15 mil.

A ideia é criticada por se assemelhar a um novo imposto que pesa de maneira desigual entre ricos e pobres e por focar no pagamento de indenizações, ao invés de priorizar a prevenção dos desastres.

Lá fora, exemplos de sucesso vão na contramão da proposta. Em entrevista à Folha durante os primeiros dias da catástrofe no Rio Grande do Sul, Natalie Unterstell, presidente do Instituto Talanoa, que trabalha com políticas públicas voltadas às mudanças climáticas, destacou o caso da Indonésia. O país adotou desconto em impostos para o cidadão que adotar medidas adaptativas.

No artigo “Mudança Climática e Seguro”, publicado na revista Economy and Society, em 2021, pesquisadores da Universidade da Califórnia, da London School of Economics e da Universidade Tampere, na Finlândia, identificaram uma mudança —ainda que retórica— na abordagem do setor às mudanças climáticas.

O foco, que antes estava na sobrevivência econômica do setor, passou a ser o papel das seguradoras na governança dos riscos associados às mudanças climáticas.



Leia Mais: Folha

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Ufac recebe visita da RFB para apresentação do projeto NAF — Universidade Federal do Acre

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Ufac recebe visita da RFB para apresentação do projeto NAF — Universidade Federal do Acre

A Ufac recebeu, nesta quarta-feira, 25, no gabinete da Reitoria, representantes da Receita Federal do Brasil (RFB) para a apresentação do projeto Núcleo de Apoio Contábil e Fiscal (NAF). A reunião contou com a participação da Coordenação do curso de Ciências Contábeis e teve como foco a proposta de implantação do núcleo na universidade.
O reitor em exercício e pró-reitor de Planejamento, Alexandre Hid, destacou a importância da iniciativa para os estudantes e sua relação com a curricularização da extensão. Segundo ele, a proposta representa uma oportunidade para os alunos e pode fortalecer ações extensionistas da universidade.

A analista tributária da RFB e representante de Cidadania Fiscal, Marta Furtado, explicou que o NAF é um projeto nacional voltado à qualificação de acadêmicos do curso de Ciências Contábeis, com foco em normas tributárias, legislação e obrigações acessórias. Segundo ela, o núcleo é direcionado ao atendimento de contribuintes de baixa renda e microempreendedores, além de aproximar os estudantes da prática profissional.

Durante a reunião, foi informada a futura assinatura de acordo de cooperação técnica entre a universidade e a RFB. Pelo modelo apresentado, a Ufac disponibilizará espaço para funcionamento do núcleo, enquanto a receita oferecerá plataforma de treinamento, cursos de capacitação e apoio permanente às atividades desenvolvidas.

Como encaminhamento, a RFB entregou o documento referencial do NAF, com orientações para montagem do espaço e definição dos equipamentos necessários. O processo será enviado para a Assessoria de Cooperação Institucional da Ufac. A expectativa apresentada na reunião é de que o núcleo seja integrado às ações de extensão universitária.

Também participaram da reunião o professor de Ciências Contábeis e vice-coordenador do curso, Cícero Guerra; e o auditor fiscal e delegado da RFB em Rio Branco, Claudenir Franklin da Silveira.



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Startup Day-2026 ocorre na Ufac em 21/03 no Centro de Convivência — Universidade Federal do Acre

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Startup Day-2026 ocorre na Ufac em 21/03 no Centro de Convivência — Universidade Federal do Acre

A Pró-Reitoria de Inovação e Tecnologia (Proint) da Ufac e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Acre (Sebrae-AC) realizam o Startup Day-2026, em 21 de março, das 8h às 12h, no espaço Sebrae-Lab, Centro de Convivência do campus-sede. O evento é dedicado à inovação e ao empreendedorismo, oferecendo oportunidades para transformar projetos em negócios de impacto real. As inscrições são gratuitas e estão abertas por meio online.

O Startup Day-2026 visa fortalecer o ecossistema, promover a troca de experiências, produzir e compartilhar conhecimento, gerar inovação e fomentar novos negócios. A programação conta com show de acolhimento e encerramento, apresentações, painel e palestra, além de atividades paralelas: carreta game do Hospital de Amor de Rio Branco, participação de startups de game em tempo real, oficina para crianças, exposição de grafiteiros e de projetos de pesquisadores da Ufac.

 



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A lógica de valor da Thryqenon (TRYQN) é apoiar a evolução da economia verde por meio de sua infraestrutura digital de energia

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Foto de capa [internet]

Com a aceleração da transição para uma economia de baixo carbono e a reestruturação do setor elétrico em diversos países, cresce a discussão sobre como a infraestrutura digital pode sustentar, no longo prazo, a evolução da economia verde. Nesse contexto, a plataforma de energia baseada em blockchain Thryqenon (TRYQN) vem ganhando atenção por propor uma estrutura integrada que combina negociação de energia, gestão de carbono e confiabilidade de dados.

A proposta da Thryqenon vai além da simples comercialização de energia renovável. Seu objetivo é construir uma base digital para geração distribuída, redução de emissões e uso colaborativo de energia. À medida que metas de neutralidade de carbono se tornam compromissos regulatórios, critérios como origem comprovada da energia, transparência nos registros e liquidação segura das transações deixam de ser diferenciais e passam a ser requisitos obrigatórios. A plataforma utiliza registro descentralizado em blockchain, correspondência horária de energia limpa e contratos inteligentes para viabilizar uma infraestrutura verificável e auditável.

A economia verde ainda enfrenta obstáculos importantes. Existe descompasso entre o local e o momento de geração da energia renovável e seu consumo final. A apuração de emissões costuma ocorrer de forma anual, dificultando monitoramento em tempo real. Além disso, a baixa rastreabilidade de dados limita a criação de incentivos eficientes no mercado. A Thryqenon busca enfrentar essas lacunas por meio de uma estrutura digital que integra coleta, validação e liquidação de informações energéticas.

Na arquitetura da plataforma, há conexão direta com medidores inteligentes, inversores solares e dispositivos de monitoramento, permitindo registro detalhado da geração e do consumo. Na camada de transações, o sistema possibilita verificação automatizada e liquidação hora a hora de energia e créditos de carbono, garantindo rastreabilidade. Já na integração do ecossistema, empresas, distribuidoras, comercializadoras e consumidores podem interagir por meio de interfaces abertas, promovendo coordenação entre diferentes agentes do setor elétrico.

O potencial de longo prazo da Thryqenon não está apenas no crescimento de usuários ou no volume de negociações, mas em sua capacidade de se posicionar como infraestrutura de suporte à governança energética e ao mercado de carbono. Com o avanço de normas baseadas em dados e reconhecimento internacional de créditos ambientais, plataformas transparentes e auditáveis tendem a ter papel relevante na transição energética e no financiamento sustentável.

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