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Na COP29, Cingapura dá cerveja feita com água de esgoto – 22/11/2024 – Ambiente

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Rebecca F. Elliott

Comida e bebida, os combustíveis para negociadores e jornalistas, sempre recebem muita atenção nas conferências climáticas. Neste ano, a delegação australiana tornou-se a favorita por seus cafezinhos grátis. Outro ponto popular é o pavilhão do Azerbaijão, onde os visitantes podem se tomar chá forte servido em samovares reluzentes.

Mas há também o estande de Cingapura. Lá, é oferecida gratuitamente cerveja feito com água reciclada de sanitários.

Negociadores e observadores, reunidos em um estádio de futebol restaurado nos confins de Baku, capital do Azerbaijão, não parecem se importar. Na realidade, as credenciais da cerveja como bebida reciclável podem adicionar algum apelo entre os ambientalistas na Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, a COP29.

“Primeiro, os olhos deles arregalam. Então, nós os tranquilizamos. Eles normalmente voltam no dia seguinte para outra”, contou Samantha Thian, uma das líderes da delegação jovem de Cingaputa, sobre os degustadores.

Uma pilsner com a marca NEWBrew, a cerveja é o resultado de uma colaboração entre a companhia Brewerkz, de Cingapura, e a agência abastecedora de água do país. Vem em uma lata decorada com painéis solares, nuvens e paisagens de cidades. O projeto foi desenhado para atrair a atenção aos esforços de recuperação de água de Cingapura.

País-ilha no sol da Península da Malásia, Cingapura não dispõe de grandes fontes naturais de água. Há coleta de chuva, importações da vizinha Malásia, dessalinização e uso de um sistema de filtragem e raios ultravioleta para tornar a água potável de novo.

A empresa Brewerkz mantém produção limitada de cerveja, a partir de água reciclada, desde 2018. Fabrica especialmente para conferências e eventos comerciais, como um festivo embaixador da causa da água reciclada.

“Admito que é um pouco de truque, mas essas coisas realmente funcionam”, disse Ong Tze-Ch’in, presidente da agência nacional de água de Cingapura.

Diante dos impactos do aquecimento global sobre a escassez de água, assegurar que há água suficiente para as pessoas, as plantações e as principais indústrias, como a de chips de computadores, é um um desafio central.

Cerca da metade da população do planeta esforça-se para conseguir água limpa suficiente pelo menos em parte de cada ano, segundo o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática), um braço das Nações Unidas. E, a cada grau de aumento de temperatura, crescem os riscos de seca e inundações.

Enquanto as notícias de uma cerveja feita de água de esgoto circulavam na COP29, alguns participantes pararam no estande de Cingapura para um teste de curiosidade. Outros, como Pat Heslop-Harrison, professor de biologia da Universidade de Leicester, na Inglaterra, só queria uma bebida que não o estivesse fora do estádio.

Só quando esmagou a latinha, ele percebeu que tinha bebido uma gelada feita de água de sanitários. Thian estava certa: ele gostou tanto que voltou no dia seguinte. “Tenho certeza que a tecnologia de Cingapura é inigualável”, disse ele.

Alguns clientes ficaram mais envergonhados de provar a cerveja. Um deles ficou feliz em dar sua avaliação —”fresca” e “não muito amarga”—, mas não o seu nome, para seu chefe não descobrir que estava bebendo de dia durante uma conferência das Nações Unidas.

Julián Reingold, jornalista grego, parou para um gole quando as negociações da COP29 começaram a atolar, na segunda semana. “Se bebêssemos mais daquela cerveja, não sei como as negociações acabariam. Talvez melhor. Quem sabe?”, disse.



Leia Mais: Folha

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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial — Universidade Federal do Acre

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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial-capa.jpg

O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) da Ufac realizou, nesta quarta-feira, 13, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (Cfch), um evento em comemoração aos 10 anos do Laboratório de Pesquisa Observatório de Discriminação Racial (LabODR). A programação reuniu a comunidade acadêmica, pesquisadores, egressos, bolsistas e integrantes do movimento social negro para celebrar a trajetória do laboratório e os resultados alcançados por meio das pesquisas desenvolvidas ao longo da última década.

Vinculado à área de História, mas formado por profissionais de diferentes áreas do conhecimento, o LabODR/Ufac foi criado em 2016 a partir de uma articulação entre a Ufac e o movimento negro acreano, especialmente o Fórum Permanente de Educação Étnico-Racial do Estado do Acre. Inicialmente estruturado como projeto institucional de pesquisa, o laboratório contou com apoio da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes) e, em 2018, foi inserido na plataforma Lab e certificado pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propeg).

O laboratório atua na pesquisa e na formação de pesquisadores com foco na promoção da igualdade racial, desenvolvendo estudos voltados tanto à denúncia de práticas racistas quanto à construção de reflexões e práticas antirracistas, principalmente nos espaços educacionais. Atualmente, o LODR/Ufac abriga projetos institucionais como “Práticas Pedagógicas em Educação das Relações Étnico-Raciais em Escolas do Estado do Acre”, desenvolvido desde 2018, e “Pérolas Negras”, iniciado em 2020.

Durante o evento, convidados e bolsistas compartilharam experiências acadêmicas e profissionais construídas a partir das atividades desenvolvidas pelo laboratório, destacando a importância do observatório em suas formações pessoais e profissionais. A programação também apresentou pesquisas realizadas ao longo desses dez anos de atuação e ressaltou a contribuição do laboratório para o fortalecimento das discussões sobre igualdade racial dentro da universidade e na sociedade acreana.

Compuseram o dispositivo de honra o vice-reitor, Josimar Ferreira; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Ufac, Margarida Lima; a vice-diretora do Cfch, Lucilene Ferreira de Almeida; e a representante do Neabi, Flávia Rocha.

 



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Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre

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Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre

A Universidade Federal do Acre (Ufac) participou, no dia 1º de maio, da Mostra Científica “Conectando Saberes: da integração à inclusão na Amazônia”, realizada na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira. A ação reuniu instituições de ensino, pesquisa, escolas rurais e moradores da reserva em atividades de divulgação científica e integração comunitária.

Financiada pelo CNPq, a iniciativa contou com a participação da Ufac, Ifac, ICMBio e de escolas da região. Aproximadamente 250 pessoas participaram da programação, entre estudantes, professores e moradores das comunidades da reserva.

Durante o evento, estudantes da graduação e pós-graduação da Ufac e do Ifac apresentaram pesquisas e atividades educativas nas áreas de saúde, Astronomia, Física, Matemática, Robótica e educação científica. A programação incluiu oficinas de foguetes, observação do céu com telescópios, sessões de planetário, jogos educativos e atividades com microscópios.

O professor Francisco Glauco, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN) da Ufac, destacou a importância da participação acadêmica em ações junto às comunidades tradicionais.

“A universidade tem um papel fundamental para a formação científica e cidadã dos estudantes. A troca de conhecimentos com comunidades de difícil acesso fortalece essa formação”, afirmou.

A professora Valdenice Barbosa, da Escola Iracema, ressaltou o impacto da iniciativa para os alunos da reserva.

“Foi um dia histórico de muito aprendizado. Muitos estudantes tiveram contato pela primeira vez com experimentos e equipamentos científicos”, disse.

Além das atividades científicas, a programação contou com apresentações culturais realizadas pelos estudantes da reserva, fortalecendo a integração entre ciência, educação e saberes amazônicos.

A participação da Ufac reforça o compromisso da universidade com a extensão, a popularização da ciência e a aproximação entre universidade e comunidades tradicionais da Amazônia.

Fhagner Soares – Estagiário

 



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UFAC participa de pesquisa sobre zoonose associada à caça de subsistência na Amazônia — Universidade Federal do Acre

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UFAC participa de pesquisa sobre zoonose associada à caça de subsistência na Amazônia-interna.jpg

Um estudo publicado na revista Acta Amazonica identificou a presença do parasita Echinococcus vogeli em pacas (Cuniculus paca) abatidas e consumidas por comunidades tradicionais da Amazônia Ocidental. O agente é responsável pela equinococose policística humana, zoonose considerada emergente na região.

A pesquisa foi desenvolvida entre 2022 e 2023 nos municípios de Sena Madureira e Rio Branco, no Acre, sob coordenação do professor Francisco Glauco de Araújo Santos, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN), integrando a dissertação de mestrado de Liliane de Souza Anadão, do Programa de Pós-Graduação em Sanidade e Produção Animal Sustentável na Amazônia (PPGSPASA).

O estudo entrevistou 78 famílias e analisou 23 fígados de pacas abatidas para consumo. Em 48% das amostras foram identificados cistos hidáticos causados pelo parasita. A pesquisa também apontou que a maioria dos cães das comunidades participa das caçadas e consome vísceras cruas dos animais.

Segundo os pesquisadores, o principal risco de transmissão ocorre quando cães infectados eliminam ovos do parasita no ambiente, contaminando solo, água e alimentos.

“O principal risco está associado ao descarte inadequado das vísceras e ao contato com ambientes contaminados pelas fezes de cães infectados”, destacou o professor Francisco Glauco.

O estudo reforça a necessidade de ações de vigilância e educação em saúde nas comunidades rurais, principalmente relacionadas ao manejo de cães e ao descarte adequado das vísceras dos animais abatidos.

Para o pesquisador Leandro Siqueira, doutor em Medicina Tropical pela Fiocruz e coautor do estudo, a pesquisa amplia o conhecimento sobre a transmissão da doença na Amazônia e pode contribuir para futuras ações de prevenção e diagnóstico na região.

Fhagner Soares – Estagiário



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