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Não caia nas representações simplistas do atacante de Nova Orleans | Editorial
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2 anos atrásem
Na cidade de Nova Orleans, na Louisiana, o ano novo começou com uma tragédia horrível depois que um homem atropelou com seu caminhão uma multidão de foliões na madrugada de 1º de janeiro, matando pelo menos 15 pessoas e ferindo dezenas de outras.
O agressor logo foi formalmente identificado como Shamsud-Din Jabbar, um cidadão americano de 42 anos do estado vizinho do Texas. À medida que a história se desenrolava, os meios de comunicação concentraram-se em dois detalhes importantes mencionados na declaração preliminar do FBI sobre o incidente: uma bandeira do ISIL (ISIS) foi encontrada no veículo de Jabbar, e as suas contas nas redes sociais continham publicações que sugerem que ele pode ter sido “inspirado ”pelo grupo. Para muitos, isto foi suficiente para enquadrar Jabbar, que foi morto no local por tiros policiais, como um terrorista “ligado” ao ISIL.
Embora o FBI afirme que está investigando o ataque como um ato de “terrorismo”, no momento em que este artigo foi escrito, havia nenhuma evidência para sugerir Jabbar recebeu ordens do ISIL para realizar um ataque em solo americano. O FBI não especificou quais evidências utilizou para fazer essa determinação legal, nem divulgou informações detalhadas sobre um possível motivo.
O que sabemos é que Jabbar era um veterano do Exército dos EUA que serviu nas forças armadas dos EUA durante 13 anos, incluindo uma missão no Afeganistão. Ele estaria se divorciando e expressou o desejo de matar toda a sua família. Tudo isto complica significativamente a narrativa e põe em causa as suposições feitas sobre o que o levou a matar tantas pessoas.
Desafiando declarações oficiais
A alegação de funcionários do FBI e até do presidente dos EUA, Joe Biden, de que o agressor foi “inspirado” pelo EIIL levanta questões importantes sobre a responsabilidade jornalística. Como é que nós, como jornalistas, extrapolamos as nossas reportagens a partir de declarações oficiais versus o contexto mais amplo dos factos?
O contexto é fundamental. Nossas reportagens sobre o que dizem os funcionários do governo devem ser imediatamente seguidas de outros fatos que conhecemos sobre os antecedentes, declarações e vida pessoal do agressor. Isto é especialmente verdade quando se cobrem histórias em desenvolvimento como esta, em que as autoridades divulgam informações contraditórias no calor do momento, apenas para as voltarem silenciosamente mais tarde.
Jabbar não era um jovem impressionável, mas um veterano militar de meia-idade com significativa experiência de vida e muita bagagem. Pelo que sabemos, ele pode ter sido “radicalizado” pelo que viveu durante o seu tempo no exército dos EUA. E quanto ao trauma de seu divórcio e à raiva que ele supostamente sentia por sua própria família?
A questão é que ainda não sabemos o suficiente. O que sabemos é que deveríamos fazer mais perguntas.
Até agora, os meios de comunicação ocidentais parecem estar a escolher o caminho mais fácil e a seguir uma fórmula bem testada ao cobrir esta trágica história: “Bad Brown Muslim cometeu terrorismo em nome do ISIL”. Esta narrativa ignora convenientemente a complexidade das circunstâncias de Jabbar e evita questões mais profundas sobre o seu estado mental, o tempo que serviu no Afeganistão e as crises pessoais que enfrentou.
Compare isso com a forma como as histórias envolvendo atiradores brancos são frequentemente tratadas. Os repórteres pedalam arduamente para humanizar os perpetradores e iluminar os seus problemas de saúde mental, vidas isoladas e lutas pessoais.
Este duplo padrão não só impede que o público conheça toda a verdade sobre um incidente que afecta as suas vidas em tempo útil, mas também reforça estereótipos prejudiciais e aliena ainda mais as comunidades marginalizadas. As comunidades muçulmanas em Nova Orleães e na cidade natal do agressor, Houston, muitas das quais provavelmente nunca conheceram Jabbar, por exemplo, podem agora enfrentar culpa colectiva pelas suas acções devido às acções irresponsáveis das organizações de comunicação social.
O ciclo de vida de um título
Como jornalistas, sabemos que o processo de reportar histórias em desenvolvimento é uma jornada. Primeiro, contamos a história com os poucos factos que conhecemos, muitas vezes confiando em linhas oficiais porque é tudo o que temos no momento. Este é um primeiro passo compreensível e necessário. Mas à medida que mais informações vão surgindo, é nossa responsabilidade evitar simplificar demais o que muitas vezes é uma história complexa e com vários níveis.
Houve outros casos em que os ataques foram creditados ao EIIL, mas posteriormente revelaram-se atos de apenas uma pessoa. Em 2016, os relatórios iniciais sobre o atirador da boate Pulse, Omar Mateen, enfatizaram sua lealdade declarada ao ISIL, mas uma investigação mais aprofundada revelou um indivíduo profundamente perturbado com sem vínculos operacionais com o grupo.
Isto é importante devido às consequências que tais narrativas têm na vida real. Quando a cobertura mediática se centra em ligações tênues com o EIIL, isso alimenta sentimentos e políticas antimuçulmanas. Depois do Tiroteio em San Bernardino 2015a desinformação que liga os atacantes a uma rede mais ampla do ISIL contribuiu para o apoio público à proposta de “proibição muçulmana” do então candidato Donald Trump. Após o 11 de Setembro, afirmações vagas e infundadas sobre os laços de Saddam Hussein com a Al-Qaeda foram fundamentais para justificando a invasão do Iraqueque levou à morte de centenas de milhares de civis iraquianos e à instabilidade política que deu origem ao EIIL.
Também devemos às famílias das vítimas descobrir e relatar toda a verdade sobre o que aconteceu naquele dia. Merecem saber os reais motivos do agressor e se algo poderia ter sido feito para evitar a tragédia.
Nada disto quer dizer que devamos ignorar potenciais evidências de algo maior em jogo aqui. Mas o discernimento é fundamental. À medida que continuamos a relatar esta tragédia, centremo-nos nos factos e no contexto necessário para pintar um quadro mais preciso e responsável.
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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre
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9 de outubro de 2026Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.
Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.
Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).
Aprendizagem no território
Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.
A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.
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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre
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8 de outubro de 2026A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.
A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.
Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”
O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.
Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.
Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.
A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”
Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.
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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre
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1 semana atrásem
2 de outubro de 2026A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.
“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.
Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.
A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.
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