POLÍTICA
O Brasil de 2025 | VEJA
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1 ano atrásem
rprangel2004@gmail.com (Ricardo Rangel)
Resoluções de ano novo são aquelas decisões inquebrantáveis tomadas até 31 de dezembro que quase sempre se quebrantam antes mesmo do Dia de Reis. Como o dia já passou (foi em 6 de janeiro), podemos falar de decisões que o Brasil precisa tomar e (começar a) cumprir durante este ano. Eis algumas:
Resolução #1: acabar com o golpismo
O golpe de Bolsonaro deu errado, mas a tradição do golpismo, que começou no século retrasado, continuará viva enquanto a tradição da impunidade para golpistas não acabar. É preciso mandar os golpistas, conforme prevê a lei, para uma longa temporada na cadeia — inclusive e especialmente os cinco oficiais generais de quatro estrelas envolvidos.
Mas isso não basta, é preciso criar um projeto de Defesa Nacional. O poder civil brasileiro se comporta como se isso não fosse problema seu. No entanto, parafraseando Clemenceau, a Defesa Nacional é importante demais para ficar por conta dos militares: cabe aos representantes eleitos pelo povo (com o apoio dos militares, naturalmente) a definição de um projeto de defesa. Sem ele, militares continuarão se sentindo excluídos, insatisfeitos e sem compreender qual é sua função na democracia. Um campo fértil para o golpismo.
Parte do projeto de Defesa Nacional é a formação dos oficiais, a ser subordinada — exceto em disciplinas estritamente militares — às instâncias civis normais (ministério e secretarias de Educação). Sem isso, o golpismo continuará a ser aprendido na escola.
“A prodigalidade com dinheiro se espalha pela República, mas é o Executivo que deve indicar o caminho”
Também é preciso proibir que militares ocupem cargos políticos civis — eleitos ou não. “Quando a política entra no quartel por uma porta, a disciplina sai pela outra”, ensinou o general legalista Peri Bevilacqua (ele mesmo cassado por militares-golpistas-políticos).
Evidentemente, um projeto de Defesa Nacional se inscreve em um orçamento federal que faça sentido, e, para isso, é preciso cumprir a resolução que vem a seguir.
#2: aprender que dinheiro não dá em árvore
Como se recusa a compreender que governar é administrar recursos limitados e estipular prioridades, o Brasil gasta demais e gasta mal. A consequência é inflação alta ou juro alto (ou os dois), e o resultado prático é que todo ciclo de crescimento acaba sendo um voo de galinha, seguido de desaceleração da economia e concentração de renda.
A prodigalidade e a irresponsabilidade brasileiras se espalham por todas as instâncias da República, mas quem tem o dever de indicar o caminho é o Poder Executivo. Enquanto ele não se convencer de que tem que cortar na carne, não vai convencer ninguém a fazê-lo. E, enquanto políticos, juízes, procuradores etc. não controlarem seu apetite, será impossível organizar o orçamento.
#3: recuperar os serviços públicos básicos (saúde, segurança e educação)
O Estado brasileiro custa uma fortuna e entrega serviços de péssima qualidade. Enquanto isso permanecer assim, o país continuará como na anedota da casa em que falta pão, onde todo mundo grita e ninguém tem razão.
#4: parar de lacrar
O exemplo deve vir de cima: de ministros do Supremo Tribunal Federal, dos membros do Congresso e, principalmente, do governo federal.
Feliz 2025.
Publicado em VEJA de 17 de janeiro de 2025, edição nº 2927
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A articulação para mudar quem define o teto de jur…
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9 meses atrásem
5 de maio de 2025Nicholas Shores
O Ministério da Fazenda e os principais bancos do país trabalham em uma articulação para transferir a definição do teto de juros das linhas de consignado para o Conselho Monetário Nacional (CMN).
A ideia é que o poder de decisão sobre o custo desse tipo de crédito fique com um órgão vocacionado para a análise da conjuntura econômica.
Compõem o CMN os titulares dos ministérios da Fazenda e do Planejamento e Orçamento e da presidência do Banco Central – que, atualmente, são Fernando Haddad, Simone Tebet e Gabriel Galípolo.
A oportunidade enxergada pelos defensores da mudança é a MP 1.292 de 2025, do chamado consignado CLT. O Congresso deve instalar a comissão mista que vai analisar a proposta na próxima quarta-feira.
Uma possibilidade seria aprovar uma emenda ao texto para transferir a função ao CMN.
Hoje, o poder de definir o teto de juros das diferentes linhas de empréstimo consignado está espalhado por alguns ministérios.
Cabe ao Conselho Nacional da Previdência Social (CNPS), presidido pelo ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, fixar o juro máximo cobrado no consignado para pensionistas e aposentados do INSS.
A ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck, é quem decide o teto para os empréstimos consignados contraídos por servidores públicos federais.
Na modalidade do consignado para beneficiários do BPC-Loas, a decisão cabe ao ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Wellington Dias.
Já no consignado de adiantamento do saque-aniversário do FGTS, é o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, que tem a palavra final sobre o juro máximo.
Atualmente, o teto de juros no consignado para aposentados do INSS é de 1,85% ao mês. No consignado de servidores públicos federais, o limite está fixado em 1,80% ao mês.
Segundo os defensores da transferência da decisão para o CMN, o teto “achatado” de juros faz com que, a partir de uma modelagem de risco de crédito, os bancos priorizem conceder empréstimos nessas linhas para quem ganha mais e tem menos idade – restringindo o acesso a crédito para uma parcela considerável do público-alvo desses consignados.
Ainda de acordo com essa lógica, com os contratos de juros futuros de dois anos beirando os 15% e a regra do Banco Central que proíbe que qualquer empréstimo consignado tenha rentabilidade negativa, a tendência é que o universo de tomadores elegíveis para os quais os bancos estejam dispostos a emprestar fique cada vez menor.


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