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O envolvimento da Coreia do Norte na Ucrânia leva a China a um delicado ato de equilíbrio | China
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Amy Hawkins and Helen Davidson
Em Outubro de 1950, apenas um ano após o fim da guerra civil chinesa, Mao Zedong enviou os primeiros soldados chineses para lutar na Guerra da Coreia. Entre 180 mil e 400 mil soldados do presidente Mao morreriam nesse conflito, incluindo seu próprio filho. Mas era importante defender a Coreia do Norte nessa batalha, teria dito Mao, porque “sem os lábios, os dentes ficam frios”.
Essa expressão chinesa tem sido usada para descrever a estreita relação entre a China e a Coreia do Norte há mais de sete décadas. China vê Coréia do Norte como uma protecção estratégica de segurança na região, enquanto a Coreia do Norte depende do seu vizinho superpotência para apoio económico, político e militar. Mas essa relação está agora sob tensão graças a outra guerra que está a atrair países com raízes comunistas para uma batalha comum.
No mês passado, os EUA revelaram que tinham visto provas de milhares de soldados norte-coreanos enviados para a Rússia para possível destacamento nas linhas de frente da guerra na Ucrânia. Na terça-feira, disse que pelo menos 10 mil haviam chegado à província de Kursk, e na quarta-feira autoridades ucranianas disseram que algumas tropas norte-coreanas já estavam sob fogo.
O desenvolvimento gerou preocupação significativa. A entrada da Coreia do Norte no teatro aproxima a Ásia do conflito europeu, arriscando uma perigosa expansão e escalada de uma guerra que tem ramificações globais. Também causa dores de cabeça significativas para Chinaque pretende manter a estabilidade na região enquanto potência asiática e manter os EUA e os aliados afastados, ao mesmo tempo que se debate com uma economia em crise a nível interno. .
Oficialmente, a China afirma não estar envolvida na relação Rússia-Coreia do Norte, que foi fortalecido em junho quando Moscovo e Pyongyang assinaram um pacto de defesa mútua. Mas é o aliado mais próximo e o principal apoiante de Moscovo na sua guerra contra a Ucrânia e, embora os analistas digam que há uma diminuição da confiança entre Pequim e Pyongyang, o seu fornecimento daquilo que Dennis Wilder, investigador sénior da Universidade de Georgetown, chamou de “gotejamento intravenoso” de o apoio é vital para a Coreia do Norte.
Na semana passada, o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Matthew Miller, disse que Washington tinha comunicado a Pequim que a presença de tropas norte-coreanas no esforço de guerra da Rússia “deveria ser uma fonte de preocupação para a China”.
Mas não está claro até que ponto Pequim pode usar o seu domínio sobre Pyongyang para realmente mover a agulha. Alguns analistas acreditam que os líderes da China provavelmente não foram informados antecipadamente sobre o movimento das tropas, ou mesmo sobre o acordo de junho.
Por enquanto, a China parece estar mantendo um perfil discreto sobre isso. Na sexta-feira, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China disse que os relatos de soldados norte-coreanos na Rússia eram “da conta deles”. A mídia estatal tem se mantido silenciosa sobre o assunto.
Mas os analistas acreditam que por trás deste silêncio oficial está um desconforto. De acordo com o Pensamento sobre Diplomacia de Xi Jinping, a ideologia que orienta a política externa da China, os países devem trabalhar em prol de um “destino comum”. Isso sugeriria que a China acolhe com agrado uma relação mais estreita entre os seus dois amigos. Mas “não tenho a certeza se o governo chinês acredita realmente no que diz”, afirma Shen Dingli, um estudioso sénior de relações internacionais em Xangai, que também afirma que a situação corre o risco de se tornar “estranha” para a China.
Pequim acusou repetidamente os EUA de prosseguirem uma “nova mentalidade de guerra fria” em relação à China. Mas a colaboração militar entre a Rússia e a Coreia do Norte corre o risco de trazer a nova guerra fria às portas da China e tornará ainda mais difícil manter o equilíbrio da China entre os seus aliados estratégicos e a sua dependência económica dos EUA e da Europa.
O acordo entre a Rússia e a Coreia do Norte arriscava estabelecer um bloco, incluindo inevitavelmente a China, que seria confrontado com uma aliança EUA-Coreia do Sul-Japão, diz Zhu Feng, reitor do Instituto de Estudos Internacionais da Universidade de Nanjing. Mas ele diz que a China não quer restabelecer estes triângulos da era da Guerra Fria, mesmo com os seus aliados. “O problema é que esse tipo de mentalidade de guerra fria é completamente contra o interesse nacional chinês. A China de hoje não é a China dos anos 50.”
“Até agora penso que a opção de Pequim é continuar a observar. Temos que estar muito conscientes”, diz Zhu.
Feng Yujun, professor da Universidade de Pequim, também diz que a China deveria estar “altamente vigilante” sobre a situação, num artigo recente que foi traduzido pelo boletim informativo Sinification. “A China não pode ignorar a lição histórica de que mudanças graduais podem levar a uma mudança qualitativa”, escreve Feng.
Embora a maior influência da China sobre a Coreia do Norte seja a sua relação económica, o comércio entre os dois países permanece abaixo dos níveis pré-pandemia, ao contrário do comércio entre a Coreia do Norte e a Rússia, que está em expansão.
A intervenção da Rússia com uma oportunidade de experiência no campo de batalha e assistência tecnológica que poderia modernizar as forças armadas da Coreia do Norte sugere que Moscovo pode agora estar a desafiar a China pela influência na Coreia do Norte. Especialmente se a Rússia estiver mais disposta a ajudar com os objectivos nucleares e de mísseis balísticos de longo alcance da Coreia do Norte. Na semana passada, a Coreia do Norte lançou um míssil balístico intercontinental ao largo de sua costa leste, atingindo uma altura recorde. Foi o primeiro teste de mísseis ICBM do país em quase um ano.
“Se Moscovo chegar ao ponto de ajudar o programa nuclear de Pyongyang… isso representaria um grave desafio para o regime internacional de não-proliferação, no qual a China tem uma participação significativa”, afirma Tong Zhao, membro sénior do Carnegie Endowment for International Peace.
“A China prevê hoje uma coligação estratégica com a Rússia e a Coreia do Norte, mas com ela própria no comando, cautelosa com a possibilidade de qualquer um dos parceiros tomar iniciativas radicais fora do seu controlo.”
Além de perturbar o equilíbrio de poder no triângulo China-Rússia-Coreia do Norte, a China teme que os norte-coreanos que lutam na Rússia possam atrair a Europa para questões de segurança do Leste Asiático, como Taiwan, e aumentar a probabilidade de uma “OTAN asiática”. “A China vê mais danos no envio de forças norte-coreanas para a Rússia do que benefícios potenciais”, diz Shen.
Pequim está numa situação difícil. Não quer que uma Coreia do Norte mais poderosa perturbe o equilíbrio da paz no Leste Asiático e teme que uma vitória russa na Ucrânia tornaria a OTAN mais coesa, endurecendo a posição do Ocidente contra a China, que tem apoiado economicamente a Rússia durante a invasão. Mas também não quer um fracasso russo. Xi e Vladimir Putin são os aliados mais próximos um do outro, apesar das suas batalhas regionais pela influência, e a Rússia é um grande interveniente nos blocos multilaterais que desafiam a ordem liderada pelo Ocidente que Xi tem trabalhado para construir.
“A China passou décadas a resolver disputas fronteiriças e a construir uma relação produtiva com a Rússia para criar espaço para os seus objectivos estratégicos”, afirma o professor de direito internacional Peter Dutton, da Faculdade de Guerra Naval dos EUA. “Estes desenvolvimentos poderão rapidamente inviabilizar a missão de Pequim.”
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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre
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9 de outubro de 2026Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.
Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.
Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).
Aprendizagem no território
Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.
A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.
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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre
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8 de outubro de 2026A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.
A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.
Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”
O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.
Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.
Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.
A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”
Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.
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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre
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2 de outubro de 2026A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.
“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.
Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.
A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.
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