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O equilíbrio de poder está a mudar no Médio Oriente – e é a “lua cheia” da Turquia em ascensão | Hassan Hassan

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Hassan Hassan

TA queda do regime de Assad na Síria marca o fim da tão temida “Crescente xiita” e a ascensão da “lua cheia” da Turquia, remodelando a paisagem geopolítica desde o Corno de África até ao Levante e ao Afeganistão. O apoio de Recep Tayyip Erdoğan aos rebeldes sírios elevou Ancara ao estatuto de potência regionalcuja influência abrange agora todos os principais intervenientes na região.

A Turquia desempenhou um papel fundamental no surpreendente triunfo dos rebeldes. A operação desenrolou-se com uma extraordinária ausência do tipo de destruição violenta que caracterizou as campanhas sírias nos últimos 13 anos. Peru forneceu inteligência, orientação e cobertura política.

Nos primeiros anos do conflito sírio, dezenas de nações ofereceram apoio esporádico a grupos de oposição, mas o compromisso da Turquia com os rebeldes no enclave do noroeste, perto da sua fronteira, foi consistente. Através de cessar-fogo e linhas de frente congeladas negociadas desde 2019, a Turquia garantiu que os rebeldes tivessem estabilidade para se rearmarem e se reorganizarem.

Com o Irão sobrecarregado e incapaz de fornecer recursos e mão-de-obra devido à Ataques israelenses contra o Hezbollah e as redes iranianas no Líbano e na Síria, o colapso do regime de Assad tornou-se não só possível mas inevitável. Enquanto isso, a Rússia, preocupado com sua guerra na Ucrânia, ofereceu apenas um apoio limitado a Assad.

Os efeitos do sucesso da Turquia serão provavelmente sentidos no vizinho Iraque. A Turquia mantém há muito tempo uma presença nas regiões do norte e tem colaborou com os curdos iraquianos e teve como alvo o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK). A ascensão de um governo liderado pelos sunitas na Síria fortalece a mão da Turquia nas áreas do Iraque de maioria sunita que têm sido dominadas por milícias xiitas apoiadas pelo Irão desde a queda do Estado Islâmico em 2019. Esta erosão gradual da influência do Irão no Iraque é provavelmente reflectem as mudanças que estão a tomar forma na Síria.

As ambições da Turquia vão muito além da Síria e do Iraque, abrangendo toda a África, o Cáucaso e a Ásia Central. Quatro dias após a vitória rebelde na Síria, Erdoğan conseguiu mediou um acordo entre a Somália e a Etiópia, dois aliados turcos próximos, para diminuir as tensões sobre disputas territoriais. O profundo envolvimento da Turquia na Líbia, incluindo apoio militar para o governo reconhecido pela ONU, também assegura a sua influência sobre a dinâmica energética do Mediterrâneo e posiciona-o como um importante intermediário de poder no Norte de África.

O papel de Ancara no Afeganistão também cresceu nos últimos anos, onde cultivou laços com os talibãs desde o seu regresso ao poder em 2021, a leste das fronteiras do Irão. Além disso, a Turquia solidificou a sua presença no Azerbaijão, perto da fronteira norte do Irão, ao apoiando Baku militarmente e diplomaticamente durante a guerra de Nagorno-Karabakh em 2020 contra a Arménia, posicionando-se como um actor-chave no Cáucaso.

A ascensão da Turquia complica a dinâmica do poder regional, especialmente para a Arábia Saudita e os seus aliados. Diferente Irãcuja identidade sectária xiita a tornou um rival claro, as credenciais sunitas da Turquia criam um desafio mais subtil e abrangente. Riade há muito que se posiciona como líder do mundo muçulmano sunita, contrariando a influência xiita do Irão, mas a ascendência da Turquia perturba esta narrativa. As políticas de orientação islâmica de Ancara repercutem numa ampla faixa de muçulmanos sunitas e de islamistas políticos, oferecendo uma alternativa às monarquias do Golfo.

Também ao contrário do Irão, que dependia de representantes como o Hezbollah para manter a sua influência, a Turquia alcançou legitimidade através do seu apoio direto às forças sunitas locais e a causas populares, como as revoltas árabes de 2011. Isto posiciona a Turquia como uma potência mais pan-sunita, minando a reivindicação da Arábia Saudita à liderança regional. Para Riade e para os Emirados Árabes Unidos, esta nova dinâmica faz lembrar a ascensão, em 2012, de um governo islâmico apoiado pela Turquia no Egipto, sob Mohamed Morsi., o que levou os estados do Golfo a apoiar o golpe militar que os derrubou.

Durante mais de duas décadas, o crescente xiita do Irão simbolizou a sua ambição de dominar o Médio Oriente. Estendendo-se de Teerão ao Mediterrâneo, este corredor permitiu ao Irão projectar poder através de representantes como o Hezbollah e ameaçar adversários como Israel e a Arábia Saudita. Em 2019, parecia que o Irão tinha solidificado o seu domínio sobre quatro capitais árabes – Bagdad, Damasco, Beirute e Sanaa – marcando o auge da sua influência regional. No entanto, esta expansão veio à custa de uma extensão estratégica excessiva, deixando Teerão vulnerável a uma Turquia e a Israel cada vez mais assertivos ou agressivos.

Hoje, esse crescente está se fraturando. A vitória dos rebeldes na Síria, juntamente com a crescente influência da Turquia, cortou o poder do Irão. ponte de terra para o Líbanointerrompendo suas linhas de abastecimento e isolando seus representantes. Este declínio reflecte-se ainda mais no Líbano, onde o domínio do Hezbollah está sob pressão crescente devido às crises internas e à persistente pressão militar de Israel. A perda do Irão é o ganho da Turquia, à medida que Damasco deixa de ser um aliado iraniano durante quase meio século para se tornar um aliado turco.

A ascensão da Turquia não é apenas uma resposta ao declínio do Irão. Reflete uma política externa assertiva baseada em imperativos económicos e de segurança urgentes, como a ameaça curda na Síria e Iraquee uma abordagem fundamentalmente diferente do poder regional. Embora a influência do Irão se baseasse no sectarismo e no poder duro, a estratégia da Turquia combina a intervenção militar com o alcance diplomático e o investimento económico. Esta abordagem multifacetada permite-lhe operar através de linhas sectárias e ideológicas.

Na região, o domínio da Turquia é uma fonte de profunda preocupação. Para a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e Israel, a mudança em Damasco é um factor de mudança que poderá colocá-los contra um rival regional. Para os decisores políticos ocidentais, as opiniões sobre a crescente assertividade de Ancara vão desde preocupações sobre os seus laços islâmicos até ao reconhecimento da sua centralidade na política do Médio Oriente. Isto joga a favor de Ancara, pois é uma diferença marcante em relação à projecção de poder do Irão que foi desafiada unanimemente no Ocidente e na região.

Nos próximos anos, as lutas pelo poder na região já não girarão em torno da sombra das ambições do Irão, mas em torno do âmbito das ambições da Turquia. Tanto para rivais como para aliados, a questão já não será se a Turquia dominará a região, mas como.



Leia Mais: The Guardian

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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre

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Alexandra Deitos e Txima Huni Kuin.jpg

Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.

Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.

Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).

Aprendizagem no território

Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.

A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

Mestras e aprendizes tecelãs.jpg

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.

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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre

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2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no SUS (2).jpg

A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.

A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.

Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”

O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.

Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.

Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.

A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”

Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.



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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre

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Nathalia Oliveira, Ufac 2026.10.02.jpeg

A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.

“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.

Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.

A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.



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