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O julgamento de estupro de Pelicot está provocando o momento #MeToo na França? – DW – 16/10/2024
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Em Avignon, uma cidade no sul Françafaixas em apoio a Gisele Pelicot estão penduradas nas ruas. As mulheres realizaram diversas manifestações em todo o país para mostrar solidariedade a ela.
A força e o comportamento que Pelicot demonstrou durante seu julgamento de estupro fizeram dela um símbolo nacional de coragem e graça. Dezenas de mulheres aplaudem todos os dias enquanto ela se dirige ao tribunal no sul de Avignon.
O marido de Pelicot, Dominique, está atualmente sendo julgado com outros 50 homens por estuprá-la enquanto ela estava inconsciente. O marido admitiu a drogá-la, estuprá-la, permitir que mais de 80 homens a estuprassem enquanto ela estava em coma e filmar o abuso ao longo de uma década. Os homens, com idades entre 26 e 74 anos, incluem bombeiros, eletricistas e jornalistas.
É um julgamento que poderá inspirar mudanças sociais, especialmente porque Pelicot renunciou ao seu direito ao anonimato e insistiu num julgamento público, o que é excepcional em França para casos de violação.
Como o caso de estupro de Pelicot inspirou esperança
Isso permitiu que Justine acompanhasse cada dia do julgamento de Pelicot em Paris. Justine, cujo nome foi alterado para proteger a sua identidade, conta à DW que também é vítima da chamada submissão química, violação em que as drogas deixam a vítima inconsciente.
Há três anos, uma conhecida drogou Justine e forçou-a a fazer sexo com a conhecida e com um homem. Ela diz que a mulher filmou o abuso e pediu-lhe 20 mil euros (21.800 dólares) para apagar os vídeos.
Quando Justine não pagou, a mulher enviou os vídeos para alguns amigos e vizinhos. Ela ainda não se sente segura o suficiente para falar usando seu nome verdadeiro, mas assistir Pelicot lhe deu uma nova esperança.
“Gisele é uma luz brilhante que expõe um lado obscuro da sociedade que alguns estão tentando esconder. Precisamos seguir seu exemplo. Ela representa o poder de falar abertamente”, diz Justine à DW.
O advogado de Justine apresentou acusações de violação depois de a polícia se ter recusado a apresentar queixa, mas o seu caso ainda não foi a julgamento.
“Estou absolutamente arrasada com o que aconteceu comigo. Tenho que conviver com esse abuso todos os dias. Vou para a cama com isso e pesadelos me acordam”, diz ela.
“Mas Gisele me deu coragem para voltar ao tribunal, onde me disseram que meu caso estava parado. Não vou desistir até que retomem o assunto.”
Julgamento de Pelicot inspira sobrevivente de estupro a falar
O caso Pelicot fez com que muitos em França, tanto feministas como legisladores, levantassem questões sobre a masculinidade tóxica e a definição de estuproparticularmente se a França deveria rever a definição de consentimento de não dizer “não” para dizer ativamente “sim”.
A lei francesa define actualmente a violação como um acto sexual cometido “por violência, coerção, ameaça ou surpresa”, mas não faz referência explícita à necessidade de obter consentimento. No entanto, a “submissão química” enquadra-se na categoria “estupro agravado”, que pode resultar numa pena de prisão até 15 anos. As alegações de estupro têm prazo de prescrição de 20 anos.
Embora não existam números específicos sobre a submissão de substâncias químicas, as estatísticas gerais sobre acusações de violação em França mostram que raramente resultam numa condenação. De acordo com um estudo do Institute of Public Policy (IPP), um grupo de reflexão com sede em Paris, 94% dos casos notificados foram abandonados entre 2012 e 2021.
‘Movimento XXL #MeToo’ na França?
Anne, 63 anos, está convencida do caso Pelicot inspirará muitos na França e no exterior. “Este é um XXL Momento #MeToo“, diz Anne à DW, referindo-se à hashtag de mídia social e ativista Alyssa Milano criada em 2017 para aumentar a conscientização sobre o abuso sexual.
Um retrato graffiti de Pelicot foi compartilhado e impresso milhares de vezes. O lema “a vergonha deve mudar de lado”, proferido pelo advogado de Pelicot quando o julgamento começou, tornou-se um grito de guerra para as mulheres feministas.
A própria Anne foi vítima de submissão química, drogada e estuprada quando criança pelo pai, que também filmou o abuso sexual. Ela não pode se manifestar usando seu nome verdadeiro por motivos legais, embora seu caso tenha ocorrido na década de 1970 e, portanto, esteja fora do prazo de prescrição.
“Gisele mostra tanta dignidade e elegância que não se deixa manchar por todos os danos e abusos que sofreu e que estão sendo expostos na Justiça”, diz Anne.
“Ela se tornou um modelo para muitas sobreviventes de estupro que, como eu no passado, sentem vergonha do abuso que sofreram, como se a culpa fosse delas”.
Anne acha que o ensaio também destaca que a submissão química não ocorre apenas em festas e boates.
“Isso acontece muitas vezes nas famílias, e todos devemos estar cientes disso para podermos reconhecer os sinais de alerta, como dores de cabeça recorrentes e lapsos de memória”, diz ela.
Treinamento mais específico sobre submissão de produtos químicos
Arnaud Gallais, um autor e ativista francês, diz que os advogados também precisam fazer um exame de consciência. É cofundador, junto com Caroline Darian, filha de Gisele Pelicot, do grupo de ajuda Don’t Put Me To Sleep (M’Endors Pas).
“Gisele está sendo submetida ao que o Tribunal Europeu de Direitos Humanos chamou de vitimização secundária. Certos advogados de defesa estão causando-lhe um trauma adicional ao dizer coisas como ela deu o seu consentimento – enquanto estava inconsciente ou roncando!” Gallais conta à DW.
A sua organização apresentou uma queixa formal junto do presidente da Ordem dos Advogados e, se necessário, pretende recorrer ao Tribunal de Justiça Europeu para estabelecer regras mais rigorosas para os advogados franceses.
E Gallais espera uma mudança em outro nível.
“Precisamos de uma lei específica sobre submissão de produtos químicos que reestruture certas áreas da vida pública que incluam formação sistemática para a polícia e médicos e campanhas de informação para o público”, afirma.
Na verdade, quase não existe formação específica sobre submissão de substâncias químicas para a polícia, confirma Jean-Christophe Couvy, secretário nacional do sindicato da polícia Unite.
“Os cursos sobre violência sexual fazem parte da nossa formação básica, mas apenas alguns policiais especializados têm acesso a aulas sobre submissão de produtos químicos”, diz ele à DW.
“Essas aulas deveriam ser acessíveis a todos nós, também para que estejamos atualizados sobre quais medicamentos estão sendo utilizados”.
‘Ao ajudar os outros, estou ajudando a mim mesmo’
Enquanto isso, Justine, uma psicóloga treinada, encontrou uma maneira de manter a cabeça acima da água e ao mesmo tempo ajudar outros sobreviventes.
“Percebi que a hipnose e a terapia para traumas estavam me ajudando muito, então aprendi como ministrar essas sessões de terapia aos meus pacientes, muitos dos quais foram abusados sexualmente”, diz ela.
“Ao ajudá-los a se curar, estou me curando.”
Ela também espera que um dia as vítimas não se sintam mais sozinhas. “Através do processo judicial (de Pelicot), começou algo que não pode ser interrompido. Espero que, no futuro, a polícia tenha de acompanhar sistematicamente as nossas queixas e os tribunais tenham de as considerar”.
Entretanto, o governo decidiu reavivar uma comissão parlamentar sobre submissão de produtos químicos, que poderia propor uma alteração à lei. Anne espera que isso possa levar ao levantamento do prazo de prescrição em casos de abuso sexual, especialmente quando se trata de menores.
“Meu pai ainda está vivo. Ele deveria ser responsabilizado pelo que fez comigo”, diz ela.
“Espero que ele esteja assistindo a este processo judicial e tremendo de medo do que isso poderia significar para ele.”
Este artigo foi escrito originalmente em alemão.
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Exame Nacional de Acesso ENA/Profmat em 2026 — Universidade Federal do Acre
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13 de janeiro de 2026A Coordenação Institucional do Mestrado Profissional em Matemática em Rede Nacional (PROFMAT/UFAC) divulga a lista de pedidos de matrícula deferidos pela Coordenação, no âmbito do Exame Nacional de Acesso 2026.
LISTA DE PEDIDO DE MATRÍCULA DEFERIDOS
1 ALEXANDRE SANTA CATARINA
2 CARLOS KEVEN DE MORAIS MAIA
3 FELIPE VALENTIM DA SILVA
4 LUCAS NASCIMENTO DA SILVA
5 CARLOS FERREIRA DE ALMEIDA
6 ISRAEL FARAZ DE SOUZA
7 MARCUS WILLIAM MACIEL OLIVEIRA
8 WESLEY BEZERRA
9 SÉRGIO MELO DE SOUZA BATALHA SALES
10 NARCIZO CORREIA DE AMORIM JÚNIOR
Informamos aos candidatos que as aulas terão início a partir do dia 6 de março de 2026, no Bloco dos Mestrados da Universidade Federal do Acre. O horário das aulas será informado oportunamente.
Esclarecemos, ainda, que os pedidos de matrícula serão encaminhados ao Núcleo de Registro e Controle Acadêmico da UFAC, que poderá solicitar documentação complementar.
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Linguagem e Identidade — Universidade Federal do Acre
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12 de janeiro de 2026O programa de pós-graduação em Letras: Linguagem e Identidade (PPGLI) da Ufac chega aos 20 anos com um legado consolidado na formação de profissionais da educação na Amazônia. Criado em 2005 e com sua primeira turma de mestrado iniciada em 2006, o PPGLI passou a ofertar curso de doutorado a partir de 2019. Em 2026, o programa contabiliza 330 mestres e doutores titulados, muitos deles com inserção em instituições de ensino e pesquisa na região.
Os dados mais recentes apontam que 41% dos egressos do PPGLI atuam como docentes na própria Ufac e no Instituto Federal do Acre (Ifac), enquanto 39,4% contribuem com a educação básica. Com conceito 5 na avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) no quadriênio 2017-2020, o PPGLI figura entre os melhores da região Norte.
“Ao longo dessas duas décadas, o programa de pós-graduação em Linguagem e Identidade destaca-se pela excelência acadêmica e pela forte relevância social”, disse a reitora Guida Aquino. “Sua trajetória tem contribuído de forma decisiva para a produção científica e cultural, especialmente no campo dos estudos sobre linguagens e identidades, fortalecendo o compromisso da Ufac com formação qualificada, pesquisa e transformação social.”
O coordenador do programa, Gerson Albuquerque, destacou que, apesar de recente no contexto da pós-graduação brasileira, o PPGLI promove uma transformação na educação superior da Amazônia acreana. “Nesses 20 anos, o PPGLI foi responsável não apenas pela formação de centenas de profissionais altamente qualificados, mas por inúmeras outras iniciativas e realizações que impactam diretamente a sociedade.”
Entre essas ações, Gerson citou a implementação de uma política linguística pioneira que possibilitou o ingresso e permanência de estudantes indígenas e de outras minorias linguísticas, além do protagonismo de pesquisadores indígenas em projetos voltados ao fortalecimento de suas culturas e línguas. “As ações do PPGLI transcenderam os limites acadêmicos, gerando impactos sociais, culturais e econômicos significativos”, opinou. “O programa contribui para a construção de uma sociedade mais inclusiva e consciente de sua riqueza linguística e cultural.”
Educação básica, pesquisa e projetos
Sobre a inserção dos egressos na educação básica, Gerson considerou que, embora a formação stricto sensu seja voltada prioritariamente ao ensino superior e à pesquisa, o alcance do PPGLI vai além. “Se analisarmos o perfil de nossos mestres e doutores, 72% atuam em instituições de ensino superior, técnico, tecnológico ou na educação básica. Isso atesta a importância do programa para a Amazônia e para a área de linguística e literatura, uma das que mais forma mestres e doutores no país.”
O professor também destacou a trajetória de 15 egressos que hoje se destacam em instituições de ensino, projetos de extensão e pesquisa, tanto no Brasil quanto no exterior. Para ele, esses exemplos ilustram a diversidade de atuações do corpo formado pelo programa, que inclui professores indígenas, pesquisadores em literatura comparada, especialistas em língua brasileira de sinais (Libras), artistas da palavra, autores de livros, lideranças educacionais e docentes em universidades peruanas.
A produção científica do PPGLI também foi ressaltada pelo coordenador, que apontou os avanços no quadriênio 2021-2024 como reflexo de um projeto acadêmico articulado com os desafios amazônicos. “Promovemos ações de ensino, pesquisa e extensão com foco na diversidade étnica, linguística e cultural. Nossas parcerias internacionais ampliam o alcance do programa sem perder o vínculo com as realidades locais, especialmente as regiões de fronteira com Peru e Bolívia.”
Entre os destaques estão as políticas afirmativas, a produção de material didático bilíngue para escolas indígenas, a inserção em redes de pesquisa e eventos científicos, a publicação de livros e dossiês temáticos e a atuação dos docentes e discentes em comunidades ribeirinhas e florestais.
Para os próximos anos, o desafio, segundo Gerson, é manter e ampliar essas ações. “Nosso foco está no aprimoramento das estratégias de educação inclusiva e no fortalecimento do impacto social do Programa”, afirmou. Para marcar a data, o PPGLI irá realizar um seminário comemorativo no início de fevereiro de 2026, além de uma série de homenagens e atividades acadêmico-culturais ao longo do ano.
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Ufac lança nova versão do SEI com melhorias e interface moderna — Universidade Federal do Acre
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3 dias atrásem
12 de janeiro de 2026A Ufac realizou a solenidade de lançamento da nova versão do Sistema Eletrônico de Informações (SEI), que passa a operar na versão 5.0.3. A atualização oferece interface mais moderna, melhorias de desempenho, maior segurança e avanços significativos na gestão de documentos eletrônicos. O evento ocorreu nesta segunda-feira, 12, no auditório da Pró-Reitoria de Graduação.
A reitora Guida Aquino destacou a importância da modernização para a eficiência institucional. Ela lembrou que a primeira implantação do SEI ocorreu em 2020, antes mesmo do início da pandemia, permitindo à universidade manter suas atividades administrativas durante o período de restrições sanitárias. “Esse sistema coroou um momento importante da nossa história. Agora, com a versão 5.0, damos mais um passo na economia de papel, na praticidade e na sustentabilidade. Não tenho dúvida de que teremos mais celeridade e eficiência no nosso dia a dia.”
Ela também pontuou que a universidade está entre as primeiras do país a operar com a versão mais atual do sistema e reforçou o compromisso da gestão em concluir o mandato com entregas concretas. “Trabalharei até o último dia para garantir que a Ufac continue avançando. Não fiz da Reitoria trampolim político. Fizemos obras, sim, mas também implementamos políticas. Digitalizamos assentamentos, reorganizamos processos, criamos oportunidades para estudantes e servidores. E tudo isso se comunica diretamente com o que estamos lançando hoje.”
Guida reforçou que a credibilidade institucional conquistada ao longo dos anos é resultado de um esforço coletivo. “Tudo o que fiz na Reitoria foi com compromisso com esta universidade. E farei até o último dia. Continuamos avançando porque a Ufac merece.”
Mudanças e gestão documental
Responsável técnico pela atualização, o diretor do Núcleo de Tecnologia da Informação (NTI), Jerbisclei de Souza Silva, explicou que a nova versão exigiu mudanças profundas na infraestrutura de servidores e bancos de dados, devido ao crescimento exponencial de documentos armazenados.
“São milhões de arquivos em PDF e externos que exigem processamento, armazenamento e desempenho. A atualização envolveu um trabalho complexo e minucioso da nossa equipe, que fez tudo com o máximo cuidado para garantir segurança e estabilidade”, explicou. Ele ressaltou ainda que o novo SEI já conta com recursos de inteligência artificial e apresentou melhora perceptível na velocidade de navegação.

O coordenador de Documentos Eletrônicos e gestor do SEI, Márcio Pontes, reforçou que a nova versão transforma o sistema em uma ferramenta de gestão documental mais ampla, com funcionalidades como classificação, eliminação e descrição de documentos conforme tabela de temporalidade. “Passamos a ter um controle mais efetivo sobre o ciclo de vida dos documentos. Isso representa um avanço muito importante para a universidade.” Ele informou ainda que nesta quinta-feira, 15, será realizada uma live, às 10h, no canal UfacTV no YouTube, para apresentar todas as novidades do sistema e tirar dúvidas dos usuários.
A coordenação do SEI passou a funcionar em novo endereço: saiu do pavimento superior e agora está localizada no térreo do prédio do Nurca/Arquivo Central, com acesso facilitado ao público. Os canais de atendimento seguem ativos pelo WhatsApp (68) 99257-9587 e e-mail sei@ufac.br.
Também participaram da solenidade o pró-reitor de Planejamento, Alexandre Hid; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes; e a pró-reitora de Inovação e Tecnologia, Almecina Balbino.
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