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O Ocidente, o TPI e o ‘mtu wetu’ em Israel | TPI

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Os mandados de detenção do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e do antigo ministro da Defesa, Yoav Gallant, emitidos pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), trouxeram de volta memórias não tão boas a muitos quenianos. Há mais de uma década, o então presidente queniano, Uhuru Kenyatta, e o seu vice – o actual presidente William Ruto – tornaram-se os primeiros chefes de estado ou de governo em exercício a enfrentar efectivamente um julgamento do TPI, tendo sido indiciados antes de assumirem o cargo.

No entanto, embora Kenyatta e Ruto tenham optado por cooperar com o tribunal – pelo menos aparentemente – e tenham assistido aos seus julgamentos, evitando assim a necessidade de um mandado de prisão, é improvável que Netanyahu e Gallant viajem para o Haia em breve.

Kenyatta e Ruto foram acusados ​​de serem responsáveis ​​pela violência que se seguiu às disputadas eleições de 2007 no país, nas quais mais de 1.300 pessoas perderam a vida. Os dois estiveram em lados opostos do conflito e teriam organizado e financiado milícias “tribais” para cometer assassinatos.

Até à data, apenas um punhado de pessoas foi processado pelos assassinatos, violações e mutilação que levaram à deslocação forçada de 660 mil pessoas, e foi só depois de o Estado queniano se ter mostrado relutante em agir que o TPI interveio.

Da mesma forma quando solicitou mandados para os líderes israelenses em maio o promotor do TPI Karim Khan – que coincidentemente chefiou a equipe de defesa de Ruto – também indicou que ficaria feliz em adiar o processo se o sistema de justiça de Israel mostrasse alguma disposição para tomar medidas contra Netanyahu e Gallant e “envolver-se em processos judiciais independentes e imparciais que não protejam os suspeitos e não sejam uma farsa”.

Os juízes do TPI concordaram agora que existem motivos razoáveis ​​para acreditar que os dois têm responsabilidade criminal pelos muitos crimes cometidos por Israel contra os palestinianos durante o seu ataque genocida em curso a Gaza. Com um número oficial de mortos de mais de 44.000, Gaza testemunhou assassinatos, violações e deslocações em grande escala, bem como fome em massa e ataques deliberados a escolas, hospitais e locais de culto.

Muitos queixaram-se do atraso de sete meses na emissão dos mandados de detenção pelos juízes do TPI, mas os quenianos tiveram de esperar dois anos para que o procurador do TPI enviasse um pedido de investigação e depois mais cinco meses para o tribunal aprová-lo. . Foram então necessários mais 12 meses para que a acusação efectiva de indivíduos específicos – seis deles – fosse proferida.

Assim, em comparação, os casos da Palestina avançaram muito mais rapidamente.

Entre as razões para o atraso no caso da Palestina estavam os numerosos documentos que contestavam a jurisdição do tribunal e a admissibilidade das alegações. Houve também muita pressão sobre o TPI por parte de Israel e dos seus amigos ocidentais.

Houve tentativas israelitas de intimidar o tribunal mesmo antes do início da guerra no ano passado, com o antecessor de Khan, Fatou Bensouda, a enfrentar ameaças da Mossad de não lançar uma investigação sobre os crimes de guerra de Israel em 2021. O próprio Khan enfrenta agora acusações de má conduta sexual.

É notável que poucas nações ocidentais tenham vindo em auxílio de Kenyatta e Ruto. Pelo contrário, houve mais do que uma sugestão subtil dada aos quenianos de que eleger Kenyatta e Ruto seria uma má ideia – que “escolhas têm consequências”.

Não estou dizendo que eles deveriam ter se oposto à acusação da dupla, mas há aqui mais do que um indício de duplicidade de critérios. Parece que há mais interesse em ver a justiça ser feita quando os que estão no banco dos réus são africanos, e não apenas antiocidentais.

Este ponto torna-se evidente quando se considera a forma como as acusações de responsáveis ​​israelitas foram enquadradas na imprensa ocidental. O Guardian, por exemplo, descreveu-a como “a primeira vez que um aliado ocidental de uma democracia moderna foi acusado de crimes de guerra e crimes contra a humanidade por um órgão judicial global”.

Este relato constitui uma surpresa para o Quénia, que durante mais de seis décadas se considerou um “aliado ocidental” e que – tendo realizado eleições regulares ao longo desse período – pode ser descrito como uma espécie de “democracia moderna”, seja lá o que isso signifique. A menos, é claro, que estes sejam descritores eufemísticos de relacionamentos mais problemáticos.

Os quenianos têm um nome para esse tipo de coisa: “síndrome de mtu wetu (nosso cara)”. Sempre que os nossos políticos são investigados ou – Deus me livre! – acusados ​​de crimes, tentam reunir os seus familiares étnicos em torno da ideia de que é a “tribo” que está a ser alvo.

A mobilização de um identidade imaginada é uma táctica política muito eficaz para assustar os procuradores e intimidar os juízes, tanto a nível local como internacional. “Mtu wetu” foi a forma como Kenyatta e Ruto conseguiram evitar processos judiciais no seu país e depois instrumentalizar o seu controlo sobre o Estado queniano para minar os seus casos no TPI.

É por isso que o TPI se viu acusado de “caça de corrida”- de se concentrar na acusação de negros africanos, uma alegação que convenientemente ignorou o facto de que a maioria das situações que o tribunal estava a investigar lhe tinham sido encaminhadas por governos africanos.

“Mtu wetu” é a razão pela qual Netanyahu acusa hoje o tribunal de anti-semitismo, sugerindo que a sua acusação é um ataque a todos os judeus. “Mtu wetu” é a razão pela qual subitamente a Alemanha parece menos interessada em cumprir as suas obrigações ao abrigo do direito internacional, e a razão pela qual os políticos dos EUA estão a ameaçar toda a gente, mesmo aqueles no Canadá e na Europa que talvez erradamente pensaram que fariam sempre parte da tribo.

É tristemente irónico que no 140º aniversário da Conferência de Berlim sobre a África Ocidental – que preparou o terreno para a colonização europeia de África e que posteriormente introduziu o flagelo do tribalismo para o continente – que a mesma concepção irracional e totalizante de identidade está a ser utilizada como arma no Ocidente para defender pessoas acusadas de algumas das piores categorias de crimes imagináveis.

As opiniões expressas neste artigo são do próprio autor e não refletem necessariamente a posição editorial da Al Jazeera.



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Ufac retoma Semana Acadêmica de Física após 6 anos, com planetário — Universidade Federal do Acre

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Ufac retoma Semana Acadêmica de Física após 6 anos, com planetário — Universidade Federal do Acre

A Universidade Federal do Acre (Ufac) realiza até esta sexta-feira, 23, a 3ª Semana Acadêmica de Física, no prédio do curso, no campus-sede, em Rio Branco. Iniciado nessa segunda-feira, 19, o evento retoma as atividades presenciais da semana acadêmica após seis anos de interrupção, causada pela pandemia de covid-19 e pela reorganização do calendário universitário.

A programação tem atrações abertas ao público, como oficinas de astronomia, observação do Sol com telescópio e um planetário móvel, instalado no segundo andar do prédio de Física. Há ainda palestras, apresentações de pesquisas de estudantes e minicursos práticos de elaboração de material didático, física experimental, criação de mapas, processamento de dados e sismologia.

Organizada em três eixos temáticos, a semana é voltada aos estudantes da licenciatura e do bacharelado em Física e do curso de Física Aplicada às Ciências da Terra. Os primeiros dias tiveram debates e palestras sobre o ensino de física e a formação docente. Em seguida, a programação trata de física pura, como mecânica quântica, relatividade e física de partículas, e termina com geofísica, astronomia e fenômenos naturais.

Segundo o coordenador do evento e professor do curso de Física, Victor Carreira, a retomada presencial reaproxima o curso da comunidade externa e das escolas de educação básica. Turmas do Instituto Federal do Acre visitaram a semana, e escolas da rede pública foram convidadas.

“A semana acadêmica é muito importante tanto para os nossos alunos quanto para a comunidade em geral de Rio Branco”, disse Carreira. “É uma oportunidade para jovens do ensino médio conhecerem a universidade e vivenciarem a ciência na prática.”

A cerimônia de encerramento ocorre nesta sexta-feira, 23, à tarde.

(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)

 



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Pavic-Lab da Ufac apresenta seis trabalhos em congresso internacional de computação — Universidade Federal do Acre

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Pavic-Lab da Ufac apresenta seis trabalhos em congresso internacional de computação — Universidade Federal do Acre

Pesquisadores do projeto Pavic-Lab, da Universidade Federal do Acre (Ufac), apresentaram seis trabalhos científicos durante a Conference on Graphics, Patterns and Images (SIBGRAPI 2026), congresso internacional de referência nas áreas de computação gráfica, processamento de imagens e visão computacional, realizado de 29 de setembro a 2 de outubro, em Goiânia (GO). As pesquisas foram desenvolvidas no projeto de pesquisa e desenvolvimento (P&D) Pesquisas Aplicadas em Visão e Inteligência Computacional (Pavic-Lab), uma iniciativa de cooperação técnico-científica entre a Ufac, Motorola, Flextronics e Fundação de Apoio e Desenvolvimento ao Ensino, Pesquisa e Extensão Universitária no Acre (Fundape).

Segundo a professora do Centro de Ciências Exatas e Tecnológicas (CCET), Ana Beatriz Alvarez Mamani, a participação no congresso contribui para divulgar a produção científica desenvolvida no Acre e ampliar o intercâmbio com outras instituições. Ela destacou que a presença da Ufac em eventos científicos também ajuda a reduzir as desigualdades regionais na ciência brasileira, além de possibilitar novas parcerias e o aperfeiçoamento das pesquisas.

A equipe foi composta pela professora Ana Beatriz Alvarez Mamani, pelo pesquisador Quefren Leher, pelos mestrandos do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Computação (PPGCC) Clécio Silva, Lucas Carvalho, Gustavo Ferreti, Julio Martins e Ian Teixeira, além do graduando em Sistemas de Informação Kauã Galvão de Macedo.

Dos seis trabalhos apresentados, um integrou uma sessão especial do congresso e já foi publicado na revista científica Computers & Graphics. Outros três foram apresentados na programação principal, com previsão de publicação nos anais do Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos (IEEE) e na biblioteca digital da Sociedade Brasileira de Computação (SBC). Os dois trabalhos restantes foram apresentados em workshops, também com previsão de publicação na biblioteca digital da SBC.

As pesquisas estão divididas em duas áreas principais: reconstrução tridimensional e processamento de imagens. Na primeira, Clécio Silva apresentou um método computacional para criar representações digitais mais detalhadas de ambientes internos a partir de imagens. A tecnologia pode ser aplicada em jogos, realidade virtual e aumentada, simulações e projetos da construção civil.

Na área de processamento de imagens, Lucas Carvalho apresentou uma pesquisa para reconstruir imagens de alta faixa dinâmica (HDR) a partir de uma única imagem convencional, buscando recuperar detalhes em regiões claras e escuras. Gustavo Ferreti desenvolveu uma rede neural para combinar imagens com diferentes níveis de exposição e melhorar a qualidade visual dos resultados.

Julio Martins apresentou uma metodologia para reduzir o custo computacional da reconstrução de imagens HDR, preservando a qualidade das imagens produzidas. Ian Teixeira investigou o uso de mecanismos de atenção em modelos de inteligência artificial para recuperar informações em imagens de baixa qualidade. Já Kauã Galvão de Macedo apresentou uma abordagem que combina redes neurais e técnicas de processamento de sinais para melhorar imagens capturadas em ambientes com pouca iluminação.

Os métodos desenvolvidos apresentam potencial de aplicação em sistemas embarcados com recursos computacionais limitados, como dispositivos eletrônicos que integram processamento de imagens, permitindo aprimorar a qualidade visual com menor demanda de processamento.

Para o graduando Kauã Galvão de Macedo, a participação no congresso proporcionou a oportunidade de apresentar os resultados de sua pesquisa e conhecer novas abordagens científicas. “Foi uma ótima experiência, tanto pela oportunidade de apresentar minhas pesquisas desenvolvidas na Ufac quanto pela troca de conhecimentos com pesquisadores de outras instituições”, afirmou.

Segundo Kauã, as discussões realizadas durante o evento possibilitaram o contato com técnicas que poderão contribuir para suas pesquisas e para os projetos desenvolvidos pelo Pavic-Lab, além de abrir oportunidades de colaboração científica.

O mestrando em Ciência da Computação Gustavo de Souza Ferreti também destacou a importância da experiência para sua formação acadêmica. “Tive a oportunidade gratificante de conhecer professores e pesquisadores com ampla trajetória no nosso campo, além de ouvir sobre suas vivências e receber orientações valiosas para aprimorar meu trabalho”, disse.

O Pavic-Lab desenvolve atividades de pesquisa voltadas ao processamento de imagens, ao aprimoramento da qualidade visual e à reconstrução tridimensional de ambientes e objetos. Após a participação no congresso, a equipe dará continuidade às pesquisas científicas, com novos experimentos e avaliações para aperfeiçoar os métodos, reduzir custos computacionais e ampliar as possibilidades de aplicação prática dos resultados.



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Ufac abre 1ª Conferência Internacional Amazônia Nexus — Universidade Federal do Acre

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Ufac abre 1ª Conferência Internacional Amazônia Nexus — Universidade Federal do Acre

A Universidade Federal do Acre (Ufac) iniciou, na manhã desta segunda-feira, 19, a 1ª Conferência Internacional Amazônia Nexus. A solenidade de abertura ocorreu no auditório do e-Amazônia, no campus-sede, em Rio Branco, e reuniu professores, estudantes, participantes externos e palestrantes locais, nacionais e internacionais.

A vice-reitora da Ufac, Almecina Balbino, destacou que o evento busca fortalecer a produção científica regional e estreitar os laços interinstitucionais. Segundo ela, a conferência favorece a criação de uma rede de conexão entre os programas de pós-graduação e viabiliza a internacionalização por meio da cooperação Sul-Sul, permitindo que pesquisadores externos contribuam diretamente para os estudos sobre o território amazônico.

O pró-reitor de Extensão e Cultura, Marco Amaro, ressaltou o papel da extensão universitária na articulação do conhecimento científico com a comunidade. “Não existe integração entre ensino, pesquisa e extensão se a gente tirar as pesquisas da prateleira sem estarmos envolvidos com ações de extensão, que fazem a intermediação entre o conhecimento da universidade e a sociedade”, declarou. Ele também destacou que a rede de contatos estabelecida entre as diferentes áreas fortalece a qualidade acadêmica da instituição.

O coordenador do evento, professor Flávio Roberto Chaves da Silva, expressou satisfação com o início da conferência e destacou a dimensão coletiva da iniciativa. “É com muita alegria, satisfação e gratidão que damos início a este projeto que nasceu do desejo de fortalecer a ciência, a cooperação e a internacionalização da pesquisa na Amazônia. Celebramos a coragem de começar, a força do trabalho coletivo e a realização de um sonho. Que esta seja a primeira de muitas edições, promovendo o conhecimento e contribuindo para o desenvolvimento sustentável da nossa região”, afirmou o docente, agradecendo a parceria dos palestrantes, da comissão organizadora e dos apoiadores.

Durante a abertura, a mesa de debates destacou a importância do encontro para a região. O professor e pesquisador Lin Shau Ming, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), um dos palestrantes do dia, ressaltou que os estudos sobre plantas medicinais e agrobiodiversidade contribuem para o bem-estar das comunidades tradicionais. Segundo ele, o tema está alinhado à proposta central do evento de promover a integração de diferentes saberes e áreas do conhecimento na universidade.

A coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal na Amazônia Ocidental, Cíntia Daudt, destacou o compromisso social da universidade com a produção de conhecimento e o desenvolvimento regional. “É um evento bem importante para a nossa região e para a nossa universidade. Estamos aqui cumprindo o nosso ato de educação. Como dizia Paulo Freire, ‘educar é um ato político’. Nós estamos cumprindo a nossa parte, unindo ensino, pesquisa e extensão em um único evento”, afirmou.

A cerimônia de abertura contou ainda com a participação do pró-reitor de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação, Dionatas Meneguetti; dos coordenadores Fernando da Silva Souza, de Ciência, Inovação e Tecnologia para a Amazônia; Felipe Souza, de Ciência Florestal; Regina Lúcia Ferreira, de Produção Vegetal; e da vice-coordenadora Danúsia Rocha, de Saúde Coletiva.

(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)



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