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O paradoxo de Lula | VEJA

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O paradoxo de Lula | VEJA

Thomas Traumann

As pesquisas Genial/Quaest desta semana revelam um paradoxo: o governo Lula nunca esteve tão mal avaliado, mas ao mesmo tempo o presidente segue liderando numericamente as simulações para as eleições de 2026. Parece contraintuitivo, mas o fato é apenas mais uma comprovação de como o Brasil vive uma polarização calcificada. Enquanto houver um núcleo petista forte, haverá do outro lado uma bolha antipetista de igual tamanho e ambas vão dominar o cenário político.

Vamos por partes:

A pesquisa revela que 56% dos brasileiros desaprovam o governo Lula, sete pontos percentuais a mais do que em janeiro. O governo perdeu popularidade em todos os segmentos onde venceu em 2022: mulheres, nordestinos, pobres, católicos e pretos. No Nordeste, histórica base lulista, a desaprovação subiu de 37% para 46% e aprovação caiu de 59% para 52%.

Segundo a pesquisa, 56% consideram que o Brasil está indo na direção errada e 81% acham que Lula deve fazer um governo diferente nos próximos dois anos.

Os resultados são catastróficos para o governo, mas quando os pesquisadores mostram ao eleitor quais as opções para 2026 nem todos ficam satisfeitos. Contra Jair Bolsonaro, por exemplo, Lula teria 44% contra 40%, no limite do empate técnico (Lula vence para além da margem de erro em todos os outros cenários).

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A novidade é que, entre os eleitores que escolhem o atual presidente numa disputa hipotética com Bolsonaro, estão 15% dos que acham o governo ruim. Ou seja, mesmo rejeitando o governo Lula, parte destes eleitores ainda o prefere se a alternativa for Bolsonaro. Essa correlação se repete quando os adversários são outros.

Além dessa porção de eleitores que acham “ruim com Lula, pior com outro”, há outro segmento que rejeita todos os políticos. Entre os que desaprovam o governo Lula, entre 17% e 32% dizem que votarão branco ou nulo ou vão se abster em 2026. Parte do repúdio ao governo Lula, portanto, é uma rejeição a todo o sistema político.

Por último, o fato de a principal força da oposição ser o bolsonarismo ajuda Lula: 44% dos brasileiros têm mais medo da volta de Bolsonaro do que manter Lula, ante 41% que acham o contrário.

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Faltando ainda 19 meses para o segundo turno das eleições de 2026, é preciso cautela para analisar as simulações. A calcificação política do Brasil, no entanto, permite algumas pistas.

A primeira é que Lula parte de uma base de apoio em torno de 40% num eventual segundo turno se o candidato adversário for vinculado ao bolsonarismo. O nome de Lula não é o preferido. 62% dos eleitores acham que Lula não deve ser candidato à reeleição, mas é altamente improvável que o presidente abra espaço para outro candidato.

Na oposição, o primeiro drama é o desconhecimento. 45% dos brasileiros não sabem quem é Tarcísio Freitas, 51% nunca ouviram falar de Ratinho Junior, 61% desconhecem Romeu Zema e 68% ignoram Ronaldo Caiado. Só que, quando eles são apresentados numa simulação de segundo turno contra Lula, performam entre 37% (Tarcísio) e 30% (Caiado). Por quê? Porque qualquer um que enfrentar Lula terá o apoio imediato de um terço da população que votaria numa lata de cerveja quente para derrotar Lula.

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Os outros dois candidatos da direita citados na pesquisa – Michele Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro – carregam o bônus e o ônus do sobrenome, sendo mais conhecidos e mais rejeitados.

O segundo drama da oposição é depender de Bolsonaro. É natural que, quando Bolsonaro for condenado pelo STF e obrigado a abandonar a candidatura, o bolsonarismo vai se agrupar em torno dos nomes disponíveis. Isso não significa, porém, que este candidato (ou candidatos) irá herdar diretamente todos os votos de quem reprova o governo porque parte ainda rejeita Bolsonaro mais do que Lula e outra repudia todo mundo. O candidato do bolsonarismo irá crescer com o apoio do seu líder, mas também sofrer com o efeito tóxico de estar do lado do ex-presidente.

Mesmo governando sob reprovação, Lula é um candidato competitivo. O que a pesquisa Genial/Quaest diz, no entanto, é que se o seu governo não melhorar, ele parte de 40% – 45%, mas terá dificuldades para chegar aos 51%.



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Matheus Leitão

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“Estou muito envergonhado! Isto é uma indignidade inexplicável!” (Ciro Gomes, ex-ministro da Fazenda, usando as redes sociais para reclamar da troca de Carlos Lupi por Wolney Queiroz, seu desafeto no PDT, no comando do Ministério da Previdência Social) 


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Felipe Barbosa

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A articulação para mudar quem define o teto de jur…

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A articulação para mudar quem define o teto de jur...

Nicholas Shores

O Ministério da Fazenda e os principais bancos do país trabalham em uma articulação para transferir a definição do teto de juros das linhas de consignado para o Conselho Monetário Nacional (CMN). 

A ideia é que o poder de decisão sobre o custo desse tipo de crédito fique com um órgão vocacionado para a análise da conjuntura econômica. 

Compõem o CMN os titulares dos ministérios da Fazenda e do Planejamento e Orçamento e da presidência do Banco Central – que, atualmente, são Fernando Haddad, Simone Tebet e Gabriel Galípolo.

A oportunidade enxergada pelos defensores da mudança é a MP 1.292 de 2025, do chamado consignado CLT. O Congresso deve instalar a comissão mista que vai analisar a proposta na próxima quarta-feira. 

Uma possibilidade seria aprovar uma emenda ao texto para transferir a função ao CMN.

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Hoje, o poder de definir o teto de juros das diferentes linhas de empréstimo consignado está espalhado por alguns ministérios. 

Cabe ao Conselho Nacional da Previdência Social (CNPS), presidido pelo ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, fixar o juro máximo cobrado no consignado para pensionistas e aposentados do INSS.

A ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck, é quem decide o teto para os empréstimos consignados contraídos por servidores públicos federais.

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Na modalidade do consignado para beneficiários do BPC-Loas, a decisão cabe ao ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Wellington Dias.

Já no consignado de adiantamento do saque-aniversário do FGTS, é o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, que tem a palavra final sobre o juro máximo.

Atualmente, o teto de juros no consignado para aposentados do INSS é de 1,85% ao mês. No consignado de servidores públicos federais, o limite está fixado em 1,80% ao mês.

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Segundo os defensores da transferência da decisão para o CMN, o teto “achatado” de juros faz com que, a partir de uma modelagem de risco de crédito, os bancos priorizem conceder empréstimos nessas linhas para quem ganha mais e tem menos idade – restringindo o acesso a crédito para uma parcela considerável do público-alvo desses consignados.

Ainda de acordo com essa lógica, com os contratos de juros futuros de dois anos beirando os 15% e a regra do Banco Central que proíbe que qualquer empréstimo consignado tenha rentabilidade negativa, a tendência é que o universo de tomadores elegíveis para os quais os bancos estejam dispostos a emprestar fique cada vez menor.



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