ACRE
O que aconteceu em Abu Ghraib e porque é que um tribunal dos EUA concedeu indemnizações? | Notícias sobre direitos civis
PUBLICADO
2 anos atrásem
Um júri dos Estados Unidos decidiu que a empresa de defesa CACI, com sede na Virgínia, deve pagar US$ 42 milhões a três homens iraquianos que foram torturados na prisão de Abu Ghraib em 2004.
Mas o que exatamente foi e o que aconteceu lá? Qual foi o caso? Aqui está o que você precisa saber:
O que foi Abu Ghraib?
Abu Ghraib, uma prisão de segurança máxima em Abu Ghraib, Iraque, foi usado pelos EUA para “interrogar suspeitos” depois de ter invadido o Iraque.
Fundado na década de 1950, foi usado pelo ex-presidente Saddam Hussein para deter prisioneiros políticos durante a sua presidência, de 1979 a 2003.
Depois que os EUA invadiram o Iraque em 2003, derrubando Hussein, que foi posteriormente executado, Abu Ghraib foi assumido pelos militares dos EUA.
Em setembro de 2006, Abu Ghraib foi entregue aos iraquianos e em abril de 2014 foi encerrado.
Houve abuso e tortura em Abu Ghraib?
Sim.
Em 2003, começaram a surgir fotos de iraquianos presos sofrendo abusos nas mãos de guardas prisionais dos EUA.
Como um prisioneiro encapuzado conectado a fios elétricos e forçado a ficar em pé sobre uma pequena caixa.
Disseram-lhe que seria eletrocutado se caísse da caixa.
A foto era de Ali Shallal al-Qaysique testemunhou sobre isso em 2005.
Depois que ele não conseguiu mais usar a mão devido à tortura, os guardas americanos começaram a chamá-lo de “Homem Garra”.
Outras imagens mostram prisioneiros forçados a assumir posições humilhantes, por vezes com excrementos espalhados sobre eles, enquanto guardas prisionais norte-americanos posam, sorrindo, ao lado deles.
Foi feito alguma coisa em relação aos abusadores?
Os inquéritos foram lançados em 2004 pelo agora reformado major-general dos EUA Antonio Taguba e pelo agora reformado major-general dos EUA George Fay. Outra investigação foi lançada em 2008 pela Comissão de Serviços Armados do Senado dos EUA.
Estas investigações revelaram mais sobre os abusos ocorridos em Abu Ghraib, que incluíram abuso sexual, violação e tortura física e psicológica e que resultaram na morte de pelo menos um recluso, Manadel al-Jamadi.
Nos anos que se seguiram, 11 soldados norte-americanos foram acusados de abandono do dever, maus-tratos, agressão agravada e agressão. Eles foram condenados em tribunais militares e nove foram sentenciados a penas de prisão.

Uma ação civil contra a CACI por quatro prisioneiros iraquianos que foram torturados em Abu Ghraib foi movida em 2008 pelo Centro para os Direitos Constitucionais (CCR), sem fins lucrativos, com sede em Nova Iorque, em nome dos demandantes.
O processo acusava agentes da CACI de prestarem “serviços de interrogatório” em Abu Ghraib.
Qual foi o resultado do processo civil dos EUA?
Um júri federal dos EUA decidiu na terça-feira que a CACI deve pagar a três demandantes civis iraquianos – Suhail Al Shimari, Salah Al-Ejaili e Asa’ad Al-Zubae – US$ 3 milhões cada em indenizações compensatórias e US$ 11 milhões cada em indenizações punitivas.
O quarto demandante, Taha Yaseen Arraq Rashid, foi afastado do caso em 2019 porque foi abusado antes da CACI estar presente em Abu Ghraib.
A CACI assinou um acordo de subcontratação com o governo dos EUA em 2003, recebendo mais de 19 milhões de dólares por “serviços de interrogatório”.
Os demandantes foram libertados sem nunca terem sido acusados de nenhum crime, segundo o CCR.

Quem são os demandantes? O que foi feito com eles?
Em novembro de 2003, o cinegrafista árabe da Al Jazeera, Al-Ejaili, foi preso por um soldado dos EUA enquanto trabalhava em uma história sobre um ataque contra as forças dos EUA em Diyala – ele acabou detido por meses.
“O pior foi o primeiro dia em que cheguei a Abu Ghraib, quando me forçaram a despir-me (…) nu na frente de todos”, disse Ejaili.
“Eles colocaram um capuz preto na minha cabeça e me deixaram pendurado a noite toda”, disse ele, acrescentando que os americanos cantaram “Feliz aniversário, Al Jazeera” para ele enquanto ele estava ali pendurado. Ele foi libertado depois de dois meses.
Al Shimari esteve em Abu Ghraib de 2003 a 2008, período durante o qual, segundo ele, foi ameaçado com cães, eletrocutado e forçado a praticar atividades físicas nu.
Al-Zubae foi detido de 2003 a 2004, durante o qual foi torturado, incluindo confinamento solitário, privação sensorial e água extremamente quente e fria.
O que aconteceu durante o caso?
CACI tentou que o caso fosse arquivado mais de 20 vezes. Aqui está uma linha do tempo de outros eventos:
- 30 de junho de 2008: A CCR abre uma ação judicial em um tribunal federal dos EUA em Ohio em nome dos três demandantes e também de Rashid.
- Agosto de 2008: O caso é transferido para a Virgínia.
- 27 de fevereiro de 2019: O demandante Rashid foi dispensado porque foi abusado antes que o pessoal da CACI chegasse a Abu Ghraib.
- 15 de abril de 2024: Começa o julgamento – a primeira vez que vítimas de abusos em Abu Ghraib testemunham perante um júri dos EUA.
- 2 de maio de 2024: O júri não consegue chegar a um veredicto unânime, o juiz declara a anulação do julgamento.
- 14 de junho de 2024: O juiz concede o pedido dos demandantes para um novo julgamento.
- 30 de outubro de 2024: Novo julgamento começa no tribunal federal da Virgínia.
- 12 de novembro de 2024: O júri considera a CACI responsável pelo seu papel na tortura dos queixosos em Abu Ghraib.

Este foi o único caso de tortura em Abu Ghraib?
Não.
Em Junho de 2004, as queixas iniciais para uma acção colectiva em nome de 256 civis iraquianos torturados em Abu Ghraib foram apresentadas pela CCR e outros advogados.
O principal demandante, Haidar Saleh, um cidadão sueco, foi detido duas vezes em Abu Ghraib – uma vez pelo governo iraquiano antes da invasão do Iraque pelos EUA e uma vez pelas forças dos EUA.
Os réus foram CACI, empreiteiro privado americano L-3 Services (anteriormente Titan Corporation), e Adel Nakhla, ex-funcionário da Titan/L-3.
Em Junho de 2011, o Supremo Tribunal dos EUA recusou-se, sem comentários, a aceitar o caso.
Em Junho de 2008, Wissam Al-Quraishi e outras 71 pessoas que afirmaram ter sido torturadas em Abu Ghraib e outras prisões abriram um processo contra a L-3 Services e Nakhla.
Em outubro de 2012, foi alcançado um acordo nesse caso, cujos detalhes não foram divulgados.
Relacionado
VOCÊ PODE GOSTAR

Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial — Universidade Federal do Acre

Professora da Ufac faz visita técnica e conduz conferência em Paris — Universidade Federal do Acre

Educação Física homenageia Norma Tinoco por pioneirismo na dança — Universidade Federal do Acre
ACRE
Projeto de extensão seleciona resumos expandidos para publicação — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
1 dia atrásem
26 de maio de 2026O projeto de extensão ComunicAÇÃO, da Ufac, realiza processo seletivo para submissão de trabalhos extensionistas, na modalidade de resumo expandido. Os selecionados comporão a Coleção de Cadernos de Extensão “Ufac e Comunidade”. As inscrições estão abertas até 30 de junho, por meio de formulário online.
O trabalho inscrito deve estar contemplado em uma das áreas temáticas: comunicação, cultura, direitos humanos e justiça, educação, meio ambiente, saúde, tecnologia e produção, trabalho. Cada resumo deverá estar vinculado a uma ação de extensão (projeto, curso, evento ou programa) institucionalizada na Ufac.
“O resumo expandido deverá evidenciar, de forma clara e consistente, as experiências adquiridas e/ou vivenciadas junto à comunidade externa ao longo do desenvolvimento da ação de extensão, destacando as interações estabelecidas, os impactos gerados, os aprendizados construídos e as contribuições mútuas decorrentes da execução das atividades”, detalha o item 3.1 do edital.
A seleção consiste em avaliação por uma comissão que indicará 50 trabalhos aptos para publicação na 1ª Edição da Coleção de Cadernos de Extensão, considerando a formatação e os aspectos científicos, além do envolvimento da comunidade externa, dos resultados obtidos e da efetividade da metodologia proposta. O resultado final do processo seletivo está previsto para 21 de agosto.
Para mais informações sobre o certame, leia o edital Proex n.º 9.1/2026.
Relacionado
ACRE
Reitora da Ufac participa de fórum Brasil-África em Brasília — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
1 dia atrásem
26 de maio de 2026A reitora da Ufac, Guida Aquino, participou, nessa segunda-feira, 25, em Brasília, do 1º Fórum de Reitores Brasil-África. A convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do Ministério da Educação (MEC), ela representou a Ufac no encontro, acompanhada da pró-reitora de Inovação e Tecnologia, Almecina Balbino Ferreira. O evento segue até quarta-feira, 27, e tem como foco o fortalecimento da cooperação internacional em educação superior entre universidades brasileiras e instituições africanas.
Guida destacou a importância da presença da Ufac em um espaço voltado ao diálogo internacional e à construção de parcerias acadêmicas. Segundo a reitora, a aproximação entre Brasil e África por meio da educação, da pesquisa, da inovação e da troca de experiências permite avançar em soluções conjuntas para desafios comuns. “Temos histórias, identidades e desafios que nos aproximam, e a universidade tem um papel fundamental nessa conexão”, afirmou.
O fórum é uma iniciativa liderada pelo MEC, pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior e pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior. A programação reúne reitores, pró-reitores e assessores de cooperação internacional de universidades federais, estaduais e privadas do Brasil, além de representantes de universidades africanas mobilizadas pela Associação de Universidades Africanas.

A proposta do encontro é ampliar as relações acadêmicas entre Brasil e África, com a construção de novos acordos institucionais, programas de mobilidade estudantil, intercâmbio científico e cooperação em áreas estratégicas como agricultura, energias renováveis, mineração, petróleo e gás, setor aeroespacial, inteligência artificial e ciências humanas.
A programação inclui painéis temáticos, reuniões bilaterais, workshops e sessões voltadas à construção de novas parcerias universitárias. Ao final do evento, os resultados e compromissos construídos serão formalizados na Carta de Brasília do 1º Fórum de Reitores Brasil-África, documento que deve orientar os próximos passos da cooperação entre universidades brasileiras e africanas.
Relacionado
ACRE
Ufac conquista 3º lugar em hackathon internacional promovido por laboratório de Harvard — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
5 dias atrásem
22 de maio de 2026Estudantes da Universidade Federal do Acre (Ufac) participaram, nos dias 10 e 11 de abril, do HSIL Hackathon 2026, promovido pelo Health Systems Innovation Lab da Harvard T.H. Chan School of Public Health. A participação da equipe ocorreu no Hub de Inovação do Hospital das Clínicas de São Paulo, o InovaHC, em uma edição realizada simultaneamente em mais de 30 países. O grupo conquistou o 3º lugar geral entre mais de 30 equipes com o projeto Viginutri, solução voltada à prevenção da desnutrição hospitalar.
A equipe foi liderada pela acadêmica de Medicina da Ufac Maria Júlia Bonelli Pedralino e contou com a participação de Guilherme Félix, do curso de Sistemas de Informação, Bruno Eduardo e Wesly, do curso de Medicina. Segundo Maria Júlia, representar o Acre e a Ufac em um evento dessa dimensão foi uma experiência marcante para sua trajetória acadêmica e pessoal. “O Acre tem muito a dizer nos espaços onde o futuro da saúde está sendo construído”, afirmou.
O projeto premiado, Viginutri, foi desenvolvido durante o hackathon em São Paulo e propõe uma solução para auxiliar no enfrentamento da desnutrição hospitalar, problema que pode afetar o prognóstico de pacientes internados e gerar impactos para a gestão hospitalar. A proposta une medicina e nutrição e será aperfeiçoada a partir da premiação recebida pela equipe.
Com a classificação, o grupo garantiu uma aceleração de um ano pela Associação Brasileira de Startups de Saúde, com mentoria especializada e a perspectiva de validar a solução em um hospital real. De acordo com Maria Júlia, a conquista abre a possibilidade de levar uma ideia desenvolvida por estudantes da Ufac para uma etapa de aplicação prática.
A estudante também ressaltou o apoio recebido da Pró-Reitoria de Inovação e Tecnologia da Universidade Federal do Acre (Proint) e da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (Proex). Segundo ela, a conquista só foi possível porque a universidade acreditou no projeto e ofereceu as condições necessárias para que o grupo representasse a instituição fora do Acre. “Essa conquista não teria sido possível sem o apoio da Proint e Proex”, disse.
A trajetória do grupo teve início em um hackathon realizado anteriormente no Acre, onde surgiu o projeto Sentinelas da Amazônia, experiência que contribuiu para a formação da equipe e para o interesse dos estudantes em iniciativas de inovação.
Como desdobramento da participação no evento, a equipe deve promover, no dia 12 de junho, às 10h30, no Sebrae Lab, no Centro de Convivência, uma roda de conversa sobre a experiência no hackathon, com o objetivo de incentivar outros acadêmicos a buscarem pesquisa, inovação e desenvolvimento de ideias no ambiente universitário.
Relacionado
PESQUISE AQUI
MAIS LIDAS
ACRE6 dias agoUfac realiza curso de turismo de base comunitária para extrativistas em parceria com MMA e ICMBio — Universidade Federal do Acre
ACRE5 dias agoUfac conquista 3º lugar em hackathon internacional promovido por laboratório de Harvard — Universidade Federal do Acre
ACRE1 dia agoReitora da Ufac participa de fórum Brasil-África em Brasília — Universidade Federal do Acre
ACRE1 dia agoProjeto de extensão seleciona resumos expandidos para publicação — Universidade Federal do Acre
Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48
You must be logged in to post a comment Login