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O que é jang, molho coreano que é patrimônio da humanidade – 31/12/2024 – Comida
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Nathalia Durval
Kubonil caminha entre fileiras de “onggi”, jarras redondas de cerâmica coreanas, que têm metade da sua altura, num campo. Escolhe uma vazia e, com movimentos tranquilos, despeja água com sal dentro. Então, adiciona blocos secos de cor ocre, feitos de soja, e fecha a tampa. Ela só vai voltar a abrir o recipiente dali a alguns anos.
Desse processo, vai surgir o “jang”, molhos e pastas fermentados que são uma das bases da gastronomia coreana. A artesã sul-coreana de 69 anos é uma das responsáveis por manter viva a tradição desse preparo artesanal, reconhecido neste mês como patrimônio cultural imaterial da humanidade pela Unesco.
Kubonil comanda uma produção na região montanhosa de Paju, mais próxima da fronteira com a Coreia do Norte do que dos arranha-céus da capital Seul. Ela inaugurou o espaço há dez anos, quando viu que esse preparo, passado de geração em geração, estava se perdendo. Por lá, recebe visitantes, inclusive turistas, e os guia por uma degustação e explicação, feita com educação exemplar e sorriso no rosto.
São cerca de 400 “onggis” para fermentação. Ela tem uma fabricação diversa de 13 tipos de molhos e pastas, mas são três os principais “jangs”: ganjang (molho de soja), doenjang (pasta de soja) e gochujang (pasta de pimenta vermelha coreana). Os dois primeiros seriam equivalentes ao shoyu e ao missô na culinária japonesa, mas há diferenças nos ingredientes e técnica de preparo.
Para produzi-los, são necessários apenas três ingredientes: água, sal e soja —ou outra base para criar o sabor, como feijão ou milho.
A soja é fervida e transformada em blocos secos, chamados “meju”, que fermentam por meses ao ar livre. Depois, eles são mergulhados numa salmoura com água e sal nas jarras de cerâmica —Kubonil até matura a água com sal por seis meses para aprofundar o sabor, segundo ela. Microrganismos vivos, como leveduras e bactérias boas, fazem a fermentação. O líquido e o sólido são separados ao longo do tempo e viram molho e pasta, respectivamente.
Da mesma jarra saem o ganjang, um molho salgado de coloração quase preta, e o doenjang, pasta de um marrom mais claro. Já parar criar o gochujang, pasta apimentada de tom vinho, é adicionada pimenta vermelha seca ao “meju”.
Todos precisam de bastante tempo para serem produzidos. Kubonil não vende “jangs” com menos de três anos de fermentação —seu molho mais antigo está sendo fermentado há 21 anos. O tempo, ela explica, influencia no sabor e na textura. Também influencia no preço, que varia de 14.000 wones a 100.000 wones (R$ 58 a R$ 420) a garrafa.
Quando produzido de forma industrializada, o “jang” não passa por tempo longo de fermentação. Iniciadores de cultura são adicionados para agilizar o preparo, diferente do artesanal, que mantém o “sabor autêntico e genuíno”, diz a artesã. “A fermentação é a arte da paciência.”
Os “jangs” dão o sabor à comida coreana, que tem como base vegetais e arroz. Ingrediente presente em toda cozinha, ele é usado durante o preparo de sopas e marinadas, por exemplo, e servido em pratinhos na mesa para mergulhar a comida.
“Na ‘hansik’ [culinária coreana], os processos são bem simples. Tentamos manter o sabor original dos ingredientes o tanto quanto possível. Então usamos o molho como complemento”, diz Kubonil.
Kang Min-goo reinterpreta a gastronomia tradicional coreana e explora diferentes “jangs” nos pratos, inclusive na sobremesa, no seu Mingles, restaurante com duas estrelas Michelin e coreano mais bem colocado no 50 Best da Ásia, em 13º lugar.
“Mesmo quando criamos novos tipos de comida coreana, o importante é manter as raízes na tradição. E você não pode falar sobre comida coreana sem falar sobre ‘jang’, que está profundamente enraizado na culinária. Então, para os chefs ele é um ingrediente indispensável”, diz Min-goo.
O livro de receitas mais antigo registrado no país asiático, escrito pelo médico Jeon Sun-ui em 1450, traz detalhes do seu uso. Mas essa é uma técnica milenar e, assim como o kimchi, outra iguaria fermentada, surgiu como forma de preservar alimentos durante o inverno rigoroso. Hoje, cada família tem sua própria receita.
O processo de fazer, manter e consumir “jang” havia sido designado como patrimônio imaterial nacional em 2018, e agora se junta a outras 22 práticas culturais da Coreia na lista mundial Unesco.
A jornalista viajou por meio de programa para jornalistas do Ministério da Cultura, Esportes e Turismo da Coreia do Sul
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Ufac participa de lançamento de projeto na Resex Cazumbá-Iracema — Universidade Federal do Acre
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7 de abril de 2026A Ufac participou do lançamento do projeto Tecendo Teias na Aprendizagem, realizado na reserva extrativista (Resex) Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira (AC). O evento ocorreu em 28 de março e reuniu representantes do poder público, comunidade acadêmica e moradores da reserva.
Com uma área de aproximadamente 750 mil hectares e cerca de 500 famílias, a Resex é território de preservação ambiental e de produção de saberes tradicionais. O projeto visa fortalecer a educação e promover a troca de conhecimentos entre universidade e comunidade.
O presidente da reserva, Nenzinho, destacou que a iniciativa contribui para valorizar a educação não apenas no ensino formal, mas também na qualidade da aprendizagem construída a partir das vivências no território. Segundo ele, a proposta reforça o papel da universidade na escuta e no reconhecimento dos saberes locais.
O coordenador do projeto, Rodrigo Perea, sintetizou a relação entre universidade e comunidade. “A floresta ensina, a comunidade ensina, os professores aprendem e a Ufac aprende junto.”
Também estiveram presentes no lançamento os professores da Ufac, Alexsande Franco, Anderson Mesquita e Tânia Mara; o senador Sérgio Petecão (PSD-AC); o prefeito de Sena Madureira, Gerlen Diniz (PP); e o agente do ICMBio, Aécio Santos.
(Fhagner Silva, estagiário Ascom/Ufac)
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Educação Física homenageia Norma Tinoco por pioneirismo na dança — Universidade Federal do Acre
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7 de abril de 2026Os professores Jhonatan Gomes Gadelha e Shirley Regina de Almeida Batista, do curso de Educação Física da Ufac, realizaram a mostra de dança NT: Sementes de uma Pioneira, em homenagem à professora aposentada Norma Tinoco, reunindo turmas de bacharelado e licenciatura, escolas de dança e artistas independentes. O evento ocorreu na noite de 25 de março, no Teatro Universitário, campus-sede, visando celebrar a trajetória da homenageada pela inserção e legitimação da dança no curso.
Norma recebeu uma placa comemorativa pelos serviços prestados à universidade. Os alunos do curso, André Albuquerque (bacharelado) e Matheus Cavalcante (licenciatura) fizeram a entrega solene. Segundo os organizadores, os anos de dedicação da professora ao curso e seu pioneirismo jamais serão esquecidos.
“A ideia, que ganhou corpo e emoção ao longo de quatro atos, nasceu do coração de quem viveu de perto a influência da homenageada”, disse Jhonatan Gomes Gadelha, que foi aluno de Norma na graduação. Ele contou que a mostra surgiu de uma entrevista feita com ela por ocasião do trabalho dele de conclusão de curso, em 2015. “As falas, os ensinamentos e as memórias compartilhadas por Norma naquele momento foram resgatadas e transformadas em movimento”, lembrou.
Gadelha explicou que as músicas que embalaram as coreografias autorais foram criadas com o auxílio de inteligência artificial. “Um encontro simbólico entre a tradição plantada pela pioneira e as ferramentas do futuro. O resultado foi uma apresentação carregada de bagagem emocional, autenticidade e reverência à história que se contava no palco.”
Mostra em 4 atos
A professora de Educação Física, Franciely Gomes Gonçalves, também ex-aluna de Norma, foi a mestre de cerimônias e guiou o público por uma narrativa que comparava a trajetória da homenageada ao crescimento de uma árvore: “A Pioneira: A Raiz (ato I), “A Transformadora: O Tronco” (ato II), “O Legado: Os Frutos” (ato III) e “Homenagem Final: O reconhecimento” (ato IV).
O ato I trouxe depoimentos em vídeo e ao vivo, além de coreografias como “Homem com H” (com os 2º períodos de bacharelado e licenciatura) e “K Dance”, que homenageou os anos 1970. O ex-bolsista Kelvin Wesley subiu ao palco para saudar a professora. A escola de dança Adorai também marcou presença com as variações de Letícia e Rayelle Bianca, coreografadas por Caline Teodoro, e o carimbó foi apresentado pelo professor Jhon e pela aluna Kethelen.

O ato II contou com o depoimento ao vivo de Jhon Gomes, ex-aluno que seguiu carreira artística e acadêmica, narrando um momento específico que mudou sua trajetória. Ele também apresentou um solo de dança, seguido por coreografias da turma de licenciatura e uma performance de ginástica acrobática do 4º período.
No ato III foi exibido um vídeo em que os atuais alunos do curso de Educação Física refletiram sobre o que a dança significa em suas formações. As apresentações incluíram o Atelier Escola de Dança com “Entre o que Fica e o que Parte” (Ana Fonseca e Elias Daniel), o Estúdio de Artes Balancé com “Estrelas” (coreografia de Lucas Souza) e a Cia. de Dança Jhon Gomes, com outra versão de “Estrelas”. A escola Adorai retornou com “Sarça Ardente”, coreografada por Lívia Teodoro; os alunos do 2º período de bacharelado encerraram o ato.
No ato IV, após o ministério de dança Plenitude apresentar “Raridade”, música de Anderson Freire, a professora Shirley Regina subiu ao palco para oferecer palavras à homenageada. Em seguida, a mestre de cerimônias convidou Norma Tinoco a entrar em cena. Ao som de “Muda Tudo”, os alunos formaram um círculo ao redor da professora, cantando o refrão em coro.
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I FÓRUM ESTADUAL "Autismo, Cultura, Mercado de Trabalho e Políticas Públicas no Acre."
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6 de abril de 202609 e 10 de ABRIL
Local: Teatro Universitário da UFAC
11 de ABRIL
Local: Anfiteatro Garibaldi Brasil UFAC






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