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O sonho desfeito da minha mãe de reunião familiar em Gaza | Conflito Israel-Palestina

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“Oh, lua alta, transmita minhas saudações ao querido irmão Salah!” minha amada mãe, Shukria, costumava dizer. Durante muitos anos, ela desejou ardentemente ver seu único irmão, Salah, de volta à sua terra natal, na Palestina. Tal como milhões de palestinianos, ele foi forçado a viver na diáspora, proibido de regressar à sua terra natal.

A minha mãe tinha nove anos e o tio Salah tinha oito em Maio de 1948, quando as milícias judaicas atacaram a sua aldeia Kofakha, localizada 18 quilómetros (11 milhas) a leste da cidade de Gaza. A sua família foi forçada a fugir para salvar a vida, pois os invasores mataram pessoas e incendiaram casas.

A família conseguiu chegar a Gaza, onde viveu em condições deploráveis ​​como refugiados. A situação piorou quando a mãe deles, Zakia, adoeceu gravemente e faleceu pouco depois, deixando dois órfãos.

Tio Salah sentiu-se obrigado a trabalhar no estrangeiro para sustentar a família. Em 1965, viajou para o Kuwait, onde trabalhou como professor.

Apenas um ano depois, o pai deles, Sheikh Hassan, faleceu em Gaza. Tio Salah ficou arrasado e começou a planejar seu retorno.

Quando estava prestes a regressar, em 1967, Israel invadiu e ocupou os restantes territórios palestinianos da Palestina histórica – a Cisjordânia, a Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental.

Numa violação grosseira dos direitos humanos, a autoridade de ocupação israelita negou o direito de regresso aos palestinianos que se encontravam fora dos territórios ocupados nessa altura. Isso significava que o tio Salah não poderia regressar à sua terra natal, a Palestina.

Em contrapartida, qualquer judeu que viva em qualquer parte do mundo tinha e ainda tem o direito – garantido por Israel – de imigrar e estabelecer-se na Palestina histórica.

Enquanto esteve na diáspora, o tio Salah fez enormes esforços para manter contacto connosco. Sem comunicação postal ou telefônica disponível, ele ocasionalmente enviava cartas, fotos, dinheiro e presentes a visitantes de Gaza.

Embora essas coisas tivessem um valor especial para minha mãe, ela ansiava por algo mais. Seu maior desejo era ver o tio Salah de volta à Palestina.

Minha mãe tinha inúmeras maneiras de expressar seu extremo amor pelo irmão e seu enorme desejo de vê-lo de volta em casa.

Ela ficou muito encantada com as cartas e fotos do meu tio; ela os manteve trancados a sete chaves. De vez em quando, eu a via beijando as fotos. Ela também me pediu para ler as cartas para ela repetidamente.

Tio Salah estava sempre nas súplicas de minha mãe. Ela orou fervorosamente por sua proteção e retorno rápido à Palestina.

Foi de partir o coração ouvi-la cantar: “Oh, lua alta, transmita minhas saudações ao querido irmão Salah!” enquanto olhava para a lua no céu noturno. Raramente ela fazia isso sem lágrimas nos olhos.

As palavras emocionadas, os olhares ansiosos e o tom triste de minha mãe refletiam a grande agonia que ela havia suportado.

Quando criança, memorizei algumas orações e súplicas de minha mãe pelo tio Salah. Ao ver a lua no céu, às vezes eu cantava: “Oh, lua alta, transmita minhas saudações ao querido tio Salah!” Muito feliz ao me ouvir entoar suas palavras, minha mãe costumava me abraçar com força.

Quando meu quarto filho nasceu, em 1993, minha mãe estava no hospital. Segurando o recém-nascido nos braços, ela olhou para ele com ternura e exclamou: “Que bebê fofo! Tão pequeno e amado por todos!” Pedi a ela que escolhesse um nome para ele; Eu esperava que ela dissesse Salah. No entanto, após um momento de reflexão profunda, ela respondeu: “Vamos chamá-lo de Talal”.

Talal é um nome lindo, mas nunca pensei nele para nenhum dos meus filhos. Mesmo assim, odiei decepcionar minha amada mãe. Curioso sobre sua escolha, eu disse: “Querida mãe, nenhum membro da família tem esse nome para chamar meu novo filho. Por que você prefere isso em particular? Ela respondeu: “Que os ausentes apareçam!” Esta é uma tradução literal de sua resposta.

As palavras árabes são geralmente baseadas em raízes de três letras, que definem seu significado subjacente. A raiz TLL transmite a sensação de “aparência ou aparecimento”. Era óbvio que a mente da minha mãe estava ocupada pelo tio Salah e pela sua família na diáspora, esperando o seu regresso à Palestina. Ela esperava que o nome fosse um bom presságio para o retorno dos entes queridos ausentes.

Nos nossos esforços para satisfazer o desejo mais profundo da minha mãe, apresentámos vários pedidos para que o tio Salah e a sua família visitassem a Palestina, à autoridade de ocupação israelita e ao Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho. Em 1994, recebemos uma aprovação.

O meu tio e a sua família chegaram a Gaza pouco depois. O reencontro emocionante entre minha mãe e seu irmão foi indescritível. Infelizmente, a visita foi breve. Tio Salah e sua família puderam voltar mais uma vez, em 1995. Sua impossibilidade de permanecer na Palestina reacendeu a angústia de minha mãe.

Com os avanços da tecnologia, conseguimos nos comunicar remotamente com o tio Salah e sua família no Kuwait. Minha mãe ficou emocionada ao vê-los e conversar com eles pela internet.

Tragicamente, meu tio ficou gravemente doente em 2017; um forte derrame o deixou paralisado e incapaz de falar. A sua saúde piorou e ele faleceu em 2021. Foi realmente doloroso para a minha mãe que o seu único irmão tenha morrido na diáspora.

Após sua morte, a saúde de minha mãe piorou. A sua condição piorou ainda mais durante a guerra brutal de Israel em Gaza. Devido ao bloqueio desumano e ao ataque aos hospitais, ela não pôde receber cuidados médicos adequados. Ela faleceu em 1º de dezembro de 2023.

Que ela e seu irmão descansem em paz!

As vidas e mortes do meu tio e da minha mãe ilustram a grave injustiça que Israel infligiu aos palestinianos ao longo das últimas oito décadas, violando flagrantemente as leis dos direitos humanos e as resoluções das Nações Unidas.

Responsabilizar Israel pelas suas atrocidades contra os palestinianos deve ser uma prioridade para a comunidade internacional. Manter-se solidário com os palestinianos na sua busca pela liberdade e pela dignidade criará estabilidade e paz para todas as nações da região.

As opiniões expressas neste artigo são do próprio autor e não refletem necessariamente a posição editorial da Al Jazeera.



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Ufac inaugura núcleo de apoio administrativo às coordenações de curso — Universidade Federal do Acre

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Ufac inaugura núcleo de apoio administrativo às coordenações de curso — Universidade Federal do Acre

A Universidade Federal do Acre (Ufac) inaugurou, na manhã desta terça-feira, 13, o Núcleo Integrado de Apoio às Coordenações (NIAC), instalado na Pró-Reitoria de Graduação (Prograd). A iniciativa tem como objetivo oferecer suporte administrativo aos cursos de graduação, neste momento com atendimento prioritário a oito coordenações que estão sem servidores técnico-administrativos. A proposta prevê também o desenvolvimento de outras ações de apoio às coordenações no âmbito do núcleo. A solenidade contou com a participação do reitor Josimar Ferreira, da vice-reitora Almecina Balbino, da pró-reitora de Graduação, Danila Torres, e da pró-reitora de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas substituta, Juliana Queirós.

O reitor destacou a importância da iniciativa para o funcionamento dos cursos e reconheceu a colaboração dos servidores envolvidos. “Quero parabenizar toda a equipe da Prograd, reconhecer o voluntariado dos nossos secretários de curso e o apoio das coordenações”, afirmou Josimar. Segundo ele, o serviço dará suporte especialmente às coordenações que estão sem secretários, mas também poderá atender aos demais coordenadores de curso.

A criação do NIAC é uma iniciativa da Prograd e da Pró-Reitoria de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas (Prodgep), que contou também com a participação inicial do Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca). O espaço foi organizado nas instalações da Prograd para facilitar o acompanhamento das atividades e o apoio aos servidores.

Segundo a pró-reitora Danila Torres, a proposta surgiu da necessidade de atender coordenações que enfrentam dificuldades na execução das atividades administrativas. Algumas delas estão há mais de oito meses sem servidores técnicos, deixando os coordenadores responsáveis também pelas rotinas administrativas. “A gente vai tentar apoiar as coordenações naquilo que elas precisam”, explicou.

O núcleo funciona por meio de uma escala de revezamento de servidores técnico-administrativos de outras coordenações. Atualmente, sete profissionais participam voluntariamente da iniciativa, com autorização das chefias imediatas, dedicando dois dias por semana ao atendimento compartilhado, sem deixar suas atividades nas unidades de origem.

A meta é ampliar a equipe para dez servidores, permitindo a presença de dois profissionais no turno da manhã e dois à tarde. “O serviço deles é padrão, é comum, então não tem um técnico para uma coordenação. Todos trabalham em todas essas oito coordenações”, explicou Danila.

Entre as primeiras demandas do NIAC está o lançamento das ofertas de disciplinas do semestre letivo 2026.2 no sistema acadêmico, considerando o início das solicitações de matrícula pelos estudantes nesta quinta-feira, 15. A medida busca assegurar o andamento dos procedimentos acadêmicos nas coordenações que não dispõem de técnicos para executar essas atividades.

Além do atendimento inicial às oito coordenações, a proposta é ampliar gradualmente a atuação do núcleo para oferecer suporte às demais unidades acadêmicas, incluindo o auxílio a novos coordenadores nas rotinas administrativas dos cursos e o desenvolvimento de outras ações de apoio às coordenações.



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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre

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Alexandra Deitos e Txima Huni Kuin.jpg

Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.

Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.

Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).

Aprendizagem no território

Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.

A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

Mestras e aprendizes tecelãs.jpg

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.

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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre

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2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no SUS (2).jpg

A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.

A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.

Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”

O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.

Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.

Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.

A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”

Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.



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