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O turismo no Laos sofrerá após o envenenamento por álcool contrabandeado? – DW – 12/12/2024
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O recente mortes de seis viajantes pelo envenenamento por metanol no Laos destacou a questão do álcool clandestino nos pontos turísticos do Sudeste Asiático.
As vítimas, da Austrália, do Reino Unido, da Dinamarca e dos EUA, e com idades entre os 19 e os 28 anos, estavam hospedadas num albergue na popular cidade turística de Vang Vieng em Novembro.
Os seis teriam consumido doses gratuitas de vodca no Nana’s Backpackers Hostel, o que não é incomum em albergues de festas no Sudeste Asiático. O gerente do albergue negou qualquer irregularidade, mas ele e sete funcionários foram presos e estão sendo investigados.
Vários outros reclamaram de não estar bem desde então, mas nenhuma outra morte ocorreu em conexão com o incidente.
A Dra. Chenery Ann Lim, gerente de projeto da iniciativa de envenenamento por metanol de Médicos sem Fronteiras (MSF), alertou que as mortes no Laos são apenas a “ponta do iceberg” em uma entrevista à mídia australiana em novembro.
“Não ouvimos muito sobre o que realmente está acontecendo no terreno… muitas das (pessoas) que consomem (as bebidas) não são turistas, mas também a população local”, disse ela.
Desde então, o governo do Laos proibiu a venda e o consumo das marcas de bebidas alcoólicas Tiger Vodka e Tiger Whisky.
Seis turistas mortos após envenenamento por metanol no Laos
A reputação do turismo no Laos sofre um golpe
O Laos é um dos países mais pobres do Sudeste Asiático e a sua economia está em dificuldades. O país tem uma dívida externa de US$ 13,8 bilhões de dólares, equivalente a 108% do PIB do país.
O Laos depende fortemente da agricultura e da indústria, estimando-se que 85% da população esteja empregada na agricultura.
Mas o país espera que o turismo possa proporcionar uma tábua de salvação económica.
O Laos já recebeu 5 milhões de visitantes em 2024, gerando mil milhões de dólares em receitas e superando as previsões iniciais.
O primeiro-ministro do Laos, Sonexay Siphandone, atribuiu o aumento das chegadas à nova ligação ferroviária Laos-China, que liga a pontos turísticos como Vang Vieng e Luang Prabang.
No entanto, David Ormsby, consultor de turismo, disse à DW que o Laos precisa de aumentar as suas capacidades estruturais para fazer face à procura crescente.
“O foco na melhoria dos serviços e da infraestrutura seria um passo na direção certa”, disse ele à DW.
“O aumento do turismo de massa pode aumentar a pressão sobre as infra-estruturas e tem o potencial de danificar a beleza natural e cultural que procura mostrar”, acrescentou.
Não se espera que mochileiros fiquem longe
O mortes recentes só contribuem para o passado conturbado de Vang Vieng, depois de 27 turistas terem morrido por afogamento enquanto praticavam bóia-cross no rio Nam Song em 2011.
“Isso pode ter um impacto de curto prazo no mercado de mochileiros. O Laos precisa provar que isso não pode acontecer novamente para reconstruir a confiança. as festas serão vistas com muita cautela”, disse à DW Gary Bowerman, analista de turismo baseado em Kuala Lumpur.
“De forma mais ampla, isto deveria preocupar os governos de todo o Sudeste Asiático, uma vez que as bebidas alcoólicas falsificadas são generalizadas e os viajantes farão mais perguntas do que antes sobre a origem das suas bebidas”, acrescentou.
Economia do Laos enfrenta dificuldades em meio à inflação e à queda do investimento
Envenenamento por metanol no Sudeste Asiático
Segundo MSF, o envenenamento por metanol é mais comum no Sudeste Asiático do que em qualquer outro lugar do mundo.
As estatísticas mostram que os surtos de metanol são comuns no Camboja, nas Filipinas e no Vietname. Mas a Indonésia lidera a maioria dos incidentes relacionados com o metanol.
O professor Ady Wirawan, do Departamento de Saúde Pública e Medicina Preventiva da Universidade Udayana de Bali, na Indonésia, disse à DW que o envenenamento por metanol é um “problema sério no Sudeste Asiático, incluindo a Indonésia, onde representa riscos significativos para a saúde, sociais e económicos”. “
“Este problema é mais prevalente em mercados de álcool não regulamentados, onde o metanol é por vezes adicionado intencionalmente ou contamina as bebidas durante uma produção insegura ou de qualidade inferior. Tanto os habitantes locais como os turistas estão em risco, especialmente quando consomem álcool barato ou caseiro”, acrescentou.
O metanol é semelhante ao etanol, o produto químico que torna uma bebida alcoólica. Os contrabandistas ilegais adicionam metanol porque é uma alternativa mais barata.
Mas o seu consumo pode ser mortal para os seres humanos, com taxas de mortalidade entre 20-40%, dependendo do nível de concentração.
Na Indonésia, de maioria muçulmana, há preocupações de que as suas rigorosas leis sobre o álcool possam levar as pessoas a comprar e consumir bebidas baratas e não regulamentadas.
A idade legal para beber na Indonésia é 21 anos, mas o consumo público é proibido em muitos lugares. Há também um alto imposto de importação sobre o álcool, que normalmente está disponível apenas em destinos turísticos, incluindo Bali e Jacarta.
“Na Indonésia, o uso de metanol em bebidas é proibido e existem regulamentos em vigor para produtores licenciados de álcool para garantir a segurança e a qualidade. No entanto, fazer cumprir estes regulamentos é um desafio devido ao mercado informal generalizado e aos recursos limitados de monitorização”, disse o professor Ady.
“Em Bali, os esforços para resolver esta questão incluíram inspecções regulares de bares e restaurantes para evitar a venda de álcool contaminado, campanhas de sensibilização pública aconselhando turistas e habitantes locais a evitarem álcool não regulamentado, equipando os hospitais com antídotos como o etanol para tratar o envenenamento por metanol, bem como como treinar prestadores de cuidados de saúde para responder de forma eficaz”, acrescentou.
O que torna o metanol tão perigoso?
Editado por: Wesley Rahn
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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial — Universidade Federal do Acre
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15 de maio de 2026O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) da Ufac realizou, nesta quarta-feira, 13, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (Cfch), um evento em comemoração aos 10 anos do Laboratório de Pesquisa Observatório de Discriminação Racial (LabODR). A programação reuniu a comunidade acadêmica, pesquisadores, egressos, bolsistas e integrantes do movimento social negro para celebrar a trajetória do laboratório e os resultados alcançados por meio das pesquisas desenvolvidas ao longo da última década.
Vinculado à área de História, mas formado por profissionais de diferentes áreas do conhecimento, o LabODR/Ufac foi criado em 2016 a partir de uma articulação entre a Ufac e o movimento negro acreano, especialmente o Fórum Permanente de Educação Étnico-Racial do Estado do Acre. Inicialmente estruturado como projeto institucional de pesquisa, o laboratório contou com apoio da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes) e, em 2018, foi inserido na plataforma Lab e certificado pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propeg).
O laboratório atua na pesquisa e na formação de pesquisadores com foco na promoção da igualdade racial, desenvolvendo estudos voltados tanto à denúncia de práticas racistas quanto à construção de reflexões e práticas antirracistas, principalmente nos espaços educacionais. Atualmente, o LODR/Ufac abriga projetos institucionais como “Práticas Pedagógicas em Educação das Relações Étnico-Raciais em Escolas do Estado do Acre”, desenvolvido desde 2018, e “Pérolas Negras”, iniciado em 2020.
Durante o evento, convidados e bolsistas compartilharam experiências acadêmicas e profissionais construídas a partir das atividades desenvolvidas pelo laboratório, destacando a importância do observatório em suas formações pessoais e profissionais. A programação também apresentou pesquisas realizadas ao longo desses dez anos de atuação e ressaltou a contribuição do laboratório para o fortalecimento das discussões sobre igualdade racial dentro da universidade e na sociedade acreana.
Compuseram o dispositivo de honra o vice-reitor, Josimar Ferreira; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Ufac, Margarida Lima; a vice-diretora do Cfch, Lucilene Ferreira de Almeida; e a representante do Neabi, Flávia Rocha.
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Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre
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15 de maio de 2026A Universidade Federal do Acre (Ufac) participou, no dia 1º de maio, da Mostra Científica “Conectando Saberes: da integração à inclusão na Amazônia”, realizada na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira. A ação reuniu instituições de ensino, pesquisa, escolas rurais e moradores da reserva em atividades de divulgação científica e integração comunitária.
Financiada pelo CNPq, a iniciativa contou com a participação da Ufac, Ifac, ICMBio e de escolas da região. Aproximadamente 250 pessoas participaram da programação, entre estudantes, professores e moradores das comunidades da reserva.
Durante o evento, estudantes da graduação e pós-graduação da Ufac e do Ifac apresentaram pesquisas e atividades educativas nas áreas de saúde, Astronomia, Física, Matemática, Robótica e educação científica. A programação incluiu oficinas de foguetes, observação do céu com telescópios, sessões de planetário, jogos educativos e atividades com microscópios.
O professor Francisco Glauco, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN) da Ufac, destacou a importância da participação acadêmica em ações junto às comunidades tradicionais.
“A universidade tem um papel fundamental para a formação científica e cidadã dos estudantes. A troca de conhecimentos com comunidades de difícil acesso fortalece essa formação”, afirmou.
A professora Valdenice Barbosa, da Escola Iracema, ressaltou o impacto da iniciativa para os alunos da reserva.
“Foi um dia histórico de muito aprendizado. Muitos estudantes tiveram contato pela primeira vez com experimentos e equipamentos científicos”, disse.
Além das atividades científicas, a programação contou com apresentações culturais realizadas pelos estudantes da reserva, fortalecendo a integração entre ciência, educação e saberes amazônicos.
A participação da Ufac reforça o compromisso da universidade com a extensão, a popularização da ciência e a aproximação entre universidade e comunidades tradicionais da Amazônia.
Fhagner Soares – Estagiário
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UFAC participa de pesquisa sobre zoonose associada à caça de subsistência na Amazônia — Universidade Federal do Acre
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15 de maio de 2026Um estudo publicado na revista Acta Amazonica identificou a presença do parasita Echinococcus vogeli em pacas (Cuniculus paca) abatidas e consumidas por comunidades tradicionais da Amazônia Ocidental. O agente é responsável pela equinococose policística humana, zoonose considerada emergente na região.
A pesquisa foi desenvolvida entre 2022 e 2023 nos municípios de Sena Madureira e Rio Branco, no Acre, sob coordenação do professor Francisco Glauco de Araújo Santos, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN), integrando a dissertação de mestrado de Liliane de Souza Anadão, do Programa de Pós-Graduação em Sanidade e Produção Animal Sustentável na Amazônia (PPGSPASA).
O estudo entrevistou 78 famílias e analisou 23 fígados de pacas abatidas para consumo. Em 48% das amostras foram identificados cistos hidáticos causados pelo parasita. A pesquisa também apontou que a maioria dos cães das comunidades participa das caçadas e consome vísceras cruas dos animais.
Segundo os pesquisadores, o principal risco de transmissão ocorre quando cães infectados eliminam ovos do parasita no ambiente, contaminando solo, água e alimentos.
“O principal risco está associado ao descarte inadequado das vísceras e ao contato com ambientes contaminados pelas fezes de cães infectados”, destacou o professor Francisco Glauco.
O estudo reforça a necessidade de ações de vigilância e educação em saúde nas comunidades rurais, principalmente relacionadas ao manejo de cães e ao descarte adequado das vísceras dos animais abatidos.
Para o pesquisador Leandro Siqueira, doutor em Medicina Tropical pela Fiocruz e coautor do estudo, a pesquisa amplia o conhecimento sobre a transmissão da doença na Amazônia e pode contribuir para futuras ações de prevenção e diagnóstico na região.
Fhagner Soares – Estagiário
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