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ONG ajuda mulheres vítimas de violência a se reerguer – 16/03/2025 – Cotidiano

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ONG ajuda mulheres vítimas de violência a se reerguer - 16/03/2025 - Cotidiano

Isabella Menon

Nas paredes, frases motivam mulheres a manter a cabeça erguida. “Nada é mais forte do que uma mulher que se reconstruiu”, diz um dos pôsteres.

Os lembretes preenchem paredes da ONG Bem Querer Mulher, localizada no Morumbi, zona oeste de São Paulo. A entidade atua na cidade que, só no ano passado, teve uma média diária de 357 casos de violência contra mulheres registrados.

Há 20 anos, a ONG mantém um trabalho multidisciplinar para acolher vítimas de violência doméstica. Lá, recebem assistência jurídica, psicológica, orientação de assistente social e participam de cursos profissionalizantes.

A Folha conversou com quatro mulheres que procuraram ajuda há pouco menos de um ano e manterá a identidade delas preservada —os nomes usados neste texto são fictícios.

Apesar de perfis diferentes, todas definem que as relações drenaram a autoestima. Destruída, acabada, envergonhada são alguns dos adjetivos usados ao lembrar do momento que buscaram ajuda.

Com os apoios que receberam, dizem que se sentem fortalecidas, compreendem os abusos que viveram e se veem livres para estudar, trabalhar e fazer aquilo de que gostam. Também relatam o uso de antidepressivos, identificam quais violências viveram e, algumas, classificam os agressores como narcisistas.

Maria lembra que o ex-marido, com quem viveu junto por mais de 40 anos, zombava dela quando dizia que gostava de dançar. “Sobe na mesa”, debochava ele, que por mais de 20 anos manteve uma relação violenta com ela.

No fim, ela contou com a ajuda de um dos filhos para denunciar a violência do marido. “Você chega aqui semimorta, sem um batom, sentindo-se um lixo. [As agressões] são diárias, nas mínimas coisas e aquilo vai acabando com você”, diz, recordando que sentia vergonha de pedir ajuda.

Ela afirma que começou a ter consequências psicológicas, como crises de ansiedade e pensava em suicídio. Mesmo assim, ficar longe dele não foi fácil. “Sabia que era ruim, mas era como um vício, dava vontade de voltar.”

Após sessões de terapia e rodas de conversa, entende o que passou. “Comecei a ver que o errado é ele”, diz ela, que passou a viver sozinha há menos de um ano, ainda depende da ajuda dos filhos para se sustentar e trava na Justiça uma briga pela divisão de bens.

Já enxerga, porém, a vida com mais liberdade e incorporou a dança a sua rotina. Hoje, não pensa em relacionamentos e brinca não querer cueca no seu armário. Usaria a peça, diz, apenas para ser pano de chão.

Também foi o filho de Paula quem impulsionou a denúncia contra o agressor. Em casa, era constantemente agredida e xingada. O medo de apanhar era tamanho que ela mantinha distância de cômodos quando reclamava de alguma coisa com o marido.

Descontava nos filhos a frustração da relação. O mais velho reclamou da rigidez da mãe dispensada a uma funcionária do posto de saúde, que a chamou para uma conversa. Foi lá que começou a se abrir e relatar as agressões que sofria.

Depois da orientação, tomou coragem, fez um boletim de ocorrência e conseguiu uma medida protetiva contra o marido. Não sabia, porém, o que fazer com o documento e, com este na gaveta, continuou vivendo com o marido.

Até que voltou a ser agredida. Cansada, ligou para a polícia, o marido foi levado e se separaram. Atualmente, além de fazer cursos profissionalizantes, ela ajuda a levar outras mulheres a buscarem ajuda na ONG.

É o caso de uma conhecida dela, Beatriz, que recebeu a culpa por tragédias, desde o abuso sexual que a filha adolescente sofreu até o suicídio do ex, viciado em álcool e cocaína.

A situação dela consistia em violência psicológica. “Sem encostar um dedo, ele me agrediu por cinco anos”, lembra. Não foram as violências que fizeram com que ela se separasse, mas as drogas. Segundo ela, foi por isso que, quando ele se matou, a família do ex colocou a culpa nela.

Nesse momento, ela mergulhou num período depressivo. “Eu tinha muita vontade de desistir, mas tenho meus filhos e não tinha nem esse direito.”

A morte do ex já faz cinco anos e ela considera que começou a refazer a vida. Foi com acompanhamento psicológico que entendeu traumas que carrega, como as agressões que sofria na infância.

“Cheguei aqui com medo de falar com as pessoas”, afirma ela. Agora, estuda confeitaria e se reencontrou com uma antiga paixão: os números —antes, ela trabalhou na área de contabilidade e agora tenta voltar, de alguma forma, a trabalhar com isso.

E nem sempre a violência surge já no início do relacionamento. Joana calcula que, das três décadas de casamento, foram nos três últimos que acabou submetida a um ciclo de violências, que culminaram em agressões físicas.

Tudo começou a ruir, segundo ela, quando o marido arrumou uma amante. “Eu pedi para ele olhar o que estava fazendo com a nossa vida”, lembra ela, que ouvia dele: “Cuida da sua vida”.

Hoje, ela vive com uma medida protetiva contra o ex. “Antes, eu não sabia dizer não, mas agora estou dizendo”, diz ela, que mantém o bom humor mesmo quando lembra do relacionamento.

Ao ser questionada sobre como se sente fora da relação, prefere definir o atual momento da vida com o samba-enredo da Imperatriz Leopoldinense, de 1989: “Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós!”, cantarola, enquanto fala sobre a antiga relação.

A ONG é um dos projetos do Indes (Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social). A gerente do instituto, Marina Gurgel, diz que a maioria das vítimas consegue se desvincular dos agressores, mas é preciso um trabalho multidisciplinar, que inclui uma rede de apoio e garantia de renda.

Sylvia Cury, psicóloga da ONG, destaca que, apesar do trabalho da organização surtir efeitos na vida das mulheres, há casos em que as vítimas engatam em relações violentas. “Nosso papel não é julgar. Isso é uma decisão delas, mas notamos que é mais comum entre aquelas que vivenciam violências psicológicas por anos.”


Como buscar ajuda

  • Para buscar a ONG Bem Querer Mulher, é possível procurar o local (r. Christiano Ribeiro da Luz Junior, 48, Morumbi. Tel.: (11) 3726-4220. Seg. a sex.: 9h às 18h)
  • No caso de urgência, ligue para o 190
  • Para denúncias, ligue para o 180
  • Para atendimento multiprofissional, em São Paulo, vá à Casa da Mulher Brasileira (r. Vieira Ravasco, 26, Cambuci, tel.: 3275-8000) —local funciona 24 horas todos os dias. A mulher tem acesso a delegacia, Ministério Público, Tribunal de Justiça e alojamento provisório se não puder voltar para casa.
  • Na Ouvidoria das Mulheres, por meio de um formulário online.
  • Projetos como Justiça de Saia, MeTooBrasil e Instituto Survivor dão apoio jurídico e psicológico para as mulheres vítimas de abuso e violência doméstica.



Leia Mais: Folha

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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre

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Alexandra Deitos e Txima Huni Kuin.jpg

Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.

Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.

Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).

Aprendizagem no território

Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.

A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

Mestras e aprendizes tecelãs.jpg

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.

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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre

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2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no SUS (2).jpg

A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.

A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.

Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”

O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.

Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.

Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.

A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”

Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.



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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre

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Nathalia Oliveira, Ufac 2026.10.02.jpeg

A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.

“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.

Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.

A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.



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