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Operação da Polícia Civil investiga desvios na merenda escolar
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6 anos atrásem
A Polícia Civil do Acre, por meio da Delegacia de Combate à Corrupção (Decor) e Departamento de Inteligência (DI), deflagrou nas primeiras horas da manhã desta quinta-feira, 9, a Operação Mitocôndria que investiga desvio de recursos públicos e fraudes em licitações relacionadas à merenda escolar, em âmbito estadual. O nome da operação é uma ligação com as mitocôndrias, organelas encontradas no núcleo da célula que, devido ao alto metabolismo, consomem muita energia dos alimentos que são ingeridos.
A investigação, que durou cerca de dois meses, foi um pedido do governador Gladson Cameli, do Secretário de Educação Mauro Sérgio, além da Casa Civil, Controladoria-Geral do Estado e Procuradoria-Geral do Estado, e resultou no cumprimento de 7 mandados de prisão temporária e 20 mandados de busca e apreensão, que foram realizados nas sedes de quatro empresas na capital e também em Tarauacá e Xapuri, além dos armazéns de merenda escolar da SEE, em Rio Branco, Tarauacá, Sena Madureira e Cruzeiro do Sul.

Pelo menos R$ 5 milhões das contas dos investigados foram bloqueadas preliminarmente pela justiça acreana que atendeu à representação da Polícia Civil. Bens móveis, imóveis e semoventes (rebanhos que constituem patrimônio) dos envolvidos também foram indisponíveis temporariamente.
O foco principal das investigações foi desvio de recursos públicos relacionados à merenda escolar. Estão sendo apuradas diversas práticas delituosas como: entrega de produtos e itens com qualidade inferior ao contratado ou em quantidade menor, falsificação de documento público, falsidade ideológica e associação criminosa entre outros crimes e irregularidades previstas na Lei de Licitações e Contratos Públicos.

O trabalho da Polícia Civil e Controladoria-Geral do Estado (CGE) conseguiu frear um desvio que poderia chegar a 22 milhões em contratos que ainda estão sob análise. Participaram da operação cerca de 100 policiais civis nas cidades de Rio Branco, Sena Madureira, Xapuri, Tarauacá e Cruzeiro do Sul.
CGE realizou mais de 70 dias de investigação na SEE
As investigações iniciaram com a Controladoria-Geral do Estado logo após o governador Gladson Cameli receber denúncia de possíveis crimes no setor da merenda escolar. De acordo com o controlador-geral do Estado, Luis Almir, cerca de 10 técnicos da CGE realizaram um trabalho de investigação de mais de 70 dias na Secretaria de Estado de Educação (SEE), durante o qual foram vislumbrados indícios de desvios de recursos, entrega de material de qualidade inferior ao que era pago. Ainda de acordo com o controlador, os levantamentos foram feitos em um montante de R$ 28 milhões, com mais de 20 empresas envolvidas.
“Nossos técnicos realizaram um trabalho minucioso e encontramos várias notas fiscais atestadas sem entrega de material algum, insumos da merenda escolar, outras entregues 10%, 20% desses insumos. E acabamos identificando as pessoas que atestaram essas notas e outras que revelaram que eram obrigadas a criar recibos e outros tipos de documentos falsos, inclusive com essas notas atestadas já liquidadas para serem pagas. Passamos todas as informações para a Polícia Civil que baseou a Operação Mitocôndria”, explicou o controlador-geral.

Investigação técnica e minuciosa
No final da manhã, o delegado-geral da Polícia Civil, Henrique Maciel, se reuniu com o Secretário de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), Paulo Cézar Rocha dos Santos, que representou o governador Gladson Cameli, com o delegado da Decor, Alcino Junior, o Diretor de Inteligência da Polícia Civil, delegado Pedro Buzzolin, e o promotor de Justiça, Antônio Alcestes, representando o Ministério Público, para falar com a imprensa sobre a operação.
Durante a coletiva, além das informações sobre a operação, foram destacados os aspectos técnicos que nortearam as investigações e basearam as representações judiciais.
“Foi realizado um trabalho de investigação extremamente técnico que evidenciou indícios de crimes e isso serviu de base para a denúncia do Ministério Público e as representações judiciais”, disse o delegado Alcino Junior, destacando ainda que foram apreendidos cerca de R$ 5,5 milhões dos envolvidos, além do bloqueio de cerca de R$ 22 milhões que estavam prestes a serem pagos aos acusados.
“Havia notas que estavam atestadas e que iam ser pagas, mas que os insumos não tinha sido entregues ou que não foram entregues em sua totalidade, e de forma célere conseguimos que esses pagamentos fossem bloqueados. Estamos falando em coisa de R$ 22 milhões”, destacou.
O delegado-geral da Polícia Civil, Henrique Maciel, enfatizou ainda que as investigações não tiveram como foco principal as pessoas, mas sim, os crimes praticados por um grupo que gerou um prejuízo de grande monta para o Estado.
“As investigações focam nos crimes que estão sendo praticados e não em pessoas ou em questões políticas e ideológicas. É um trabalho que está sendo realizado com responsabilidade, técnico e sério, como sempre fizemos. Estamos trabalhando em parceria com o Ministério Público, ou seja, com total transparência e lisura nessa investigação e agora vamos trabalhar na perícia de todo o material apreendido, o que pode resultar em outros inquéritos”, destacou.
O secretário de Justiça e Segurança Pública, Paulo Cézar dos Santos, afirmou que a criação e atuação da Delegacia de Combate à Corrupção foi para garantir transparência na gestão do atual Governo do Estado e que por qualquer erro, ilicitude ou prática delituosa na administração pública os responsáveis serão sancionados. Santos destacou ainda que a investigação iniciou no órgão de controle interno do próprio Poder Executivo, passou efetivamente por um processo técnico de investigação da Polícia Civil e teve o crivo do Ministério Público.
“Por fim, culminou com a legitimação dos atos que foram praticados no dia de hoje que foram os mandados cumpridos, portanto demonstra a transparência desse processo investigatório. A Polícia Civil tem total autonomia em suas ações e em suas investigações. O governador, ao determinar a criação da Delegacia de Combate à Corrupção, teve por objetivo garantir a transparência na atual gestão. E, se houve ou se houver algum erro administrativo nesse sentido, os responsáveis serão penalizados”, afirmou Paulo Cézar. Por Gleydison Meireles
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ESPECIAL
Em Tarauacá, Governo realiza encontro especial com a jornalista Maria Cândida
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2 meses atrásem
23 de março de 2026Participe do evento Liderança Feminina e permita-se viver uma experiência que pode transformar sua visão, ampliar seus horizontes e inspirar novos caminhos.
Às vezes, um encontro pode ampliar a visão, reposicionar ideias e despertar uma nova forma de conduzir a própria trajetória.
O evento Liderança Feminina será uma oportunidade especial de escuta, reflexão e inspiração, com a participação da jornalista, comunicadora e palestrante Maria Cândida, além da presidente do Deracre, Sula Ximenes.
Uma conversa atual e necessária sobre liderança, protagonismo feminino, transformação do mundo do trabalho, impacto do digital e novas possibilidades para o presente e para o futuro.
Local: Ginásio Ruynet Lima de Matos, Tarauacá/AC
Data: 8 de abril
Horário: a partir das 17h30
Entrada gratuita e aberta ao público.
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MEIO AMBIENTE
Justiça estende prazo para licenciamento ambiental do cemitério em Tarauacá
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1 ano atrásem
30 de janeiro de 2025Decisão da 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) determinou que após Município entregar documentos e ajustes solicitados, autarquia ambiental terá 60 dias para responder ao pedido de licenciamento
A 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) acolheu o pedido de autarquia ambiental para aumentar o prazo para responder pedido de licenciamento de cemitério em Tarauacá. Considerando a complexidade da situação e a necessidade de respeito à saúde pública, o prazo sai de 10 para 60 dias, contados após o Município entregar os documentos e ajustes solicitados pelo órgão ambiental.
A autarquia requerida tinha recebido o prazo de 10 dias para providenciar o encerramento do pedido de licença do cemitério, sob pena de multa diária de R$ 10 mil, limitado para R$ 50 mil. Contudo, a requerida entrou com recurso expondo a necessidade ampliar o prazo para executar o trabalho, devido à complexidade da situação.
Cemitério de Tarauacá [créditos: Acre.com.br]
O pedido para aumentar o prazo foi acolhido pelo Colegiado, mas foi mantida a aplicação de multa para o caso de descumprimento da ordem judicial. O relator do recurso foi o desembargador Nonato Maia.
O magistrado escreveu que: “o prazo de 10 dias inicialmente fixado pelo Juízo de origem revela-se desproporcional diante da complexidade do procedimento de licenciamento ambiental, que exige análise técnica, estudos específicos e medidas mitigatórias”.
Em seu voto o desembargador verificou que apesar do pedido de licença ter sido feito em outubro de 2022, a Autarquia tinha solicitado documentos extras e ajustes ao Município. Nonato Maia observou que: “(…) o processo administrativo encontra-se em fase de ajustes, aguardando a apresentação, pelo Município, de medidas mitigatórias essenciais para evitar a contaminação do lençol freático por necrochorume, como: instalação de poços de monitoramento para análise da qualidade da água subterrânea. Apresentação de medidas de controle e mitigação de impactos ambientais”.
Além disso, o relator considerou o princípio da precaução para evitar danos ambientais que podem atingir a saúde da população. “Ademais, deve ser considerado o princípio da precaução, segundo o qual, diante da incerteza sobre os impactos ambientais de uma atividade potencialmente poluidora, deve-se adotar uma postura cautelosa, evitando-se medidas que possam comprometer o meio ambiente e a saúde da população” escreveu Maia.
Agravo de Instrumento n.º 1001814-89.2024.8.01.0000
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ACRE
Com queda de 23,5%, Acre ainda tem 6 roubos a pedestres todos os dias
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2 anos atrásem
22 de julho de 2024Os roubos a pedestres caíram 23,5% no Acre em 12 meses, mas, levando em conta que ocorreram 2.230 casos em 2023, o Estado registrou ao menos seis crimes por dia, segundo os dados do Anuário da Segurança Pública 2024. A queda ocorrida no Acre só perde para a do Tocantins (-42,8%); Goiás (32,3%) e Amapá (25,1%).
De acordo com a Revista Universo, que se baseia no artigo 157 do Código Penal Brasileiro, o roubo a transeunte é um crime comum e corriqueiro caracterizado por assalto a indivíduos que são abordados enquanto transitam em vias públicas “com subtração de pertences de forma violenta”.
O sistema de segurança pública do Acre pouco aborda o tema e os detalhes sobre esse crime são escassos. Por outro lado, o Anuário Brasileiro de Segurança Pública se baseia em informações fornecidas pelas secretarias de segurança pública estaduais, pelas polícias civis, militares e federal, entre outras fontes oficiais da Segurança Pública. A publicação é uma ferramenta importante para a promoção da transparência e da prestação de contas na área, contribuindo para a melhoria da qualidade dos dados. Além disso, produz conhecimento, incentiva a avaliação de políticas públicas e promove o debate de novos temas na agenda do setor. Trata-se do mais amplo retrato da Segurança Pública brasileira.
ac24horas.
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