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Pagando a conta do desequilíbrio do setor público – 04/01/2025 – Ana Paula Vescovi
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O ano de 2025 começa com uma inevitável comparação entre o atual estresse dos mercados e o momento anterior à crise fiscal de 2015/2016. Desde então, o setor privado se fortaleceu, mas as condições no setor público justificam a piora recente na percepção de riscos.
Nos últimos dez anos, a economia brasileira mudou bastante, o que deve evitar uma desaceleração tão acentuada quanto houve lá atrás. Houve aumento de eficiência em diversos segmentos, e o setor privado quebrou recordes na balança comercial com o resto do mundo. Apesar dos altos preços de commodities, estamos longe do boom dos anos 2000 e do risco de desaceleração súbita de 2014.
O setor produtivo está menos endividado, embora investindo menos e de modo mais seletivo. Preocupa a contínua saída de capitais, tanto de estrangeiros quanto de residentes, que poderia estar se convertendo em mais investimentos produtivos aqui.
O setor privado aumentou a sua presença na infraestrutura. Na energia, o mercado livre avançou sobre o mercado regulado (de um quarto para um terço do total). Há mais investimentos privados em saneamento, portos, rodovias e ferrovias. A construção civil se reestruturou a partir da nova lei do distrato e encontra-se menos dependente do funding subsidiado e de contratos governamentais. Houve vendas de ativos públicos, com os atores privados gerindo contratos de longo prazo, protegidos da inflação, mas com metas de investimentos, universalização e nível de serviços.
A ampliação dos acessos a mercados de capitais e a redução dos custos de refinanciamento contribuíram para a desalavancagem das grandes empresas, que, na média, encontra-se em menos da metade do nível de dez anos atrás.
Com menos subsídios creditícios, o mercado de capitais responde hoje por mais de 60% do crédito corporativo; há dez anos, era apenas metade disso. Os fundos de direitos creditórios quintuplicaram o seu patrimônio líquido, e as debêntures se tornaram o principal ativo dentro da indústria de fundos, superando pela primeira vez alocações em ações; os riscos dos emissores têm sido precificados em mercados mais profundos e diversificados e distribuídos entre um maior número de investidores.
Folha Mercado
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No crédito corporativo bancário, o impulso também tem sido forte, com destaque para as linhas de antecipação de recebíveis de cartões, muito dependentes da demanda. Os fundos garantidores públicos têm sustentado o crédito para micro e pequenas empresas, desde a pandemia, com níveis de inadimplência ainda baixos.
As famílias estão mais endividadas do que há dez anos. Além da facilidade da tecnologia, há mais competidores em um mercado com liquidez mais abundante. O número de cartões de crédito ativos cresceu 2,5 vezes ante 2014.
O mercado de trabalho, contudo, encontra-se tão resiliente quanto estava até 2014. A rápida expansão do setor de serviços, menos cíclico, reforçando o atual superaquecimento da economia. Neste momento, a taxa de desemprego está ainda mais baixa, na mínima histórica, e tende a demorar mais para se ajustar à desaceleração da economia.
Mas no setor público a história é bem diferente. O desafio da consolidação das contas públicas ainda não foi superado.
As instituições têm falhado em sustentar as regras fiscais, permitindo que o crescimento dos gastos públicos supere o ritmo de crescimento da economia. O valor dos precatórios judiciais e das emendas parlamentares se aproxima de 1% do PIB, sem avaliação ou proposta de reformulação estrutural. Permanecemos com déficit primário estrutural, agora mais dependente de dividendos das estatais e rendas do petróleo.
Os orçamentos continuam rígidos, com despesas obrigatórias indexadas e vinculadas, sem contrapartida em melhores serviços. O déficit crescente da previdência pública não se estabilizou após a reforma. O esforço recente de aumento permanente de receitas (1% do PIB) parece ter se esgotado, sem mais apoios no Congresso, e não foi suficiente para cobrir o ritmo acelerado das despesas. Os benefícios tributários cresceram de 5,7% para 6,9% do PIB em dez anos.
A dívida pública saltou mais de 20 pontos percentuais do PIB nesse período, com tendência de crescimento até a próxima década. Se há dez anos apenas um quarto da dívida era atrelado a taxas de juros flutuantes, agora esse percentual chegou à metade. E ainda restou sem solução a enorme dívida de alguns estados com a União.
Embora as empresas públicas estejam mais protegidas pela Lei das Estatais, o uso de fundos públicos e os créditos subsidiados têm sido reativados. Estes sobrecarregam a dívida pública, embora acreditemos que, desta vez, o impacto a curto prazo não chegue à metade do observado na última crise fiscal.
O aumento do endividamento público voltou a ser um fenômeno global, desde a pandemia, o que induz juros globais mais altos do que experimentávamos há dez anos. Ou seja, a situação externa está ajudando menos e aportando mais riscos.
O ciclo político invertido, com gastos mais fortes no início da gestão, deverá resultar em mais inflação e menos crescimento no ano eleitoral. A grande incerteza é a possibilidade de novos impulsos fiscais. Os desequilíbrios crescentes no setor público e a sobrecarga do seu financiamento sobre o setor privado explicam a pior percepção de risco, as altas taxas de juros e o real depreciado. A disciplina dos mercados está cobrando a conta.
Ainda há tempo para reverter o arrasto da crise de confiança para a economia real. A solução está dentro do setor público, passa por um diagnóstico há muito conhecido e, necessariamente, pela escolha da contenção dos gastos.
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Nota da Andifes sobre os cortes no orçamento aprovado pelo Congresso Nacional para as Universidades Federais — Universidade Federal do Acre
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23 de dezembro de 2025Notícias
publicado:
23/12/2025 07h31,
última modificação:
23/12/2025 07h32
Confira a nota na integra no link: Nota Andifes
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Ufac entrega equipamentos ao Centro de Referência Paralímpico — Universidade Federal do Acre
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2 semanas atrásem
18 de dezembro de 2025A Ufac, a Associação Paradesportiva Acreana (APA) e a Secretaria Extraordinária de Esporte e Lazer realizaram, nessa quarta-feira, 17, a entrega dos equipamentos de halterofilismo e musculação no Centro de Referência Paralímpico, localizado no bloco de Educação Física, campus-sede. A iniciativa fortalece as ações voltadas ao esporte paraolímpico e amplia as condições de treinamento e preparação dos atletas atendidos pelo centro, contribuindo para o desenvolvimento esportivo e a inclusão de pessoas com deficiência.
Os equipamentos foram adquiridos por meio de emenda parlamentar do deputado estadual Eduardo Ribeiro (PSD), em parceria com o Comitê Paralímpico Brasileiro, com o objetivo de fortalecer a preparação esportiva e garantir melhores condições de treino aos atletas do Centro de Referência Paralímpico da Ufac.
Durante a solenidade, a reitora da Ufac, Guida Aquino, destacou a importância da atuação conjunta entre as instituições. “Sozinho não fazemos nada, mas juntos somos mais fortes. É por isso que esse centro está dando certo.”
A presidente da APA, Rakel Thompson Abud, relembrou a trajetória de construção do projeto. “Estamos dentro da Ufac realizando esse trabalho há muitos anos e hoje vemos esse resultado, que é o Centro de Referência Paralímpico.”
O coordenador do centro e do curso de Educação Física, Jader Bezerra, ressaltou o compromisso das instituições envolvidas. “Este momento é de agradecimento. Tudo o que fizemos é em prol dessa comunidade. Agradeço a todas as instituições envolvidas e reforço que estaremos sempre aqui para receber os atletas com a melhor estrutura possível.”

O atleta paralímpico Mazinho Silva, representando os demais atletas, agradeceu o apoio recebido. “Hoje é um momento de gratidão a todos os envolvidos. Precisamos avançar cada vez mais e somos muito gratos por tudo o que está sendo feito.”
A vice-governadora do Estado do Acre, Mailza Assis da Silva, também destacou o trabalho desenvolvido no centro e o talento dos atletas. “Estou reconhecendo o excelente trabalho de toda a equipe, mas, acima de tudo, o talento de cada um de nossos atletas.”
Já o assessor do deputado estadual Eduardo Ribeiro, Jeferson Barroso, enfatizou a finalidade social da emenda. “O deputado Eduardo fica muito feliz em ver que o recurso está sendo bem gerenciado, garantindo direitos, igualdade e representatividade.”
Também compuseram o dispositivo de honra a pró-reitora de Inovação, Almecina Balbino, e um dos coordenadores do Centro de Referência Paralímpico, Antônio Clodoaldo Melo de Castro.
(Camila Barbosa, estagiária Ascom/Ufac)
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Orquestra de Câmara da Ufac apresenta-se no campus-sede — Universidade Federal do Acre
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18 de dezembro de 2025A Orquestra de Câmara da Ufac realizou, nesta quarta-feira, 17, uma apresentação musical no auditório do E-Amazônia, no campus-sede. Sob a coordenação e regência do professor Romualdo Medeiros, o concerto integrou a programação cultural da instituição e evidenciou a importância da música instrumental na formação artística, cultural e acadêmica da comunidade universitária.
A reitora Guida Aquino ressaltou a relevância da iniciativa. “Fico encantada. A cultura e a arte são fundamentais para a nossa universidade.” Durante o evento, o pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes, destacou o papel social da arte. “Sem arte, sem cultura e sem música, a sociedade sofre mais. A arte, a cultura e a música são direitos humanos.”
Também compôs o dispositivo de honra a professora Lya Januária Vasconcelos.
(Camila Barbosa, estagiária Ascom/Ufac)
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