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Perante a demissão de governos, o apelo a um “fortalecimento do papel do Parlamento”

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Gabriel Attal, primeiro-ministro cessante, e Michel Barnier, seu sucessor, durante a transferência do poder para Matignon, em Paris, 5 de setembro de 2024.

O que pode fazer um governo que se demitiu sem ainda ter sido substituído? O relatório aprovado na quarta-feira, 11 de dezembro, pela Comissão Jurídica da Assembleia Nacional não poderia ser mais oportuno.

Após o episódio inédito do governo de Gabriel Attal, que permaneceu no cargo sessenta e sete dias após a sua renúncia, os deputados Léa Balage El Mariky (Les Ecologistes, Paris) e Stéphane Mazars (Renaissance, Aveyron) quiseram ver mais claro sobre o medidas tomadas por um governo que deveria “lidar com assuntos atuais”. As conclusões dos dois relatores da missão flash são entregues apesar de a França se encontrar novamente nesta configuração: Michel Barnier e a sua equipa, tendo renunciado desde a votação da moção de censura em 4 de dezembro, permanecem no cargo enquanto aguardam a nomeação de um novo executivo. Estão até a preparar-se para aprovar uma “lei especial” crucial para que o Estado continue a cobrar impostos. Tudo exceto um “assuntos atuais” no sentido usual da expressão.

“É provável que este tipo de situação volte a acontecer, análise de Léa Balage El Mariky. Na actual configuração da Assembleia, sem qualquer maioria, a construção de uma coligação leva necessariamente tempo. E isto será, sem dúvida, ainda mais verdade se o método de votação for modificado, com a passagem para a representação proporcional. »

“Reparlamentarizar o nosso regime político”

A longa sequência de Verão poderá assim constituir uma antecipação de outros períodos flutuantes, como os vividos por vários países europeus. Já duraram 88 dias na Itália (2018), 134 dias na Suécia (2018-2019), 315 dias na Espanha (2015-2016), 360 dias na Holanda (2023-2024), permanecendo o recorde absoluto na posse da Bélgica . Em 2010-2011, o reino passou 541 dias sem um executivo em tempo integral!

Nestas condições, segundo os dois deputados, é importante clarificar as regras do jogo e sem dúvida revê-las um pouco. Objetivo: não deixar muito poder a um governo que já não tem legitimidade e, portanto, modificar a balança em favor de deputados e senadores. “O risco de multiplicação dos actuais períodos de actividade exige um reforço do papel do Parlamento”avaliam os dois relatores. “Nosso trabalho pode constituir um primeiro alicerce para re-parlamentar nosso regime político”acrescenta Léa Balage El Mariky.

Viver sem um governo pleno não é uma tragédia, notam os dois deputados. A experiência da transição entre Gabriel Attal e Michel Barnier mostra isso. Desde a Segunda Guerra Mundial, nenhum governo durou tanto tempo após a sua demissão. O país ainda não parou. Nem o governo, ainda que o ritmo da sua actividade tenha abrandado consideravelmente. Nesse período, foram publicados 340 decretos e 1.650 despachos em Diário Oficialmetade do valor de um ano antes. Ele também preparou um orçamento para 2025.

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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial — Universidade Federal do Acre

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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial-capa.jpg

O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) da Ufac realizou, nesta quarta-feira, 13, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (Cfch), um evento em comemoração aos 10 anos do Laboratório de Pesquisa Observatório de Discriminação Racial (LabODR). A programação reuniu a comunidade acadêmica, pesquisadores, egressos, bolsistas e integrantes do movimento social negro para celebrar a trajetória do laboratório e os resultados alcançados por meio das pesquisas desenvolvidas ao longo da última década.

Vinculado à área de História, mas formado por profissionais de diferentes áreas do conhecimento, o LabODR/Ufac foi criado em 2016 a partir de uma articulação entre a Ufac e o movimento negro acreano, especialmente o Fórum Permanente de Educação Étnico-Racial do Estado do Acre. Inicialmente estruturado como projeto institucional de pesquisa, o laboratório contou com apoio da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes) e, em 2018, foi inserido na plataforma Lab e certificado pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propeg).

O laboratório atua na pesquisa e na formação de pesquisadores com foco na promoção da igualdade racial, desenvolvendo estudos voltados tanto à denúncia de práticas racistas quanto à construção de reflexões e práticas antirracistas, principalmente nos espaços educacionais. Atualmente, o LODR/Ufac abriga projetos institucionais como “Práticas Pedagógicas em Educação das Relações Étnico-Raciais em Escolas do Estado do Acre”, desenvolvido desde 2018, e “Pérolas Negras”, iniciado em 2020.

Durante o evento, convidados e bolsistas compartilharam experiências acadêmicas e profissionais construídas a partir das atividades desenvolvidas pelo laboratório, destacando a importância do observatório em suas formações pessoais e profissionais. A programação também apresentou pesquisas realizadas ao longo desses dez anos de atuação e ressaltou a contribuição do laboratório para o fortalecimento das discussões sobre igualdade racial dentro da universidade e na sociedade acreana.

Compuseram o dispositivo de honra o vice-reitor, Josimar Ferreira; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Ufac, Margarida Lima; a vice-diretora do Cfch, Lucilene Ferreira de Almeida; e a representante do Neabi, Flávia Rocha.

 



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Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre

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Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre

A Universidade Federal do Acre (Ufac) participou, no dia 1º de maio, da Mostra Científica “Conectando Saberes: da integração à inclusão na Amazônia”, realizada na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira. A ação reuniu instituições de ensino, pesquisa, escolas rurais e moradores da reserva em atividades de divulgação científica e integração comunitária.

Financiada pelo CNPq, a iniciativa contou com a participação da Ufac, Ifac, ICMBio e de escolas da região. Aproximadamente 250 pessoas participaram da programação, entre estudantes, professores e moradores das comunidades da reserva.

Durante o evento, estudantes da graduação e pós-graduação da Ufac e do Ifac apresentaram pesquisas e atividades educativas nas áreas de saúde, Astronomia, Física, Matemática, Robótica e educação científica. A programação incluiu oficinas de foguetes, observação do céu com telescópios, sessões de planetário, jogos educativos e atividades com microscópios.

O professor Francisco Glauco, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN) da Ufac, destacou a importância da participação acadêmica em ações junto às comunidades tradicionais.

“A universidade tem um papel fundamental para a formação científica e cidadã dos estudantes. A troca de conhecimentos com comunidades de difícil acesso fortalece essa formação”, afirmou.

A professora Valdenice Barbosa, da Escola Iracema, ressaltou o impacto da iniciativa para os alunos da reserva.

“Foi um dia histórico de muito aprendizado. Muitos estudantes tiveram contato pela primeira vez com experimentos e equipamentos científicos”, disse.

Além das atividades científicas, a programação contou com apresentações culturais realizadas pelos estudantes da reserva, fortalecendo a integração entre ciência, educação e saberes amazônicos.

A participação da Ufac reforça o compromisso da universidade com a extensão, a popularização da ciência e a aproximação entre universidade e comunidades tradicionais da Amazônia.

Fhagner Soares – Estagiário

 



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UFAC participa de pesquisa sobre zoonose associada à caça de subsistência na Amazônia — Universidade Federal do Acre

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UFAC participa de pesquisa sobre zoonose associada à caça de subsistência na Amazônia-interna.jpg

Um estudo publicado na revista Acta Amazonica identificou a presença do parasita Echinococcus vogeli em pacas (Cuniculus paca) abatidas e consumidas por comunidades tradicionais da Amazônia Ocidental. O agente é responsável pela equinococose policística humana, zoonose considerada emergente na região.

A pesquisa foi desenvolvida entre 2022 e 2023 nos municípios de Sena Madureira e Rio Branco, no Acre, sob coordenação do professor Francisco Glauco de Araújo Santos, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN), integrando a dissertação de mestrado de Liliane de Souza Anadão, do Programa de Pós-Graduação em Sanidade e Produção Animal Sustentável na Amazônia (PPGSPASA).

O estudo entrevistou 78 famílias e analisou 23 fígados de pacas abatidas para consumo. Em 48% das amostras foram identificados cistos hidáticos causados pelo parasita. A pesquisa também apontou que a maioria dos cães das comunidades participa das caçadas e consome vísceras cruas dos animais.

Segundo os pesquisadores, o principal risco de transmissão ocorre quando cães infectados eliminam ovos do parasita no ambiente, contaminando solo, água e alimentos.

“O principal risco está associado ao descarte inadequado das vísceras e ao contato com ambientes contaminados pelas fezes de cães infectados”, destacou o professor Francisco Glauco.

O estudo reforça a necessidade de ações de vigilância e educação em saúde nas comunidades rurais, principalmente relacionadas ao manejo de cães e ao descarte adequado das vísceras dos animais abatidos.

Para o pesquisador Leandro Siqueira, doutor em Medicina Tropical pela Fiocruz e coautor do estudo, a pesquisa amplia o conhecimento sobre a transmissão da doença na Amazônia e pode contribuir para futuras ações de prevenção e diagnóstico na região.

Fhagner Soares – Estagiário



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