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Pesquisa localiza cemitério de escravizados em Salvador – 28/01/2025 – Cotidiano
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João Pedro Pitombo
Uma das mais importantes praças de Salvador, Campo da Pólvora abriga o Fórum Rui Barbosa, uma estação de metrô e está a poucos metros da Arena Fonte Nova. Foi criada no século 17 como Campo do Desterro e sediou por um tempo a Casa da Pólvora, onde eram fabricadas munições.
Em seu entorno, foi criado no século 18 o cemitério do Campo da Pólvora, que por mais de um século foi destino dos corpos de escravizados, indigentes, criminosos, indigentes, suicidas e rebeldes de levantes como a Revolta dos Malês, que completou 190 anos neste sábado (25).
Fechado em 1844, o cemitério dos escravizados sumiu na paisagem urbana e foi esquecido enquanto memória da cidade. Mas sua provável localização foi descoberta após 180 anos.
O perímetro foi localizado por meio de um cruzamento de mapas e relatos históricos identificados pela pesquisadora Silvana Olivieri, doutoranda em Urbanismo na UFBA (Universidade Federal da Bahia).
Os indícios apontam que o antigo cemitério estaria abaixo do estacionamento do Complexo Pupileira, no bairro de Nazaré. O imóvel tombado pertence à Santa Casa de Misericórdia da Bahia e abriga um museu, uma faculdade e um dos cerimoniais mais concorridos de Salvador.
Após a descoberta, Silvana Olivieri e o professor Samuel Vida, coordenador do programa Direito e Relações Raciais da UFBA, encaminharam um dossiê ao Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) no qual apontaram o provável perímetro do cemitério.
O documento veio acompanhado de um pedido de apoio institucional para realizar uma pesquisa arqueológica no local. Um grupo de arqueólogos se dispôs a fazer gratuitamente os primeiros trabalhos de escavação no possível local do cemitério, caso sejam autorizados.
“O achado desse cemitério, no momento que a gente realmente encontrar as ossadas, tem o potencial de estremecer as bases coloniais racistas dessa cidade. A gente está diante de um caso de apagamento brutal”, afirma Silvana Olivieri, que vai dedicar um capítulo da sua tese de doutorado ao caso.
O cemitério do Campo da Pólvora foi um dos primeiros erguidos na cidade. Na Salvador do período colonial, os corpos dos mortos eram enterrados no interior ou no adro das igrejas católicas.
O costume era tão disseminado que quando, em outubro de 1836, o governo editou uma lei proibindo os enterros nas igrejas, as irmandades católicas se rebelaram, resultando em uma revolta que ficou conhecida como Cemiterada.
No livro “A Morte é uma Festa”, o historiador João José Reis, professor da UFBA, aponta que o cemitério do Campo da Pólvora possuía valas comuns e superficiais, o que deixava os corpos a mercê de animais. Na época, cabia aos responsáveis pela limpeza pública enterrar esses cadáveres.
“O enterro de africanos pagãos equivalia, sem meias palavras, a remoção de lixo. A preocupação em enterrá-los bem não objetivava dar-lhes sepultura decente, mas evitar a disseminação de doenças”, afirma Reis no livro.
Com o crescimento da população de cativos, o cemitério se tornou destino da maioria dos corpos dos escravizados mortos, fossem eles pagãos ou cristãos. Em 1817, por exemplo, ali foram enterrados 113 africanos que não sobreviveram à travessia de um navio tumbeiro.
Também foram enterrados neste cemitério os restos mortais dos líderes da Revolta dos Búzios, que foram enforcados e esquartejados em 1799, e líderes da Revolução Pernambucana fuzilados em Salvador.
Com o tempo, o terreno passou a ser encarado como um problema de saúde pública, sendo fechado em 1844. Um novo cemitério foi inaugurado em 1836 pela Santa Casa e se tornou um dos mais tradicionais de Salvador: o Campo Santo.
A busca pelo antigo cemitério do Campo da Pólvora se une a um esforço de pesquisadores e ativistas para encontrar vestígios de locais onde foram enterrados escravizados pelo país.
O cemitério dos Pretos Novos, por exemplo, foi descoberto acidentalmente em 1996 no Rio de Janeiro. Em 2018, foi a vez do cemitério de Santa Rita reaparecer no Rio de Janeiro em meio à implantação do VLT.
Em São Paulo, uma pesquisa arqueológica encontrou ossadas na área onde funcionou cemitério dos Aflitos entre 1775 até 1858, no bairro da Liberdade. Um imóvel foi demolido e desapropriado em 2022 para construção de um memorial que resgata a história negra do bairro.
Em Salvador, ativistas estão engajados na defesa das escavações na Pupileira. Em novembro, uma ação colou cartazes no entorno do cemitério que indicam a sua existência na região.
O Iphan já iniciou as tratativas com a Santa Casa para autorização das escavações. Uma nova reunião foi marcada para a próxima quarta-feira (29) e vai debater o assunto com a presença do Ministério Público.
A Santa Casa de Misericórdia da Bahia afirma que prima pela preservação da cultura e da história, mantendo um centro de memória e um dos museus mais visitados da Bahia. Em nota, disse que ratifica sua disponibilidade para colaborar no que for possível com esta iniciativa.
Entre líderes do movimento negro, ativistas e pesquisadores, a ideia é trabalhar para retirar da invisibilidade o antigo cemitério, propondo construção de um memorial em homenagem aos seus mortos.
“É muito chocante que um cemitério que tenha funcionado por cerca de 150 anos e não tenha merecido a atenção das instituições estatais. Isso é revelador de um desprezo e de desconsideração pela memória negra”, afirma o professor Samuel Vida.
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Ufac recebe visita da RFB para apresentação do projeto NAF — Universidade Federal do Acre
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26 de março de 2026A Ufac recebeu, nesta quarta-feira, 25, no gabinete da Reitoria, representantes da Receita Federal do Brasil (RFB) para a apresentação do projeto Núcleo de Apoio Contábil e Fiscal (NAF). A reunião contou com a participação da Coordenação do curso de Ciências Contábeis e teve como foco a proposta de implantação do núcleo na universidade.
O reitor em exercício e pró-reitor de Planejamento, Alexandre Hid, destacou a importância da iniciativa para os estudantes e sua relação com a curricularização da extensão. Segundo ele, a proposta representa uma oportunidade para os alunos e pode fortalecer ações extensionistas da universidade.
A analista tributária da RFB e representante de Cidadania Fiscal, Marta Furtado, explicou que o NAF é um projeto nacional voltado à qualificação de acadêmicos do curso de Ciências Contábeis, com foco em normas tributárias, legislação e obrigações acessórias. Segundo ela, o núcleo é direcionado ao atendimento de contribuintes de baixa renda e microempreendedores, além de aproximar os estudantes da prática profissional.
Durante a reunião, foi informada a futura assinatura de acordo de cooperação técnica entre a universidade e a RFB. Pelo modelo apresentado, a Ufac disponibilizará espaço para funcionamento do núcleo, enquanto a receita oferecerá plataforma de treinamento, cursos de capacitação e apoio permanente às atividades desenvolvidas.
Como encaminhamento, a RFB entregou o documento referencial do NAF, com orientações para montagem do espaço e definição dos equipamentos necessários. O processo será enviado para a Assessoria de Cooperação Institucional da Ufac. A expectativa apresentada na reunião é de que o núcleo seja integrado às ações de extensão universitária.
Também participaram da reunião o professor de Ciências Contábeis e vice-coordenador do curso, Cícero Guerra; e o auditor fiscal e delegado da RFB em Rio Branco, Claudenir Franklin da Silveira.
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Startup Day-2026 ocorre na Ufac em 21/03 no Centro de Convivência — Universidade Federal do Acre
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12 de março de 2026A Pró-Reitoria de Inovação e Tecnologia (Proint) da Ufac e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Acre (Sebrae-AC) realizam o Startup Day-2026, em 21 de março, das 8h às 12h, no espaço Sebrae-Lab, Centro de Convivência do campus-sede. O evento é dedicado à inovação e ao empreendedorismo, oferecendo oportunidades para transformar projetos em negócios de impacto real. As inscrições são gratuitas e estão abertas por meio online.
O Startup Day-2026 visa fortalecer o ecossistema, promover a troca de experiências, produzir e compartilhar conhecimento, gerar inovação e fomentar novos negócios. A programação conta com show de acolhimento e encerramento, apresentações, painel e palestra, além de atividades paralelas: carreta game do Hospital de Amor de Rio Branco, participação de startups de game em tempo real, oficina para crianças, exposição de grafiteiros e de projetos de pesquisadores da Ufac.
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A lógica de valor da Thryqenon (TRYQN) é apoiar a evolução da economia verde por meio de sua infraestrutura digital de energia
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10 de março de 2026Com a aceleração da transição para uma economia de baixo carbono e a reestruturação do setor elétrico em diversos países, cresce a discussão sobre como a infraestrutura digital pode sustentar, no longo prazo, a evolução da economia verde. Nesse contexto, a plataforma de energia baseada em blockchain Thryqenon (TRYQN) vem ganhando atenção por propor uma estrutura integrada que combina negociação de energia, gestão de carbono e confiabilidade de dados.
A proposta da Thryqenon vai além da simples comercialização de energia renovável. Seu objetivo é construir uma base digital para geração distribuída, redução de emissões e uso colaborativo de energia. À medida que metas de neutralidade de carbono se tornam compromissos regulatórios, critérios como origem comprovada da energia, transparência nos registros e liquidação segura das transações deixam de ser diferenciais e passam a ser requisitos obrigatórios. A plataforma utiliza registro descentralizado em blockchain, correspondência horária de energia limpa e contratos inteligentes para viabilizar uma infraestrutura verificável e auditável.
A economia verde ainda enfrenta obstáculos importantes. Existe descompasso entre o local e o momento de geração da energia renovável e seu consumo final. A apuração de emissões costuma ocorrer de forma anual, dificultando monitoramento em tempo real. Além disso, a baixa rastreabilidade de dados limita a criação de incentivos eficientes no mercado. A Thryqenon busca enfrentar essas lacunas por meio de uma estrutura digital que integra coleta, validação e liquidação de informações energéticas.
Na arquitetura da plataforma, há conexão direta com medidores inteligentes, inversores solares e dispositivos de monitoramento, permitindo registro detalhado da geração e do consumo. Na camada de transações, o sistema possibilita verificação automatizada e liquidação hora a hora de energia e créditos de carbono, garantindo rastreabilidade. Já na integração do ecossistema, empresas, distribuidoras, comercializadoras e consumidores podem interagir por meio de interfaces abertas, promovendo coordenação entre diferentes agentes do setor elétrico.
O potencial de longo prazo da Thryqenon não está apenas no crescimento de usuários ou no volume de negociações, mas em sua capacidade de se posicionar como infraestrutura de suporte à governança energética e ao mercado de carbono. Com o avanço de normas baseadas em dados e reconhecimento internacional de créditos ambientais, plataformas transparentes e auditáveis tendem a ter papel relevante na transição energética e no financiamento sustentável.
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