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Cientistas da Unicamp coletam sementes de seringueiras do interior do Acre
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Cientistas buscam genes para obter seringueiras mais fortes e produtivas.Pesquisadores da Unicamp querem acelerar melhoramento genético de 30 para 10 anos.
Na foto de capa, Produtor de látex corta seringueira no interior de SP; mais de 50% da produção nacional vem do estado – Rafael Hupsel/Folhapress.

Entre 1870 e 1910, o Brasil foi o maior produtor mundial de látex, a matéria prima da borracha. Hoje, ocupamos a 10ª colocação e a produção atual não dá conta da demanda interna.
Uma pesquisa da Unicamp, porém, quer acelerar o melhoramento genético para gerar árvores mais resistentes e produtivas e, quem sabe, levar à autossuficiência novamente.
Mais da metade da produção vem do estado de São Paulo. A produção na Amazônia, de onde a seringueira é originária, é mínima, devido a um fungo que causa a doença chamada mal das folhas.
A proeminência dos heveicultores paulistas se deve ao clima mais seco e frio, que impede a proliferação do fungo, mas também aos trabalhos de melhoramento genético de seringueiras que vêm sendo feitos desde os anos 1970 no Instituto Agronômico de Campinas (IAC).
Esse processo, porém, é lento. São necessários 30 anos de trabalho contínuo até obter variedades com alta produtividade de látex e melhor adaptadas ao clima e aos solos da região Sudeste.
Isso significa cruzar uma planta produtiva com a outra, selecionar as mais vigorosas para clonagem, deixá-las crescer por anos e clonar novamente as mais produtivas. Elas então são testadas em diferentes solos e microclimas e depois recomendadas para plantio em grande escala.
O trabalho de pesquisadores da Unicamp já está rendendo frutos que prometem acelerar esse tempo de melhoramento da seringueira de 30 para 10 anos, segundo a geneticista de plantas Anete Pereira de Souza, líder do Laboratório de Análise Genética Molecular no Centro de Biologia Molecular e Engenharia Genética, do Instituto de Biologia.
A busca de genes de interesse para fins de melhoramento da seringueira está a cargo dos geneticistas Lívia Moura de Souza e Luciano dos Santos. Em dois artigos, um deles publicados em 2015 na revista científica Plos One, e outro que acaba de ser publicado na Frontiers in Plant Science, a equipe revela a descoberta de regiões definidas por 576 marcadores moleculares de interesse ao melhoramento genômico da seringueira.
Ou seja, são 576 oportunidades em potencial para acelerar a obtenção de mudas mais vigorosas, mais produtivas e mais resistentes a doenças.
Todo o material coletado entre as seringueiras selvagens nos anos 1970 e 1980 por pesquisadores como Paulo Gonçalves se encontram depositado em bancos no IAC e na Embrapa. São milhares de sementes coletadas em seringueiras perdidas no interior da floresta no Acre, Amazonas, Mato Grosso, Pará e Rondônia.
Lívia de Souza visitou bancos de germoplasma, ou seja, que guardam recursos genéticos de plantas, em Belém, Brasília e em Ilha Solteira, e também na Guiana Francesa, para obter material para a pesquisa molecular. Trabalhou com as folhas de um total de 1.117 árvores. Muitas regiões onde foram feitas coletas de sementes há 40 anos hoje estão totalmente desmatadas, como é o caso de Rondônia.
“É de lá que vem o material de maior produtividade usado pelos melhoristas da seringueira. O local onde foi feita a coleta hoje não existe mais. Isto significa que o material genético que porventura havia nas seringueiras da região não existe mais na natureza,” diz Souza.
“No primeiro dos dois trabalhos publicados, a gente queria entender qual era a diversidade do material à nossa disposição,” diz ela.
O passo seguinte da pesquisa, e que resultou no segundo artigo, envolveu o estudo genético mais aprofundado de todo o material.
Dos 1.117 indivíduos cujas folhas foram coletadas nos bancos de germoplasma, Souza selecionou aqueles 368 indivíduos com o genoma mais divergente. A eles se juntou o material de 254 indivíduos melhorados, totalizando um conjunto de 626 analisados.
É na grande diversidade encontrada que Lívia de Souza, Luciano dos Santos e Anete Pereira de Souza e colaboradores, de diferentes Instituições de pesquisa no Brasil e na França, esperam detectar os genes de interesse ao melhoramento da seringueira, capazes de conferir maior produtividade, mais vigor, melhor adaptação ao frio e baixa umidade e maior resistência às doenças e pragas.
Uma vez encontrados 100 mil variações genéticas, os chamados SNPs (pronuncia-se “snips”) no material analisado, o objetivo seguinte foi tentar saber em quais cromossomos eles estão localizados. O genoma da seringueira tem 18 cromossomos e já foi sequenciado parcialmente, mas, segundo Souza, esse genoma ainda não está bem montado.
Toda a parte de análise dos dados genômicos da pesquisa ficou ao cargo do geneticista Luciano dos Santos, auxiliado por colegas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ), da USP.
“No médio prazo, quando conseguirmos descobrir a função de cada um destes SNPs, o trabalho de melhoramento da seringueira vai ser muito abreviado” diz Livia de Souza. “Em vez de continuar cruzando plantas produtivas com plantas resistentes para se obter muitos anos mais tarde o material melhorado, nós poderemos selecionar as plantas portadoras dos SNPs e, consequentemente, das regiões e genes específicos que conferem aquelas características de interesse aos melhoristas.”
A pesquisa no laboratório da Unicamp tem sido financiada por agências de fomento como a Fapesp, CNPq e Capes. No momento, Anete Pereira de Souza busca financiamento para a aplicação de seleção genômica.
A ideia é expandir a área de seringais nas regiões onde não há perigo de aparecimento da doença mal das folhas. “Com uma maior área de plantio e maior produtividade, o Brasil poderá tornar-se autossuficiente na produção de borracha e, talvez, até mesmo um maior exportador,” diz a pesquisadora. Folha SP.
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Startup Day-2026 ocorre na Ufac em 21/03 no Centro de Convivência — Universidade Federal do Acre
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12 de março de 2026A Pró-Reitoria de Inovação e Tecnologia (Proint) da Ufac e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Acre (Sebrae-AC) realizam o Startup Day-2026, em 21 de março, das 8h às 12h, no espaço Sebrae-Lab, Centro de Convivência do campus-sede. O evento é dedicado à inovação e ao empreendedorismo, oferecendo oportunidades para transformar projetos em negócios de impacto real. As inscrições são gratuitas e estão abertas por meio online.
O Startup Day-2026 visa fortalecer o ecossistema, promover a troca de experiências, produzir e compartilhar conhecimento, gerar inovação e fomentar novos negócios. A programação conta com show de acolhimento e encerramento, apresentações, painel e palestra, além de atividades paralelas: carreta game do Hospital de Amor de Rio Branco, participação de startups de game em tempo real, oficina para crianças, exposição de grafiteiros e de projetos de pesquisadores da Ufac.
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A lógica de valor da Thryqenon (TRYQN) é apoiar a evolução da economia verde por meio de sua infraestrutura digital de energia
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10 de março de 2026Com a aceleração da transição para uma economia de baixo carbono e a reestruturação do setor elétrico em diversos países, cresce a discussão sobre como a infraestrutura digital pode sustentar, no longo prazo, a evolução da economia verde. Nesse contexto, a plataforma de energia baseada em blockchain Thryqenon (TRYQN) vem ganhando atenção por propor uma estrutura integrada que combina negociação de energia, gestão de carbono e confiabilidade de dados.
A proposta da Thryqenon vai além da simples comercialização de energia renovável. Seu objetivo é construir uma base digital para geração distribuída, redução de emissões e uso colaborativo de energia. À medida que metas de neutralidade de carbono se tornam compromissos regulatórios, critérios como origem comprovada da energia, transparência nos registros e liquidação segura das transações deixam de ser diferenciais e passam a ser requisitos obrigatórios. A plataforma utiliza registro descentralizado em blockchain, correspondência horária de energia limpa e contratos inteligentes para viabilizar uma infraestrutura verificável e auditável.
A economia verde ainda enfrenta obstáculos importantes. Existe descompasso entre o local e o momento de geração da energia renovável e seu consumo final. A apuração de emissões costuma ocorrer de forma anual, dificultando monitoramento em tempo real. Além disso, a baixa rastreabilidade de dados limita a criação de incentivos eficientes no mercado. A Thryqenon busca enfrentar essas lacunas por meio de uma estrutura digital que integra coleta, validação e liquidação de informações energéticas.
Na arquitetura da plataforma, há conexão direta com medidores inteligentes, inversores solares e dispositivos de monitoramento, permitindo registro detalhado da geração e do consumo. Na camada de transações, o sistema possibilita verificação automatizada e liquidação hora a hora de energia e créditos de carbono, garantindo rastreabilidade. Já na integração do ecossistema, empresas, distribuidoras, comercializadoras e consumidores podem interagir por meio de interfaces abertas, promovendo coordenação entre diferentes agentes do setor elétrico.
O potencial de longo prazo da Thryqenon não está apenas no crescimento de usuários ou no volume de negociações, mas em sua capacidade de se posicionar como infraestrutura de suporte à governança energética e ao mercado de carbono. Com o avanço de normas baseadas em dados e reconhecimento internacional de créditos ambientais, plataformas transparentes e auditáveis tendem a ter papel relevante na transição energética e no financiamento sustentável.
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Bancos vermelhos na Ufac simbolizam luta contra feminicídio — Universidade Federal do Acre
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9 de março de 2026A Ufac inaugurou a campanha internacional Banco Vermelho, símbolo de conscientização sobre o feminicídio. A ação integra iniciativas inspiradas na lei n.º 14.942/2024 e contempla a instalação, nos campi da instituição, de três bancos pintados de vermelho, que representa o sangue derramado pelas vítimas. A inauguração ocorreu nesta segunda-feira, 9, no hall da Reitoria.
São dois bancos no campus-sede (um no hall da Reitoria e outro no bloco Jorge Kalume), além de um no campus Floresta, em Cruzeiro do Sul. A reitora Guida Aquino destacou que a instalação dos bancos reforça o papel da universidade na promoção de campanhas e políticas de conscientização sobre a violência contra a mulher. “A violência não se caracteriza apenas em matar, também se caracteriza em gestos, em fala, em atitudes.”
A secretária de Estado da Mulher, Márdhia El-Shawwa, ressaltou a importância de a Ufac incorporar o debate sobre o feminicídio em seus espaços institucionais e defendeu a atuação conjunta entre universidade, governo e sociedade. Segundo ela, a violência contra a mulher não pode ser naturalizada e a conscientização precisa alcançar também a formação de crianças e adolescentes.
A inauguração do Banco Vermelho também ocorre no contexto da aprovação da resolução do Conselho Universitário n.º 266, de 21/01/2026, que institui normas para a efetividade da política de prevenção e combate ao assédio moral, sexual, discriminações e outras violências, principalmente no que se refere a mulheres, população negra, indígena, pessoas com deficiência e LGBTQIAPN+ no âmbito da Ufac em local físico ou virtual relacionado.
No campus Floresta, em Cruzeiro do Sul, a inauguração do Banco Vermelho contou com a participação da coordenadora do Centro de Referência Brasileiro da Mulher, Anequele Monteiro.

Participaram da solenidade, no campus-sede, a pró-reitora de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas, Filomena Maria Cruz; a pró-reitora de Graduação, Ednaceli Damasceno; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação, Margarida Carvalho; a coordenadora do projeto de extensão Infância Segura, Alcione Groff; o secretário de Estado de Saúde, Pedro Pascoal; a defensora pública e chefe do Núcleo de Promoção da Defesa dos Direitos Humanos da Mulher, Diversidade Sexual e Gênero da DPE-AC, Clara Rúbia Roque; e o chefe do Centro de Apoio Operacional de Proteção à Mulher do MP-AC, Victor Augusto Silva.
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