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Plano tributário bilionário do Brasil enfrenta resistência – DW – 15/11/2024

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Presidente brasileiro Luiz Inacio Lula da Silvahospedando o G20 cúpula no Rio de Janeiro a partir de segunda-feira, tentará avançar nos planos para tributar os bilionários mais ricos do mundoque muitas vezes utilizam lacunas complexas para evitar impostos.

Em julho reunião dos ministros das finanças do G20 No Rio, as nações mais ricas do mundo concordaram em iniciar um “diálogo sobre tributação justa e progressiva, inclusive de indivíduos com patrimônio líquido extremamente elevado”, apesar da forte resistência do Estados Unidos e dentro da Alemanha agora colapsou o governo de coligação.

Embora se espere que as crescentes questões geopolíticas mundiais – os conflitos entre a Ucrânia e Gaza, a perspectiva de um segundo mandato de Trump no comércio entre os EUA e a China – dominem a cimeira de dois dias, Lula espera fazer avançar o plano do imposto sobre a riqueza à medida que o dinheiro angariado de bilionários ajudará a impulsionar outras questões globais urgentes.

A austríaca Marlene Engelhorn, descendente do fundador da gigante química alemã BASF, posa com um cartaz onde se lê "Taxe os ricos!" no Fórum Econômico Mundial (WEF) em Davos, em 15 de janeiro de 2024
Os ativistas pedem há anos um maior escrutínio sobre como os ricos evitam impostosImagem: Fabrice Coffrini/AFP

Defensores dizem que novo imposto causaria pouca dor

Idealizado pelo economista francês Gabriel Zucman, o plano introduziria uma taxa anual imposto de 2% sobre o patrimônio líquido total dos super-ricos – não apenas sobre sua renda anual. Isto incluiria ativos imobiliários, participações societárias e outros investimentos. Zucman estima que 0,01% da população mais rica paga uma taxa efectiva de imposto de apenas 0,3% da sua riqueza.

A nova taxa poderá arrecadar até 250 mil milhões de dólares (237 mil milhões de euros) por ano dos quase 2.800 multimilionários a nível mundial, que têm um património líquido combinado estimado em cerca de 13,5 biliões de dólares, de acordo com a lista dos bilionários mais ricos do mundo da Forbes. Os fundos angariados seriam utilizados para combater as crescentes desigualdades globais, especialmente entre países de baixo rendimento altamente endividados, incluindo muitos em África.

“A tributação de indivíduos com elevado património líquido é muito importante, pois poderia ser uma fonte de financiamento de iniciativas que combatam a fome e a pobreza, e também que combatam mudanças climáticas“, disse Tomas Marques, pesquisador do Instituto GIGA de Estudos Latino-Americanos de Hamburgo, à DW.

Os países em desenvolvimento, que muitos cientistas afirmam estarem a ser desproporcionalmente afectados pelas alterações climáticas, exigem há anos financiamento para compensar os seus piores impactos. Histórias de sucesso incluem o apoio do Banco Mundial e do Fundo Verde para o Clima à tentativa da Índia de aumentar a capacidade de energia solar e o Fundo Amazônia do Brasil, destinado a reduzir o desmatamento, que é parcialmente financiado pela Noruega e pela Alemanha.

Ceticismo em relação aos planos de gastos do G20

Embora possa haver um amplo apoio público a novos impostos sobre os ultra-ricos, o aumento do populismo nacional em muitos países do G20 está a aumentar o escrutínio sobre a forma como o dinheiro público é gasto, entre preocupações de que a ajuda internacional e os fundos de desenvolvimento poderiam ser melhor aplicados a nível interno.

“A maioria dos países do G20 está tendo dificuldades para equilibrar seus orçamentos”, disse Maria Antonieta Del Tedesco Lins, economista e professora associada da Universidade de São Paulo, à DW. “Embora impostos adicionais pudessem ajudar, é muito difícil conciliar as pressões nacionais com novas obrigações internacionais ou multilaterais.”

A cerimônia de abertura de segunda-feira no Rio lançará a Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza, uma iniciativa sob do Brasil Presidência do G20 que procura acelerar os esforços na luta contra a pobreza e a falta de alimentos até 2030.

Relatório: Tributar os super-ricos tem resultados positivos

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O governo brasileiro é também o principal apoiante do imposto proposto sobre os ultra-ricos, juntamente com França, Espanha e África do Sul. Apesar deste apoio, a câmara baixa do parlamento brasileiro, a Câmara dos Deputados, rejeitou no mês passado os planos para uma taxa interna adicional sobre aqueles com grandes fortunas.

“É uma pena porque o Brasil poderia se beneficiar muito (com esse imposto) porque somos um país muito desigual. Se houvesse um consenso internacional (sobre a tributação dos super-ricos), isso poderia ajudar nas negociações no Congresso brasileiro”, disse Lins, que assumiu participar de um grupo de envolvimento acadêmico do G20 antes da cúpula.

No Brasil, como no resto do mundo, os ricos muitas vezes protegem a sua riqueza das autoridades fiscais, criando empresas de fachada em países com impostos baixos ou nulos, aproveitando as leis de sigilo bancário e formando fundos e fundações de caridade, que oferecem incentivos fiscais generosos. .

EUA rejeitam proposta de imposto sobre a riqueza

Embora as posições da China e da Índia sobre o novo imposto sejam ambíguas, Washington continua firmemente contra. A secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, disse ao Jornal de Wall Street em maio, que a medida era “algo que não podemos assinar”.

O presidente eleito, Donald Trump, ainda não comentou a proposta, mas é improvável que apoie o aumento dos impostos sobre os super-ricos. O seu primeiro mandato foi marcado por grandes cortes de impostos – que beneficiaram principalmente indivíduos e empresas ricas. Mas durante a sua curta candidatura à Casa Branca em 2000, ele prometeu reduzir a dívida nacional cobrando um imposto único de 14,25% sobre os ricos.

Lula enfrenta então grandes probabilidades de obter qualquer progresso significativo durante a cimeira de dois dias, especialmente porque muitas questões geopolíticas críticas, bem como a proposta do Brasil para melhorar a governação global, também dominarão as conversações.

“Lula é um grande negociador”, disse Marques. “Ele se autodenomina um construtor de pontes entre o Sul Global e o Norte Global. Mas não sei como ele pode chegar a um consenso em torno deste tema tão delicado.”

O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva inaugura uma nova instituição de matemática no Rio de Janeiro, Brasil, em 2 de abril de 2024
O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, é um negociador astuto, determinado a avançar com impostos mais altos sobre bilionáriosImagem: Erica Martin/TheNEWS2/picture Alliance

Imposto sobre a riqueza – um benefício para África

Uma melhor representação no G20 para África é agora crítica, uma vez que o continente procura beneficiar de qualquer novo plano fiscal, através do recebimento de fundos para a redução da pobreza e do clima. O União Africanao bloco regional de 55 países africanos, participará pela primeira vez na cimeira do Rio, depois de ter sido admitido como membro de pleno direito do G20 em Agosto.

Próximo ano, África do Sul assumirá a presidência rotativa do G20 – a quarta liderança consecutiva do bloco vinda do Sul Global, após Indonésia, Índiae Brasil. A função dará ao país e à África como um todo mais oportunidades para moldar políticas globais e defender os interesses do continente.

“Os países africanos têm estado sub-representados no G20, apesar da importância global do continente”, disse Marques, que está no Rio para a cimeira, à DW. “Mas as coisas estão a mudar e a União Africana começa agora a ter alguma influência na elaboração de políticas.”

Editado por: Uwe Hessler



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Professora da Ufac faz visita técnica e conduz conferência em Paris — Universidade Federal do Acre

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Professora da Ufac faz visita técnica e conduz conferência em Paris — Universidade Federal do Acre

A professora do campus Floresta, Maria Cristina de Souza, que também é curadora do Herbário em Cruzeiro do Sul, esteve, de 9 a 15 de abril, no Museu de História Natural de Paris, representando a Ufac. Ela conduziu, em francês, conferência sobre a diversidade e a riqueza da região do Alto Juruá e realizou visita técnica, atualizando amostras das coleções de palmeiras (Arecaceae) do gênero Geonoma. As atividades tiveram apoio dos pesquisadores Marc Jeanson, Florent Martos e Marc Pignal.

 



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Artigo aborda previsão de incêndios florestais na Mata Atlântica — Universidade Federal do Acre

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Artigo aborda previsão de incêndios florestais na Mata Atlântica — Universidade Federal do Acre

O professor Rafael Coll Delgado, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza, da Ufac, participou como coautor do artigo “Interações Clima-Vegetação-Solo na Predição do Risco de Incêndios Florestais: Evidências de Duas Unidades de Conservação da Mata Atlântica, Brasil”, o qual foi publicado, em inglês, na revista “Forests” (vol. 15, n.º 5), cuja dição temática foi voltada aos desafios contemporâneos dos incêndios florestais no contexto das mudanças climáticas.

O estudo também contou com a parceria das Universidades Federais de Viçosa (UFV) e Rural do Rio de Janeiro e foi desenvolvido no âmbito do Centro Integrado de Meteorologia Agrícola e Florestal, da Ufac, como resultado da dissertação da pesquisadora e geógrafa Ana Luisa Ribeiro de Faria, da UFV.

A pesquisa analisa a interação entre clima, solo e vegetação em unidades de conservação da Mata Atlântica, propondo dois novos modelos de índice de incêndio e avaliando sua capacidade preditiva sob diferentes cenários do fenômeno El Niño-Oscilação do Sul. Para tanto, foram integrados dados climáticos diários (2001-2023), índices de vegetação e seca, registros de focos de incêndio e estimativas de umidade do solo, permitindo uma análise dos fatores que influenciam a ocorrência de incêndios.

“O trabalho é fruto de cooperação entre três universidade públicas brasileiras, reforçando o papel estratégico dessas instituições na produção científica e no desenvolvimento de soluções aplicadas à gestão ambiental”, destacou Rafael Coll Delgado.

 



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Herbário do PZ recebe acervo de algas da Dr.ª Rosélia Marques Lopes — Universidade Federal do Acre

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Herbário do PZ recebe acervo de algas da Dr.ª Rosélia Marques Lopes — Universidade Federal do Acre

O Herbário do Parque Zoobotânico (PZ) da Ufac realizou cerimônia para formalizar o recebimento da coleção ficológica da Dr.ª Rosélia Marques Lopes, que consiste em 701 lotes de amostras de algas preservadas em meio líquido. O acervo é fruto de um trabalho de coleta iniciado em 1981, cobrindo ecossistemas de águas paradas (lênticos) e correntes (lóticos) da região. O evento ocorreu em 9 de abril, no PZ, campus-sede.

A doação da coleção, que representa um mapeamento pioneiro da flora aquática do Acre, foi um acordo entre a ex-curadora do Herbário, professora Almecina Balbino, e Rosélia, visando deixar o legado de estudos da biodiversidade em solo acreano. Os dados da coleção estão sendo informatizados e em breve estarão disponíveis para consulta na plataforma do Jardim Botânico, sistema Jabot e na Rede Nacional de Herbários.

Professora titular aposentada da Ufac, Rosélia se tornou referência no Estado em limnologia e taxonomia de fitoplâncton. Ela possui graduação pela Ufac em 1980, mestrado e doutorado pela Universidade de São Paulo.

Também estiveram presentes na solenidade a curadora do Herbário, Júlia Gomes da Silva; o diretor do PZ, Harley Araújo da Silva; o diretor do CCBN, José Ribamar Lima de Souza; e o ex-curador Evandro José Linhares Ferreira.

 



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