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Por que comer besteira é tão gostoso? – 31/01/2025 – Folhinha
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Letícia Naísa
Imagine que bateu aquela fome no meio da tarde, e você tem duas opções. A primeira é um sanduíche natural, com legumes e folhas, e uma fruta com um copo d’água. A segunda é um pacote de salgadinho da sua marca favorita, um pacote inteiro de bolacha recheada e um copão de refrigerante. Qual delas você vai escolher?
A maioria das pessoas provavelmente iria na segunda opção, porque ela parece ser muito mais apetitosa. Mas por que será que as crianças (e muitos adultos) gostam tanto de comer esse tipo de comida —que todo mundo chama de “besteira” ou “porcaria”— em vez de coisas que são saudáveis?
“Esses produtos são feitos por empresas que têm muita tecnologia. Especialistas fazem esses alimentos para que eles sejam muito saborosos, cheirosos e coloridos, então eles ficam super interessantes”, diz a nutricionista Maria Alvim, pesquisadora do Nupens, um núcleo que estuda esses assuntos na Universidade de São Paulo. “Mas ali tem um monte de produtos químicos com nomes difíceis que são combinados para virar uma comida artificial.”
Sabe aquele picolé de morango bem gostoso que você toma na praia? Provavelmente não há morangos de verdade ali. Assim como as balas, guloseimas e muitos dos outros doces de frutas que você vê nas prateleiras do supermercado. Nos produtos de pacotinho, que são chamados de ultraprocessados pelos estudiosos, quase tudo é artificial: o gosto, a cor, a textura.
E é tudo recheado com muito açúcar, no caso dos doces, além de muito sal, no caso de salgadinhos e hambúrgueres prontos, por exemplo, além de muita gordura. É uma explosão de sabores que fica difícil resistir.
“Nosso organismo e o nosso cérebro gostam de açúcar, sal e alimentos gordurosos. Nosso cérebro fica muito feliz quando percebe esses sabores realçados e pede cada vez mais esses produtos”, afirma a especialista.
Além do cérebro, nossa boca também fica feliz. Na nossa língua temos pequenos órgãos, chamados de papilas gustativas, que identificam os sabores básicos: doce, salgado, azedo, amargo e umami (aquele que dá água na boca e prolonga os sabores mais gostosos). As crianças têm mais papilas gustativas do que os adultos e, por isso, sentem mais todos os tipos de sabores.
“Os alimentos industrializados têm uma combinação que traz prazer imediato. Você se sente relaxado, confortável e feliz ao comer uma barra inteira de chocolate”, diz Caroline dos Santos, nutricionista infantil.
Existe também outro motivo que leva a gente a comer tantos ultraprocessados. Ele se chama propaganda.
Já reparou que na televisão, nos anúncios de rua e na internet, as pessoas estão sempre felizes e achando tudo gostoso quando comem comidas de pacotinho? Tudo isso é pensado para nos dar muito mais vontade de tomar um suco de caixinha com a foto de um super-herói do que água, por exemplo. Alguns comerciais têm até música grudenta, que é para chamar mais atenção e ficar na nossa cabeça.
Isso tudo nos leva a sempre querer ficar comendo mais e mais besteiras, que nos parecem mais deliciosas do que qualquer outro tipo de comida.
Mas ser gostoso não significa que aquilo necessariamente faz bem. Algumas vezes, aliás, é o contrário disso.
Para começo de conversa, a energia que um pacote de salgadinho ou de biscoito dá acaba muito rápido porque não tem os nutrientes necessários para fortalecer o organismo. Isso sem falar no fato de que em geral comemos tudo sem prestar atenção, engolindo tudo aquilo no automático, o que também é muito ruim para a saúde.
Muitos estudos científicos mostram que comer em excesso esses alimentos que chamamos de ultraprocessados pode trazer doenças. De uns tempos para cá, começou-se a observar que alguns problemas que só atingiam os mais adultos, como obesidade e diabetes, começaram a surgir entre pessoas cada vez mais jovens. E muitos cientistas atribuem isso ao consumo dessas comidas de pacotinho.
No Brasil, uma a cada dez crianças de até 5 anos está com sobrepeso. E acredita-se que até 2035, metade das crianças e adolescentes entre 5 e 19 anos pode enfrentar a obesidade —além tudo de ruim que vem com ela.
Agora, se esses tais ultraprocessados são tão gostosos, como a gente faz para começar a comer mais produtos naturais e que fazem bem para a saúde?
Bem, nosso paladar pode mudar ao longo da vida. É claro que todo mundo gosta de um docinho, mas podemos treinar as nossas papilas gustativas a gostar mais de brócolis, de cenoura, de chuchu e de pimentão, por exemplo.
O segredo é experimentar os alimentos em várias formas diferentes: cozidos, crus, assados, com temperos variados, com arroz e feijão, com salada, com macarrão, com molho vermelho ou com molho branco, combinando com carne ou com outro vegetal.
Com o tempo dá até para ir achando um jeito mais gostoso de comer algo de que antes você não gostava.
“Os soldados que vivem na nossa barriga não precisam de ultraprocessados para ficar fortes, eles precisam de alimentos de verdade todos os dias para crescer”, diz Caroline dos Santos, a nutricionista infantil. “Tudo o que é de pacotinho a gente deve comer só de vez em quando, com muita moderação, ou então nem come”, aconselha.
Nunca é tarde para mudar. Se você gosta de chocolate, por exemplo, por que não misturar com uma fruta?
Para explorar opções saudáveis, vale a pena ficar de olho no que acontece na cozinha da sua casa e pedir para ir ao supermercado com seus pais para conhecer melhor os alimentos.
Já reparou que às vezes uma uva está mais doce do que outra? E já viu quantos tipos de abobrinha existem? Como os tomates podem ter tamanhos e cores diferentes? Banana não tem uma só, são vários tipos que podemos comer.
Pedir para os seus pais para participar do preparo das comidas pode ser muito legal. Aprender uma receita que está na sua família há várias gerações pode te dar uma história muito interessante para contar, ajuda a preservar a memória dos seus ancestrais.
A hora de comer também não precisa ser chata e silenciosa. Você pode inventar um jogo ou uma brincadeira de palavras com a sua família em casa ou com os amigos na hora do recreio. Se você tem um brinquedo favorito, por que então não convidá-lo à mesa para comer com você?
Hora de comer também não é hora de ver televisão ou de ficar jogando em tela. Procure prestar atenção na comida para perceber quando a sua barriga indicar que não está mais com fome. Se você não olhar o que está comendo, pode acabar comendo mais do que o necessário. Ou vai comer de menos e ficar com fome de novo.
Por fim, tem uma outra questão. O planeta também adoece quando só comemos alimentos ultraprocessados
“Gera muito lixo, porque as embalagens quase sempre são de plástico, que podem ir parar nos oceanos, assim como os resíduos das fábricas onde esses produtos são fabricados, o que prejudica os animais marinhos”, afirma a pesquisadora Maria Alvim.
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Ufac lança projeto voltado à educação na Resex Cazumbá-Iracema — Universidade Federal do Acre
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6 de fevereiro de 2026A Ufac lançou o projeto de extensão “Tecendo Teias de Aprendizagem: Cazumbá-Iracema”, em solenidade realizada nesta sexta-feira, 6, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas. A ação é desenvolvida em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e a Associação dos Seringueiros da Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema.
Viabilizado por meio de emenda parlamentar do senador Sérgio Petecão (PSD-AC), o projeto tem como foco promover uma educação contextualizada e inclusiva, com ações voltadas para docentes e estudantes da reserva, como formação em metodologias inovadoras, implantação de hortas escolares, práticas agroecológicas sustentáveis e produção de um documentário com registros da memória cultural da comunidade.
A reitora Guida Aquino destacou a importância da iniciativa. “É um momento ímpar da universidade, que cumpre de fato seu papel social. O projeto nasce a partir da escuta da comunidade, com apoio fundamental do senador Petecão, que tem investido fortemente na educação.” Ela também agradeceu o apoio financeiro para funcionamento da instituição. “Se não fossem as emendas, não teríamos fechado o ano passado com energia, segurança e limpeza garantidas.”
Petecão frisou que o investimento em educação é o melhor caminho para transformar a realidade da juventude e manter as comunidades nas reservas. “Não tem sentido incentivar as pessoas a deixarem a floresta. O mundo todo quer conhecer a Amazônia e o nosso povo quer sair de lá. Está errado. A reserva Cazumbá-Iracema é um exemplo de paz e organização, e esse projeto pode virar referência nacional.”

Ele reafirmou seu apoio à universidade. “A Ufac é um patrimônio do Acre. Já destinamos mais de R$ 40 milhões em emendas para a instituição. Vamos continuar apoiando. Educação não tem partido.”
O pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes, explicou que a proposta foi construída a partir de escutas com lideranças da reserva. “O projeto mostra que a universidade pública é espaço de formulação de políticas. Educação é direito, não mercadoria.” Ele também defendeu a atualização da legislação que rege as fundações de apoio, para permitir a inclusão de moradores de comunidades extrativistas como bolsistas em projetos de extensão.
Durante o evento, foram entregues placas de agradecimento à reitora Guida Aquino, ao senador Sérgio Petecão e ao pró-reitor Carlos Paula de Moraes, além de cestas com produtos da comunidade.
A reserva extrativista (Resex) Cazumbá-Iracema possui cerca de 750 mil hectares nos municípios acreanos de Sena Madureira e Manoel Urbano, com 18 escolas, 400 estudantes e aproximadamente 350 famílias.
Também participaram da mesa de honra o coordenador do projeto, Rodrigo Perea; o diretor do Parque Zoobotânico, Harley Araújo; o chefe do ICMBio em Sena Madureira, Aécio dos Santos; a subcoordenadora do projeto, Maria Socorro Moura; e o estudante Keven Maia, representante dos alunos da Resex.
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Grupo de pesquisa da Ufac realiza minicurso sobre escrita científica — Universidade Federal do Acre
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6 de fevereiro de 2026O grupo de pesquisa Elos: Estudos em Economia, Finanças, Política e Segurança Alimentar e Nutricional, da Ufac, realiza o minicurso Escrita Científica em 12 de fevereiro, em local ainda a ser definido. A ação visa proporcionar uma introdução aos fundamentos da produção acadêmica. A carga horária do minicurso é de duas horas e os participantes receberão certificado. As inscrições estão disponíveis online.
Serão ofertadas duas turmas no mesmo dia: turma A, às 13h30, e turma B, às 17h20. A atividade é coordenada pela professora Graziela Gomes, do Centro de Ciências Jurídicas e Sociais Aplicadas.
A metodologia inclui exposição teórica e atividades práticas orientadas. A atividade abordará técnicas de citação, paráfrase, organização textual e ética na escrita científica, contribuindo para a redução de dificuldades recorrentes na elaboração de trabalhos acadêmicos e para a prevenção do plágio não intencional.
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Ufac realiza formatura de alunos do CAp pela 1ª vez no campus-sede — Universidade Federal do Acre
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30 de janeiro de 2026A Ufac realizou a cerimônia de certificação dos estudantes concluintes do ensino médio do Colégio de Aplicação (CAp), referente ao ano letivo de 2025. Pela primeira vez, a solenidade ocorreu no campus-sede, na noite dessa quinta-feira, 29, no Teatro Universitário, e marcou o encerramento de uma etapa da formação educacional de jovens que agora seguem rumo a novos desafios acadêmicos e profissionais.
A entrada da turma Nexus, formada pelos concluintes do 3º ano, foi acompanhada pela reitora Guida Aquino; pelo diretor do CAp, Cleilton França dos Santos; pela vice-diretora e patronesse da turma, Alessandra Lima Peres de Oliveira; pelo paraninfo, Gilberto Francisco Alves de Melo; pelos homenageados: professores Floripes Silva Rebouças e Dionatas Ulises de Oliveira Meneguetti; além da inspetora homenageada Suzana dos Santos Cabral.

Guida destacou a importância do momento para os estudantes, suas famílias e toda a comunidade escolar. Ela parabenizou os formandos pela conquista e reconheceu o papel essencial dos professores, da equipe pedagógica e dos familiares ao longo da caminhada. “Tenho certeza de que esses jovens seguem preparados para os próximos desafios, levando consigo os valores da educação pública, do conhecimento e da cidadania. Que este seja apenas o início de uma trajetória repleta de conquistas. A Ufac continua de portas abertas e aguarda vocês.”

Durante o ato simbólico da colocação do capelo, os concluintes reafirmaram os valores que orientaram sua trajetória escolar. Em nome da turma, a estudante Isabelly Bevilaqua Rodrigues fez o discurso de oradora.
A cerimônia seguiu com a entrega dos diplomas e as homenagens aos professores e profissionais da escola indicados pelos concluintes, encerrando a noite com o registro da foto oficial da turma.
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