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Porque é que os EUA acusaram as milícias sudanesas de genocídio – mas não Israel? | Notícias de política
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Secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken diz o seu governo determinou que as Forças de Apoio Rápido do Sudão (RSF) e as suas milícias aliadas cometeram genocídio na guerra contra as Forças Armadas Sudanesas (SAR), que começou em Abril de 2023.
Blinken citou os “638.000 sudaneses que enfrentam a pior fome na história recente do Sudão, mais de 30 milhões de pessoas que necessitam de assistência humanitária e dezenas de milhares de mortos” como razões para a determinação.
Embora Blinken tenha sido contundente nas suas críticas à RSF e ao seu líder, Mohamed Hamdan “Hemedti” Dagalo, a administração dos Estados Unidos continuou a defender o seu aliado Israel e o seu líder, Benjamin Netanyahu, contra acusações semelhantes de genocídio.
A definição de genocídio não é universalmente aceita?
Isso é.
Nos termos da Convenção sobre Genocídio de 1948, genocídio são atos destinados a “destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso”.
De acordo com a convenção, esses atos são; matar membros do grupo; causar sérios danos corporais ou mentais aos membros do grupo; infligir deliberadamente ao grupo condições de vida calculadas para provocar a sua destruição física, total ou parcial; impor medidas destinadas a impedir nascimentos dentro do grupo e transferir à força as crianças do grupo para outro grupo.
Mas Blinken não fez referência à Convenção do Genocídio.
Por que os EUA não usaram a convenção?
Isso não está claro.
Blinken fez numerosas referências à natureza “étnica” daquilo que descreveu como o assassinato sistemático de homens e rapazes, incluindo crianças.
Ele também mencionou que a RSF “alvou deliberadamente mulheres e meninas de certos grupos étnicos para estupro e outras formas de violência sexual brutal”, todas ações das quais grupos de direitos humanos e atores internacionais acusaram, em inúmeras ocasiões, Israel.
O estupro e a violência sexual mencionados por Blinken como razões para concluir que a RSF está cometendo genocídio foram repetidamente documentados como armas que as forças israelenses usam contra os palestinos.
Os EUA não disseram que Israel não está cometendo genocídio?
Tem.
Até à data, vários grupos de direitos humanos e intervenientes internacionais acusaram Israel de envolvimento em crimes de guerra, limpeza étnica e genocídio, enquanto os EUA defendiam consistentemente o seu aliado.
Em Novembro de 2024, o Presidente dos EUA, Joe Biden, considerou “ultrajante” a emissão de mandados de detenção pelo Tribunal Penal Internacional por crimes de guerra contra Netanyahu e o seu antigo ministro da Defesa, Yoav Gallant.
Os EUA têm sido igualmente severos relativamente a outras acções internacionais destinadas a travar o ataque de Israel a Gaza.
O argumento de que Israel está a levar a cabo um genocídio em Gaza foi apresentado ao Tribunal Internacional de Justiça (CIJ) por África do Sul em dezembro de 2023 e desde então se juntou a mais de 10 outros estados.
O porta-voz do Conselho de Segurança Nacional dos EUA, John Kirby, afirmou em janeiro que o caso era “completamente sem qualquer base factual”.
Os EUA tentaram rejeitar as conclusões da Amnistia Internacional que, em Dezembro, disse que Israel está cometendo genocídio em Gazajuntando-se a vários outros grupos de direitos que disseram o mesmo.

Quão extensas são as evidências que os EUA rejeitam?
Muito.
Além do 45.936 pessoas que Israel matou em Gaza são os numerosos relatos de limpeza étnicao uso de fome como arma de guerrabem como o tortura sistemática e abuso sexual e estupro dos palestinos pelas forças israelenses.
Em Outubro, os EUA emitiram um “ultimato” de 30 dias a Israel no sentido de que deveria fazer mais para permitir a entrada de ajuda humanitária em Gaza, que estava a passar fome enquanto Israel a bombardeava.
Um mês depois, quando a fome era iminente no norte de Gaza, como resultado de um “cerco dentro de um cerco” israelita e do seu contínuo bloqueio da ajuda, O secretário Blinken optou por não fazer nada isso foi delineado em seu ultimato a Israel.
A sua administração reconheceu, no entanto, que poucos, ou nenhum, das condições do ultimato para o aumento da ajuda foram cumpridas.
O que mais os EUA fizeram?
No final de Dezembro, os EUA foram ainda mais longe, supostamente ordenando a retratação de um relatório concluindo que o cerco de Israel ao norte de Gaza resultou na fome que as agências de ajuda há muito alertavam.
Em Julho, até as autoridades israelitas encontraram inicialmente motivos para investigar 10 soldados israelitas envolvidos no estupro coletivo de prisioneiros palestinos em detenção.
Apesar disso, os EUA parecem satisfeitos em expressar “preocupação” sobre a conduta de Israel, usando o seu veto no Conselho de Segurança da ONU para bloco pede cessar-fogo quatro vezes e não tomar nenhuma ação contra seu aliado.
No início deste ano, a administração Biden anunciou planeja vender mais US$ 8 bilhões em armas para Israel.

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Ufac entrega equipamentos para Laboratório de Sismologia — Universidade Federal do Acre
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1 de junho de 2026A Ufac realizou a entrega de novos equipamentos para o Laboratório de Sismologia da Estação de Geofísica Aplicada do Acre. Os dispositivos provêm de emenda parlamentar no valor de R$ 750 mil, alocada pela deputada federal Socorro Neri (PP-AC), inseridos em um investimento global de R$ 900 mil destinados ao projeto de pesquisa da universidade. O evento ocorreu na sexta-feira, 29, no auditório do bloco do curso de Física.
O aporte viabilizou a aquisição de um sistema de videoconferência e monitoramento —composto por TVs, câmeras e nobreaks— além de workstations com GPU e servidores dedicados de alta performance para o Núcleo de Tecnologia da Informação (NTI) da universidade.
A estrutura física e computacional dará suporte a uma rede de seis estações sismográficas de banda larga com telemetria, que funcionarão de forma contínua (24 horas por dia, sete dias por semana) nos municípios de Rio Branco (campus-sede), Sena Madureira, Tarauacá, Assis Brasil, Marechal Thaumaturgo e Santa Rosa do Purus.
Além de atuar no monitoramento da atividade tectônica regional para fins de proteção junto à Defesa Civil do Estado, o laboratório utilizará métodos de sísmica passiva para o mapeamento de falhas profundas com potencial de geração e migração de hidrogênio geológico.
“Este é o primeiro laboratório de sismologia da região Norte. Isso é muito importante porque nossa região sofre influência da atividade na borda de duas placas tectônicas”, explicou a reitora Guida Aquino.
Socorro Neri enfatizou o compromisso com o avanço científico regional, ressaltando que os novos dispositivos tecnológicos contribuirão diretamente para o monitoramento preciso e seguro de abalos na Amazônia.
O coordenador do projeto e da área de Física, professor Antonio Romero da Costa Pinheiro, destacou o caráter integrador do projeto. “Unimos a pesquisa de ponta à extensão universitária através da confecção de sismômetros didáticos de baixo custo com sensores Arduino para escolas públicas da rede estadual e municipal.”

Também compuseram o dispositivo de honra da solenidade a vice-reitora eleita, Almecina Balbino; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação, Margarida Carvalho; o diretor do CCBN, José Ribamar Lima; e o coordenador do curso de Física, Victor Ribeiro.
(Camila Barbosa, estagiária Ascom/Ufac)
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PZ realiza reunião para discutir prevenção de incêndios florestais — Universidade Federal do Acre
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1 de junho de 2026O Parque Zoobotânico (PZ) da Ufac sediou uma reunião estratégica para debater alternativas de prevenção, controle, monitoramento e combate a incêndios florestais nas áreas verdes do campus-sede, projeto Humaitá e Fazenda Experimental Catuaba. O encontro ocorreu na sexta-feira, 29, na sala ambiente do PZ.
A iniciativa foi motivada pela necessidade de ampliar a articulação institucional frente à aproximação do período de estiagem. Nessa época, a combinação de vegetação seca, acúmulo de folhas e galhos e baixa umidade eleva drasticamente a vulnerabilidade desses espaços. Além do viés ambiental, a pauta destacou a relevância acadêmica das áreas para atividades de ensino, pesquisa e extensão de diversos cursos da universidade.
Os participantes discutiram propostas para fortalecer o controle de acesso, a vigilância e o planejamento preventivo. O histórico de sinistros na instituição, como o incêndio de 2010 ocorrido nas proximidades da Unidade de Tecnologia de Alimentos (Utal), foi lembrado para reforçar a urgência de tratar o tema de forma permanente.
Além disso, foi apresentada uma contextualização institucional do PZ e sua relevância para a Ufac e a sociedade acreana. O professor Rodrigo Perea expôs a pesquisa desenvolvida em 2025 por seu orientando, Moisés Pereira, aluno do doutorado Bionorte da Ufac, sobre risco de incêndio em áreas florestadas do campus-sede.
As discussões foram enriquecidas pelas contribuições do professor Moisés Barbosa de Souza, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN), reconhecido por seu conhecimento sobre as áreas florestadas da Ufac, apontando para a necessidade de uma construção coletiva que envolva orientação, resposta rápida e proteção da biodiversidade.
“Esperamos que a organização de alternativas de prevenção, monitoramento e combate ao risco de incêndios florestais nas áreas da Ufac avance significativamente em 2026”, disse o diretor substituto do PZ, Wanderson Gomes. “Diante da previsão de uma estiagem mais severa, é fundamental que a universidade esteja preparada para agir de forma planejada, integrada e preventiva.”
Também participaram da reunião representantes da Prefcam, do CCBN, do CFCH, dos cursos de Geografia e Medicina Veterinária, do doutorado Bionorte, além de servidores e colaboradores ligados à temática ambiental.
Próximos passos
Para dar materialidade às ações propostas, foram definidos os seguintes encaminhamentos práticos:
– 3 de junho às 8h: visita in loco à trilha interna do PZ (trajeto de aproximadamente 3 quilômetros) para mapear pontos críticos, gargalos de acesso e possibilidades de intervenção;
– 12 de junho às 8h30: nova reunião de trabalho com o objetivo de dar continuidade às discussões e avançar na consolidação de medidas integradas.
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Projeto da Ufac integra exposição sobre memória da covid-19 — Universidade Federal do Acre
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28 de maio de 2026O projeto de extensão Relatos de Maternidade, da Ufac, desenvolvido entre setembro e dezembro de 2020, compõe a exposição A Infinita Memória da Pandemia: A História da Covid-19, cuja cerimônia de inauguração ocorreu na terça-feira, 26, no shopping Conjunto Nacional, em Brasília, e que também passará por Fortaleza, Manaus, Porto Alegre e São Paulo.
O projeto foi desenvolvido pelas professoras Ana Letícia de Fiori, do curso de Ciências Sociais e do programa de pós-graduação em Artes Cênicas, e Camila Bylaardt Volker, à época do curso de Letras e atualmente servidora do Ministério das Mulheres. Elas e seis estudantes entrevistaram, por WhatsApp, mais de 50 mulheres e mães, coletando relatos sobre suas experiências de maternidade e vida.
O trabalho abordou, ainda, cuidados, trabalho, família, medos, esperanças e projetos afetados pela pandemia da covid-19 no Acre, originando um e-book (162 p.) lançado pela Editora da Ufac (Edufac) em 2025, disponível para leitura online e download gratuito. Além disso, passou a integrar o Memorial Digital da Pandemia de Covid-19, como coleção.
Nessa quarta-feira, 27, as professoras Ana Letícia e Camila participaram, tratando dos relatos de maternidades, de mesa-redonda com os organizadores dos projetos Fala, Parente (PET Indígena, Unifap), a qual contou com depoimentos de indígenas do Amapá, Pará e Guiana Francesa.
A exposição levará a capitais brasileiras parte das coleções do Memorial da Pandemia de Covid-19, sediado no Rio de Janeiro e desenvolvido pela Ministério da Saúde, Organização Pan-Americana de Saúde, Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde e Centro de Humanidades Digitais da Unicamp.
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