NOSSAS REDES

ACRE

Prefeito bolsonarista deve desafiar MDB de Renan em AL – 10/11/2024 – Poder

PUBLICADO

em

Josué Seixas

A reeleição de João Henrique Caldas (PL) à Prefeitura de Maceió com 83% dos votos ante 13% do candidato apoiado pela família Calheiros consolidou em Alagoas uma oposição estruturada e que vinha se fortalecendo desde 2021, quando Arthur Lira (PP) assumiu a presidência da Câmara dos Deputados.

Caldas, conhecido como JHC, é um dos principais cotados para a disputa ao Governo de Alagoas em 2026, formando um mesmo palanque com Lira, que deve tentar uma das duas vagas disponíveis para o SenadoRenan Calheiros (MDB) também deve ser candidato à reeleição.

Sem sucessor imediato para o Governo de Alagoas, os Calheiros ensaiam como candidato o ministro dos Transportes, ex-governador e senador licenciado Renan Filho (MDB), numa tentativa de não entregar o estado e as duas principais cidades à oposição —algo que eles também nunca conseguiram.

No momento, as partes interessadas tratam os meandros da eleição de 2026 com discrição, evitando falar sobre o combate direto que se avizinha.

Lira e Renan desviam de conflitos públicos, e as críticas de um para o outro diminuíram conforme o resultado do pleito deste ano. Ainda não há acordo de não-agressão firmado entre as partes.

O MDB, de Renan, saiu fortalecido da eleição com 65 prefeituras conquistadas e mais de 630 mil votos. O PP, de Lira, elegeu 27 candidatos e contou com pouco mais de 260 mil votos.

Renan e Lira estiveram em lados opostos na política alagoana desde as eleições de 1998. Apesar de serem de gerações distintas, ambos se destacam pelo protagonismo que conquistaram na esfera nacional.

Lira cresceu na esteira do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), justamente no momento em que Renan estava em baixa na política nacional, na mira de processos da Operação Lava Jato. Ele tentou voltar à presidência do Senado em 2019, mas foi superado pela articulação que teve Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) como vencedor.

Por outro lado, Lira se tornou um dos deputados federais mais influentes durante o governo Bolsonaro ao liderar o centrão.

No governo Lula (PT), a relevância se manteve de forma semelhante, com aproximação entre o deputado e o presidente, especialmente na sucessão da presidência da Câmara, em que o PT agora apoia Hugo Motta (Republicanos-PB), candidato de Lira.

Em entrevista à Folha, o deputado alagoano afirmou que o acordo com o PT envolveria uma vaga no TCU (Tribunal de Contas da União) para o partido, em indicação do Congresso prevista para 2026.

Em Alagoas, JHC foi o único do PL a ser eleito, com aproximadamente 380 mil votos, mas fez combinações importantes. Seu vice é o senador Rodrigo Cunha (Podemos), que terá de abrir mão do posto. Sua suplente é a mãe do prefeito de Maceió, dra. Eudócia (PSB), que ficará no Senado pelos próximos dois anos.

O plano do grupo é, com uma vitória em 2026, fechar três posições importantes no tabuleiro alagoano: no Senado, com Lira; no governo, com JHC; e na prefeitura, com Cunha.

Durante os oito anos de Renan Filho no governo (2015-2022), além do pouco mais de dois anos sob o comando de Paulo Dantas (MDB), a Prefeitura de Maceió nunca foi aliada.

Rui Palmeira (PSD) esteve à frente do município por dois mandatos (2013-2020), mas somente se tornou aliado no pleito de 2020, quando o candidato apoiado pelo grupo foi derrotado por JHC. Neste ano, Palmeira foi eleito vereador da capital.

À época, Alfredo Gaspar encabeçou a chapa do MDB. Ele rompeu com os Calheiros na eleição de 2022 por discordâncias ideológicas e de sucessão, sendo uma das lideranças do União Brasil em Alagoas atualmente e aliado de JHC.

Para além da força na capital, há também o município de Arapiraca, segundo maior no estado e também com um prefeito com alta aprovação. Luciano Barbosa (MDB) foi reeleito com 85% dos votos válidos e, no dia seguinte à vitória, concedeu entrevista ao lado de Lira.

Ele foi eleito vice-governador de Renan Filho tanto em 2014 quanto em 2018. A crise entre eles, porém, teve seu ápice em 2020. Barbosa decidira concorrer à Prefeitura de Arapiraca após rusgas internas. O diretório estadual do MDB, presidido por Renan Calheiros, pediu à Justiça Eleitoral indeferimento da candidatura e teve sucesso —Barbosa foi expulso do partido dias antes por “desobediência”.

Vencedor da eleição com 55% dos votos, mas sem partido e com a candidatura sub judice, o prefeito de Arapiraca aguardou decisão do TRE-AL (Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas), que deferiu sua candidatura em dezembro daquele ano. O MDB divulgou nota em que perdoava Barbosa e abriu caminho para sua refiliação ao partido, ensaiando uma aproximação que perdura.

Os Calheiros ainda contam com o apoio decisivo do deputado estadual Marcelo Victor (MDB), presidente da Assembleia Legislativa de Alagoas desde 2019, com três mandatos consecutivos à frente da Casa. Na última oportunidade, ele esteve na única chapa inscrita.

De perfil mais comedido, Victor chama pouca atenção para si e trabalha mais nos bastidores, costurando alianças que sejam benéficas a ele e em seguida ao seu entorno, o que lhe garantiu uma fama de ser direto e de cumprir os acordos que celebra.

Na esteira da eleição em Alagoas, também estão as figuras do presidente Lula, aliado dos Calheiros, e do ex-presidente Jair Bolsonaro, nome de importância na base de Lira e de JHC.

Nenhum dos dois, no entanto, viajou a Maceió na última eleição. Lula gravou vídeo em apoio ao deputado federal Rafael Brito (MDB), derrotado por JHC, enquanto o prefeito reeleito evitou aliar sua imagem à do ex-presidente (ele deixou o PSB e aderiu ao PL no 2º turno das eleições de 2022 para apoiar Bolsonaro).



Leia Mais: Folha

Advertisement
Comentários

Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48

You must be logged in to post a comment Login

Comente aqui

ACRE

Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial-capa.jpg

O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) da Ufac realizou, nesta quarta-feira, 13, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (Cfch), um evento em comemoração aos 10 anos do Laboratório de Pesquisa Observatório de Discriminação Racial (LabODR). A programação reuniu a comunidade acadêmica, pesquisadores, egressos, bolsistas e integrantes do movimento social negro para celebrar a trajetória do laboratório e os resultados alcançados por meio das pesquisas desenvolvidas ao longo da última década.

Vinculado à área de História, mas formado por profissionais de diferentes áreas do conhecimento, o LabODR/Ufac foi criado em 2016 a partir de uma articulação entre a Ufac e o movimento negro acreano, especialmente o Fórum Permanente de Educação Étnico-Racial do Estado do Acre. Inicialmente estruturado como projeto institucional de pesquisa, o laboratório contou com apoio da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes) e, em 2018, foi inserido na plataforma Lab e certificado pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propeg).

O laboratório atua na pesquisa e na formação de pesquisadores com foco na promoção da igualdade racial, desenvolvendo estudos voltados tanto à denúncia de práticas racistas quanto à construção de reflexões e práticas antirracistas, principalmente nos espaços educacionais. Atualmente, o LODR/Ufac abriga projetos institucionais como “Práticas Pedagógicas em Educação das Relações Étnico-Raciais em Escolas do Estado do Acre”, desenvolvido desde 2018, e “Pérolas Negras”, iniciado em 2020.

Durante o evento, convidados e bolsistas compartilharam experiências acadêmicas e profissionais construídas a partir das atividades desenvolvidas pelo laboratório, destacando a importância do observatório em suas formações pessoais e profissionais. A programação também apresentou pesquisas realizadas ao longo desses dez anos de atuação e ressaltou a contribuição do laboratório para o fortalecimento das discussões sobre igualdade racial dentro da universidade e na sociedade acreana.

Compuseram o dispositivo de honra o vice-reitor, Josimar Ferreira; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Ufac, Margarida Lima; a vice-diretora do Cfch, Lucilene Ferreira de Almeida; e a representante do Neabi, Flávia Rocha.

 



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre

A Universidade Federal do Acre (Ufac) participou, no dia 1º de maio, da Mostra Científica “Conectando Saberes: da integração à inclusão na Amazônia”, realizada na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira. A ação reuniu instituições de ensino, pesquisa, escolas rurais e moradores da reserva em atividades de divulgação científica e integração comunitária.

Financiada pelo CNPq, a iniciativa contou com a participação da Ufac, Ifac, ICMBio e de escolas da região. Aproximadamente 250 pessoas participaram da programação, entre estudantes, professores e moradores das comunidades da reserva.

Durante o evento, estudantes da graduação e pós-graduação da Ufac e do Ifac apresentaram pesquisas e atividades educativas nas áreas de saúde, Astronomia, Física, Matemática, Robótica e educação científica. A programação incluiu oficinas de foguetes, observação do céu com telescópios, sessões de planetário, jogos educativos e atividades com microscópios.

O professor Francisco Glauco, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN) da Ufac, destacou a importância da participação acadêmica em ações junto às comunidades tradicionais.

“A universidade tem um papel fundamental para a formação científica e cidadã dos estudantes. A troca de conhecimentos com comunidades de difícil acesso fortalece essa formação”, afirmou.

A professora Valdenice Barbosa, da Escola Iracema, ressaltou o impacto da iniciativa para os alunos da reserva.

“Foi um dia histórico de muito aprendizado. Muitos estudantes tiveram contato pela primeira vez com experimentos e equipamentos científicos”, disse.

Além das atividades científicas, a programação contou com apresentações culturais realizadas pelos estudantes da reserva, fortalecendo a integração entre ciência, educação e saberes amazônicos.

A participação da Ufac reforça o compromisso da universidade com a extensão, a popularização da ciência e a aproximação entre universidade e comunidades tradicionais da Amazônia.

Fhagner Soares – Estagiário

 



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

UFAC participa de pesquisa sobre zoonose associada à caça de subsistência na Amazônia — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

UFAC participa de pesquisa sobre zoonose associada à caça de subsistência na Amazônia-interna.jpg

Um estudo publicado na revista Acta Amazonica identificou a presença do parasita Echinococcus vogeli em pacas (Cuniculus paca) abatidas e consumidas por comunidades tradicionais da Amazônia Ocidental. O agente é responsável pela equinococose policística humana, zoonose considerada emergente na região.

A pesquisa foi desenvolvida entre 2022 e 2023 nos municípios de Sena Madureira e Rio Branco, no Acre, sob coordenação do professor Francisco Glauco de Araújo Santos, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN), integrando a dissertação de mestrado de Liliane de Souza Anadão, do Programa de Pós-Graduação em Sanidade e Produção Animal Sustentável na Amazônia (PPGSPASA).

O estudo entrevistou 78 famílias e analisou 23 fígados de pacas abatidas para consumo. Em 48% das amostras foram identificados cistos hidáticos causados pelo parasita. A pesquisa também apontou que a maioria dos cães das comunidades participa das caçadas e consome vísceras cruas dos animais.

Segundo os pesquisadores, o principal risco de transmissão ocorre quando cães infectados eliminam ovos do parasita no ambiente, contaminando solo, água e alimentos.

“O principal risco está associado ao descarte inadequado das vísceras e ao contato com ambientes contaminados pelas fezes de cães infectados”, destacou o professor Francisco Glauco.

O estudo reforça a necessidade de ações de vigilância e educação em saúde nas comunidades rurais, principalmente relacionadas ao manejo de cães e ao descarte adequado das vísceras dos animais abatidos.

Para o pesquisador Leandro Siqueira, doutor em Medicina Tropical pela Fiocruz e coautor do estudo, a pesquisa amplia o conhecimento sobre a transmissão da doença na Amazônia e pode contribuir para futuras ações de prevenção e diagnóstico na região.

Fhagner Soares – Estagiário



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

MAIS LIDAS