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Presença negra na arte clássica carece de antirracismo – 10/01/2025 – Pretos Olhares
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12 meses atrásem
Catarina Ferreira
Entender que um espaço cultural historicamente elitizado, como o Theatro Municipal de São Paulo, não deve ser restrito a pessoas brancas passa por incluir pessoas negras nos espetáculos, nos palcos e bastidores, e também na equipe de gestão durante o ano todo, e não apenas em ações pontuais. É o que afirma Nathália Costa, gerente de programação artística e produção do Theatro Municipal.
O aumento do número de músicos pretos e pardos e a mudança no perfil racial do público do teatro, nos últimos três anos, são visíveis, segundo Nathália. Mas a mudança caminha a passos curtos. “Eu gostaria que virasse rotina”, diz ela sobre a presença de pessoas não brancas entre diretores, cantores líricos e demais artistas do meio erudito.
Espetáculos musicais e teatrais com protagonismo negro ou indígena ainda são concentrados em datas comemorativas, no mês de novembro, por exemplo, quando se celebra o Dia da Consciência Negra. Esses momentos são importantes, diz, mas a inclusão efetiva é um desafio vencido apenas com a constância.
Não basta colocar as pessoas dentro dos espaços é preciso que sejam acolhidas e que sintam-se respeitadas. “O meio erudito infelizmente ainda é totalmente branco, machista e em grande parte homofóbico”, afirma. “Por isso, é uma obrigação tratar esses casos de preconceito, que infelizmente acontecem, de uma forma muito implacável e assertiva.”
Além de combater casos de racismo, parte do trabalho de inclusão de pessoas pretas e pardas no teatro, na música e na dança clássica, passa pelo resgate de personagens que tiveram sua relevância apagada ao longo do tempo.
É o caso da cantora lírica conhecida como Joaquina Lapinha.
Joaquina Maria da Conceição foi uma mulher negra que viveu no final do século 18 e se apresentou em palcos do Brasil e da Europa. A personagem é homenageada no concurso anual que leva seu nome e é promovido pelo Conservatório de Música e Teatro de Tatuí, no interior de São Paulo.
A competição de canto lírico é destinada a solistas pretos, pardos e indígenas de todo o Brasil. O concurso se tornou uma importante vitrine para cantores do gênero, afirma Gil de Oliveira, gerente geral do conservatório. Além de um prêmio em dinheiro, os vencedores participam da temporada de apresentações do Theatro Municipal, em São Paulo, e integram a programação do Teatro Procópio Ferreira, em Tatuí.
“O concurso me trouxe uma consciência importante. Eu, como pessoa preta, não sabia quem era Joaquina Lapinha, ela foi uma das grandes cantoras nossas e tinha que pintar a cor da pele, se embranquecer, para poder se apresentar.”
Registros sobre a história da artista indicam que ela precisava usar maquiagem para clarear a pele para poder cantar em concertos que fazia na Europa.
Colocar mais artistas negros em evidência aumenta o interesse da comunidade em prestigiar os espetáculos e Gil diz ver isso de perto. Ele conta que a vontade do público em conhecer mais da arte clássica existe, o que acontece, muitas vezes, é que há um distanciamento entre as pessoas e o teatro pela falta de acesso a equipamentos culturais.
A chave é se aproximar da periferia com ações fora dos muros dos espaços de cultura e também torná-los mais convidativos para a comunidade em geral. “Temos que mostrar que o nosso palco é universal, que vai receber todas as expressões artísticas, do samba até a música lírica, e que a entrada no teatro é universal.”
O que você quer ler aqui no blog? Tem alguma sugestão para o Pretos Olhares?
Escreva para catarina.ferreira@grupofolha.com.br
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Nota da Andifes sobre os cortes no orçamento aprovado pelo Congresso Nacional para as Universidades Federais — Universidade Federal do Acre
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1 semana atrásem
23 de dezembro de 2025Notícias
publicado:
23/12/2025 07h31,
última modificação:
23/12/2025 07h32
Confira a nota na integra no link: Nota Andifes
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Ufac entrega equipamentos ao Centro de Referência Paralímpico — Universidade Federal do Acre
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2 semanas atrásem
18 de dezembro de 2025A Ufac, a Associação Paradesportiva Acreana (APA) e a Secretaria Extraordinária de Esporte e Lazer realizaram, nessa quarta-feira, 17, a entrega dos equipamentos de halterofilismo e musculação no Centro de Referência Paralímpico, localizado no bloco de Educação Física, campus-sede. A iniciativa fortalece as ações voltadas ao esporte paraolímpico e amplia as condições de treinamento e preparação dos atletas atendidos pelo centro, contribuindo para o desenvolvimento esportivo e a inclusão de pessoas com deficiência.
Os equipamentos foram adquiridos por meio de emenda parlamentar do deputado estadual Eduardo Ribeiro (PSD), em parceria com o Comitê Paralímpico Brasileiro, com o objetivo de fortalecer a preparação esportiva e garantir melhores condições de treino aos atletas do Centro de Referência Paralímpico da Ufac.
Durante a solenidade, a reitora da Ufac, Guida Aquino, destacou a importância da atuação conjunta entre as instituições. “Sozinho não fazemos nada, mas juntos somos mais fortes. É por isso que esse centro está dando certo.”
A presidente da APA, Rakel Thompson Abud, relembrou a trajetória de construção do projeto. “Estamos dentro da Ufac realizando esse trabalho há muitos anos e hoje vemos esse resultado, que é o Centro de Referência Paralímpico.”
O coordenador do centro e do curso de Educação Física, Jader Bezerra, ressaltou o compromisso das instituições envolvidas. “Este momento é de agradecimento. Tudo o que fizemos é em prol dessa comunidade. Agradeço a todas as instituições envolvidas e reforço que estaremos sempre aqui para receber os atletas com a melhor estrutura possível.”

O atleta paralímpico Mazinho Silva, representando os demais atletas, agradeceu o apoio recebido. “Hoje é um momento de gratidão a todos os envolvidos. Precisamos avançar cada vez mais e somos muito gratos por tudo o que está sendo feito.”
A vice-governadora do Estado do Acre, Mailza Assis da Silva, também destacou o trabalho desenvolvido no centro e o talento dos atletas. “Estou reconhecendo o excelente trabalho de toda a equipe, mas, acima de tudo, o talento de cada um de nossos atletas.”
Já o assessor do deputado estadual Eduardo Ribeiro, Jeferson Barroso, enfatizou a finalidade social da emenda. “O deputado Eduardo fica muito feliz em ver que o recurso está sendo bem gerenciado, garantindo direitos, igualdade e representatividade.”
Também compuseram o dispositivo de honra a pró-reitora de Inovação, Almecina Balbino, e um dos coordenadores do Centro de Referência Paralímpico, Antônio Clodoaldo Melo de Castro.
(Camila Barbosa, estagiária Ascom/Ufac)
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Orquestra de Câmara da Ufac apresenta-se no campus-sede — Universidade Federal do Acre
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2 semanas atrásem
18 de dezembro de 2025A Orquestra de Câmara da Ufac realizou, nesta quarta-feira, 17, uma apresentação musical no auditório do E-Amazônia, no campus-sede. Sob a coordenação e regência do professor Romualdo Medeiros, o concerto integrou a programação cultural da instituição e evidenciou a importância da música instrumental na formação artística, cultural e acadêmica da comunidade universitária.
A reitora Guida Aquino ressaltou a relevância da iniciativa. “Fico encantada. A cultura e a arte são fundamentais para a nossa universidade.” Durante o evento, o pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes, destacou o papel social da arte. “Sem arte, sem cultura e sem música, a sociedade sofre mais. A arte, a cultura e a música são direitos humanos.”
Também compôs o dispositivo de honra a professora Lya Januária Vasconcelos.
(Camila Barbosa, estagiária Ascom/Ufac)
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