POLÍTICA
Prestes a emplacar o presidente da Câmara, Republi…
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1 ano atrásem
Lucas Mathias
Nascido há vinte anos para concretizar o projeto de Edir Macedo e sua Igreja Universal de fincar os pés no poder, o partido Republicanos está cumprindo seu papel, com uma bancada de peso no Congresso e um ministério no governo Lula. O troféu mais vistoso deve ser erguido no mês que vem, quando o paraibano Hugo Motta deve ser alçado à presidência da Câmara, como o sucessor de Arthur Lira. Mota conta com um arco de apoios do PT ao PL, comprovando a relevância da “linha pragmática” que rege a sigla e consegue a façanha de, ao mesmo tempo, votar maciçamente pró-governo e abrigar expoentes do bolsonarismo. Nessa trajetória, a atual direção do Republicanos é acusada internamente por um grupo de ter exagerado nessa direção, afastando-se da “ala do altar” da Universal, como é chamado o grupo mais religioso. A turma se ressente da falta de espaço — no último pleito muita gente não conseguiu lançar candidatura — e de ser preterida nas indicações e divisões de cargos, promovendo nos bastidores um cabo de guerra que ameaça a unidade partidária.
Os ruídos têm origem em uma decisão tomada em 2016 por quem viria a se tornar um dos principais caciques políticos do país: o deputado federal Marcos Pereira, bispo licenciado da Universal e presidente do Republicanos há quatorze anos. Ungido no posto por Edir Macedo, líder e fundador da congregação, Pereira investiu na ampliação da sigla, que se abriu a quadros não evangélicos. Com essa manobra, a bancada federal saltou de oito deputados em 2010 para 44 agora e de apenas um para quatro senadores. Enquanto Pereira ganhava asas, crescia a ciumeira da ala mais religiosa, que, com a virtual aposentadoria de Macedo, é capitaneada por seu genro, Renato Cardoso, o líder de fato da Universal, tendo ao seu redor figurões da fé como os bispos Alessandro Paschoall, coordenador do Grupo Arimateia, braço político formal da igreja, e Honorilton Gonçalves. Procurado por VEJA, Pereira negou qualquer desavença interna. “Nunca ouvi falar nessa disputa. Não chegou a mim nenhum movimento”, desvia-se.
Ninguém admite claramente o problema, mas, quando se toca no assunto, os aliados de Pereira sacam logo suas justificativas. “O partido ficar restrito à igreja não faria sentido, afastaria filiações”, explica Eduardo Cunha, o notório ex-presidente da Câmara, hoje à frente do diretório municipal no Rio (onde, aliás, as duas bandas em colisão apoiaram diferentes candidaturas a prefeito). No Senado, nenhum dos quatro republicanos frequenta os cultos da Universal, mesma situação do deputado Motta. Tampouco são evangélicos o principal governador da sigla, Tarcísio de Freitas, de São Paulo, e o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho. “Temos uma bancada plural, a maioria não é da igreja”, enfatiza o ministro.

A mais ostensiva iniciativa de Edir Macedo de unir fé e política centrou-se no sobrinho Marcelo Crivella, bispo licenciado da Universal que foi senador duas vezes, ministro do governo Dilma Rousseff e prefeito carioca. Só que o plano fracassou: Crivella não se reelegeu, acabou preso em uma investigação sobre corrupção e recolheu-se a uma discreta atuação como deputado. Mesmo assim, o Republicanos não se desviou de sua ambição de conquistar cargos e influência — expressa na disposição para se postar ao lado de todo e qualquer presidente.
A sigla apoiou Lula 1 e 2, embarcou no governo Dilma (depois votou a favor de seu impeachment) e perfilou-se com Jair Bolsonaro — não raro, Edir Macedo e Pereira eram clicados ao lado dele. Na campanha de 2022, a postura foi anti-Lula, mas, uma vez eleito, a coisa mudou de figura. “O partido é hoje um Centrão não radicalizado como o PL. Tem votado 100% com o governo Lula”, diz o petista André Ceciliano, secretário nacional de Assuntos Federativos. Esse alinhamento, que pode render outro ministério na futura reforma da Esplanada, acirrou ainda mais os ânimos entre os pragmáticos da Universal e a turma dos mais religiosos. A Universal raiz congrega dezessete dos 44 deputados federais e tem argumentado que, por estar mais próxima do rebanho, é quem angaria votos. Trata-se de mais uma evidência de como o milagre do crescimento político pode produzir como efeito colateral a divisão do altar.
Publicado em VEJA de 24 de janeiro de 2025, edição nº 2928
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