ACRE
Qual é o freio da dívida da Alemanha? – DW – 07/11/2024
PUBLICADO
2 anos atrásem
Na Alemanha, o governo federal e os 16 estados são obrigados a equilibrar as suas contas e estão praticamente proibidos de contrair empréstimos adicionais. Nenhum outro país do G7 impõe limites tão rigorosos a novos empréstimos. As regras estão consagradas na Lei Básica, ou seja, na Constituição alemã, e aplicam-se — com pequenas diferenças — tanto a nível federal como nos 16 estados (conhecidos como Países).
Governo alemão anuncia orçamento especial
O artigo 109.º da Lei Básica, n.º 3, afirma: “Os orçamentos da Federação e dos Länder serão, em princípio, equilibrados sem receitas provenientes de créditos.” Isto significa que o estado só pode gastar tanto dinheiro quanto recebe, principalmente de impostos e taxas. Este requisito é conhecido coloquialmente como “freio da dívida.”
Aliviando as gerações futuras
A exigência foi introduzida em 2009 pelo então Chanceler Angela Merkeluma democrata-cristã (CDU) e o seu ministro das Finanças Peer Steinbrückum social-democrata (SPD). Foi introduzido no meio de uma crise financeira e económica global em que houve muita discussão sobre a dívida nacional.
Num discurso aos primeiros-ministros estaduais da época, Steinbrück falou de uma “decisão de significado histórico – uma decisão que deveria garantir a capacidade financeira do estado para agir, particularmente no que diz respeito à justiça intergeracional”.
No entanto, um debate político controverso cercou a introdução. Os Verdes (então na oposição) e o Partido da Esquerda socialista foram estritamente contra, argumentando que o Estado estava a restringir a sua capacidade de agir. Os defensores do travão à dívida, por outro lado, salientaram que o Estado teria de gastar cada vez mais dinheiro em juros à medida que a montanha da dívida crescia. Isto, disseram eles, tornar-se-ia ainda mais restritivo e sobrecarregaria gerações de pessoas.
Orçamentos equilibrados de 2014 a 2019
O freio à dívida tornou-se juridicamente vinculativo para o governo federal em 2016 e para os estados em 2020. No entanto, em 2014, o então Ministro Federal das Finanças, Wolfgang Schäuble (CDU), já conseguiu apresentar um orçamento equilibrado pela primeira vez em 45 anos. O termo “zero preto” foi cunhado para assinalar o feito de Schäuble e tornou-se um slogan político, porque despesas e receitas se equilibravam.
Contudo, o freio à dívida não é absoluto, pelo menos não para o governo federal. Embora uma proibição total da dívida se aplique aos estados federais, é permitido ao governo federal contrair empréstimos líquidos no valor máximo de 0,35% da produção económica. Um exemplo: o produto interno bruto da Alemanha ascendeu a cerca de 3,88 biliões de euros (4,25 biliões de dólares) em 2022, o que significa que o governo federal teria sido autorizado a contrair cerca de 13 mil milhões de euros em dívidas adicionais.
Coronavírus e guerra na Ucrânia
No entanto, o governo contraiu empréstimos em algum lugar na faixa dos três dígitos de bilhões de euros em 2022. Isso ocorreu porque o parlamento alemão, o Bundestag, votou a favor de fazer uso de uma exceção ao freio à dívida, como já havia feito para 2020 e 2021: Referindo-se às consequências da pandemia do coronavírus e da guerra na Ucrânia, o parlamento alegou uma “situação de emergência extraordinária”.
A Lei Básica permite que o freio à dívida seja suspenso “em caso de desastres naturais ou emergências incomuns fora do controle governamental e substancialmente prejudiciais à capacidade financeira do Estado”. No actual debate sobre o orçamento de 2024, o SPD no poder e os Verdes apelam mais uma vez à declaração de uma situação de emergência devido às consequências financeiras da guerra na Ucrânia e o que se segue crise energética.
O freio da dívida é muito rígido?
Entretanto, surgiu um debate sobre se o freio à dívida deveria ser reformado. Alguns economistas são a favor, argumentando que a regra prejudica a capacidade do Estado de investir em infra-estruturas e tecnologias orientadas para o futuro.
No entanto, qualquer tipo de reforma é improvável a curto prazo porque a Lei Básica só pode ser alterada com uma maioria de dois terços no Bundestag. Esta maioria não existe atualmente porque as conservadoras CDU e CSU, que juntas formam o maior grupo parlamentar da oposição, são contra uma alteração.
Este artigo foi publicado pela primeira vez em 1º de dezembro de 2023 e atualizado com os desenvolvimentos mais recentes em 7 de novembro de 2024.
Este artigo foi escrito originalmente em alemão.
Enquanto você está aqui: todas as terças-feiras, os editores da DW resumem o que está acontecendo na política e na sociedade alemãs. Você pode se inscrever aqui para receber o boletim informativo semanal por e-mail Berlin Briefing.
Relacionado
VOCÊ PODE GOSTAR
ACRE
Fundape tem nova sede inaugurada no campus da Ufac na capital — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
3 dias atrásem
26 de junho de 2026A reitora da Ufac, Guida Aquino, participou da solenidade de inauguração da nova sede da Fundação de Apoio e Desenvolvimento ao Ensino, Pesquisa e Extensão Universitária no Acre (Fundape), da qual ela é presidente do Conselho Curador. O evento ocorreu nesta sexta-feira, 26, no campus-sede, local em que se localiza o espaço administrativo e operacional da fundação.
Guida destacou a importância da Fundape para a Ufac e para outras instituições da Região Norte. Para ela, a fundação passou por um processo de fortalecimento nos últimos anos. “A Fundape hoje nos faz realizar, na verdade, todas as parcerias de formação de docentes, de ensino, de pesquisa, de extensão, de inovação”, afirmou.
Segundo a reitora, a fundação ampliou sua atuação para além do Acre, atendendo também instituições de Rondônia, Amapá e Roraima. “Olha a grandeza disso. E nós, enquanto Universidade Federal do Acre, temos que nos orgulhar”, pontuou.
O diretor-presidente da Fundape, Ismar Bernardo de Araújo, disse que a inauguração da sede própria representa uma conquista construída com dedicação, trabalho em equipe e visão de futuro. “Hoje não celebramos apenas a abertura de um novo espaço físico; celebramos uma conquista construída com dedicação, trabalho em equipe, visão de futuro e confiança.”

Ismar lembrou que a Fundape foi instituída em 22 de junho de 1998 e completa 28 anos em 2026. Atualmente, a fundação conta com 38 colaboradores, representa quatro universidades federais, três institutos federais e um hospital universitário, estando presente em quatro Estados da região Norte.
Membro fundador da Fundape e pró-reitor de Planejamento da Ufac, Alexandre Hid, relembrou a criação da fundação e os desafios enfrentados ao longo da trajetória institucional. “Hoje a fundação está aí forte e firme para maiores e melhores desafios.”

Também participaram da solenidade a reitora da Unir, Marília Pimentel; o procurador-geral adjunto para Assuntos Administrativos e Institucionais do MP-AC, Carlos Roberto da Silva Maia, representando o procurador-geral Oswaldo Lima Neto; o diretor técnico da Fundape, Camilo Gouveia; o diretor administrativo-financeiro da Fundape, Dionel de Araújo; Gemil Júnior, suplente do senador Alan Rick (Republicanos-AC); a pró-reitora de Inovação, Pesquisa e Pós-Graduação do Ifac, Alana Chocorosqui, representando o reitor Fábio Storch; o ex-reitor da Ufac, Minoru Kinpara; além de dirigentes, coordenadores de projetos, colaboradores e representantes de instituições parceiras.
Relacionado
ACRE
Seminário na Ufac tematiza planejamento e governança pública — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
5 dias atrásem
23 de junho de 2026O programa de pós-graduação em Planejamento e Governança Pública, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), no âmbito do mestrado interinstitucional para técnico-administrativos da Ufac e do Instituto Federal do Acre (Ifac), realiza o 12º Seminário de Boas Práticas em Planejamento e Governança Pública, de 14 a 16 de julho, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede da Ufac. As inscrições são gratuitas e estão abertas até 16 de julho, por meio online.
O evento será transmitido pelo YouTube e terá como tema “Governança, Políticas Públicas e Desenvolvimento Regional na Amazônia: Desafios Estruturais para o Acre”, propondo um debate sobre questões territoriais, sociais, ambientais, urbanas, institucionais e econômicas que atravessam a realidade amazônica e acreana.
A programação científica será organizada em quatro eixos temáticos: governança urbana, mobilidade e direito à cidade na Amazônia; infraestrutura, saneamento e resiliência em contextos de enchentes e queimadas; governança ambiental, desenvolvimento sustentável e capacidade estatal na Amazônia; e educação e empreendedorismo na Amazônia.
O seminário tem como público-alvo a comunidade universitária e gestores públicos, contando com a participação de autoridades locais, pesquisadores da UTFPR, docentes da Ufac e do Ifac, bem como especialistas convidados de diferentes áreas.
Relacionado
ACRE
Estudo indica limitações de conhecimento sobre leishmaniose — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
2 semanas atrásem
17 de junho de 2026A Ufac é parceira em pesquisa desenvolvida no município de Sena Madureira (AC), a qual identificou limitações no conhecimento sobre a leishmaniose cutânea entre pacientes e profissionais da saúde, além de barreiras geográficas e estruturais que dificultam o acesso ao diagnóstico e ao tratamento precoce em áreas rurais endêmicas.
Os resultados do estudo foram publicados, em maio, na revista eletrônica “Acervo Saúde”, vol. 26(5), com o título “Leishmaniose Cutânea na Amazônia Ocidental: Lacunas no Conhecimento e Barreiras de Acesso Assistencial em Áreas Endêmicas”. O artigo tem coautoria de pesquisadores da Ufac.
A pesquisa foi realizada com 50 pacientes com suspeita clínica de leishmaniose cutânea e 51 agentes de saúde, sendo 63% agentes comunitários de saúde e 37% agentes de combate às endemias.
“Em nosso trabalho, identificamos que tanto os profissionais da saúde quanto os pacientes possuem informações limitadas sobre a doença. Conhecer as limitações para acesso ao diagnóstico e tratamento precoce é uma das principais estratégias para a implementação de programas de controle e de educação em saúde que contemplem o perfil epidemiológico e social das populações de áreas endêmicas”, disse o autor do estudo, Leandro Siqueira de Souza, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC).
A região Norte é responsável por mais da metade dos casos da doença no Brasil; o Acre conta com mais de 11 mil casos notificados na última década. Em 2025, os municípios acreanos de Xapuri, Marechal Thaumaturgo, Assis Brasil, Sena Madureira e Brasileia foram classificados pelo Ministério da Saúde como áreas de risco intenso para transmissão da doença.
“A região amazônica é uma área endêmica para a leishmaniose cutânea, uma doença negligenciada que afeta principalmente populações de comunidades tradicionais”, contou o pesquisador Reginaldo Peçanha Brazil, do IOC. “Conhecer as limitações no conhecimento tanto dos pacientes como de profissionais da saúde de áreas endêmicas é fundamental para o sistema de saúde do Estado do Acre e para o controle mais efetivo da doença.”
A investigação integra um projeto de pesquisa coordenado por Brazil. Além da Ufac, são parceiros na pesquisa a Universidade Federal de Minas Gerais, a Universidade de Brasília, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e a Secretaria de Estado de Saúde do Acre.
Pela Ufac, são coautores do artigo os pesquisadores Andréia Luísa Peixinho da Silva Guimarães, Francisca Alana Costa de Souza, Marcos Bruno Zacarias Campelo, Breno Kalyl Freitas Nascimento, Andreia Fernandes Brilhante e Francisco Glauco de Araújo Santos. Os estudos contam com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e apoio de instituições parceiras.
Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48
You must be logged in to post a comment Login