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Quatro anos após a violência da multidão, Kamala Harris entrega o poder – pacificamente – a Trump | Donald Trump

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David Smith in Washington

Ela tinha avisado a América de que ele era fascista e agora, diante dos colegas políticos, dos telespectadores e do mundo que assistia, era ela quem teria de o recolocar oficialmente no poder.

Poucos invejariam Kamala Harrisa vice-presidente cessante dos EUA, teve de manter uma aparência fria e zen na segunda-feira, ao anunciar formalmente a vitória de Donald Trump – e a sua própria derrota – nas eleições presidenciais de 2024.

“Os votos para presidente dos Estados Unidos são os seguintes: Donald J Trump, do estado da Flórida, recebeu 312 votos”, disse Harris, vestindo um terno marrom e uma camisa de seda com laço. Mesmo assim, haveria mais um insulto, pois os republicanos na Câmara dos Deputados a interromperam com fortes aplausos e vivas.

O vice-presidente manteve-se apoiado em uma vareta, com as mãos cruzadas, exibindo um meio sorriso, meio uma careta enquanto a aclamação prosseguia, acabando por pegar o martelo para restaurar a ordem. “Kamala D Harris, do estado da Califórnia, recebeu 226 votos”, disse ela então, provocando aplausos dos democratas.

Harris disse que os resultados foram uma “declaração suficiente” da eleição de um presidente e um vice-presidente que iniciarão seus mandatos em 20 de janeiro. o senador JD Vance, o vice-presidente eleito, vestindo camisa branca trumpiana e gravata vermelha, deu um soco no senador Bill Cassidy; Harris apertou a mão do orador, Mike Johnson, que deu um tapinha nas costas dela; e toda a câmara – Democratas e Republicanos – levantou-se e aplaudiu.

Foi um raro momento de unidade numa era política marcada pela desunião, encerrando um processo formal que tinha sido extraordinário na sua normalidade. Quatro anos depois de uma multidão pró-Trump ter atacado o Capitólio dos EUA num esforço para anular a sua derrota eleitoral, este foi um 6 de Janeiro sem rancor ou derramamento de sangue.

Desta vez, nenhum presidente derrotado incitando os seus apoiantes a “lutarem como o diabo”; não há desafios à integridade do voto; nenhuma bandeira confederada brandida nos corredores do poder; nenhum xamã QAnon invadindo o Senado; nenhuma multidão pedindo que o vice-presidente seja enforcado.

Quatro anos depois, o Capitólio estava coberto de neve, com estradas bloqueadas por quilômetros. A polícia estava em vigor e uma cerca não escalonável foi erguida para o que foi designado como um evento de segurança especial nacional. Certificados eleitorais selados de cada estado foram levados para a Câmara da Câmara em caixas de mogno e autorizados a permanecer sem serem levados às pressas para um local seguro.

A galeria pública estava apenas pela metade e não houve interrupções, pois quatro escrutinadores – referindo-se a Harris como “Senhora Presidente” do Senado – se revezaram na leitura dos resultados de cada estado. A maioria foi recebida com aplausos educados, como se estivessem em um recital de piano. Mas a vitória de Trump na Flórida foi recebida com palmas e gritos da congressista Marjorie Taylor Greene. As delegações de Ohio, Pensilvânia e Texas também comemoraram ruidosamente.

John Thune, o novo líder da maioria republicana no Senado, sentou-se na primeira fila com o queixo na mão, balançando a perna direita como um homem alto e econômico em um longo vôo. Do outro lado do corredor, seu homólogo democrata Schumer afundou na cadeira, olhando para frente, com as mãos cruzadas, quase sem se mover. Mais atrás estava Jamie Raskin, entre aqueles que fugiram para salvar a vida em 6 de janeiro, mais tarde uma figura-chave no painel da Câmara que investigou o caso – quem sabe o que ele estava pensando.

Tudo foi resolvido em meia hora, após o que vários republicanos posaram para selfies com Vance no plenário da Câmara. Mas este foi um caso de dois vivas pela democracia. A segunda-feira correu bem por uma razão simples: Trump venceu.

JD Vance, o novo vice-presidente, na segunda-feira. Fotografia: Anna Moneymaker/Getty Images

Os democratas, que levantaram objecções simbólicas no passado, incluindo durante as disputadas eleições de 2000, nas quais Al Gore perdeu para George W. Bush, não tinham intenção de se opor. “Não há negacionistas eleitorais do nosso lado do corredor”, disse o líder da minoria, Hakeem Jeffries, no primeiro dia do novo Congresso.

Depois de sitiar o Capitólio, Trump e os seus aliados passaram quatro anos sitiando a verdade. Não há melhor exemplo de polarização na América – e o “mundo espelho” de realidade alternativa promovida por um lado – do que os acontecimentos de 6 de janeiro de 2021.

A verdade objectiva é que uma multidão de apoiantes de Trump invadiu o Capitólio dos EUA com cassetetes, produtos químicos e outras armas. O ataque resultou em cinco mortes; mais de 140 policiais ficaram feridos na carnificina. “O que vi foi apenas uma cena de guerra”, disse mais tarde a policial do Capitólio, Caroline Edwards, ao comitê de 6 de janeiro da Câmara. “Eu estava escorregando no sangue das pessoas.”

Num comunicado divulgado na segunda-feira, Frederica Wilson, uma congressista democrata, disse que ainda tremia na data de 6 de janeiro, recordando: “Corremos e rastejamos de joelhos para um lugar seguro com o medo da morte pairando sobre as nossas cabeças. Eles deixaram as estátuas no salão das estátuas quebradas e manchadas de excremento e sangue. Policiais foram ensanguentados, espancados, espancados e morreram. Foi como interpretar um papel em um filme de terror e torcer para que logo acabe.”

Mas no universo Maga (Tornar a América grande novamente), tais memórias tornam-se ilegítimas. Neste relato, o dia 6 de janeiro foi uma tentativa heróica de “impedir o roubo” das eleições de 2020. Trump chamou-lhe um “dia do amor” e prometeu perdoar os condenados por crimes; O congressista Andrew Clyde, da Geórgia, comparou-a a uma “visita turística normal”; Kash Patel, nomeado por Trump para diretor do FBI, promoveu repetidamente uma teoria da conspiração acusando o FBI de orquestrar o ataque.

O mais revelador foi como, nos últimos quatro anos, Trump passou de pária desgraçado a vítima injustiçada e a herói conquistador. Ele sofreu impeachment por seu papel em 6 de janeiro e foi condenado até mesmo por aliados republicanos ferrenhos. No entanto, um por um, eles voltaram ao redil e tornaram-se cúmplices na reescrita da história. Trump agora toca regularmente uma versão sinistra e minúscula do hino nacional cantado ao telefone pelos prisioneiros do 6 de Janeiro (reformulados como mártires) – transformando um dia de vergonha numa arma política.

O exercício foi certamente possível graças à fractura dos meios de comunicação. Um punhado de âncoras de notícias confiáveis ​​não poderia mais domar uma mentira e mantê-la enjaulada. Um poderoso ecossistema de direita – incluindo o X de Elon Musk – neutralizou, minou e distorceu sistematicamente os relatos de testemunhas oculares a partir de 6 de janeiro. Pesquisa de Valores Americanos de 2024 descobriram que 62% dos republicanos continuam a acreditar que as eleições de 2020 foram roubadas de Trump.

Tal como em 1984, de George Orwell, o passado, ao que parece, foi abolido. “Todos os registos foram destruídos ou falsificados, todos os livros reescritos, todos os quadros foram repintados, todas as estátuas e edifícios de rua foram renomeados, todas as datas foram alteradas”, escreveu Orwell.

Tal como os vice-presidentes Gore e Mike Pence antes dela, Harris cumpriu o seu dever na segunda-feira. A América regressou a uma transferência pacífica de poder. No entanto, a verdade desagradável é que o candidato que tentou anular as eleições anteriores está legitimamente a regressar ao poder. A democracia prevaleceu para elevar um homem que cospe na sua cara.



Leia Mais: The Guardian

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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre

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Alexandra Deitos e Txima Huni Kuin.jpg

Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.

Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.

Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).

Aprendizagem no território

Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.

A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

Mestras e aprendizes tecelãs.jpg

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.

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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre

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2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no SUS (2).jpg

A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.

A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.

Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”

O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.

Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.

Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.

A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”

Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.



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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre

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Nathalia Oliveira, Ufac 2026.10.02.jpeg

A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.

“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.

Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.

A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.



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