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Reforma ministerial não resolverá os pecados capit…

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Reforma ministerial não resolverá os pecados capit...

Daniel Pereira

Depois de muito resistir à ideia, Lula concordou, no fim do ano passado, com a necessidade de fazer uma reforma ministerial para reorganizar o governo. Otimista por natureza, o presidente costumava distribuir elogios ao elenco escalado por ele, mas, diante da insistência de alguns conselheiros, resolveu promover mudanças pontuais na equipe. Quanto tomou essa decisão, a meta era melhorar a taxa de aprovação do governo, que estava estagnada. Agora, o objetivo é outro: estancar o derretimento de imagem e o aumento da rejeição ao petista, que supera a casa dos 60% nos maiores colégios eleitorais do país.

Partindo do controverso diagnóstico de que o problema principal da gestão é a comunicação, Lula mexeu primeiro no cargo responsável pelo setor no Palácio do Planalto, trocando o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) pelo marqueteiro Sidônio Palmeira, que cuidou da vitoriosa campanha presidencial de 2022. A mudança até agora não surtiu efeito positivo nas pesquisas. A fim de melhorar o desempenho governista na área de saúde, que aparece em primeiro ou segundo lugar na lista dos principais problemas citados pelos eleitores, o presidente também anunciou a demissão de Nísia Trindade, que será substituída por Alexandre Padilha, que comandou o Ministério da Saúde no governo Dilma Rousseff.

Na última sexta-feira, Lula escolheu a presidente do PT, deputada Gleisi Hoffmann, para comandar a articulação política, posto que era ocupado por Padilha e cobiçado por integrantes do Centrão. Haverá ainda troca de comando em outras pastas. O presidente quer acelerar a colheita de projetos, mostrar serviço, reconquistar pontos nas pesquisas e recuperar a força de sua eventual candidatura à reeleição. Não será fácil.

Tropeçando nas próprias pernas

Desde o início do terceiro de Lula, até aliados dizem que o governo é desarticulado, disfuncional e sem rumo. A responsabilidade por isso é principalmente do presidente. De início, ele priorizou a reinserção do Brasil no cenário internacional e o sonho de se tornar um líder global, missão na qual fracassou –e fracassou tanto que teve até a posição de líder regional abalada, depois do fiasco nas tratativas com o ditador venezuelano Nicolás Maduro.

Petistas esperavam que, no ano passado, o presidente voltasse a atenção para a agenda interna. Ele até se dedicou mais aos assuntos domésticos, mas, conforme seus aliados, com pouco paciência para tratá-los e, pior, mostrando-se cada vez mais alheio à realidade da população. Outrora festejado como um grande comunicador, Lula se distanciou dos eleitores. Seu discurso não mobiliza como antigamente e está baseado muitas vezes numa cartilha ultrapassada. Essa análise é quase consensual entre antigos conselheiros. Qualquer ajuste nessa questão específica depende não de reforma, mas do próprio mandatário. Ele, que adora a fama de nunca errar, mudará de atitude e discurso?

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Também pode ser debitada na conta de Lula outro problema central: a disputa interna entre os ministros mais poderosos, que atravanca projetos. O maior exemplo está no duelo entre o chefe da Casa Civil, Rui Costa, e o titular da Fazenda, Fernando Haddad. Ainda em 2023, o então presidente da Câmara, Arthur Lira, sugeriu a Lula que demitisse Costa e efetivasse Haddad na Casa Civil.

O deputado sugeriu também que o presidente assumisse logo a candidatura à reeleição, para que os dois ministros parassem de brigar pelo posto de sucessor. O conselho não foi aceito. Como de costume, Lula deixa a briga correr solta, para depois arbitrá-la e reafirmar seu poder. Não é à toa que até agora o governo não tenha um rumo claro nem trabalhe de forma coordenada.



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OPINIÃO

Opinião: A ciranda troca de partidos e a busca por cargos públicos

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Foto de capa [arquivo pessoal]
Os parlamentares que mudam de partido – como macacos puladores de galho – ou se candidatam a outros cargos no Legislativo e no Executivo apenas para preservar privilégios demonstram desrespeito à República e deveriam sentir vergonha de tal conduta. Essa prática evidencia a ausência de compromisso ideológico e a busca incessante por posições de poder, transmitindo à sociedade a imagem de oportunistas movidos por conveniências pessoais. A política deveria ser encarada como missão cívica, exercício de cidadania e serviço transitório à nação. Encerrado o mandato, o retorno às profissões de origem seria saudável para a oxigenação da vida pública.  
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Infelizmente, o sistema político brasileiro está povoado por aqueles que veem na política não um espaço de serviço público, mas um negócio lucrativo. Como já destacou o jornal El País, ser político no Brasil é um grande negócio, dadas as vantagens conferidas e auferidas — e a constante movimentação de troca de partidos confirma essa percepção.  
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A cada eleição, o jogo se repete: alianças improváveis, trocas de legenda na janela partidária e negociações de bastidores que pouco têm a ver com as necessidades reais da população. Em vez de missão cívica, vemos aventureiros transformando a política em palco de interesses pessoais e cabide de empregos. A busca incessante pela reeleição e por cargos demonstra que, para muitos, a política deixou de ser a casa do povo e tornou-se um negócio.  
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Convém lembrar aos que se consideram úteis  e insubstituíveis à política que o cemitério guarda uma legião de ex-políticos esquecidos, cuja ausência jamais fez falta ao país.  
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As próximas eleições são a oportunidade para os eleitores moralizarem o Legislativo, elegendo apenas candidatos novos, sem os vícios da velha política, que tenham conduta ilibada e boa formação cultural. Por outro lado, diga não à reeleição política, aos trocadores de partidos, aos que interromperam o mandato para exercer cargos nos governos, e àqueles que já sofreram condenação na Justiça ou punição no Conselho de Ética do Legislativo. 
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Júlio César Cardoso
Servidor federal aposentado
Balneário Camboriú-SC

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Matheus Leitão

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“Estou muito envergonhado! Isto é uma indignidade inexplicável!” (Ciro Gomes, ex-ministro da Fazenda, usando as redes sociais para reclamar da troca de Carlos Lupi por Wolney Queiroz, seu desafeto no PDT, no comando do Ministério da Previdência Social) 


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