POLÍTICA
Relator da LDO critica fortemente decisão do Congr…
PUBLICADO
1 ano atrásem
Matheus Leitão
Em entrevista ao programa Ponto de Vista, de VEJA, o senador Confúcio Moura (MDB-RO), relator da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), criticou a decisão do Congresso de aprovar a LDO sem vincular o aumento das emendas parlamentares à regra do arcabouço fiscal. Ele classificou a medida como “casuística” e “populista”, lamentando o impacto da decisão.
Por que a LDO foi aprovada sem atrelar as emendas à regra do arcabouço?
Nós procuramos segurar essa parte, atrelando o aumento das emendas às necessidades de cortes sugeridas pelo governo. Levei essa proposta até o plenário, mas lá a pressão é enorme. É como se fosse um enxame de abelhas em cima do presidente da Câmara, Marcos Pereira. Ele ficou atormentado com os pedidos e acabou tomando essa decisão.
A decisão pode agravar a crise entre o Congresso, o governo e o STF?
Sim, acho que foi uma oportunidade perdida de demonstrar apoio ao governo e ao STF, que tem cobrado transparência e rastreabilidade dos gastos públicos. Dinheiro público não pode ser tratado como presente de Papai Noel. Foi um gesto casuístico e populista, e isso me incomodou.
Ajustes fiscais
Confúcio Moura reforçou que a proposta original buscava ajustes fiscais necessários, mas a pressão dos parlamentares impediu a aplicação dessa medida.
A decisão ocorre em um contexto de impasse sobre emendas parlamentares, o que travou outras pautas econômicas importantes, como o ajuste fiscal e a reforma tributária, deixando tudo acumulado para o fim do ano legislativo.
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POLÍTICA
A articulação para mudar quem define o teto de jur…
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10 meses atrásem
5 de maio de 2025Nicholas Shores
O Ministério da Fazenda e os principais bancos do país trabalham em uma articulação para transferir a definição do teto de juros das linhas de consignado para o Conselho Monetário Nacional (CMN).
A ideia é que o poder de decisão sobre o custo desse tipo de crédito fique com um órgão vocacionado para a análise da conjuntura econômica.
Compõem o CMN os titulares dos ministérios da Fazenda e do Planejamento e Orçamento e da presidência do Banco Central – que, atualmente, são Fernando Haddad, Simone Tebet e Gabriel Galípolo.
A oportunidade enxergada pelos defensores da mudança é a MP 1.292 de 2025, do chamado consignado CLT. O Congresso deve instalar a comissão mista que vai analisar a proposta na próxima quarta-feira.
Uma possibilidade seria aprovar uma emenda ao texto para transferir a função ao CMN.
Hoje, o poder de definir o teto de juros das diferentes linhas de empréstimo consignado está espalhado por alguns ministérios.
Cabe ao Conselho Nacional da Previdência Social (CNPS), presidido pelo ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, fixar o juro máximo cobrado no consignado para pensionistas e aposentados do INSS.
A ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck, é quem decide o teto para os empréstimos consignados contraídos por servidores públicos federais.
Na modalidade do consignado para beneficiários do BPC-Loas, a decisão cabe ao ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Wellington Dias.
Já no consignado de adiantamento do saque-aniversário do FGTS, é o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, que tem a palavra final sobre o juro máximo.
Atualmente, o teto de juros no consignado para aposentados do INSS é de 1,85% ao mês. No consignado de servidores públicos federais, o limite está fixado em 1,80% ao mês.
Segundo os defensores da transferência da decisão para o CMN, o teto “achatado” de juros faz com que, a partir de uma modelagem de risco de crédito, os bancos priorizem conceder empréstimos nessas linhas para quem ganha mais e tem menos idade – restringindo o acesso a crédito para uma parcela considerável do público-alvo desses consignados.
Ainda de acordo com essa lógica, com os contratos de juros futuros de dois anos beirando os 15% e a regra do Banco Central que proíbe que qualquer empréstimo consignado tenha rentabilidade negativa, a tendência é que o universo de tomadores elegíveis para os quais os bancos estejam dispostos a emprestar fique cada vez menor.
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