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Renda e demanda atraem motociclistas para carona proibida – 24/01/2025 – Cotidiano
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Tulio Kruse
Motociclistas que oferecem caronas por meio de aplicativos na cidade de São Paulo decidiram enfrentar a proibição municipal, mesmo com o risco de apreensão dos veículos. Eles são atraídos pelos valores mais altos, pela demanda maior por corridas, e pela possibilidade de fazerem viagens curtas e perto de casa.
Ao mesmo tempo, reconhecem o despreparo de parte da categoria para transportar passageiros, e são favoráveis à oferta de cursos de formação para garantir padrões mínimos de segurança.
O serviço está no centro de uma disputa jurídica entre o prefeito Ricardo Nunes (MDB) e as duas principais empresas do setor, Uber e 99. A administração municipal afirma que o número de mortes no trânsito pode aumentar por causa da atividade, enquanto as companhias argumentam que a prefeitura não pode proibi-la, já que a modalidade está prevista em legislação federal.
Ao meio-dia desta quinta (23), o motociclista Eric Leite, 28, estava prestes a bater sua meta diária de faturamento —R$ 150— após pouco mais de quatro horas de trabalho com o aplicativo 99 Moto. Ele calculava que provavelmente conseguiria R$ 10 com as próximas duas corridas, e poderia encerrar a jornada em menos de uma hora.
Preocupação com acidentes de trânsito, ele diz, passou longe das conversas com os passageiros.
“Nenhum passageiro que peguei até agora teve receio [de usar o serviço], pelo contrário. O pessoal fica é agradecido porque espera menos, a viagem é mais rápida e o serviço é mais barato”, afirma.
Leite diz que prefere fazer viagens curtas, para permanecer no bairro onde mora, em Perus, no noroeste paulistano. E que evita circular em estradas e grandes avenidas, ciente da letalidade maior entre motociclistas no trânsito. “O passageiro entrega a vida dele na nossa mão, mas a nossa vida também está em risco, por isso a gente é ultra cuidadoso.”
Desde a semana passada, ele deixou de fazer entregas pelo aplicativo iFood —sua principal fonte de renda até então— para trabalhar apenas com transporte de passageiros. Nas suas contas, cada viagem com passageiro paga 40% a mais do que uma entrega —ele recebe em torno de R$ 7 pelas caronas, e de R$ 5 pelas encomendas. Além de pagar valores mais altos, ele diz, a frequência de solicitações de viagem é maior em relação às entregas de comida.
Numa viagem entre bairros como Freguesia do Ó, Vila Nova Cachoeirinha, Perus, Campo Limpo e Capão Redondo, fica claro que o serviço está disseminado. É possível contar dezenas de motos com passageiros na garupa ao trafegar por algumas das vias mais movimentadas da capital, como as avenidas Inajar de Souza, Carlos Caldeira Filho e as marginais do Tietê e do Pinheiros. A 99 afirma que 200 mil corridas foram feitas com o aplicativo na cidade em uma semana.
Parte da rápida adesão se explica pelas promoções oferecidas pelas empresas. Há corridas gratuitas, o que significa que as companhias estão desembolsando de seu próprio caixa para estimular o uso do serviço.
No aplicativo da Uber, um trajeto de dois quilômetros na região do Capão Redondo, na zona sul, saía por R$18,90 na modalidade UberX, de carro, e grátis com o Uber Moto. A 99 ofereceu promoção similar aos passageiros na semana passada.
Atraído pela remuneração mais vantajosa, o motociclista Johnatan Reis, 29, estava trabalhando no horário de almoço de seu emprego fixo para conseguir renda extra. Ele conta que já conseguiu faturar até R$ 120 em duas horas.
Reis, que já trabalhou como mototaxista em municípios vizinhos a São Paulo, diz que os profissionais deveriam ganhar cursos de formação aderir ao serviço.
“Tem passageiro que se comporta bem na garupa, mas tem passageiro que não”, relata.
Condutores e passageiros de moto são aqueles que mais morrem no trânsito de São Paulo. Ao todo, 483 ocupantes de motos morreram em 2024, um aumento de praticamente 20% em relação ao ano anterior. Essas mortes representam 46,8% de todas as registradas no trânsito da capital paulista no ano passado, que foi de 1.031.
Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, um total de 3.744 motociclistas foram internados no ano passado após envolverem-se em acidentes de trânsito. Em 2023, o número de internações nessa categoria havia sido 9% menor.
A pasta afirma que gasta cerca de R$ 35 milhões por ano na linha de cuidado ao trauma com pacientes vítimas de acidente de moto.
“A prefeitura tinha que liberar. Eu sou a favor de exigir curso de formação —porque já vi muito motoqueiro sem noção por aí—, fiscalização das condições da moto e exame toxicológico”, disse o motociclista Allison da Silva, 35, enquanto uma passageira subia na garupa da sua moto, em frente à estação Capão Redondo. “Paga melhor [do que as entregas]. Está ruim é ficar fugindo da fiscalização.”
Ao menos 249 motocicletas já foram apreendidas por fiscais da prefeitura desde a semana passada, quando a 99 anunciou que passaria a oferecer o serviço. A gestão municipal afirma que, ao determinar a proibição, baseou-se “em dados concretos sobre o aumento de sinistros, mortes e lesões com o uso de motocicletas na cidade”. Diz também que “o crescimento de sinistros e mortes é proporcional ao da frota, que teve um salto de 35% nos últimos dez anos”.
Entre os passageiros, a reportagem ouviu opiniões divergentes. A profissional de televendas Radyja Kaori, 18, havia acabado de saltar de uma moto quando relatou preferir a modalidade por causa da rapidez e do preço baixo. Foi uma corrida de sete minutos a R$ 4.
“Não me sinto insegura, já uso há muito tempo porque morava em Embu, e lá já é liberado”, relatou.
A dona de casa Priscila Silva, 41, disse que nunca subiria numa moto guiada por um estranho. “Acho uma loucura, sou totalmente contra. [O preço] não vale a vida.”
Questionada, a Uber afirmou que lançou uma novidade para parceiros da plataforma junto ao retorno do serviço na capital: a selfie de capacete. O recurso serve para verificar se o motociclista está utilizando o equipamento de segurança obrigatório antes de começar a fazer viagens. “São diversos materiais educativos (incluindo conteúdo em vídeo), produzidos em parceria com especialistas em segurança viária”, diz a empresa.
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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre
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9 de outubro de 2026Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.
Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.
Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).
Aprendizagem no território
Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.
A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.
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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre
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8 de outubro de 2026A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.
A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.
Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”
O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.
Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.
Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.
A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”
Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.
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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre
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2 de outubro de 2026A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.
“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.
Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.
A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.
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