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‘Sem voz, ela não tinha eu’: quem era a verdadeira Maria Callas? | Biopics
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2 anos atrásem
David Smith in Washington
“Madame é a maior estrela de todas.”
As palavras são ditas por Max Von Mayerling, mordomo da estrela decadente Norma Desmond, no filme Sunset Boulevard. Eles poderiam facilmente ser proferidos por Ferruccio Mezzadri, mordomo da diva por 20 anos. Maria Callas que, depois de se aposentar dos palcos da ópera, viveu uma vida bastante reclusa em Paris.
Mezzadri permaneceu seu servidor dedicado e confiável até o fim – e além. Quase meio século após a morte de Callas, ele nunca falou mal dela nem revelou seus segredos. Ele vive uma vida tranquila na Itália, em uma casa repleta de lembranças que é como um santuário para a falecida soprano. Mas agora, aos 93 anos, Mezzadri encontra-se inesperadamente de volta aos holofotes.
Ele compartilhou memórias de Callas com o roteirista britânico Steven Knight para Mariauma cinebiografia da Netflix que explora os últimos dias de Callas em Paris, em setembro de 1977, enquanto ela reflete sobre seu passado e tenta recuperar sua voz. O filme retrata um vínculo singular entre Callas e Mezzadri, que a certa altura é retratado agredindo uma jornalista na tentativa de defendê-la.
Em outra cena, Callas de Angelina Jolie diz: “Quando eu escrever minha autobiografia, vou intitulá-la O Dia em que Ferruccio Salvou Minha Vida”.
Mezzadri, interpretado por Pierfrancesco Favino, pergunta: “E que dia foi esse, senhora?”
Callas responde: “Todos os dias. Todos os dias. É por isso que eu te odeio. Eu caio em um rio e você sempre me pesca.”
Mezzadri diz suavemente: “Sim, senhora”.
Callas então instrui: “Reserve-me uma mesa no café onde os garçons saibam quem eu sou. Estou com vontade de adulação.”
Maria é dirigido por Pablo Larraín e o terceiro de uma trilogia não oficial seguindo seus trabalhos anteriores Jackiesobre Jacqueline Kennedy após o funeral de seu marido John F Kennedy, e Spencer, focado na princesa Diana durante uma visita a uma das propriedades rurais da rainha. Mas enquanto essas mulheres ganharam destaque através do casamento, Callas, a diva definitiva – a palavra significa “deusa” em italiano – muitas vezes parecia estar voando sozinha.
Ela nasceu em Nova York, filha de pais imigrantes gregos, em 1923. Aos 13 anos, mudou-se para Atenas com a mãe e a irmã e matriculou-se no Conservatório de Atenasonde passou por rigoroso treinamento vocal na tradição italiana do “bel canto”. Iniciou sua carreira profissional aos 17 anos, atuando na Ópera Real de Atenas.
No final da década de 1940 e início da década de 1950, a carreira de Callas floresceu na Itália. Sua descoberta veio em 1949 com uma apresentação de La Gioconda na Arena de Verona, onde conheceu seu futuro marido, Giovanni Meneghini. Sua reputação internacional foi solidificada com apresentações no La Scala de Milão, no Covent Garden de Londres e no Ópera Metropolitana em Nova York.
Conhecida por seus fãs como La Divina (a Divina), Callas era famoso por sua agilidade vocal, capacidade de transmitir uma ampla gama de emoções e compromisso com o realismo dramático. Ela foi uma pioneira que quebrou barreiras para as mulheres na ópera, exigindo salários iguais e desafiando o status quo.
Ela também era uma figura ferozmente independente e muitas vezes controversa, conhecida por explosões temperamentais e padrões exigentes. “Sempre serei tão difícil quanto necessário para alcançar o melhor”, ela teria dito.
Mas em meados da década de 1950 ela começou a ter dificuldades vocais que levaram a cancelamentos – no filme, Callas repreende uma fã por ousar questionar que ela fingiu estar doente para perder uma apresentação. As teorias sobre a causa de seu declínio variavam de esforço excessivo a uma drástica perda de peso. Evidências médicas sugerem que ela pode ter sofrido de dermatomiosite, uma doença autoimune que pode afetar a função muscular, incluindo as cordas vocais.
Nas notas de produção fornecidas por NetflixKnight observa: “Maria tinha a relação mais enlouquecedoramente complexa com sua voz, como se sentisse que sua voz era indistinguível de sua alma. Em outras palavras, sem voz, ela não tinha um eu, ou talvez o seu eu se tornasse invisível.
“Ela sempre foi julgada por sua voz e, mais cruelmente, por sua aparência física. Foi uma verdadeira tragédia no sentido literal que quando sua aparência era aceitável para ela mesma, sua voz enfraqueceu. Quando ela se sentia feia, sua voz ficava mais forte. Como alguém lida com isso se sua voz é você?”
O casamento de Callas com Meneghini terminou em 1959 e ela começou um caso com o magnata grego Aristóteles Onassis. Seu relacionamento apaixonado e tempestuoso foi assunto dos tablóides durante anos, terminando em desgosto para Callas quando Onassis casou-se com Jacqueline Kennedy em 1968.
Larraín comenta via Netflix: “Acho que Aristóteles Onassis foi o amor da vida dela e acho que eles tiveram momentos diferentes no relacionamento. Eles eram muito próximos nos anos 70, depois que ele se separou de Jackie, mas acho que também era um relacionamento tóxico.
“Ela poderia simplesmente se desconectar do mundo e deixar tudo sob seu controle. Acho que houve momentos do relacionamento que não foram muito saudáveis. Mas também acho que eles chegaram a uma compreensão pacífica de quem eram como indivíduos e como casal no final de suas vidas.”
Callas nunca encontrou um homem tão fiel como Mezzadri, que cresceu na pobreza e, devido a um defeito cardíaco, não pôde servir no exército. Em vez disso, ele foi obrigado a prestar serviço social e acabou trabalhando para a esposa de um importante compositor. Logo depois, seu caminho se cruzou com o de Callas e ele foi contratado. Ele começou a trabalhar para ela em Milão e depois a seguiu até Paris, onde aprendeu a falar francês.
Mezzadri já foi objeto de um monólogo de palco, Maria Callas, a Pérola Negraescrita por Federica Nardacci e interpretada por Marco Gambino, que se conheceram ele em sua casa em 2018. Gambino, um ator italiano, mantém contato com Mezzadri e diz que ainda é extremamente leal a Callas.
Falando por telefone de sua casa em Londres, Gambino, 67 anos, explica: “Ele tem essa forma de proteção para com ela e então quem tentou alterar seu estado divino é meio espancado, começando pelo Sr. Onassis e terminando com Jacqueline Kennedy. Sempre que você começa a falar sobre essas pessoas, ele diz: ‘Não, não, não, não, elas eram más, elas eram más. Minha senhora era tão sensível e eles a destruíram.’”
Depois de se aposentar da ópera, Callas deu master classes na Juilliard School em Nova York e tentou breves retornos com concertos e papéis no cinema. No entanto, sua voz nunca se recuperou totalmente e ela morou em um apartamento requintado em Paris até seu nascimento. morte por ataque cardíaco em 1977, aos 53 anos. De repente, Mezzadri teve que recomeçar sua vida.
Gambino continua: “As coisas mais interessantes que ele disse foram sobre si mesmo e como passar 20 anos com esta senhora tornou sua vida especial, mas difícil de recomeçar quando ela morreu. Ela morreu basicamente nos braços dele e depois disso, quando você passa 20 anos com alguém assim, para onde você vai, o que você faz?
“Ele tinha 40 anos, metade de sua vida. Ele tentou se tornar mordomo de algum ator, mas simplesmente não conseguiu. Com o dinheiro que ela deixou para ele – não creio que tenha sido tanto assim – ele comprou esse novo terreno no mesmo terreno onde seus pais moravam, numa casinha perto de Placência e é onde ele mora desde então.”
O filme de Larraín é a mais recente adição à lenda de Callas. Suas interpretações dramáticas, versatilidade vocal e marcante presença de palco mudaram a face da ópera. Suas gravações, incluindo interpretações de Norma, La Traviata e Tosca, ainda hoje são reverenciadas.
Gambino reflete: “Com ela tudo começou: agora os cantores de ópera têm que saber atuar e não apenas cantar. É importante e torna a ópera muito mais atraente porque você vai à ópera porque vê algumas atuações além do canto. Ela queria ser atriz além de cantora.
“Para as gerações mais jovens, sempre penso que alguém como Maria Callas poderia ser um meio para conhecer a ópera de uma maneira diferente e mais emocionante, porque ela é como uma estrela do rock. Eu estava assistindo trechos de quando ela voltou ao Metropolitan nos anos 50 e as pessoas ficaram na fila por 24 horas. A idade média dessas pessoas é uns 15, 16 anos porque ela era uma diva, mas não só isso. Ela era uma artista imensa.”
Ele acrescenta: “A voz dela não era a voz bonita de gente que garantiria uma performance incrível. A voz dela era na verdade ainda mais interessante do que isso porque ela poderia falhar. O que gosto em Maria Callas é a imprevisibilidade, as falhas que se alternam em momentos supremos de ser divino. Quando você é assim, esses momentos de soberba não podem ser igualados por nenhum outro desempenho. Você é único.”
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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre
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9 de outubro de 2026Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.
Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.
Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).
Aprendizagem no território
Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.
A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.
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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre
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8 de outubro de 2026A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.
A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.
Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”
O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.
Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.
Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.
A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”
Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.
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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre
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2 de outubro de 2026A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.
“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.
Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.
A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.
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