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ELEIÇÕES 2018

Senador Gladson Cameli custa R$ 115 milhões para apresentar um único projeto de lei em favor do Acre

Editorial do Acre.com.br - Da Amazônia para o Mundo!

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PARTE I – Ausência de 54% em votações, um discurso sobre o Acre em 6 meses, matérias relatadas dando rádio e TV para outros estados dizem muito sobre a fraca atuação parlamentar do senador.

Foto de capa: Gladson Cameli aos berros com a senadora petista Gleisi Hoffman na mesa do Senado, na votação da reforma trabalhista – Foto Orlando Brito.

Assim como ocorreu nos seus dois mandatos de deputado federal, o senador Gladson Cameli (PP-AC), pré-candidato a governador do Acre nas eleições deste ano, cumpre hoje um dos mandatos mais fracos, irrelevantes e até irresponsáveis no Senado da República brasileira.

Custando R$ 33 milhões por ano aos contribuintes, segundo cálculo feito pela ONG Transparência Brasil e divulgado pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), Gladson Cameli chega aos três anos e meio de mandato de senador com uma produção parlamentar pífia e até de envergonhar os 218.756 acreanos que o elegeram em 2014.

A conta da Transparência Brasil significa que, de fevereiro de 2015 a junho deste ano, o senador acreano custou aos cofres públicos nacionais a bagatela de R$ 115 milhões para apresentar apenas um projeto de lei de interesse direto do Acre e uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC), mesmo assim compartilhada com outros 27 senadores.

Além disso, relatou pouco mais de meia dúzia de projetos de interesse do povo acreano, passou mais de quatro meses viajando por conta do Senado pelos países mais caros e famosos do mundo e faltou a mais da metade das votações ocorridas na chamada Câmara Alta do país. Das 525 votações ocorridas no Senado entre 2015 e junho deste ano, Gladson simplesmente faltou a 287 delas, representando um percentual de gazetada da ordem de 54,6%.

Os dados parlamentares constantes desta primeira reportagem sobre o mandato do senador Gladson Cameli podem ser contabilizados na página institucional do senador no site do Senado Federal, que pode ser consultado por qualquer eleitor ou contribuinte no endereço eletrônico da internet .

Gladson Cameli é citado pela revista Época como senador de pouca expressão - Foto Reprodução

Gladson Cameli é citado pela revista Época como senador de pouca expressão – Foto Reprodução

PROPOSTA FOI COPIADA DE DEPUTADO

Segundo os dados divulgados pelo Senado Federal, o único projeto de lei apresentado na casa por Gladson Cameli como de interesse direto do Acre foi o que amplia a abrangência territorial das áreas de livre comércio de Brasiléia e Cruzeiro do Sul, definidas pela lei 8.857, promulgada em 1994.

Um projeto de lei do mesmo teor, no entanto, foi apresentado no mesmo dia (1/3/2016), na Câmara, pelo deputado federal Leo de Brito (PT-AC), que informa que o projeto do senador foi apresentado após ele anunciar publicamente seu projeto antes de apresentá-lo no plenário da Câmara. “Eu anunciei antecipadamente o meu projeto e ele (Gladson Cameli) o copiou”, informa Leo de Brito.

Além do único projeto genuinamente acreano, Cameli apresentou outros 13 projetos de lei de interesse diversos, sendo a maioria de pouca ou quase nenhuma importância para os 218 mil acreanos que votaram nele para o Senado em outubro de 2014.

Até aqui, Gladson apresentou, ainda, uma única Proposta de Emenda Constitucional (PEC), mesmo assim compartilhada com outros 27 senadores de diferentes partidos e estados. A PEC veda aos deputados e senadores a investidura em outro cargo ou mandato público. O projeto, no entanto, está paralisado desde novembro de 2015 na Comissão de Constituição e Justiça do Senado.

Gladson Cameli votou a favor das medidas do governo Temer que trouxeram de volta o caos econômico e social para o país - Foto Divulgação

Gladson Cameli votou a favor das medidas do governo Temer que trouxeram de volta o caos econômico e social para o país – Foto Divulgação

PROJETO DE INSIGNIFICÂNCIA RECORDE

Em todo o seu mandato de senador, Gladson Cameli também conseguiu realizar a façanha de aprovar no Senado um único projeto de lei, enviado depois para a Câmara, que pode ser considerado um dos mais insignificantes já apresentados nos 192 anos do Senado da República.

Tal projeto torna obrigatório “a inclusão de tarja informativa sobre o uso de retoque digital em fotografias de modelos para fins de publicidade”. Um assunto, certamente, pouco ou quase nada interessante aos mais de 800 mil acreanos ou aos mais de 200 milhões de brasileiros que pagam caro os mandatos dos senadores.

Os demais 12 projetos de lei do senador Gladson Cameli, todos tramitando ou ainda parados nas gavetas das comissões permanentes do Senado, tratam dos mais variados temas, a maioria deles também de pouca importância econômica e social para o país, tais como o que permite adotar nome afetivo de crianças em processo de adoção e o que impõe ao locador de imóvel o dever de informar trimestralmente o fiador sobre a situação de adimplência de aluguéis e acessórios de locação.

Em meio a tantos projetos de lei que poderiam ter sido sugeridos para beneficiar a população do Acre e da Amazônia, estado e região do senador, Gladson Cameli se preocupou ainda em apresentar projeto de lei obrigando as empresas aéreas estrangeiras que operam no Brasil a disporem de pelo menos um comissário de bordo que fale a língua portuguesa.

Apresentado em 19 de maio de 2015, apenas três meses depois de sua posse no Senado, Cameli certamente deveria estar defendendo seus planos particulares de se transformar, como acabou se transformando nos últimos 3,5 anos de mandato, num dos maiores viajantes internacionais do Senado à custa do contribuinte brasileiro, assunto que o leitor saberá em detalhes nas próximas edições desta série de reportagens sobre o que o senador Gladson Cameli fez ou deixou de fazer na chamada Câmara alta do país.

No primeiro semestre de 2018, Gladson Cameli fez apenas um discurso sobre o Acre no plenário - Foto Divulgação

No primeiro semestre de 2018, Gladson Cameli fez apenas um discurso sobre o Acre no plenário – Foto Divulgação

PARLAMENTAR DO BAIXO CLERO

O senador Gladson Cameli (PP-AC) completou a sua carreira de senador irrelevante e insignificante, chamado pela grande mídia do país de “parlamentar de baixo clero” do Congresso, ao relatar diversas matérias nos últimos 3,5 anos de seu mandato com parlamentar. Das 126 matérias relatadas por ele, apenas sete foram de interesse direto do Acre, com as demais 119 tratando de interesses de outros estados brasileiros ou de genérico interesse nacional.

Entre os projetos de interesse de outros estados, por exemplo, muitas foram as matérias relatadas por Cameli tratando da permissão para grupos econômicos ou políticos explorarem a concessão pública de serviços de rádio em municípios de estados como Bahia, Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, entre outros.

Em 2017, no terceiro ano de seu mandato de oito anos, o senador Gladson Cameli, por exemplo, relatou gentilmente requerimento de autoria do colega senador Jader Barbalho (MDB-PA) sobre os pleitos do governo do Pará junto ao Ministério da Justiça na área de segurança pública entre os anos de 2013 e 2017.

A segurança pública, aliás, sempre foi uma das áreas mais importantes para o Acre, principalmente agora que grupos das diversas facções criminosas do Centro-Sul do país vieram para o estado disputar, a custas de muitas vidas, inclusive de inocentes, o grande comércio de cocaína e de armas que impera ao longo mais de dois mil quilômetros de fronteiras abertas e desguarnecidas do estado com o Peru e a Bolívia. Países que formam, com a Colômbia, o trio de nações responsáveis por quase toda a produção de cocaína consumida hoje no mundo.

Em vez de priorizar esse assunto no início de seu mandato, ou quando exerceu seus oito anos como deputado federal, o senador Gladson Cameli preferiu fazê-lo agora, às vésperas das eleições em que disputa o governo do estado, assinando o pedido feito pela bancada oposicionista acreana ao presidente impopular Michel Temer para que decretasse intervenção federal no estado. Para transformá-la, certamente, no grande trunfo oportunista que poderia evitar que o PT, favorito nas eleições de governador com o ex-prefeito Marcus Alexandre, venha a conquistar o seu sexto governo seguido no Acre.

Página do senador Gladson Cameli no site oficial do Senado Federal - Foto Reprodução

Página do senador Gladson Cameli no site oficial do Senado Federal – Foto Reprodução

EM 6 MESES, APENAS UM DISCURSO EM FAVOR DO SEU ESTADO NATAL

A irrelevância do mandato do senador Gladson Cameli também pode ser medida pelos poucos discursos que fez no Senado sobre os problemas do Acre e de sua população. Nos seis primeiros meses deste ano, por exemplo, ele fez apenas um rápido discurso mencionando o problema da segurança pública do estado.

Nos 3,5 anos do mandato, Cameli fez o total de 93 discursos, mas apenas 38 relacionados a assuntos do Acre, alguns dos quais apenas para enaltecer datas históricas de municípios, homenagear personalidades e registrar óbitos no Acre e em outros estados. O número pequeno de discursos de teor acreano significa que o senador se pronunciou sobre o estado em média apenas uma vez por mês.

Outro ponto forte que pode medir a fraca atuação parlamentar do senador acreano se deu durante as votações no Senado, que ele tem o dever constitucional de participar. Das 525 votações ocorridas na casa nos últimos três anos e meio, Gladson Cameli não compareceu a 287 delas, correspondendo a 54,6% de faltas, ora por estar presente no plenário e não registrar seus votos, por estar ausente devido às suas inúmeras e milionárias viagens ao redor do mundo, por estar em atividades políticas e culturais fora do Congresso ou ora por simplesmente não ter comparecido às sessões.

As gazetadas de Gladson Cameli nas votações do Senado começaram em 2015, quando faltou a 81 ou 45,2% das 179 votações; prosseguiu em 2016, faltando a 86 ou 60,5% das 142 votações; continuou em 2017, ausentando-se em 76 ou 53,5% das 142 votações; e se encerrou, de fevereiro a junho deste ano, quando bateu seu próprio recorde de gazetadas, faltando a 44 ou 70,9% das 62 votações ocorridas no primeiro semestre.

Entre as votações gazetadas pelo senador acreano, destacam-se as que registram suas ausências na votação em 26/05/2015 da medida provisória que tratava de alteração da legislação do Programa do Seguro-Desemprego; da votação em 08/07/2015 da medida provisória que dispunha sobre a política de valorização do salário mínimo para o período de 2016 a 2019; e da votação em 09/09/2015 da PEC que deu nova redação ao art. 6º da Constituição Federal para introduzir o transporte da população como direito social.

Cameli também não votou em 18/04/2017 na matéria que instituiu a Lei de Migração do país; em 13/12/2017, esteve ausente na votação do projeto que instituiu o Programa Especial de Regularização Tributária das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte optantes pelo Simples Nacional; e em 20/02/2018, na votação do decreto presidencial que instituiu a intervenção federal no Rio de Janeiro.

Enquanto a grande maioria dos senadores vota nas sessões, Gladson Cameli esteve ausente em mais da metade delas nos últimos 3,5 anos - Foto Divulgação

Enquanto a grande maioria dos senadores vota nas sessões, Gladson Cameli esteve ausente em mais da metade delas nos últimos 3,5 anos – Foto Divulgação

VOTOS CONTRA OS TRABALHADORES BRASILEIROS

Levantamento feito pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) mostra que o senador Gladson Cameli faltou a duas das seis votações de interesse direto e imediato dos trabalhadores brasileiros, quais sejam os projetos que estabeleceram novas regras para o benefício da pensão por morte e auxílio doença e a reforma política, que colocou fim ao financiamento de campanha eleitoral por empresas, uma das maiores fontes geradoras de corrupção no país.

Pelo levantamento, o senador acreano votou contra os trabalhadores nas outras quatro propostas essenciais a eles, aprovando a reforma trabalhista, que retirou vários direitos trabalhistas conquistados nas últimas décadas; a permanência do trabalho intermitente previsto na reforma trabalhista; a PEC que congelou por 20 anos os investimentos públicos federais em educação, saúde e em outros setores da vida; e a retirada da obrigatoriedade da exploração do petróleo do pré-sal pela Petrobras para favorecer a petroleiras internacionais, em prejuízo da maior estatal brasileira.

Escrito por Romerito Aquino

(*) Jornalista e Editor do jornal EXPRESSO AMAZÔNIA. Esta matéria também foi publicada no jornal JURUÁ EM TEMPO.

ACRE

DEPUTADO JOSA DA FARMÁCIA TEM MANDATO CASSADO POR COMPRA DE VOTOS

Folha do Acre, via Acrenoticias.com - Da Amazônia para o Mundo!

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O deputado estadual pelo Podemos do Acre, Josa da Farmácia, teve o seu mandato cassado por decisão da Justiça Eleitoral. Josa foi reeleito na última eleição com 6.412 votos.

O Tribunal Regional Eleitoral decidiu cassar o mandato do deputado por 4 votos a 2 dos desenbargadores.

Josa da Farmácia é acusado de comprar de votos na eleição de 2018.

Apesar de votarem pela cassação, o TRE do Acre decidiu que não irá fastar o deputado imediatamente, dando assim, prazo para que Josa se defenda das acusações ainda no cargo de deputado.

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ELEIÇÕES 2018

Trabalho de Moro me ajudou a crescer politicamente, diz Bolsonaro

Editorial do Acre.com.br - Da Amazônia para o Mundo!

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Indicação de juiz é criticada por petistas, que veem politização da Justiça.

Em entrevista a alguns veículos de imprensa, o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) elogiou o trabalho de Sergio Moro como juiz ao falar de sua nomeação como Ministro da Justiça.

“O trabalho dele muito bem feito. Em função do combate à corrupção, da Operação Lava Jato, as questões do mensalão, entre outros, me ajudou a crescer politicamente falando”, disse Bolsonaro.

Moro foi quem assinou a ordem de prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e decisões causaram polêmica como a divulgação da conversa do petista com a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e da delação de Antonio Palocci pouco antes da eleição.

“Se eles estão reclamando, é porque fiz a coisa certa”, disse o presidente eleito.

Segundo ele, o economista Paulo Guedes, que assumirá a Fazenda, foi quem fez a ponte com Moro. Bolsonaro afirmou desconhecer em qual momento a sondagem teria sido feita.

“Mas isso daí não tem nada a ver. Se foi umas semanas, um dia antes da eleição, não tem nada  a ver”, disse.

Segundo seu vice, Hamilton Mourão, o convite ocorreu ainda durante a campanha, o que suscitou críticas, por sugerir que a atuação do magistrado tenha sido pautada pela disputa eleitoral.

“Ah, não sei, não sei. Tenho pouco contato com o Mourão, estou aprofundando o contato agora com ele”, respondeu o presidente eleito.

Bolsonaro afirmou ter concordado em dar autonomia a Moro para nomear e conduzir as atividades da pasta. Ele não detalhou como ocorrerá a ampliação do Ministério da Justiça em seu governo. Confirmou a incorporação da pasta de Segurança Pública.

“Uma parte do Coaf [estará] lá também, porque ele [Moro] tem que ter informações. A CGU não iria para lá dessa forma aqui, carece de estudo. Temos que ver se não estamos incorrendo em nenhuma inconstitucionalidade”, disse. 

“Mas parcelas desses órgãos a gente vai ter dentro da Justica para que possa trabalhar com velocidade que essa questão merece.”

Para o presidente eleito, a violência cresce “via crime organizado” e “o caminho para combater isso é seguir o dinheiro e você tem que ter meios para tal. O Ministério da Justiça daria todos os meios para Sergio Moro perseguir esse objetivo”.

Bolsonaro afirmou que não acertou um prazo de trabalho para o juiz no governo ou para vir a indicá-lo ao Supremo Tribunal Federal. 

“Não ficou combinado, mas o coração meu lá na frente… ele tendo um bom sucessor, isso está aberto para ele”, disse.

“A decisão dele é difícil, vai abrir mão da carreira, tem 22 anos de serviço, para enfrentar um desafio. Chamo ele de soldado, que está indo para a guerra sem medo de morrer. Vai ter muito mais poderes do que estando à frente da Vara da Justiça Federal em Curitiba

Bolsonaro disse que se um membro de seu governo for investigado ou denunciado, “vai pro pau, pô. Não tem essa história, não. Quem for por ventura denunciado, vai responder”.

​O presidente eleito foi questionado sobre a sua relação com a imprensa e o motivo de ter dado a entrevista apenas para emissoras de televisão, sem incluir jornais.

“A imprensa está muito diversificada, eu cheguei aqui graças às mídias sociais. Quem vai fazer a seleção de qual imprensa vai sobreviver ou não é a própria população”, respondeu. “A imprensa que não entrega a verdade vai ficar para trás.”

Segundo ele, a exclusão de veículos se deu por conta de “espaço físico, não mandei restringir ninguém, não”.

Folha SP

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