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Sobrevivendo a 2024 em Gaza | Conflito Israel-Palestina
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2 anos atrásem
Quando eu era criança, sonhava em viajar pelo mundo, explorar novas culturas e aprender coisas novas. Eu ansiava por uma jornada de descoberta. Viver em Gaza era como estar sentado nas bancadas, a observar as conquistas do mundo – o seu desenvolvimento, o seu progresso e as maravilhas tecnológicas – a desenrolar-se de longe, sem poder participar.
Era ao mesmo tempo um santuário e uma jaula – o seu ritmo regular, reconfortante mas repetitivo, as suas ruas demasiado familiares, os seus horizontes demasiado estreitos para as aspirações que carregava dentro de mim. Eu apreciava o seu calor e proximidade, mas a atração da vida além das suas fronteiras era irresistível. Eu estava pronto para partir no momento em que uma oportunidade surgiu em meu caminho.
Este ano embarquei numa viagem, mas não aquela que sonhei. Em vez de uma viagem de exploração despreocupada ao estrangeiro, encontrei-me numa viagem numa guerra genocida e numa luta pela sobrevivência na estreita faixa de terra palestina que chamo de lar. Ao longo do caminho, aprendi muito – sobre mim e meu mundo interior.
A “jornada” começou em janeiro. Enquanto a maioria das pessoas deu as boas-vindas ao ano novo sob um céu repleto de fogos de artifício, canções e alegria, meu céu deu ordens de evacuação. Papéis amassados caíram sobre nós trazendo uma mensagem escrita em árabe: “O campo de Nuseirat é muito perigoso. Vá para o sul para sua segurança.”
Nunca pensei que sair de casa seria tão difícil. Sempre me considerei alguém que não tinha uma ligação forte com o lar ou a pátria. Mas eu estava errado. Partir foi como abandonar uma parte da minha alma.
Minha família e eu fomos para Rafah para ficar com minha tia, que nos recebeu calorosamente. Embora eu sentisse algum conforto ali, em minha mente, tudo em que conseguia pensar era na minha casa. Então dei as boas-vindas a fevereiro, o “mês do amor”, sentindo muita saudade de casa e percebendo o quanto amava a casa onde cresci.
Em meados de Fevereiro, os militares israelitas retiraram-se de Nuseirat e voltámos a correr para casa. Foi um dos melhores momentos da guerra – e de toda a minha vida – encontrar a minha casa ainda intacta. A porta da frente foi quebrada, nossos pertences foram roubados e os destroços do bombardeio na casa do nosso vizinho caíram lá dentro. Mas ainda estava de pé.
Embora a destruição nos rodeasse, os escombros da nossa vizinhança ainda pareciam mais quentes do que qualquer lugar seguro em qualquer outro lugar do mundo. Pela primeira vez na minha vida, eu – neto de refugiados – senti que pertencia a algum lugar. Minha alma, minha identidade – todas elas pertenciam aqui.
A alegria de estar de volta a casa foi logo ofuscada pela realidade da guerra. Março chegou e trouxe o mês sagrado. Para os muçulmanos, o Ramadã é um momento de paz espiritual, oração e união. Mas este ano foi repleto de perdas, separações e privações. Não houve refeições partilhadas ou reuniões familiares, nem mesquitas onde rezar – apenas os seus escombros.
Em vez de tranquilidade, experimentámos bombardeamentos e terror implacáveis. As bombas caíram sem aviso, cada explosão destruindo qualquer sensação de segurança que pudéssemos ter. Estávamos a ser punidos, tratados como “animais humanos” – como dissera o ministro da Defesa – por um crime desconhecido.
Em abril, o Eid al-Fitr veio e se foi, despojado da alegria que define este querido feriado muçulmano. Não houve risadas de crianças para nos acordar de manhã, nem preparativos agitados ou decorações para receber os convidados. A morte foi a única visitante nas casas palestinas em Gaza.
Então maio chegou e com ela uma oportunidade que esperei durante toda a minha vida. A minha família conseguiu juntar dinheiro suficiente para pagar uma empresa egípcia para me ajudar a sair de Gaza. O processo foi repleto de incertezas. Havia rumores de fraudes, subornos e rejeições.
A ideia de escapar do horror implacável ao meu redor era inebriante. Eu queria liberdade, mas isso teve um custo. Eu deixaria toda a minha família para trás e minha casa com a perspectiva incerta de voltar.
Para quem está de fora, isso pode parecer uma escolha simples: siga seus sonhos, aproveite a chance e vá embora! Mas para mim foi tudo menos fácil.
Num final de tarde, eu estava sentado com minha irmã Aya em nosso telhado, sob um céu cheio de aviões espiões, quando percebi o verdadeiro peso da minha decisão. Aya, de apenas 15 anos, estava cheia de energia e esperança, seus olhos castanhos claros brilhando de ambição. “Quero aprender programação como você”, disse ela com entusiasmo. “Quero começar meu próprio negócio como você. Quero melhorar meu inglês como você.”
Como eu poderia deixar ela e minha família no meio da guerra? Eu merecia uma vida melhor enquanto Aya ficava para trás, lutando para comer, dormir, sonhar? Como eu poderia viver em outro lugar, sabendo que minha irmã enfrentava pesadelos sozinha? Como eu poderia abandonar a própria terra que me tornou quem eu sou?
Naquele momento, percebi que a minha alma nunca seria livre se abandonasse Gaza agora, se a rejeitasse como um lugar de escombros e ruínas. Percebi que minha identidade estava ligada a esse lugar, a essa luta.
Quando eu disse à minha família que queria ficar, eles se recusaram a aceitar. Eles insistiram que eu saísse para sobreviver, temendo pela minha segurança. Depois de muitas idas e vindas, eles finalmente respeitaram minha decisão, mas o medo nunca desapareceu completamente.
Poucos dias depois, o exército israelita ocupou a passagem de Rafah, cortando o acesso ao mundo exterior. Não me arrependi da minha decisão.
Enquanto o exército israelita continuava a atacar áreas civis em toda Gaza, deslocando centenas de milhares de pessoas, foi a nossa vez de acolher familiares. Nós os acolhemos não como pessoas deslocadas, mas como nossa família. É nosso dever compartilhar e apoiar uns aos outros em momentos de necessidade. No outono, éramos 30 pessoas em nossa casa.
Durante o verão, começámos a sentir o impacto crescente das restrições não só à ajuda humanitária, mas a todos os bens pagos. Os alimentos básicos desapareceram dos mercados. As organizações humanitárias lutaram para distribuir alimentos.
Tornou-se cada vez mais claro que aqueles que sobrevivessem aos bombardeamentos enfrentariam uma morte diferente e mais lenta através da fome. O racionamento de alimentos tornou-se tão severo que a sobrevivência se transformou numa competição cruel. A vida parecia mais uma selva onde apenas os mais fortes poderiam sobreviver.
No outono, a fome foi agravada pela chuva e pelo vento. Vimos pessoas forçadas a viver em tendas vencidas pela miséria.
Em novembro, ocorreu uma tragédia familiar. Meu primo Ahmad, de oito anos, que era como um irmão mais novo para mim, caiu do terceiro andar do nosso prédio e sofreu uma hemorragia cerebral. A ideia de perdê-lo era avassaladora.
Nós o levamos às pressas para o Hospital dos Mártires de Al-Aqsa, que estava superlotado com os feridos dos ataques aéreos e não tinha o equipamento necessário para realizar exames cerebrais. Tentamos ir a dois hospitais próximos, mas fomos informados de que eles também não podiam fazer nada por ele. Ao anoitecer, conseguimos encontrar um centro médico que pudesse ajudá-lo, mas era longe. Enviá-lo numa ambulância depois de escurecer era um risco enorme – o veículo poderia ser alvo de um drone como tantos tinham sido. Foi uma escolha entre duas mortes.
Decidimos manter a esperança e enviamos Ahmad na ambulância. Mesmo nos dias mais sombrios, milagres acontecem. Ahmad chegou em segurança, passou pela cirurgia necessária e sobreviveu. Ele começou a recuperar, embora ainda necessite de fisioterapia que não pode receber em Gaza.
Enquanto nos preocupávamos e cuidávamos de Ahmad, chegou dezembro. Logo ouvimos notícias inesperadas da Síria: o regime brutal havia entrado em colapso. Eu me senti extremamente feliz.
Em Gaza, há muito tempo que somos solidários com o povo sírio. Conhecemos o sofrimento da guerra e da opressão e ficámos genuinamente felizes por ver o povo sírio finalmente livre. A sua libertação foi a primeira vez que testemunhamos a justiça prevalecer, o que nos deu um sentimento de esperança. Lembrou-nos que um dia também nós poderemos experimentar esse tipo de alívio, numa pátria libertada onde já não tememos pelas nossas vidas.
À medida que o ano se aproximava do fim, acompanhávamos atentamente as notícias sobre as negociações de cessar-fogo, mas 2024 termina agora sem um momento de alívio para nós, palestinianos.
Esta jornada de um ano deixou marcas em mim: mechas brancas nos cabelos pretos, corpo frágil, roupas mal ajustadas, sombras escuras sob os olhos e um olhar cansado que perdeu o brilho. Mas não foi apenas a minha aparência física que mudou. Este ano queimou minha alma como um incêndio.
Mas até as cinzas carregam sementes. Sinto que algo novo surgiu dentro de mim – uma determinação de ficar para trás, de perseverar, de mudar, de resistir a todas as tentativas de apagar as minhas memórias, a minha identidade, o meu povo.
A morte e a destruição foram avassaladoras, mas não conseguiram me derrubar. Na verdade, sinto um desejo profundo de viver – por muitos mais anos – em Gaza, na Palestina. Sinto que temos o dever para com os mártires de resistir, de permanecer nesta terra, de reconstruir e de viver. A responsabilidade de restaurar o nosso país recai sobre os nossos ombros.
Já não sou o homem que era, cheio de sonhos de deixar Gaza e viver uma vida fácil longe. Permanecerei na minha terra natal e continuarei a manter a crença de que a paz, por mais frágil que seja, poderá algum dia regressar a Gaza. Continuarei a sonhar com uma Palestina onde o seu povo possa finalmente ser livre.
As opiniões expressas neste artigo são do próprio autor e não refletem necessariamente a posição editorial da Al Jazeera.
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Ufac e SEE discutem disponibilização de produtos educacionais para professores da rede estadual — Universidade Federal do Acre
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21 horas atrásem
15 de outubro de 2026A Universidade Federal do Acre (Ufac), por meio do Mestrado Profissional em Ensino de Ciências e Matemática (MPECIM), reuniu-se com representantes da Secretaria de Estado de Educação do Acre (SEE) na manhã desta terça-feira, 13, para discutir possibilidades de parceria para disponibilizar produtos educacionais desenvolvidos no programa de pós-graduação aos professores da rede estadual de ensino. O encontro ocorreu na sede da secretaria.
A proposta busca ampliar o acesso dos professores aos materiais produzidos no âmbito do MPECIM, contribuindo para o fortalecimento das práticas pedagógicas e da formação continuada dos docentes.
Participaram da reunião o coordenador do MPECIM, Pierre André Garcia Pires; a secretária adjunta de Ensino, Gleicicleia Gonçalves de Souza; e a assessora técnico-pedagógica da Diretoria de Ensino, Fabiany Soares Mamed.
O encontro permitiu discutir possibilidades de cooperação entre as instituições para viabilizar o acesso dos professores da rede estadual aos produtos educacionais desenvolvidos pela universidade
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Ufac inaugura núcleo de apoio administrativo às coordenações de curso — Universidade Federal do Acre
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2 dias atrásem
14 de outubro de 2026A Universidade Federal do Acre (Ufac) inaugurou, na manhã desta terça-feira, 13, o Núcleo Integrado de Apoio às Coordenações (NIAC), instalado na Pró-Reitoria de Graduação (Prograd). A iniciativa tem como objetivo oferecer suporte administrativo aos cursos de graduação, neste momento com atendimento prioritário a oito coordenações que estão sem servidores técnico-administrativos. A proposta prevê também o desenvolvimento de outras ações de apoio às coordenações no âmbito do núcleo. A solenidade contou com a participação do reitor Josimar Ferreira, da vice-reitora Almecina Balbino, da pró-reitora de Graduação, Danila Torres, e da pró-reitora de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas substituta, Juliana Queirós.
O reitor destacou a importância da iniciativa para o funcionamento dos cursos e reconheceu a colaboração dos servidores envolvidos. “Quero parabenizar toda a equipe da Prograd, reconhecer o voluntariado dos nossos secretários de curso e o apoio das coordenações”, afirmou Josimar. Segundo ele, o serviço dará suporte especialmente às coordenações que estão sem secretários, mas também poderá atender aos demais coordenadores de curso.
A criação do NIAC é uma iniciativa da Prograd e da Pró-Reitoria de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas (Prodgep), que contou também com a participação inicial do Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca). O espaço foi organizado nas instalações da Prograd para facilitar o acompanhamento das atividades e o apoio aos servidores.
Segundo a pró-reitora Danila Torres, a proposta surgiu da necessidade de atender coordenações que enfrentam dificuldades na execução das atividades administrativas. Algumas delas estão há mais de oito meses sem servidores técnicos, deixando os coordenadores responsáveis também pelas rotinas administrativas. “A gente vai tentar apoiar as coordenações naquilo que elas precisam”, explicou.
O núcleo funciona por meio de uma escala de revezamento de servidores técnico-administrativos de outras coordenações. Atualmente, sete profissionais participam voluntariamente da iniciativa, com autorização das chefias imediatas, dedicando dois dias por semana ao atendimento compartilhado, sem deixar suas atividades nas unidades de origem.
A meta é ampliar a equipe para dez servidores, permitindo a presença de dois profissionais no turno da manhã e dois à tarde. “O serviço deles é padrão, é comum, então não tem um técnico para uma coordenação. Todos trabalham em todas essas oito coordenações”, explicou Danila.
Entre as primeiras demandas do NIAC está o lançamento das ofertas de disciplinas do semestre letivo 2026.2 no sistema acadêmico, considerando o início das solicitações de matrícula pelos estudantes nesta quinta-feira, 15. A medida busca assegurar o andamento dos procedimentos acadêmicos nas coordenações que não dispõem de técnicos para executar essas atividades.
Além do atendimento inicial às oito coordenações, a proposta é ampliar gradualmente a atuação do núcleo para oferecer suporte às demais unidades acadêmicas, incluindo o auxílio a novos coordenadores nas rotinas administrativas dos cursos e o desenvolvimento de outras ações de apoio às coordenações.
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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre
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7 dias atrásem
9 de outubro de 2026Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.
Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.
Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).
Aprendizagem no território
Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.
A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.
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