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TECNOLOGIA: WeChat, o aplicativo “faz-tudo” que mudou a vida dos chineses

Editorial do Acre.com.br - Da Amazônia para o Mundo!

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Esqueça as telas de smartphone poluídas por dezenas de aplicativos. Na China, tudo pode ser resolvido por um único app. O WeChat –ou Weixin, como é chamado em seu país de origem– é um verdadeiro canivete suíço digital com quase 1 bilhão de usuários. Com ele, pode-se resolver quase todos os problemas da vida cotidiana em poucos cliques, especialmente na China, onde o aplicativo conta com mais funcionalidades. É possível pedir comida, consultar um médico, reservar pacotes de viagem, paquerar, comprar todo tipo de produto, chamar um táxi, ver postagens de amigos, checar fanpages e ainda pagar do cafezinho ao novo automóvel. Mais: um programa piloto, chamado de WeChat ID e já utilizado na cidade de Guangzhou (antiga Cantão) e em cortes de um distrito de Pequim, permite armazenar os dados de documentos do usuário para que ele possa utilizar o aplicativo como identificação oficial. Tudo isso convenientemente centralizado em um só lugar – e sob o olhar sempre atento das autoridades chinesas.

“Para mim, o mais importante são as trocas de mensagens, nem tanto a função social. Gosto, inclusive, do fato de podermos escolher se nossas postagens ficarão online indefinidamente, por seis meses ou por três dias”, diz a estudante Jiang Xuetong, 21, da Universidade de Comunicações de Pequim.

Ela é mais uma dentre os milhões de usuários do WeChat. Xuetong, no entanto, prefere aplicativos separados para realizar outras tarefas, como pedir comida ou chamar um táxi. Para a estudante, apps exclusivos acabam sendo mais completos.

A gerente de marketing e de branding Marta Cheng, 27 anos, também é desse time. “O WeChat é para bate-papo e para curtir as postagens”, diz referindo-se a uma função que, na versão em português do programa, ganhou o nome de “Momentos”. Cheng diz que não costuma usar o WeChat para pedir comida ou andar de táxi, mas confessa ser adepta de uma outra funcionalidade: as consultas médicas online. “Não pego fila, não há deslocamento. Poupa muito tempo”, diz. O pagamento é feito através do próprio WeChat.

A dona do faz-tudo dos smartphones é a poderosa Tencent, uma gigante chinesa da internet avaliada em 500 bilhões de dólares — montante suficiente para elevar a companhia ao clube de titãs da tecnologia, como Apple, Amazon e Facebook. Fundada em 1998 na cidade de Shenzhen, não muito distante de Hong Kong, a Tencent é um centro de inovação digital. Muito da vitalidade financeira da empresa se deve ao WeChat, mas o aplicativo não surgiu por acaso: a Tencent entendia como ninguém sobre trocas de mensagem na China já no início dos anos 2000 graças ao seu comunicador QQ, semelhante ao quase extinto MSN Messenger e usado principalmente em PCs.

“Uma super vantagem do WeChat em relação a apps que a gente usa no Brasil é a simplicidade de manuseio e a integração entre aplicativos. A melhor ferramenta é a Wallet (Carteira) interna, que faz com que os usuários possam realizar compras ou enviar dinheiro para outros de forma rápida e segura. Eu mesmo morava em uma cidade diferente da minha namorada. Sempre que precisava, comprava meus bilhetes de trem pelo aplicativo e retirava-os na estação. O aluguel de bicicletas também era realizado pelo WeChat. A coisa mais comum, hoje, na China, é ouvir alguém dizer que não anda mais com cartão de crédito e/ou dinheiro de papel. Há bares e restaurantes, inclusive, onde você nem precisa fazer o pedido para o garçom, basta escanear um código QR da mesa e escolher o que quer e pagar pelo seu dispositivo móvel. Em questão de minutos, a comida já está na mesa.”

— Rodrigo Kuo, 26, designer, natural de Aracaju, passou dois anos na China

De acordo com o Centro de Rede de Informação da Internet da China (CNNIC, na sigla em inglês), dos 772 milhões de internautas chineses registrados até o final de 2017, 97,5% estavam conectados pelo celular. Surgido em 2012 com esse público em mente, o WeChat era originalmente usado para bate-papos — uma versão oriental do WhatsApp.

Big Brother chinês

Cinco anos depois, o aplicativo evoluiu, tornando-se onipresente na vida chinesa. Segundo relatório divulgado pela Tencent, no segundo trimestre de 2017, o WeChat possuía 963 milhões de contas ativas (a diferença numérica se deve aos usuários com contas no exterior e às contas de marcas e lojas). Com essa escala, é possível imaginar o volume monumental de dados de usuários coletados pelo aplicativo e o valor disso para as autoridades do país, que adotam uma política de ampla vigilância sobre o que seus habitantes fazem online, e para o marketing direcionado. Do monitoramento de conversas triviais a hábitos de consumo dos usuários, tudo fica registrado e centralizado.

“É uma carteira virtual, pois o pagamento é aceito em qualquer loja, hotel, ou por pessoas. É possível transferir de uma conta de WeChat a outra sem taxas, de uma maneira rápida, simples e segura. Uso o WeChat para pagar tudo, do táxi ao aluguel. Há uma pequena taxa quando se transfere dinheiro da carteira do WeChat para uma conta bancária. E ainda assim é menos que R$ 1.” ​

— André Machado, empresário, natural de Brasília, reside em Pequim desde 2017

O controle obviamente é maior sobre o que se passa dentro das fronteiras chinesas — o WeChat possui diferentes funções disponíveis para quem está dentro ou fora do país. Os filtros que monitoram o que é ou não permitido compartilhar também mudam de acordo com a localização geográfica de quem usa o programa.

A China é extremamente sensível em relação ao conteúdo que permite circular em seu território e possui uma política bastante rigorosa de policiamento digital: assuntos que as autoridades do país consideram prejudiciais a seus interesses são simplesmente interceptados e banidos.

Além de instalar filtros nos servidores e impor regras de conduta a pessoas e a empresas, algumas vezes a censura chinesa é ainda mais explícita: sites, aplicativos e redes sociais são simplesmente tirados do ar no país. O resultado disso é que quem navega online na China encontra uma versão muito particular da Internet, algo que mais lembra uma imensa intranet.

A escala populacional chinesa (são mais de 1,4 bilhão de habitantes, ou 6,5 vezes a população do Brasil) e o aumento da renda local tornam o país extremamente atrativo para quem pode abocanhar uma fatia desse vasto mercado — quem está de fora, não participa da festa. Uma das vítimas recentes do sistema chinês é o próprio WhatsApp. Dependendo do momento, o compartilhamento de fotos ou áudio fica mais difícil. Frequentemente, torna-se simplesmente impossível utilizar o app na China. A explicação: como o programa permite trocas de mensagem –ou telefonemas– de forma criptografada, preservando as informações dos usuários e dificultando a bisbilhotice alheia, ele acabou entrando na lista negra dos censores chineses, da qual há anos fazem parte Google, Facebook, YouTube, Twitter e Instagram.

“Além de combinar vários aplicativos, há uma interface amigável. Substitui completamente o cartão de débito, com a possibilidade de pagamento entre pessoas físicas também. Dá para transferir dinheiro para o seu amigo ou ajudar um estranho na rua que precisa de um trocado para poder tomar um ônibus. Ainda pago contas como luz, água e recarrego o crédito do celular em menos de 30 segundos. Somado a isso, o WeChat serve como fonte de informações. Eu assino contas oficiais e recebo novidades pelo app sobre aulas de tango, sessões de yoga, shows em Pequim e as ofertas de minhas lojas favoritas…”

— Judy Huang, especialista em exames de proficiência, natural de Mogi das Cruzes, reside na China desde 2016

Primordialmente, é uma questão de controle de informações, mas o efeito secundário é criar uma poderosa reserva de mercado que dá forte poder de barganha internacional e corporativa aos chineses.

O segredo do sucesso

O WeChat estourou mesmo ao incorporar um serviço que a rival Alibaba (no Brasil, conhecida por sua subsidiária AliExpress) dominava: o de pagamento digital através de carteiras virtuais, cuja movimentação se dá pela transferência de dinheiro a partir de códigos QR (uma espécie de código de barras) escaneados.

O superapp já se utilizava de códigos QR como atalhos para ligar o mundo offline ao online. Um uso comum dos códigos QR até então era a oferta de mais informações sobre produtos: bastava escanear o código em uma embalagem para ser levado ao website da marca. O WeChat também utilizava essa tecnologia para criar as contas de cada novo usuário (chamadas de IDs) e isso acabou por facilitar a criação de seu próprio serviço de pagamentos e de carteira digital, o WeChatPay. O sucesso foi estrondoso e imediato. Segundo a CNNIC, cerca de 530 milhões de usuários de pagamento online usaram smartphones para suas transações em 2017, com a Tencent ocupando a segunda posição no mercado chinês — atrás apenas do serviço AliPay, da gigante Alibaba.

Os pagamentos digitais na China movimentam hoje cerca de 4 trilhões de dólares ao ano — é cerca de um terço do polpudo produto interno bruto (PIB) nacional. O sucesso dessa modalidade de pagamentos tem explicação: em um país onde grande parte da população não possui conta em banco e no qual há pouca adesão ao cartão de crédito ou de débito, o dinheiro em papel imperava até 2015. A partir daí, a tecnologia via smartphone tornou-se mais eficiente e passou a atrair mais usuários.

“A grande vantagem em relação a concorrentes ocidentais, como o Whatsapp e o Telegram, é que o WeChat congrega três funções num só aplicativo. A primeira é a de comunicação, mandar e receber fotos, mensagens, áudios. Mas você pode realizar chamadas, inclusive de vídeo, o que alguns aplicativos ocidentais não permitem. Uma segunda função é a de rede social, para compartilhar frases e pensamentos com amigos. Aqui, as empresas também se beneficiam, pois há interação com o público. O mesmo acontece com embaixadas ou outros órgãos de governo, que abrem seus perfis, dando um caráter público ao aplicativo. A terceira e última vantagem é que o WeChat permite resolver necessidades diárias em um só aplicativo, a partir da tela do celular. Você faz compras e paga pelo telefone. Faz reserva de hotel, passagens, pede comida, chama táxi. Ao invés de ter vários aplicativos, concentra todas as necessidades diárias em um só lugar.”

— Pedro Henrique Batista Barbosa, 34, doutorando em Políticas Internacionais na Universidade Renmin, reside em Pequim desde 2016

A regulamentação chinesa na área financeira é bastante liberal e permite a empresas atuarem quase como bancos. Isso impulsionou o boom do setor de tecnologia financeira no país. A Tencent fez uma leitura acertada do potencial do mercado e explorou as brechas da legislação chinesa para se tornar o banco dos sem-conta bancária.

Dois usuários do WeChat podem transferir entre si, de uma só vez, até 5 mil yuans (cerca de 2,5 mil reais) em segundos, sem taxa alguma. O dinheiro para a transferência pode vir da própria carteira virtual do aplicativo, previamente abastecida com créditos, ou ainda partir de qualquer conta bancária vinculada ao sistema, além de cartões de crédito e débito registrados. No caso de pagamentos feitos com dinheiro armazenado na carteira virtual, não é necessário nem mesmo estar online para utilizar o serviço.

A incorporação da carteira ao WeChat gerou uma avalanche de parcerias e aquisições, interligando serviços para fisgar o usuário. O aplicativo DiDi, que reúne serviços de táxi e carros particulares e que comprou recentemente a brasileira 99, é um belo exemplo de como a evolução do WeChat influenciou a sorte de outras empresas chinesas. Sua principal competidora era o Uber na China, mas quando a DiDi aliou-se à Tencent e, por consequência, ao sistema WeChatPay, viu seu número de usuários crescer exponencialmente. Bastava um clique no WeChat para confirmar o pagamento da corrida e sair do carro. Não sobrou espaço para a competição. Resultado: a DiDi cresceu tanto que acabou por adquiriu a operação local do Uber.

Tudo o que você queria, antes mesmo que você soubesse

O universo WeChat foi se expandindo de tal maneira que seria quase ingenuidade da Tencent não se aproveitar das informações coletadas para prever as necessidades ou desejos de cada usuário, garantindo a permanência e a utilização do ecossistema do aplicativo através da integração entre serviços e promoções.

Um usuário do WeChat tem pouco estímulo para deixar de usar o aplicativo. Além de centralizar seus contatos e sua vida social online, ele vai recebendo vantagens pelo uso da plataforma, com descontos progressivos por fidelidade e ações de marketing extremamente personalizadas graças às informações coletadas e disponibilizadas pelo WeChat a seus diversos parceiros. As  preferências de uma população cuja classe média só cresce e para a qual privacidade digital é um conceito distante são uma ferramenta comercial valiosa.

“O chat é usado de forma bem intensa no headquarter na China e pelo pessoal no Brasil, substituindo muitas vezes o e-mail. Existem as funcionalidades comuns, como chat, áudio e envio de documentos. É muito comum acordar no Brasil com dezenas e até uma centena de mensagens. Cada vez mais, até pela facilidade, as empresas estão se comunicando via WeChat. Não precisa mais entrar no email, digitar senha. Como é um grupo, isso facilita bastante. Trata-se de uma interação mais instantânea e fluida de informação. Claro que no Brasil o app ainda é pouco usado, então é preciso passar o arquivo, fazer resumos do que foi discutido em áudio. Acredito que em algum momento, as pessoas que estão envolvidas na relação Brasil-China passarão a usar mais o WeChat. Questões formais, como contratos, ainda são feitas por e-mail. Mas em algum momento, creio que o app vai substituir as demais ferramentas. Isso na China já é uma realidade.”

— Daniel Lau, responsável pela China Desk da consultoria KPMG no Brasil.

A vida do usuário é rastreada 24h por dia. Seus hábitos de consumo, valores gastos com diferentes serviços, dados sobre os transportes utilizados, as distâncias percorridas, as calorias ingeridas e hábitos alimentares, tudo sendo digerido pelos papas do big data. A publicidade é constante e certeira: a Tencent faturou 1 bilhão de dólares com anúncios só no segundo trimestre de 2017.

Adeus, YouTubers!

Como no Brasil, os influenciadores digitais acabam se tornando garotos-propaganda para diversas marcas. Na China, saem os YouTubers e entram os perfis populares do WeChat.

Ashley Dudarenok, fundadora da agência digital Chozan e especialista em mídias sociais chinesas, lembra-se de um episódio recente bastante ilustrativo: para o lançamento chinês do Mini, um dos modelos de carro produzido pela BMW, foi feito um acordo de cooperação com a blogueira Becky’s Fantasy (黎贝卡的异想世界, WeChat ID: Miss_Shopping_li), que possui mais de 130 milhões de seguidores só no WeChat.

A ideia era vender cem Minis em edição promocional na cor azul caribe durante o lançamento. A blogueira simplesmente escreveu dois artigos –sobre o carro e sobre a cor–, encorajando seus seguidores a participarem de uma venda exclusiva e relâmpago do veículo com a pintura especial. O resultado? Becky vendeu os cem carros, avaliados em quase 30 milhões de yuans (5 milhões de dólares), em apenas quatro minutos. Os pagamentos estavam todos confirmados e finalizados dentro de 50 minutos.

Entenda: Como funciona o WeChat

Quando o aplicativo é aberto, a primeira tela visível é a de bate-papo, na qual estão reunidas conversas em grupo, conversas individuais, além das mensagens enviadas por canais de marcas e blogueiros assinados pelo usuário ou ativados automaticamente pela utilização de alguns serviços. Por aqui, chegam também as promoções e outra mania chinesa — os cupons de desconto. O layout é bastante semelhante ao do WhatsApp.

Página inicial exibe os últimos diálogos, reunindo grupos, conversas individuais e mensagens de páginas curtidas (WeChat/Reprodução)

Página inicial exibe os últimos diálogos, reunindo grupos, conversas individuais e mensagens de páginas curtidas (WeChat/Reprodução)

A segunda aba, no menu inferior, mostra a lista completa de contatos. A terceira, chamada de “Descobrir”, possui várias seções. A primeira armazena os Momentos, um feed de postagens suas e de seus contatos com textos, fotos e vídeos –um misto de Facebook, Twitter e Instagram–, mas com uma funcionalidade interessante: somente contatos em comum podem ver os comentários e as curtidas nas postagens alheias.

Em Momentos, os usuários compartilham fotos, vídeos, textos, notícias. Curtidas e comentários só são mostrados para contatos em comum​. (We Chat/Reprodução)

 

Nos momentos, os usuários compartilham fotos, vídeos, textos, notícias. Curtidas e comentários só são mostrados para contatos em comum​. (WeChat/Reprodução)

Na sequência, há o leitor de códigos QR. Ao habilitar sua conta, o usuário recebe um ID –uma identidade única– para o qual é gerado um código QR exclusivo. Quando duas pessoas se conhecem, é comum ouvir a pergunta: “Eu te escaneio ou você me escaneia?”. É possível adicionar um novo contato escaneando-se os códigos QR e os chineses acham esse método mais fácil do que digitar o nome de usuário.

Cada usuário tem um ID e um código QR únicos associados a sua conta. (WeChat/Reprodução)

Em seguida, duas funcionalidades são sucesso para quem paquera. Uma é divertida e aleatória: ao agitar o celular, o usuário recebe uma lista de quem está balançando o aparelho no mesmo momento, em qualquer lugar do mundo. Se gostar da foto, pode enviar uma mensagem. A outra é mais comportada e lembra o aplicativo Happn, captando quem está nas imediações. Chama-se “Olhar ao Redor”. 

Ainda dentre as opções da aba “Descobrir”, aparece uma seção de jogos (a Tencent é também uma gigante dos games):

Seção de jogos no WeChat. (WeChat/Reprodução)

Por fim, há a seção de mini-programas, uma plataforma de aplicativos separados por categoria, através dos quais se ofertam produtos e serviços.

Tela genérica das categorias de mini-aplicativos. (WeChat/Reprodução)

 

Tela genérica das categorias de mini-aplicativos. (WeChat/Reprodução)

 

Tela de confirmação de pagamento. (WeChat/Reprodução)

O McDonald’s, por exemplo, tem aí seu canal dedicado dentro da categoria “comida”, o mini-app da lanchonete permite escolher o cardápio, fazer o pagamento e definir se o pedido será retirado em uma loja ou se deve ser entregue na casa do cliente. 

Seção do McDonald’s chinês no WeChat. (WeChat/Reprodução)

A última aba do menu inferior principal contém o perfil do dono da conta, com opções de ajustes e preferências para personalizar o uso do WeChat. Por Janaína Silveira.

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Comissão da OAB/AC inicia campanha contra abandono de animais durante a pandemia

Assessoria, via Acre.com.br - Da Amazônia para o Mundo!

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A Comissão de Defesa e Proteção dos Animais da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Acre (OAB/AC) iniciou na última semana a campanha Não Esqueça o seu Melhor Amigo, que visa conscientizar as pessoas sobre o abandono e os maus-tratos de cães, gatos e outros animais domésticos no período pandêmico. A intenção é distribuir cartazes em pontos estratégicos de Rio Branco.

A presidente da Comissão, Vanessa Facundes, declara que houve um aumento preocupante do número de casos de negligência nos últimos meses. “Pessoas têm abandonado os seus bichos nessa pandemia por falta de recursos financeiros, por ficarem doentes e não se preocuparem com o bem-estar do animal e por medo deles transmitirem a Covid-19”, disse a advogada.

A campanha iniciou na última semana pelo Instagram da Comissão.

Segundo a legislação brasileira, abandonar o animal doméstico é crime ambiental. Na Lei n° 9.605/98 consta que a pena pode variar entre detenção de 3 meses a 1 ano e multa, sendo aumentada de um terço a um sexto caso ocorra a morte do bicho. As instituições ambientais orientam a quem presenciar atos de crueldade e descuido, que denuncie pelos números 68 3227-5095 (Polícia Ambiental), 68 99227-1128 e 68 3228-5765 (Secretaria Municipal do Meio Ambiente).

“As pessoas devem lembrar que os animais não nos abandonam em circunstância alguma e nessa quarentena são nossos principais parceiros, até porque não transmitem o vírus. Cuidem dos seus melhores amigos”, advertiu Vanessa. A iniciativa conta com o apoio da Caixa de Assistência dos Advogados do Acre (CAA/AC), Promotoria do Meio Ambiente do Ministério Público do Acre (MPAC), organizações não governamentais (ONGs) e entidades protetoras dos animais.

Assessoria

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ACRE

MPAC aprofunda investigações sobre desvio de recursos no Depasa

Notícias da Hora, via Acre.com.br - Da Amazônia para o Mundo!

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O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), por intermédio da 1ª Promotoria Especializada de Defesa do Patrimônio Público e Fiscalização das Fundações e Entidades de Interesse Social, converteu em inquérito civil a notícia de fato instaurada para apurar denúncias sobre desvio de recursos públicos no Departamento Estadual de Água e Saneamento (Depasa).

Segundo a promotora de Justiça Myrna Mendoza, o objetivo é aprofundar as investigações, que têm como objeto um contrato firmado entre o Depasa e a empresa Engenharia e Metrologia- Eireli, que tem como sócia Delba Nunes Bucar, esposa do então diretor da autarquia, Sebastião Aguiar Dias Fonseca.

A empresa era beneficiada com pagamento irregular e os desvios de recursos públicos alcançaram o montante de R$ 561 mil.

Os dois são investigados por improbidade administrativa, e com a evolução da investigação, o MPAC apura também a participação de agentes públicos e/ou terceiros.

Ainda de acordo com a promotora, a transação foi feita em detrimento do pagamento a fornecedores de contratos vigentes, especialmente, de produtos químicos utilizados nas Estações de Tratamento de Água. “Com isso, ocorreu não só a interrupção de serviço, mediante desabastecimento de água, como, consequente, transtorno à sociedade acreana”, diz.

A investigação do MPAC tem como base uma auditoria realizada pela Controladoria Geral do Estado do Acre, que revelou uma série de irregularidades, entre as quais, emissão de empenhos posteriores à emissão de notas fiscais, pagamento em desacordo com as cláusulas contratuais e despacho jurídico e inconsistências na autorização de ordens de serviço e fornecimento de material.

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