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‘Tenho sede de você’: a história interna de Badnam Basti, o primeiro filme queer da Índia | Filme
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Ryan Gilbey
Nninguém usou a frase “ter um momento” em 1971. Se o tivessem feito, poderia ter sido aplicada sem contradição aos desenvolvimentos no cinema queer. Foi quatro anos depois do Lei de Ofensas Sexuais de 1967 descriminalizou parcialmente o sexo consentido entre homens com mais de 21 anos na Inglaterra e no País de Gales, e dois anos depois a revolta de Stonewall na cidade de Nova York. O desejo estranho estava em toda parte: em Domingo Domingo Sangrento, Morte em Veneza, Narciso Rosao clássico trans Mulheres em revoltao terror lésbico Filhas das Trevaso marco da pornografia gay Meninos na Areia e o humor engraçado e provocativo de Rosa von Praunheim Não é o homossexual que é perverso, mas a sociedade em que vive. Tanoeiroque conseguia tossir filmes enquanto dormia, fez quatro.
Foi também o ano em que o primeiro filme queer indiano conhecido apareceu brevemente na tela antes de desaparecer, mas de cair na obscuridade por quase meio século. Badnam Basti – traduzido como Neighborhood of Ill Repute – foi baseado em um romance de 1957 de Kamleshwar Prasad Saxena, publicado em inglês como A Street with 57 Lanes e serializado na prestigiada revista literária Hindi. Hans. Trata-se de Sarnam (Nitin Sethi), um ex-bandido que ganha a vida como motorista de caminhão em Uttar Pradesh. Ele ainda segura uma vela por Bansuri (Nandita Thakur), a mulher que ele salvou de um de seus companheiros saqueadores, mas é atraído por um jovem doméstico, Shivraj (Amar Kakkad). Surge um triângulo amoroso provisório.
Não há nada aqui tão enfático quanto o beijo gay filmado em close em Sunday Bloody Sunday, mas Badnam Basti ainda estala. Sarnam é mostrado de pé sobre Shivraj adormecido, com um par de pingentes em forma de globo pendurados sugestivamente em seu pescoço enquanto ele acaricia a cabeça do jovem. Um corte para a manhã seguinte revela Shivraj se vestindo ao lado da cama enquanto Sarnam, debaixo das cobertas, mas nu da cintura para cima, dorme. Mais tarde, Sarnam diz a ele: “Tenho sede de você”.
Badnam Basti, dirigido por Prem Kapoor, chegou aos festivais europeus no início dos anos 1970 como parte de um pacote do novo cinema indiano. Depois disso, permaneceu praticamente invisível até 2019. “Nunca tinha ouvido falar”, diz o cineasta e curador Shai Heredia. “Isso nem foi mencionado na enciclopédia do cinema indiano, que fala muito sobre rasuras e como a história é construída.”
A descoberta de uma impressão em 35 mm foi totalmente acidental. Essa impressão ainda pode estar definhando nos arquivos do Instituto Arsenal de Cinema e Videoarte em Berlim, onde foi exibida em 1971 antes de ser arquivada, se dois curadores norte-americanos, Simran Bhalla e Michael Metzger, não a tivessem encontrado em 2019 enquanto procurando trabalho de outro diretor com o mesmo sobrenome.
Markus Ruff, chefe de projetos de arquivo do Arsenal, recusou o pedido dos curadores dos EUA para enviar a impressão para o exterior. “Esta é uma impressão rara, até mesmo única”, ele me diz, seu comportamento imperturbável permitindo o menor sinal de alarme. “Enviá-lo representaria um perigo.” Em vez disso, foi digitalizado e exibido online durante a pandemia, com grande interesse. Isto, por sua vez, revelou informações sobre a sua história e atraiu o financiamento necessário para uma restauração. A versão completa de 132 minutos de Kapoor pode nunca ser encontrada, mas a versão de 108 minutos, que foi montada usando negativos de som e imagem recentemente descobertos, representa uma melhoria considerável em relação à dos arquivos, que tinha pouco menos de 90 minutos.
Em meio à celebração, Ruff expressa um leve ceticismo sobre as credenciais queer do filme. “A relação entre os dois homens é avançada para a época”, diz ele. “Mas da nossa perspectiva, você pode questionar isso. A homossexualidade é iniciada por Sarman, que é o bandidoo personagem sombrio, então está ligado a ele. Você sente que o menino é algo que encobre aquilo que ele não tem: a mulher. Então é um filme gay ou bissexual?”
Heredia insiste que a abordagem é mais radical do que isso. “Ele apresenta queerness de uma forma matizada, que é como nós Índia sempre convivi e experimentei isso”, diz ela. “O que isso mostra é uma visão normalizada dos HSH – homens que fazem sexo com homens. Todos aqui estão ultrapassando os limites das normas sociais. Eles têm agência.”
Não são apenas os personagens que desafiam as convenções. O público familiarizado com a Nouvelle Vague francesa, com Nicolas Roeg ou com o trabalho experimental da Divisão de Cinema da Índia não se perturbará com a estrutura fragmentada, que oscila no tempo e na memória. Foi isso, assim como a rejeição dos estereótipos cômicos queer comuns no cinema indiano, que foi contra a corrente. Talvez o público não estivesse preparado para a extraordinária textura visual, que incorpora dissoluções dentro de dissoluções, zooms forçados em quadros congelados, bem como sequências de tela dividida durante as quais metade da ação é interrompida enquanto a outra continua em execução.
“Ah, foi caminho à frente de seu tempo”, concorda Heredia. “Acho que essa é a verdadeira razão pela qual foi descartado e negligenciado, e não o assunto. É agitado, certo? É o que digo quando apresento o filme: é estranho, sim, mas no final das contas é louco e incrível!”
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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre
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9 de outubro de 2026Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.
Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.
Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).
Aprendizagem no território
Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.
A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.
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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre
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8 de outubro de 2026A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.
A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.
Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”
O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.
Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.
Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.
A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”
Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.
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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre
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2 de outubro de 2026A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.
“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.
Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.
A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.
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