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Trump 2.0 não será como nada que vimos antes | Eleições dos EUA 2024
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2 anos atrásem
A horrível verdade é que Donald J Trump está de volta.
Depois de vencer sua rival democrata, a vice-presidente Kamala Harris, ele é mais uma vez o presidente eleito dos Estados Unidos. Ele retornará à Casa Branca em janeiro próximo, exatamente quatro anos depois de ter incitado uma insurreição para permanecer lá depois de perder as eleições de 2020. Isto fará dele apenas o segundo homem na história a servir mandatos não consecutivos como presidente dos EUA (o outro foi o democrata do século XIX, Grover Cleveland). Ele também está a caminho de se tornar o primeiro republicano a ganhar o voto popular numa eleição presidencial em 20 anos.
Trump sofreu impeachment, enfrentou vários julgamentos criminais e recebeu condenações criminais, mas, no final, nada disto importou aos seus apoiantes.
Ele teve um dos retornos políticos mais impressionantes da história americana.
Tudo isto significa que o mundo não testemunhará apenas uma repetição do seu primeiro mandato no poder. Há também todos os motivos para acreditar que, uma vez de volta ao cargo, ele construirá uma administração muito mais opressiva, racista e consequente do que aquela que liderou em 2017-2021.
A segunda tomada de posse de Trump, em 20 de Janeiro, irá desencadear um regime semi-autocrático de extrema-direita e um ataque ao que resta da democracia representativa nos EUA a nível federal.
Algumas semanas antes da eleição, Trump forneceu sua versão livre de fatos de um passado americano como sua visão para o futuro da nação.
“Sabe, o nosso país na década de 1890 era… provavelmente o mais rico de sempre, porque era um sistema de tarifas”, disse ele. “E tínhamos um presidente – você conhece McKinley, certo? Ele era realmente um ótimo empresário e arrecadou bilhões de dólares na época.”
Esqueça o facto de que William McKinley só se tornou presidente em 1897. E não importa que o então representante dos EUA, McKinley, tenha ajudado a conduzir os EUA ao Pânico de 1893 – uma das crises financeiras mais graves da história dos EUA – quando a sua lei de tarifas prejudicou o economia no meio de um período de 20 anos de estagnação económica para a maioria dos americanos.
O que é importante aqui é que Trump parece encarar este período da história americana – marcado pela pobreza extrema, pela violência racista desenfreada e pelo sofrimento generalizado a nível interno e externo – como um excelente exemplo da grandeza americana perdida.
O plano de Trump para os EUA centra-se na velha economia laissez-faire, no isolacionismo e na supremacia masculina branca – uma verdadeira tentativa de trazer os EUA de volta à década de 1890.
Na frente da política externa, o Trump 2.0 assistirá a uma exacerbação das políticas existentes que já se revelaram destrutivas e dispendiosas.
O primeiro mandato presidencial de Trump, e o de Joe Biden depois dele, foram marcados por uma recusa insistente de Washington em se envolver em qualquer esforço para defender o direito internacional e defender a ordem baseada em regras que os EUA ajudaram a construir após a Segunda Guerra Mundial. Sob o Trump 2.0, este desligamento proposital, que teve consequências terríveis em todo o mundo, intensificar-se-á em uma nova era de isolacionismo americanoe provavelmente abrirá caminho para novos conflitos e lutas pelo poder.
Trump deu a entender que, como presidente, ele não apoiaria a Ucrânia no seu esforço de guerra contínuo contra a Rússia de Vladimir Putin. “Isso não significa que eu não queira ajudá-lo porque me sinto muito mal por essas pessoas. Mas ele nunca deveria ter deixado aquela guerra começar. A guerra é uma derrota”, disse recentemente Trump em referência a Volodymyr Zelenskyy, o presidente da Ucrânia em tempos de guerra. Há receios generalizados de que a relutância de Trump em apoiar a Ucrânia nesta guerra possa levar a perdas no campo de batalha e na frente diplomática, o que poderá revelar-se devastador não só para a Ucrânia, mas para a segurança e estabilidade de todos os seus vizinhos europeus.
E quando se trata da Palestina, Trump parece ser a favor de dar a Israel ainda mais liberdade para continuar com o seu genocídio do que Biden, que quase nada fez para tentar impedir a carnificina. “Estou feliz que Bibi decidiu fazer o que tinha que fazer”, apesar das tentativas de Biden de contê-lo, Trump disse no mês passado em referência ao primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu massacrando dezenas de milhares de civis palestinos, supostamente para derrotar o Hamas em Gaza.
Esta abordagem não intervencionista irá provavelmente encorajar regimes desonestos em todo o mundo a pôr fim a qualquer pretensão de adesão ao direito internacional e à ordem liberal. Trump 2.0 inaugurará uma nova era de devastação renovada para nações e comunidades que já sofrem com conflitos e instabilidade geopolítica geral.
Na frente económica, Trump diz que irá introduzir tarifas mais elevadas sobre produtos provenientes da China e de outras nações, tudo num esforço, supostamente, para ajudar a economia dos EUA. Excepto nesta era de globalização, tais tarifas terão provavelmente um efeito inibidor nas finanças dos EUA. Pelo menos um estudo sobre o plano tarifário de Trump sugere que, se a política for implementada, o rendimento médio dos americanos cairá entre dois e quatro por cento e o desemprego aumentará, especialmente no sector industrial. Provavelmente também haveria um efeito cascata econômico globalcausando taxas de inflação mais elevadas, volatilidade no mercado de ações e guerras comerciais.
A nível interno, ele implementará com entusiasmo o tão temido Projecto 2025 da Heritage Foundation e utilizá-lo-á como um modelo para garantir que os EUA continuem a ser um porto seguro para o capitalismo desenfreado e corrupto e os homens brancos ricos e as megacorporações que beneficiam de tal corrupção.
Entretanto, os grupos marginalizados que Trump identificou durante a sua campanha como inimigos da América – imigrantes indocumentados, americanos árabes e muçulmanos, pessoas transexuais, entre outros – enfrentarão maior opressão e discriminação. Mais uma vez, a supremacia masculina branca se tornará abertamente a lei do país.
“Vamos tirá-los do nosso país. Proibirei o reassentamento de refugiados em áreas infestadas de terror, como a Faixa de Gaza, selaremos a nossa fronteira e restabeleceremos a proibição de viagens”, disse Trump num evento que marcou o primeiro aniversário do ataque terrorista do Hamas em 7 de outubro contra Israel, referindo-se ao seu infame “proibição muçulmana”.
Em 2017, Trump dirigiu as suas ameaças de deportação e proibição de entrada especificamente a pessoas de países de maioria muçulmana, a quem chamou de “jihadistas”. Mas ao longo da sua campanha de 2024, ele deixou claro, repetidamente, que a sua ambição é deportar e banir todos os migrantes indocumentados, e qualquer outro migrante e refugiado pardo e negro que puder, sejam eles da América Central e do Sul, da América Central e do Sul, do Caraíbas, África ou Médio Oriente.
Sob o Trump 2.0, com os republicanos provavelmente a controlar ambas as câmaras do Congresso dos EUA, as mulheres americanas enfrentarão uma maior repressão reprodutiva. Uma proibição nacional do aborto estará ao nosso alcance, uma proibição que Trump disse que deveria começar em 15 semanas em qualquer gravidez. Limites regulatórios sobre acesso à contracepção também será um cenário provável. As pessoas transgénero, por sua vez, podem esperar legislação que proíba a utilização de dólares federais para cuidados de saúde de afirmação de género, e até mesmo ameace os médicos com acções criminais por fornecerem tais cuidados.
Toda a estrutura do serviço público federal também enfrentará ameaças significativas. No âmbito do Projecto 2025, Trump e o Congresso eliminariam o Departamento de Educação dos EUA (DOE) e a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA). Privatizariam a Administração de Segurança dos Transportes (TSA), o Programa Nacional de Seguro contra Inundações gerido pela Agência Federal de Gestão de Emergências (FEMA), os gigantes federais do crédito à habitação Fannie Mae e Freddie Mac, e todos os empréstimos estudantis subsidiados pelo governo federal.
O próprio Trump disse que iria perseguir pessoalmente os principais funcionários do governo depois de tomar posse em 20 de janeiro. “Ah, é tão fácil. É tão fácil. Eu o demitiria em dois segundos”, Trump disse no mês passado sobre o advogado especial Jack Smith.
Smith tem processado o agora presidente eleito pela insurreição de 6 de janeiro e pelo mau uso de documentos confidenciais desde 2023. Smith não é o único funcionário na mira de Trump. De acordo com a NPRTrump emitiu mais de 100 ameaças aos seus oponentes, incluindo a vice-presidente Kamala Harris e a ex-representante dos EUA Liz Cheney.
Trump poderá agora escapar à sua condenação em Nova Iorque, aos seus vários julgamentos e ações judiciais nos EUA, e às suas dívidas nos EUA e no estrangeiro, possivelmente até perdoando-se a si próprio por todas as suas ações desde 2016.
Não se engane. O próximo segundo mandato de Trump verá esforços a todos os níveis para transformar os EUA numa teocracia capitalista conservadora, evangélica. Os próximos quatro anos serão marcados por perseguição, opressão, retribuição e mortes desnecessárias devido a gravidezes forçadas, deportações em massa, decisões absurdas de saúde pública e guerras evitáveis.
A América está voltando para Trump. Os EUA e o mundo devem estar preparados para a segunda vinda de Trump e para a nova ordem global que ele tentará criar. O mundo deveria preparar-se e resistir.
As opiniões expressas neste artigo são do próprio autor e não refletem necessariamente a posição editorial da Al Jazeera.
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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre
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3 dias atrásem
9 de outubro de 2026Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.
Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.
Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).
Aprendizagem no território
Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.
A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.
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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre
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8 de outubro de 2026A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.
A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.
Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”
O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.
Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.
Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.
A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”
Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.
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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre
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1 semana atrásem
2 de outubro de 2026A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.
“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.
Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.
A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.
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