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Trump nega clima, mas busca Groenlândia e Canal do Panamá – 08/01/2025 – Mundo

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Lisa Friedman

Para imaginar o tipo de futuro que um clima mais quente e seco pode trazer, e os desafios geopolíticos que irá criar, não é preciso procurar mais do que duas partes do mundo que o presidente eleito, Donald Trump, quer que os Estados Unidos controlem: Groenlândia e o Canal do Panamá.

Trump tem reiterado que ambos os lugares são críticos para a segurança nacional dos EUA. Ele pediu para retomar o controle do Canal do Panamá e adquirir a Groenlândia da Dinamarca, ambos territórios soberanos com seus próprios governos.

Esses dois lugares têm algo mais em comum: são significativamente afetados pelas mudanças climáticas, de forma que apresentam desafios iminentes para o transporte marítimo e o comércio global.

Devido ao aquecimento das temperaturas, estima-se que cerca de 28.500 km² (quase 20 vezes a área do município de São Paulo) das camadas de gelo e geleiras da Groenlândia derreteram ao longo das últimas três décadas. Isso tem grandes implicações para o mundo inteiro. Se o gelo se desfizer completamente, a Groenlândia poderia fazer o nível do mar subir até 7 metros, de acordo com a agência espacial Nasa.

O recuo do gelo da Groenlândia poderia abrir áreas para perfuração de petróleo e gás e locais para exploração de minerais críticos, um fato que já atraiu interesse internacional e levantou preocupações sobre danos ambientais. Além disso, o tráfego de navios no Ártico aumentou 37% na última década, de acordo com um relatório recente do Conselho Ártico, à medida que o gelo marinho diminuiu. Mais derretimento poderia abrir ainda mais rotas comerciais.

Amanda Lynch, professora da Universidade Brown que estudou as mudanças climáticas no Ártico por quase 30 anos, disse que as novas rotas comerciais criadas pelo derretimento do gelo também poderiam aumentar o risco de desastres ambientais. Navios de alguns países, segundo ela, não são projetados para resistir às condições do Ártico. “Um vazamento de óleo ou outro acidente tóxico nessa rota é inevitável. Poderia já ter acontecido, e nós simplesmente não sabemos.”

Os chineses mostraram interesse significativo em uma nova rota através do Ártico. Em novembro, a China e a Rússia concordaram em trabalhar juntas para desenvolver rotas de navegação na região congelada.

“As rotas de tráfego no Ártico estão mudando por causa das mudanças climáticas”, disse Jose W. Fernandez, subsecretário de Estado para crescimento econômico, energia e meio ambiente. “É algo a que estamos dedicando cada vez mais atenção, e qualquer novo governo terá que lidar com isso no futuro.”

Trump chama as mudanças climáticas de fraude. A equipe de transição do republicano não respondeu a um pedido de comentário. Mas seu ex-conselheiro de segurança nacional Robert C. O’Brien sugeriu que as mudanças climáticas foram um fator no interesse de Trump em adquirir a Groenlândia.

“A Groenlândia é uma rodovia do Ártico até a América do Norte, até os Estados Unidos”, disse ele à Fox News. “À medida que o clima esquenta, o Ártico será um caminho que talvez reduza o uso do Canal do Panamá.”

O que nos leva ao Canal do Panamá. Com mais de 82 km atravessando o meio do Panamá, a via navegável vital usa uma série de eclusas e reservatórios para conectar o Atlântico e o Pacífico. O canal poupa os navios de terem que percorrer aproximadamente 11.200 km adicionais para navegar ao redor do Cabo Horn, na ponta sul da América do Sul.

Em 2023, uma longa seca causou ampla interrupção no canal. Os níveis de água no lago Gatún, a principal reserva hidrológica do canal, caíram para níveis historicamente baixos, e as autoridades reduziram o tráfego de navios para conservar a água doce do lago. As filas resultantes de embarcações esperando semanas para cruzar o canal ameaçaram desencadear um efeito dominó nas cadeias de suprimentos.

Os cientistas descobriram que a causa imediata era o El Niño, um fenômeno natural que pode durar vários anos. Mas, descobriram, as mudanças climáticas também podem estar prolongando períodos secos e elevando as temperaturas na região. A autoridade do canal propôs um projeto de US$ 1,6 bilhão (R$ 9,7 bilhões) para represar o rio Indio e garantir água doce.

As mudanças climáticas estão afetando o canal de várias maneiras, disse Kevin Trenberth, ex-chefe de análise climática no Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica. Seu sistema de eclusas também está enfrentando ameaças crescentes devido ao aumento dos níveis do mar.

Chris Field, diretor do Instituto Woods para o Meio Ambiente da Universidade Stanford, disse que o interesse de Trump tanto no Canal do Panamá quanto na Groenlândia é “uma espécie de reconhecimento indireto” de que as mudanças climáticas são reais.

“É interessante que a narrativa de Trump seja a de que, se controlarmos esses lugares, seria de alguma forma melhor. Mas o desafio é que o componente das mudanças climáticas não desaparece.”

As aspirações de Trump enfrentam alguns grandes obstáculos. O presidente panamenho, José Raúl Mulino, descartou discutir o controle do canal com ele. E o primeiro-ministro da Groenlândia, Mute Egede, disse que o controle da ilha, que é um território autônomo da Dinamarca, “não está à venda e nunca estará à venda”.



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Curso de Medicina Veterinária da Ufac promove 4ª edição do Universo VET — Universidade Federal do Acre

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Curso de Medicina Veterinária da Ufac promove 4ª edição do Universo VET — Universidade Federal do Acre

As escolas da rede municipal realizam visitas guiadas aos espaços temáticos montados especialmente para o evento. A programação inclui dois planetários, salas ambientadas, mostras de esqueletos de animais, estudos de células, exposição de animais de fazenda, jogos educativos e outras atividades voltadas à popularização da ciência.

A pró-reitora de Inovação e Tecnologia, Almecina Balbino, acompanhou o evento. “O Universo VET evidencia três pilares fundamentais: pesquisa, que é a base do que fazemos; extensão, que leva o conhecimento para além dos muros da Ufac; e inovação, essencial para o avanço das áreas científicas”, afirmou. “Tecnologias como robótica e inteligência artificial mostram como a inovação transforma nossa capacidade de pesquisa e ensino.”

A coordenadora do Universo VET, professora Tamyres Izarelly, destacou o caráter formativo e extensionista da iniciativa. “Estamos na quarta edição e conseguimos atender à comunidade interna e externa, que está bastante engajada no projeto”, afirmou. “Todo o curso de Medicina Veterinária participa, além de colaboradores da Química, Engenharia Elétrica e outras áreas que abraçaram o projeto para complementá-lo.”

Ela também reforçou o compromisso da universidade com a democratização do conhecimento. “Nosso objetivo é proporcionar um dia diferente, com aprendizado, diversão, jogos e experiências que muitos estudantes não têm a oportunidade de vivenciar em sala de aula”, disse. “A extensão é um dos pilares da universidade, e é ela que move nossas ações aqui.”

A programação do Universo VET segue ao longo do dia, com atividades interativas para estudantes e visitantes.

(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)



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Doutorandos da Ufac elaboram plano de prevenção a incêndios no PZ — Universidade Federal do Acre

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Doutorandos da Ufac elaboram plano de prevenção a incêndios no PZ — Universidade Federal do Acre

Doutorandos do Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade e Biotecnologia da Amazônia Legal (Rede Bionorte) apresentaram, na última quarta-feira, 19, propostas para o primeiro Plano de Prevenção e Ações de Combate a Incêndios voltado ao campus sede e ao Parque Zoobotânico da Universidade Federal do Acre (Ufac). A atividade foi realizada na sala ambiente do PZ, como resultado da disciplina “Fundamentos de Geoinformação e Representação Gráfica para a Análise Ambiental”, ministrada pelo professor Rodrigo Serrano.

A ação marca a primeira iniciativa formalizada voltada à proteção do maior fragmento urbano de floresta em Rio Branco. As propostas foram desenvolvidas com o apoio de servidores do PZ e utilizaram ferramentas como o QGIS, mapas mentais e dados de campo.

Entre os produtos apresentados estão o Mapa de Risco de Fogo, com análise de vegetação, áreas urbanas e tráfego humano, e o Mapa de Rotas e Pontos de Água, com trilhas de evacuação e açudes úteis no combate ao fogo.

Os estudos sugerem a criação de um Plano Permanente com ações como: Parcerias com o Corpo de Bombeiros; Definição de rotas de fuga e acessos de emergência; Manutenção de aceiros e sinalização; Instalação de hidrantes ou reservatórios móveis; Monitoramento por drones; Formação de brigada voluntária e contratação de brigadistas em período de estiagem.

O Parque Zoobotânico abriga 345 espécies florestais e 402 de fauna silvestre. As medidas visam garantir a segurança da área, que integra o patrimônio ambiental da universidade.

“É importante registrar essa iniciativa acadêmica voltada à proteção do Campus Sede e do PZ”, disse Harley Araújo da Silva, coordenador do Parque Zoobotânico. Ele destacou “a sensibilidade do professor Rodrigo Serrano ao propor o desenvolvimento do trabalho em uma área da própria universidade, permitindo que os doutorandos apliquem conhecimentos técnicos de forma concreta e contribuam diretamente para a gestão e segurança” do espaço.

Participaram da atividade os doutorandos Alessandro, Francisco Bezerra, Moisés, Norma, Daniela Silva Tamwing Aguilar, David Pedroza Guimarães, Luana Alencar de Lima, Richarlly da Costa Silva e Rodrigo da Gama de Santana. A equipe contou com apoio dos servidores Nilson Alves Brilhante, Plínio Carlos Mitoso e Francisco Félix Amaral.

 



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Ufac sedia 10ª edição do Seminário de Integração do PGEDA — Universidade Federal do Acre

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Ufac sedia 10ª edição do Seminário de Integração do PGEDA — Universidade Federal do Acre

A Rede Educanorte é composta por universidades da região amazônica que ofertam doutorado em Educação de forma consorciada. A proposta é formar pesquisadores capazes de compreender e enfrentar os desafios educacionais da Amazônia, fortalecendo a pós-graduação na região.

Coordenadora geral da Rede Educanorte, a professora Fátima Matos, da Universidade Federal do Pará (UFPA), destacou que o seminário tem como objetivo avaliar as atividades realizadas no semestre e planejar os próximos passos. “A cada semestre, realizamos o seminário em um dos polos do programa. Aqui em Rio Branco, estamos conhecendo de perto a dinâmica do polo da Ufac, aproximando a gestão da Rede da reitoria local e permitindo que professores, coordenadores e alunos compartilhem experiências”, explicou. Para ela, cada edição contribui para consolidar o programa. “É uma forma de dizer à sociedade que temos um doutorado potente em Educação. Cada visita fortalece os polos e amplia o impacto do programa em nossas cidades e na região Norte.”

Durante a cerimônia, o professor Mark Clark Assen de Carvalho, coordenador do polo Rio Branco, reforçou o papel da Ufac na Rede. “Em 2022, nos credenciamos com sete docentes e passamos a ser um polo. Hoje somos dez professores, sendo dois do Campus Floresta, e temos 27 doutorandos em andamento e mais 13 aprovados no edital de 2025. Isso representa um avanço importante na qualificação de pesquisadores da região”, afirmou.

Mark Clark explicou ainda que o seminário é um espaço estratégico. “Esse encontro é uma prática da Rede, realizado semestralmente, para avaliação das atividades e planejamento do que será desenvolvido no próximo quadriênio. A nossa expectativa é ampliar o conceito na Avaliação Quadrienal da Capes, pois esse modelo de doutorado em rede é único no país e tem impacto relevante na formação docente da região norte”, pontuou.

Representando a reitora Guida Aquino, o diretor de pós-graduação da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propeg), Lisandro Juno Soares, destacou o compromisso institucional com os programas em rede. “A Ufac tem se esforçado para estruturar tanto seus programas próprios quanto os consorciados. O Educanorte mostra que é possível, mesmo com limitações orçamentárias, fortalecer a pós-graduação, utilizando estratégias como captação de recursos por emendas parlamentares e parcerias com agências de fomento”, disse.

Lisandro também ressaltou os impactos sociais do programa. “Esses doutores e doutoras retornam às suas comunidades, fortalecem redes de ensino e inspiram novas gerações a seguir na pesquisa. É uma formação que também gera impacto social e econômico.”

A coordenadora regional da Rede Educanorte, professora Ney Cristina Monteiro, da Universidade Federal do Pará (UFPA), lembrou o esforço coletivo na criação do programa e reforçou o protagonismo da região norte. “O PGEDA é hoje o maior programa de pós-graduação da UFPA em número de docentes e discentes. Desde 2020, já formamos mais de 100 doutores. É um orgulho fazer parte dessa rede, que nasceu de uma mobilização conjunta das universidades amazônicas e que precisa ser fortalecida com melhores condições de funcionamento”, afirmou.

Participou também da mesa de abertura o vice-reitor da Ufac, Josimar Batista Ferreira.



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