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Trump pode ameaçar refugiados, diz ativista dos EUA – 04/01/2025 – Mundo

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Julia Chaib

O CEO da Liga dos Cidadãos Latino-Americanos Unidos (Lulac, na sigla em inglês), Juan Proaño, diz que Donald Trump pode promover uma das políticas de reforma de imigração mais restritivas dos Estados Unidos. Na campanha, o republicano falou em fazer a maior deportação em massa dos EUA, uma de suas principais bandeiras.

À frente da maior e mais antiga –fundada em 1929– organização de direitos civis da comunidade hispânica, Juan avalia que, se implementado, o discurso do republicano pode levar à perda de status de refugiados e à consequente expulsão deles.

“Estamos falando sobre voltar aos anos 1940, onde você tem campos de internamento japoneses, por exemplo”, diz à Folha, referindo-se ao período pós-ataque de Pearl Harbor, pelo Japão, na 2ª Guerra Mundial, em que os EUA retiraram mais de 120 mil cidadãos de origem nipônica de casa e os levaram a esses campos para servir ao Exército americano.

A votação de latinos em Donald Trump neste ano representou um recorde de votos dessa parcela da população para um candidato republicano desde 1976. O que explica isso?

É preciso separar algumas coisas. Pude analisar alguns dos dados de votação. O que vimos, efetivamente, foi que as mulheres votaram nas mesmas taxas que em comparação a 2016. Foi o voto dos homens latinos que mudou. Analisamos isso tanto em comparação com 2020 quanto com 2016, porque Trump também estava concorrendo contra uma mulher, Hillary Clinton. A maior mudança foi em relação aos homens hispânicos. Vimos indícios disso desde 2016, principalmente no Texas, na fronteira sul. Já havia indicadores de que ele estava se saindo progressivamente melhor com o voto latino. Conversamos com muitos dos pesquisadores e eles estavam confiantes de que Kamala iria ultrapassar 55% no voto latino, e isso não ocorreu. Ela teve talvez 52 ou 53%. Trump não venceu a maioria do voto latino, ainda estava abaixo de 50%, mas venceu com uma maioria esmagadora de homens latinos. Fez isso em todo o país e mudou significativamente o voto latino.

Essa mudança está relacionada ao discurso da direita? Tem alguma ligação com religião?

Há uma grande diversidade da população latina nos Estados Unidos. Você tem que começar a distinguir os que são cidadãos dos EUA ou têm residência daqueles que estão em situação irregular. Você pode viver aqui, trabalhar aqui, ter casa e filhos que são cidadãos nascidos nos EUA, mas se você é indocumentado, você não pode votar, ponto final. Eles não têm voz.

Então [sobre a votação], você está falando com latinos nascidos nos EUA, que estão aqui há gerações. E há definitivamente uma grande divisão entre o pensamento desses dois grupos. Muitos latinos apoiam conter o fluxo de imigração na fronteira. E minha sensação é que muitas pessoas não acreditam necessariamente que Trump vá realmente deportar 10 milhões de pessoas. Da mesma forma que ele disse que ia construir um muro e que o México ia pagar por isso, isso nunca realmente aconteceu. Então, [a vitória] está ligada à retórica que ele estava espalhando durante a campanha. A mensagem sobre a economia certamente atingiu muitas pessoas.

O sr acredita que Trump vá levar as promessas adiante?

Tenho certeza de que ele vai passar [no Congresso] a reforma da imigração. E o que estamos potencialmente olhando seria algumas das políticas de reforma de imigração mais restritivas que já vimos. Dez milhões [de pessoas em situação irregular] é um número realmente grande. Estimativas de grupos de política de imigração calculam que custaria até US$ 900 bilhões deportar um milhão de latinos dos Estados Unidos. Quem vai pagar por isso? Não temos pessoas suficientes para fazer a aplicação da medida, a menos que ele esteja mobilizando o Exército, o que também é ilegal.

Ele está dizendo que vai usar o Exército.

Ele está dizendo muitas coisas. Está falando de ir atrás de cidadãos naturalizados e desnaturalizá-los, por exemplo, e depois deportá-los. Não podemos tomar nenhuma atitude agora. Temos que ver o que ele vai fazer.

Apesar desse discurso, Barack Obama deportou mais gente no governo dele do que no primeiro de Trump. Como eles se diferenciam?

Obama deportou cerca de 3,6 milhões de pessoas. Mas isso era uma porta giratória. As pessoas entravam e saíam na fronteira. Não é como se ele tivesse montado campos de detenção, campos de internamento, e ido procurar as pessoas para deportar. O que Trump está falando é muito diferente. Estão falando em envio de pessoas para igrejas e escolas, em entrar em cidades-santuário, por exemplo, e fazer uma aplicação em massa lá. Então você está falando sobre voltar aos anos 1940, onde você tem campos de internamento japoneses. As pessoas não estão necessariamente preparadas para esse cenário. Veremos qual será a resposta pública quando esse momento chegar.

O que mais preocupa o sr.?

A definição do que chamam de ilegal. Se você é um beneficiário do Daca [sigla em inglês para a permissão temporária de trabalho a imigrantes que chegaram aos EUA com menos de 16 anos], está legalizado. Se você tem TPS [sigla em inglês para Status de Proteção Temporário, que oferece residência a pessoas oriundas de países afetados por guerra ou desastre natural ou que sofram riscos em sua nação de origem], ou seja, se é um asilado, se é um refugiado, você está legalizado, mas eles [aliados de Trump] se referem a todas essas pessoas como ilegais. Todos os haitianos que vieram como refugiados podem ter seu status removido. É disso que Stephen Miller [nomeado por Trump para ser assessor na Casa Branca] está falando.


RAIO-X | Juan Proaño, 51

Nascido em Miami, desde 2023 é CEO da Liga dos Cidadãos Latino-Americanos Unidos (Lulac, na sigla em inglês). É cofundador da Plus Three, uma empresa de tecnologia que atende a organizações sem fins lucrativos. É formado pelo Borough of Manhattan Community College (BMCC).



Leia Mais: Folha

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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre

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Alexandra Deitos e Txima Huni Kuin.jpg

Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.

Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.

Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).

Aprendizagem no território

Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.

A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

Mestras e aprendizes tecelãs.jpg

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.

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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre

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2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no SUS (2).jpg

A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.

A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.

Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”

O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.

Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.

Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.

A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”

Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.



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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre

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Nathalia Oliveira, Ufac 2026.10.02.jpeg

A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.

“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.

Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.

A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.



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