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Um acordo de cessar-fogo está aqui. Para Gaza, o Médio Oriente e o mundo, o futuro permanece desconhecido | Guerra Israel-Gaza
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2 anos atrásem
Patrick Wintour, diplomatic editor
Pode não haver vencedores na guerra, mas a história sugere que os combatentes estão muitas vezes ansiosos por convencer o mundo do contrário.
O fim dos 15 meses conflito em Gaza pode ser uma exceção. O sacrifício foi tão grande, a miséria tão completa e o futuro final para Gaza tão incerto que poucos podem afirmar com certeza que tudo isto valeu a pena ou que provavelmente beneficiará a segurança de Israel a longo prazo. Os danos à reputação de Israel podem durar décadas.
Nas suas entrevistas e discursos finais, enquanto se preparavam para deixar o cargo, foi notório que as principais figuras da política externa no Administração Biden muitas vezes olharam para além de Gaza, enquanto os diplomatas ocidentais se voltavam para o que poderiam ser as consequências importantes da guerra para o Médio Oriente alargado.
Até Jake Sullivan, Joe Biden conselheiro de segurança nacional cessante, ficou incerto. “Qual é o resultado de tudo isso? Acho que é muito cedo para prever. Mesmo quando coisas boas acontecem, há coisas ruins ao virar da esquina. Isso é verdade em toda a política externa. Isto é especialmente verdade no Médio Oriente”, disse ele.
De forma similar, Antony Blinkeno secretário de Estado dos EUA, argumentou que muitas vezes, no Médio Oriente, a mudança não é o que parece. Ele viu, na melhor das hipóteses, “uma janela histórica de oportunidade”. Em todos os países sugados pela guerra Israel-Gaza – Líbano, Síria, Iémen, Irão, Iraque – e no próprio Israel, o equilíbrio de forças foi alterado pela guerra, mas não irreversivelmente transformado.
Isto é verdade no caso da própria Gaza, onde mesmo que uma cessar-fogo total é mantidoo futuro permanece deliberadamente nublado. Blinken criticou implicitamente isso em seu Discurso do Conselho Atlântico esta semana, quando disse que reconhecia a necessidade da guerra de Israel, mas não podia apoiar o que poderia ser o seu plano para a paz.
Já em maio de 2024, a administração Biden julgou que Israel tinha assegurado o seu principal objectivo em Gaza de “garantir que o Hamas seja incapaz de cometer outra atrocidade em 7 de Outubro”, disse ele – desafiando a necessidade dos oito meses subsequentes de mais conflito.
Ele sublinhou a futilidade de continuar a guerra ao admitir que “o Hamas conseguiu recrutar quase tantos novos militantes quanto perdeu, uma receita para uma insurgência duradoura e uma guerra perpétua”.
A segurança para Israel, argumentou ele, tinha de incluir um horizonte político credível para os palestinianos, caso contrário o Hamas “ou algo igualmente abominável” “voltará a crescer”. Ele disse que o país “deve abandonar o mito de que pode levar a cabo uma anexação de facto, sem custos e consequências para a democracia de Israel, para a sua posição, para a sua segurança”. No entanto, queixou-se, “o governo de Israel minou sistematicamente a capacidade e a legitimidade da única alternativa viável ao Hamas: a Autoridade Palestiniana”.
Se Israel quisesse o prémio de maior segurança, disse ele, isso passaria por forjar uma maior integração em toda a região, especificamente através da normalização com a Arábia Saudita. Ele disse que estava pronto para ir, mas apenas se os palestinos pudessem viver num Estado próprio, e não como “um não-povo”.
O retorno de Trump à Casa Branca pode ter ajudado pressão Benjamin Netanyahu para um cessar-fogo, mas não para uma paz específica. É improvável que o novo presidente dos EUA aceite o plano de Blinken para uma Autoridade Palestiniana (AP) reformada e monitorizada pela ONU para supervisionar a governação de uma Faixa de Gaza e Cisjordânia unificadas. Israel, por seu lado, correrá o risco de criar um vazio maior se agir de acordo com o seu compromisso de não cooperar com a Unrwa, a agência da ONU para os Palestinianos, e outras ONG.
Também não há qualquer certeza de que a Palestina terá a qualidade de liderança necessária para assumir o comando administrativo exclusivo de Gaza. A AP, liderada pelo idoso Mahmoud Abbas, é cada vez mais criticada pelos Cisjordânia e não conseguiu enterrar as suas diferenças com o Hamas nas conversações em Moscovo, Pequim e Cairo.
Só se a perspectiva for alargada para longe de Gaza é que Netanyahu e os militares israelitas podem afirmar, ao decidirem alargar a guerra com ataques intensificados ao Hezbollah e a alvos iranianos, que mudaram o seu curso e carácter. A cadeia de acontecimentos que levou à aniquilação da liderança do Hezbollah em Líbano – e depois à queda de Bashar al-Assad na Síria, e portanto à perda da jóia da coroa do Irão – pode ser vago, mas é claramente discernível.
Na verdade, o enfraquecimento Irã é provavelmente o maior impacto regional da guerra em Gaza. Biden teve razão esta semana ao afirmar que, no geral, o Irão “está mais fraco do que tem sido há décadas”. Ele elaborou: “As defesas aéreas do Irão estão em ruínas. O seu principal representante, o Hezbollah, está gravemente ferido e, enquanto testávamos a vontade do Irão de relançar o acordo nuclear, mantivemos a pressão com sanções. Agora a economia do Irão está numa situação desesperadora.” Uma abordagem de 35 anos para construir uma estratégia de defesa em torno de um exército substituto foi eviscerada numa questão de meses.
A mudança teve um efeito acelerador na elite da política externa de Teerão. Masoud Pezeshkian, o presidente reformista iraniano, e o seu conselheiro estratégico, Javad Zarif, estão a colocar numerosos ramos de oliveira aos pés de Trump.
A última veio na forma de uma entrevista na NBC na qual Pezeshkian, que fala inglês, disse que o Irã está pronto para negociações honestas e honrosas com os EUA.
A natureza fisípara da política interna iraniana torna difícil para o Irão transmitir uma mensagem consistente ao Ocidente, e neste momento não há muitos diplomatas em França, no Reino Unido ou na Alemanha ainda convencidos pela oferta do Irão de negociar um novo acordo nuclear. O Irão tem a reputação de ganhar tempo ao oferecer conversações infrutíferas.
Além disso, a equipa de topo de Trump é profundamente hostil ao Irão. Vozes dentro de Israel podem propor o bombardeamento das instalações nucleares do Irão enquanto as suas defesas aéreas estão em baixa.
Por outro lado, a Arábia Saudita desaprova e argumenta que a soberania nacional não pode ser um princípio que o Ocidente apenas defende nas fronteiras da NATO. Riade, cada vez mais uma potência agregadora na região, também argumenta que Israel estaria enganado se pensasse que refez a região à sua imagem.
A Arábia Saudita condenou Israel por cometer genocídio em Gaza e não normalizará as relações sem um caminho para um Estado palestiniano.
No Líbano, terminaram dois anos de paralisia e uma nova liderança eleita ouvirá o Hezbollah apoiado pelo Irão, mas não ficará em dívida com ele.
Mas o novo primeiro-ministro, Nawaf Salam, é o antigo presidente do tribunal internacional de justiça e acabou de proferir o veredicto jurídico histórico de que a ocupação da Palestina por Israel é ilegal e deve terminar dentro de um ano. Ele será um lembrete permanente de que Israel tem assuntos pendentes perante os tribunais internacionais.
Em Iémenonde uma guerra civil de 10 anos permanece sem solução, o ódio a Israel é a ideologia unificadora do movimento Houthi que controla a capital, Sana’a.
No Iraque, a influência dos grupos iranianos por procuração sobre o governo liderado pelos xiitas permanece. Síria tem um líder com um passado jihadista, mas também entende que o estado do seu país exige que ele coloque o conflito com Israel no final da sua lista de tarefas. A sua primeira prioridade é convencer o Ocidente de que não está a estabelecer um califado furtivamente. No entanto, a dada altura, a Síria irá voltar-se para a questão da ocupação do seu território por Israel.
Se Israel não procurar a reconciliação, a amizade oferecida a Israel pelo Egipto, o Emirados Árabes Unidos e o Bahrein não será incondicional, destacou Blinken.
Israel pode já não enfrentar o outrora poderoso eixo de resistência do Irão, mas dificilmente está rodeado de simpatizantes.
Haverá também consequências profundas para o Ocidente. Sullivan lembrou-se de ter conhecido um eleitor em Ohio e ter conversado com ele sobre a ordem democrática liberal, e o homem virou-se para ele e disse: “Não gosto de nenhuma destas palavras”. Muitos eleitores americanos seguirão a relutância de Trump em envolver os EUA no Médio Oriente.
Entretanto, no Sul global, o conceito de uma ordem democrática liberal pode suscitar gargalhadas vazias. É em parte porque questões profundas sobre o aplicabilidade das regras da guerrae a sua aplicação selectiva, foram levantadas pelo apoio do Ocidente a Israel.
Para os Democratas dos EUA, à medida que os canais de notícias por cabo finalmente entram em Gaza e documentam a destruição, a reflexão só vai piorar sobre a razão pela qual a equipa de Biden tolerou o assassinato e as restrições à ajuda. O trabalho no Reino Unido não estará imune. A unidade do Ministério dos Negócios Estrangeiros encarregada de avaliar se os ataques de Israel violaram ou não o direito humanitário internacional ainda afirma que não dispõe de informações detalhadas em tempo real para adoptar tal ponto de vista.
Poderá haver uma mudança de guarda em Washington que, com o tempo, enfraquecerá Israel. Jack Lew, o embaixador cessante dos EUA fortemente pró-Israel em Israel, disse: “A memória geracional não remonta à fundação do Estado ou à guerra de seis dias, ou à guerra do Yom Kippur, ou mesmo à intifada. Tudo começa com esta guerra, e não se pode ignorar o impacto desta guerra nos futuros decisores políticos. Joe Biden é o último presidente da sua geração cujas memórias, conhecimento e paixão por apoiar Israel remontam à história da fundação.”
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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre
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9 de outubro de 2026Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.
Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.
Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).
Aprendizagem no território
Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.
A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.
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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre
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8 de outubro de 2026A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.
A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.
Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”
O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.
Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.
Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.
A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”
Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.
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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre
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1 semana atrásem
2 de outubro de 2026A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.
“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.
Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.
A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.
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