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Um cessar-fogo pode acabar com o genocídio colonial dos colonos? | Gaza
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2 anos atrásem
O acordo de cessar-fogo entre o Hamas e Israel é, antes de mais, um alívio bem-vindo para os palestinianos em Gaza que sofrem um genocídio dos mais brutais e horríveis. Durante 15 meses, suportaram bombardeamentos diários, assassinatos, ameaças, prisões, fome, doenças e outras dificuldades que são difíceis para a maioria das pessoas sequer imaginarem, muito menos viverem e sobreviverem.
O acordo não entrará em vigor até pelo menos domingo, 19 de janeiro de 2025, não coincidentemente um dia antes da posse de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos. Embora alguns atribuam o sucesso do acordo à capacidade única da administração Trump de pressionar Israel, é fundamental sublinhar que Trump é um mestre do teatro político e, sem dúvida, queria que Israel concordasse com um cessar-fogo pouco antes da sua tomada de posse, para que ele pudesse usar para aumentar seu capital político. Por outras palavras, Trump não pressionou Netanyahu a aceitar o acordo porque deseja genuinamente a paz e a ordem, ou mesmo porque está genuinamente empenhado em todas as três fases do acordo. Em vez disso, ele provavelmente agiu com base em cálculos políticos pessoais para melhorar a sua reputação e impulsionar a agenda da sua administração.
Não sabemos o que foi dito e acordado à porta fechada entre a equipa de Trump e as autoridades israelitas, mas o que podemos ter certeza é que a administração Trump não está interessada no estabelecimento de um Estado palestiniano totalmente soberano ao longo das fronteiras de 1967, e não é contra os planos de Israel de anexar grandes áreas da Cisjordânia. Na verdade, alguns relatórios sugerem que a administração Trump pode ter prometido a Netanyahu o apoio dos EUA à anexação de certas áreas da Cisjordânia em troca da sua aceitação do acordo de cessar-fogo, que Israel pode nem sequer cumprir durante a fase 1. Neste cenário, se isso realmente acontecer, Trump consegue o que quer, que é uma vitória política, e Netanyahu consegue o que quer, que é a continuação da colonização da Palestina.
A principal razão para o pessimismo sobre este acordo é que o acordo não garante as fases 2 e 3, em que as forças israelitas se retirariam totalmente da Faixa, os palestinianos deslocados seriam autorizados a regressar a todas as áreas da Faixa e a reconstrução total da Faixa de Gaza. Strip seria realizada.
É importante sublinhar que ao longo de 15 meses de genocídio, Gaza foi reduzida a escombros. Grandes partes da Strip são inabitáveis. As pessoas não podem simplesmente regressar aos bairros que foram arrasados, aos edifícios que não têm água corrente, um sistema de esgotos funcional ou acesso a electricidade e combustível; não há escolas, universidades, clínicas ou hospitais para usar, empresas para administrar e assim por diante. O sistema económico entrou em colapso e as pessoas estão inteiramente dependentes da ajuda externa para a sobrevivência básica. As doenças estão generalizadas e muitos assassinos silenciosos, como as toxinas das bombas de Israel, estão a circular na atmosfera, no solo e na água de Gaza. Famílias foram totalmente eliminadas, outras foram dilaceradas pelo ataque indiscriminado de Israel, e muitas crianças tornaram-se órfãs. Um grande número de pessoas ficou debilitado e incapaz de sustentar as suas famílias. Não está claro como será possível uma vida “normal” para os palestinianos depois de toda esta destruição.
As questões sobre a governação da Faixa também são ainda obscuras, na melhor das hipóteses, e certamente não há nada no acordo que resolva o problema central ou que conduza a uma solução a longo prazo. A questão da solução a longo prazo é muito crítica. O acordo, na melhor das hipóteses, pode pôr fim a esta operação genocida específica, mas certamente não diz nada sobre o cerne do problema: o genocídio estrutural dos palestinianos por parte de Israel.
O genocídio estrutural dos palestinos, o que os palestinos chamam de Nakba em curso, refere-se não apenas a um ou dois eventos específicos de genocídio, como a Nakba de 1948 ou este ataque genocida a Gaza, mas sim a uma estrutura colonial de genocídio dos colonos que procura eliminar a soberania palestina, acabar com o direito palestiniano de regressar às suas terras, expulsar os palestinianos de mais das suas terras e reivindicar a soberania judaica-israelense exclusiva desde o rio até ao mar. Esta estrutura de genocídio opera através de uma variedade de métodos de eliminação e expulsão.
Uma operação genocida como a que o mundo testemunhou e continua a testemunhar em Gaza, que envolve massacres físicos em massa, deslocamentos em massa e destruição em massa que torna a terra inabitável, é obviamente um desses instrumentos, mas não é o único. Há também deslocamento e expulsão incrementais; prevenção do desenvolvimento económico e criação de dependência económica; apagamento da história e cultura palestina; fragmentação da população palestina; negação de direitos, liberdades e dignidade aos que vivem sob ocupação, fazendo com que se sintam pressionados a sair; obstrução política da soberania palestiniana, e assim por diante.
Assim, a verdadeira questão é: poderá um cessar-fogo, mesmo que passe pelas três fases, pôr fim a este genocídio estrutural? A resposta é claramente não, porque nenhum destes outros instrumentos do genocídio estrutural de Israel é abordado no acordo de cessar-fogo.
Este genocídio estrutural deve ser continuamente nomeado, exposto e combatido. Enquanto o projecto colonial de colonização de Israel permanecer oculto ou subestimado no discurso diplomático e público, o problema central continuará inabalável, e voltaremos a este momento de horror absoluto e sofrimento indescritível, assumindo que conseguiremos um alívio significativo dele através desta acordo de cessar-fogo. Sem uma pressão séria e sustentada sobre o Estado israelita, sem o isolamento económico e político do Estado israelita por parte de estados e instituições de todo o mundo até que o colonialismo dos colonos israelitas seja desmantelado, encontrar-nos-emos enredados numa estrutura perpétua de genocídio, uma panela de pressão que acabará por encontrar libertação numa guerra ainda maior de aniquilação total. Para a comunidade internacional, agora não é o momento de celebrar ou de se felicitar, mas sim o momento de tomar medidas políticas e económicas sérias contra Israel, a fim de pôr termo ao contínuo genocídio do povo palestiniano em todas as suas diferentes formas.
As opiniões expressas neste artigo são do próprio autor e não refletem necessariamente a posição editorial da Al Jazeera.
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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre
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9 de outubro de 2026Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.
Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.
Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).
Aprendizagem no território
Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.
A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.
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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre
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8 de outubro de 2026A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.
A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.
Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”
O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.
Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.
Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.
A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”
Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.
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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre
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1 semana atrásem
2 de outubro de 2026A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.
“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.
Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.
A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.
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