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Veja tendências que devem se destacar em 2025 – 02/01/2025 – Comida

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Flávia G. Pinho

Descobrir tendências não é um exercício de futurologia: depende de olhar atento e muita sola de sapato gasta, pois só quem acumula repertório consegue detectar um movimento quando ainda está nascendo.

Especializada em identificar tendências globais de consumo, a WGSN, presente em 86 países, segue metodologia própria que leva em conta contexto social, tecnológico, político e ambiental .

“Se notamos um movimento aqui, no Brasil, que ainda não apareceu em outros países, o deixamos no ‘estacionamento’, porque pode escalar no futuro. O índice de acerto é 95%”, conta Rafael Araújo, líder de consultoria da WGSN América Latina.

Muitas tendências nascem em grandes centros, como Tóquio, Londres, Nova York e Paris, mas o universo da gastronomia põe outros cenários em evidência. “Países emergentes, como Brasil, Índia e México, têm contribuído com leituras diferentes de ingredientes e pratos”, diz Araújo.

Consultoria especializada no setor de alimentação, a Galunion faz a equipe circular em busca das informações que vende aos clientes. “Este foi um ano de muitas pesquisas, viagens e feiras internacionais para checar o que estará em alta no ano que vem”, afirma Simone Galante, uma das fundadoras.

As formulações a seguir foram compiladas com ajuda de relatórios de empresas especializadas, como a WGSN e a Galunion, e profissionais que passam boa parte do ano frequentando eventos internacionais, bares e restaurantes para calibrar o olhar.

Brasil em alta

Os ingredientes amazônicos prometem ganhar cada vez mais espaço no mundo. “Tenho visto muito açaí e tucupi nos cardápios”, diz Rosa Moraes, presidente do World’s 50 Best Restaurants na América Latina.

O Norte não é a única região a conquistar visibilidade. Marcio Silva, sócio do bar Exímia, na capital paulista, garante que o país todo estará na moda, tendo a caipirinha como principal símbolo —e a cachaça, na carona, será elevada a um novo patamar. “Vamos apresentar ao mundo nossa diversidade de sabores e de madeiras.”

Em restaurantes e bares, o mergulho nas regionalidades do promete pautar o trabalho dos chefs.

“A cozinha dos biomas, com suas sementes, frutas e ervas raras, é o novo artesanal”, aposta Cristiana Beltrão, fundadora do Instituto Bazzar, especializado em pesquisa de ingredientes e territórios.

Para Cleber Sabonaro, gerente de economia e inteligência competitiva da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia), a onda nacionalista também será cada vez mais absorvida por marcas.

Inteligência artificial em várias frentes

A tecnologia vai invadir todos os segmentos. Será usada da elaboração de menus à criação de projetos arquitetônicos, como fez o restaurante Sendo, em Nova York. Em Pasadena, na Califórnia, a lanchonete CalliExpress opera sem funcionários —e hambúrgueres são feitos por robôs autônomos.

Em Nova Alta Paulista (SP), a destilaria da cachaça Middas criou um setor de inteligência artificial e entregou a ele a missão de criar o blend da safra 2024.

Menos é mais para alimentos

Jovens da geração Z vão querer se afastar dos produtos industrializados —receitas caseiras de bebidas gasosas, naturais e coloridas, serão a nova onda.

O teor alcoólico baixo será um atributo cada vez mais importante, especialmente no segmento dos vinhos, onde a oferta de rótulos zero álcool promete continuar crescendo.

Empreendimentos tendem a ficar menores. “Como as pessoas abrem negócios próprios com menos capital, tenho visto surgirem microrrestaurantes em buraquinhos e portinhas”, diz Beltrão.

A tendência é internacional. Restaurantes tamanhos PP são novidade em Los Angeles (EUA), onde uma nova lei, anunciada em maio de 2024, autoriza o funcionamento de estabelecimentos em espaços residenciais.

O menu-degustação continua a dominar o ambiente da alta gastronomia, mas está encolhendo. “Eles são importantes para mostrar a criatividade dos chefs, mas ninguém quer comer mais do que nove pratos, com porções bem pequenas. Mais do que isso, é um sofrimento”, opina Moraes.

Beltrão aposta na revalorização das equipes. “Depois de anos com foco na cozinha e nos chefs, a luz volta ao salão. O serviço será a grande pauta do ano, mas sem o excesso de falatório. Há um cansaço das explicações imensas.”

O namoro entre cozinha e bar, acredita Silva, vai virar casamento. “Os bares estão dando mais atenção à cozinha e vice-versa. Tenho feito collabs com chefs incríveis pelo mundo. Agora, pop-ups de cozinha já têm o bar junto.”

A colaboração entre profissionais e marcas vai dar origem a novos produtos, prevê Galante. Ela cita como exemplos a parceria realizada entre Outback e Ruffles, que fez surgir um novo hambúrguer, e a coxinha suína assinada por Jefferson Rueda, chef d’A Casa do Porco, para festival da rede Ofner.

Sustentabilidade além do discurso

A cozinha de vegetais ganha novos contornos em função dos desafios impostos pelas mudanças climáticas. “Vejo chefs criando menus com ingredientes que prosperam em condições extremas, como algas e cactos. É o momento da resiliência alimentar”, afirma Rosa Moraes.

Interrupções inesperadas no fornecimento de certos alimentos farão surgir novos ingredientes —e consumidores terão de ser convencidos a experimentá-los.

O conceito quilômetro zero tende a se fortalecer. Segundo Cintia Goldenberg, da consultoria Ghesta, será o ano dos “ingredientes hiperlocais”. Também cresce a valorização da sazonalidade dos peixes. “O salmão é o novo tomate seco, virou cafona”, diz Beltrão.

Com a alta do preço da carne, cortes alternativos, como miúdos, mudam de status. E as marcas terão de ir além do discurso da sustentabilidade e mostrar claramente o impacto na comunidade e no ecossistema de produção.

Fontes: Pinterest Predicts 2025; relatório Predictive Insights Trends, da Mintel; marthastewart.com; WGSN Food Forecast 2025



Leia Mais: Folha

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Licenciatura Indígena realiza defesa de TCCs em aldeias no Juruá — Universidade Federal do Acre

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O curso de Licenciatura Indígena, do campus Floresta da Ufac, realizou o 1º Seminário Acadêmico de Apresentação de Trabalhos de Conclusão de Curso (TCCs). O evento possibilitou a defesa de 16 trabalhos nas aldeias Barão, da terra indígena Puyanawa, em Mâncio Lima (AC), e Morada Nova, na terra indígena Katukina/Kaxinawá, em Feijó (AC). As atividades ocorreram entre 25 de setembro e 2 de outubro, envolvendo estudantes, professores, egressos do curso, pós-graduandos e as comunidades locais.

Os TCCs defendidos nas aldeias são de autoria de discentes que ingressaram na Ufac em 2023 e deverão colar grau no início de 2027. Os temas das pesquisas contemplaram variados aspectos da vida indígena, abrangendo história, biografia, mitologia, organização política, território, medicina tradicional, grafismos, gênero, terminologias linguísticas, educação especial, atividade cinegética e rituais tradicionais.

A viabilização das defesas nas aldeias ocorreu pela primeira vez em 18 anos de existência da graduação e está de acordo com a pedagogia da alternância, pela qual parte da carga horária do curso é realizada nas comunidades indígenas dos alunos, por meio de pesquisa e extensão. Os recursos para realização do evento foram provenientes de projeto de extensão com o mesmo nome do seminário.

As bancas de avaliação foram compostas por docentes do curso, egressos de outras turmas da Licenciatura Indígena e egressos indígenas de outros cursos da Ufac, inclusive da pós-graduação. Também compuseram algumas bancas pessoas reconhecidas por suas comunidades com “notório saber”, expediente previsto no regulamento de TCC do curso. Além de familiares dos estudantes e moradores das aldeias, indígenas de outras etnias estiverem presentes no seminário.

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Organização

A atividade no município de Mâncio Lima, que é vizinho ao campus Floresta, em Cruzeiro do Sul (AC), ocorreu num só dia, em 25 de setembro, com a defesa de dois TCCs. Já para o evento em Feijó foi necessário um deslocamento de ônibus, com duração de quase seis horas, em 30 de setembro, até o porto da cidade. E, à noite, uma embarcação levou cerca de 20 pessoas até a aldeia Morada Nova, onde houve uma recepção musical para o grupo. Na manhã do dia seguinte começaram as defesas, que prosseguiram até 2 de outubro.

1º Seminário Acadêmico de Apresentação de TCCs-2026 (4).png



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Herbário da Ufac participa do 76º Congresso Nacional de Botânica — Universidade Federal do Acre

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Ufac no 76º Congresso Nacional de Botânica-2026 (2)x.png

A servidora Júlia Gomes da Silva, curadora do Herbário da Ufac, vinculado ao Parque Zoobotânico (PZ), representou a instituição no 76º Congresso Nacional de Botânica e 15º Encontro de Botânicos do Centro-Oeste, eventos ocorridos de 11 a 16 de outubro, em Campo Grande. Ela participou de mesa-redonda com apresentação das coleções dos herbários da região Norte.

Na ocasião, os curadores discutiram avanços, desafios estruturais e o futuro das coleções científicas do país. Durante sua exposição, Júlia conduziu o público por uma linha do tempo que remonta a 22 de outubro de 1979, data da primeira coleta registrada no campus-sede da Ufac: uma ‘Vismia’ (gênero científico de planta) coletada por L. Coêlho. Em razão desse registro, o herbário da Ufac comemora 47 anos nesta quinta-feira, 22.

Júlia destacou perspectivas importantes para o cenário científico acreano. Entre os projetos de destaque estão investimentos viabilizados via Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), incluindo a projeção de um novo prédio de cerca de 600 metros quadrados e a aquisição de armários compactadores modernos para garantir a preservação do acervo em longo prazo.

Também representaram a Ufac estudantes do campus Floresta, em Cruzeiro do Sul (AC), e a professora Simone Reis. A universidade enviou 11 resumos, dos quais oito foram apresentados. O evento possibilitou a troca de experiência com botânicos do país e conversas sobre parcerias de trabalho, incluindo a realização de expedições para grupos de plantas pouco estudados no Acre.

Herbário

O Herbário da Ufac tem uma equipe técnica composta por Júlia Gomes da Silva, Izailene Saar e colaboradores, como a ex-curadora e atual vice-reitora Almecina Balbino, o técnico Davi Borges e estagiários. O acervo abriga preciosidades da flora amazônica e sul-americana, registrando a superação de gargalos históricos de digitalização e integrando atualmente plataformas globais de dados de biodiversidade, como o SpeciesLink e o Global Biodiversity Information Facility.

Entre os marcos recentes destacados está o avanço na informatização de milhares de registros e a aposta em inovações, como a participação na Rede de Herbários Espectrais da Amazônia, que utiliza a espectroscopia no infravermelho próximo (tecnologia NIR portátil) para otimizar a identificação de espécies diante da escassez de taxonomistas na região.

A informatização completa do acervo ainda está em processo e figura como um dos principais objetivos da equipe, que agradeceu à direção do PZ e à Ufac pelo apoio contínuo aos servidores e à coleção, além de exaltar o esforço coletivo dos bolsistas, voluntários e parceiros que documentam, protegem e estudam a flora e funga brasileira.



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Ufac retoma Semana Acadêmica de Física após 6 anos, com planetário — Universidade Federal do Acre

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Ufac retoma Semana Acadêmica de Física após 6 anos, com planetário — Universidade Federal do Acre

A Universidade Federal do Acre (Ufac) realiza até esta sexta-feira, 23, a 3ª Semana Acadêmica de Física, no prédio do curso, no campus-sede, em Rio Branco. Iniciado nessa segunda-feira, 19, o evento retoma as atividades presenciais da semana acadêmica após seis anos de interrupção, causada pela pandemia de covid-19 e pela reorganização do calendário universitário.

A programação tem atrações abertas ao público, como oficinas de astronomia, observação do Sol com telescópio e um planetário móvel, instalado no segundo andar do prédio de Física. Há ainda palestras, apresentações de pesquisas de estudantes e minicursos práticos de elaboração de material didático, física experimental, criação de mapas, processamento de dados e sismologia.

Organizada em três eixos temáticos, a semana é voltada aos estudantes da licenciatura e do bacharelado em Física e do curso de Física Aplicada às Ciências da Terra. Os primeiros dias tiveram debates e palestras sobre o ensino de física e a formação docente. Em seguida, a programação trata de física pura, como mecânica quântica, relatividade e física de partículas, e termina com geofísica, astronomia e fenômenos naturais.

Segundo o coordenador do evento e professor do curso de Física, Victor Carreira, a retomada presencial reaproxima o curso da comunidade externa e das escolas de educação básica. Turmas do Instituto Federal do Acre visitaram a semana, e escolas da rede pública foram convidadas.

“A semana acadêmica é muito importante tanto para os nossos alunos quanto para a comunidade em geral de Rio Branco”, disse Carreira. “É uma oportunidade para jovens do ensino médio conhecerem a universidade e vivenciarem a ciência na prática.”

A cerimônia de encerramento ocorre nesta sexta-feira, 23, à tarde.

(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)

 



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