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‘Venda de olho’: funcionário aceitava termos por usuários – 26/01/2025 – Tec

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Pedro S. Teixeira

A jornada de cadastro dos dados da íris para receber mais de R$ 600 em um ano começa no aplicativo de celular World App. Durante o registro, a pessoa precisa aceitar um contrato, para consentir que o projeto, patrocinado pelo CEO por trás do ChatGPT, Sam Altman, trate as informações biométricas.

Em dois dos pontos de coleta no bairro de Pinheiros, na capital paulista, a Folha testemunhou funcionários da rede World aceitando as condições de uso no lugar das pessoas que cederam a biometria ocular no processo de criação da identidade digital World ID.

Um possível prejuízo à manifestação livre do titular, condição primordial para que a hipótese legal do consentimento seja utilizada de forma adequada, foi o principal argumento da ANPD (Autoridade Nacional de Proteção de Dados) na medida preventiva aplicada na sexta-feira (24), que suspendeu a oferta de pagamento pelas informações da íris.

A aceitação dos termos de tratamento de dados deve estar “isenta de qualquer mecanismo que possa explorar as fragilidades ou vulnerabilidades do titular”, diz o regulador na decisão.

A empresa responsável pelo projeto, Tools for Humanity (TfH), tem cinco dias úteis para interromper a prática e dez dias corridos para recorrer contra a decisão.

Embora seja a TfH quem responda legalmente pela coleta de dados, quem realiza o registro são empresas terceirizadas, de acordo com documento mencionado no processo de fiscalização aberto pela ANPD em novembro.

Em nota enviada à reportagem, a rede World diz que “todos os operadores de rede de terceirizados, antes de serem autorizados a operar, passam por treinamentos e por um rigoroso processo de conheça o seu cliente (KYC, Know Your Client)”. O KYC é uma prática de compliance para verificar o histórico de alguém em uma relação comercial.

O projeto recruta os operadores usando um formulário em seu site, “preenchível em menos de um minuto”. Depois, entrevista os interessados, que, caso sejam aprovados, recebem um orb, o computador esférico usado para coletar os dados da íris, e passam por “um treinamento extenso”.

A World começou a operar no Brasil em 12 de novembro, com oito estandes de coleta. Pouco mais de dois meses depois, já são 50 pontos operando na capital paulista e há planos para levar a operação para outras cidades do país. Mais de 400 mil brasileiros já registraram a íris, segundo a TfH.

Segundo a empresa, processo de criação do World ID, que visa a atestar que alguém é um humano e não um robô, está em conformidade com todas as leis e regulamentos do Brasil. A TfH afirma que anonimiza todos os dados com um método de criptografia avançada.

“Os novos códigos de íris são fracionados por meio de uma técnica conhecida como Computação Multipartidária Anonimizada (AMPC). Esses fragmentos não revelam informações sobre o indivíduo e são armazenados em bancos de dados operados por terceiros confiáveis, como a Universidade Friedrich Alexander Erlangen-Nürnberg, na Alemanha.”

Uma das preocupações do regulador brasileiro é que exista clareza para a pessoa que cadastre a biometria ocular do que será feito com essa informação. “Múltiplos aspectos podem prejudicar a efetiva compreensão e decisão, pelo titular, sobre o tratamento de seus dados, a exemplo de acentuadas assimetrias informacionais e de padrões tendenciosos em sites da internet”, afirma o documento assinado pelo coordenador de fiscalização da ANPD Jorge André Fontelles de Lima.

Outra preocupação da autarquia é a “irreversibilidade ou difícil reversão” da coleta da biometria ocular.

A rede World cria, a partir da imagem da íris, um código numérico, que é embaralhado e gravado em um sistema de blockchain. Nessa tecnologia, os computadores precisam, para resgatar o dado original, montar uma espécie de quebra-cabeças que só funciona se estiver com todas as peças íntegras —ou seja, nenhuma informação pode ser apagada.

O projeto argumenta que as fotografias dos olhos são criptografadas e armazenadas apenas no celular do usuário, junto a uma chave criptográfica individual.

A TfH ainda pode acessar as informações no celular, desde que o aplicativo esteja baixado e tenha permissões para editar pastas e arquivos, diz o professor da Escola Politécnica da USP Marcos Simplício.

A rede World remunera periodicamente os usuários que mantêm o app instalado. O registro garante o pagamento de 25 Worldcoins em 24 horas, às quais se somam depósitos por um ano. A soma final é de 48,5 criptomoedas, hoje avaliadas a R$ 12,75 —R$ 618, no total.

Quando abriu investigação contra a Tools for Humanity, a ANPD também pediu uma avaliação de riscos do tratamento de dados e os mecanismos adotados em relação a crianças e adolescentes.

Durante o processo de registro no World App, o usuário deve informar o CPF e recebe a instrução de que o cadastro da íris só será realizado mediante apresentação de documento com foto. “Essa medida está em vigor desde o princípio de nossas operações, para evitar que menores se verifiquem, pois menores de idade não estão autorizados a participar do projeto”, diz a TfH.

Nos pontos de coleta visitados pela reportagem, entretanto, os operadores não pediam às pessoas que mostrassem seus documentos de identificação.

Na medida preventiva, a ANPD ainda não abordou o tratamento de dados de menores de idade.



Leia Mais: Folha

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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre

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Alexandra Deitos e Txima Huni Kuin.jpg

Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.

Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.

Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).

Aprendizagem no território

Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.

A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

Mestras e aprendizes tecelãs.jpg

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.

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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre

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2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no SUS (2).jpg

A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.

A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.

Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”

O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.

Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.

Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.

A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”

Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.



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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre

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Nathalia Oliveira, Ufac 2026.10.02.jpeg

A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.

“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.

Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.

A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.



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