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Vídeo: Testemunhas relatam caos e fila para fugir da Síria – 12/03/2025 – Mundo
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Igor Gielow
Uma explosão de violência durante cinco dias jogou as duas províncias da costa síria em um caos sombrio que lembrou os piores dias da guerra civil no país árabe, iniciada em 2011 e encerrada em 8 de dezembro passado, com a fuga do ditador Bashar al-Assad para Moscou.
A Folha recolheu alguns testemunhos de habitantes de Latakia, área que com Tartus concentra a população da seita alauita no país, que foram enviados a familiares no exterior. Eles os repassaram a redes de jornalistas.
A reportagem também falou com um militar russo na principal base de Vladimir Putin na região, que virou ponto de peregrinação dos alauitas, integrantes do mesmo ramo do islamismo que a família Assad, que do grupo retirou a elite de seu brutal regime de quase 54 anos.
“Nem todo alauita apoiava o Assad. Vi coisas horríveis. Temos medo de morrer”, escreveu o engenheiro Ahmed Alawi. Ele contou à sua família que forças do novo governo em Damasco mataram sua tia, de 75 anos, e prenderam suas primas na cidade costeira de Jableh. Ninguém sabe dizer onde elas estão, segundo ele.
A operação militar foi determinada pelo novo homem-forte do país, o presidente interino Ahmed al-Sharaa, que integra um grupo oriundo da rede terrorista Al Qaeda e em 2015 pregava ou conversão forçada de alauitas ao sunismo ou a morte.
Hoje ele busca se apresentar como um moderado ao Ocidente e à Turquia, que bancou sua ofensiva surpreendente contra Assad, aproveitando o foco russo na Ucrânia e do Irã, outro patrono da ditadura, no conflito com Israel.
A repressão militar decorreu de ataques por partidários de Assad a pontos de checagem do governo, segundo a versão de Damasco. Líderes alauitas negam isso. Fato é que as coisas saíram do controle, com indícios fortes de massacres sectários.
Foi o que aconteceu segundo o relato de Makhlouf, comerciante em Latakia. Ele disse ter visto policiais entrando em casas na sua vizinhança, atirando nos moradores a esmo. Mas há nuances no banho de sangue.
Outro comerciante, identificado como Hassan, disse que em Banias a ação foi comandada por um grupo desconhecido, com estrangeiros. Nessa relato, a suspeita recai em algum acerto de conta em meio à confusão. Subsiste o temor de novas crises.
Segundo a ONG Observatório Sírio dos Direitos Humanos, 973 civis e 481 combatentes de ambos os lados morreram de quinta (6) a segunda (10), quando Sharaa anunciou o fim da ação e a criação de uma comissão para apurar as responsabilidades.
A região de Latakia, berço do poder de Assad e que antes da guerra era 60% alauita, já vivia sob tensão devido às ações dos partidários do ditador derrubado. Em todo o país, a minoria soma cerca de 15% dos talvez 25 milhões de sírios.
Agora, um ponto focal é a base aérea de Hmeimim, em Latakia, cedida a Putin na operação que ajudou a salvar Assad em 2015. Ela se somou ao porto de Tartus, concedido a Moscou em 1971, como centros vitais não só do apoio à ditadura, mas de projeção de poder no Mediterrâneo.
Com Sharaa, a Rússia negocia uma forma de ficar por lá e tem feito gestos aos rebeldes que tomaram Damasco, como imprimir e doar US$ 23 milhões em libras sírias para ajudar a monetizar a economia em ruínas. Nesta terça (11), o Kremlin disse desejar uma Síria “unida e amigável”.
No momento, contudo, só há incerteza. O militar russo ouvido, que será identificado apenas como Pavel, disse por mensagem de texto que há uma concentração de moradores da região já dentro da base ou tentando entrar, supondo proteção ou caminho de fuga.
Imagens de satélite divulgadas na segunda mostram que há diversos acampados num perímetro formado por veículos militares russos na pista.
A chance de fuga existe, ele conta, num mercado clandestino formado com a queda de Assad. Antigos oficiais do regime negociam o preço para cada pessoa que quer deixar o país, começando por US$ 5.000 (pouco mais de R$ 29 mil). Isso tem afetado não só os locais: segundo Pavel, russos têm de pagar taxas para deixar a Síria.
O militar não quis explicar isso, mas seu relato e a imagem dos sírios na pista fazem supor que parte do esquema passa pelos russos. Ele disse haver uma fila de 1.500 pessoas esperando para sair por Hmeimim—presumivelmente em aviões russos ou de antigos figurões da ditadura.
Os intermediários, diz, “são velhos conhecidos” —coronéis e até generais que mantinham uma rede de apoio de suprimentos aos aliados russos, vendendo de cartões de telefone a televisões para os militares lotados em Hmeimim.
Enquanto isso, o clima permanece tenso entre os russos remanescentes, de número incerto mas que já foram 5.000 na base. Segundo Pavel, drones sobrevoam o local com frequência, agora que parte da defesa antiaérea foi removida.
Por fim, há o temor na comunidade internacional de uma fragmentação ainda maior no país, que já está com sua região junto à fronteira com Israel ocupada por tropas do Estado judeu e o status dos curdos no norte pressionado pela deposição de armas do Partido dos Trabalhadores do Curdistão na Turquia.
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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre
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9 de outubro de 2026Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.
Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.
Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).
Aprendizagem no território
Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.
A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.
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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre
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8 de outubro de 2026A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.
A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.
Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”
O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.
Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.
Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.
A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”
Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.
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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre
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2 de outubro de 2026A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.
“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.
Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.
A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.
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