NOSSAS REDES

ACRE

Visita de Fábio Assunção ao Acre gera debate sobre uso de ayahuasca em tratamento medicinal

PUBLICADO

em

A visita do ator global Fábio Assunção a Aldeia Morada Nova, dos povos indígenas Shanenawa, localizada no município de Feijó, distante 362 quilômetro da capital acreana, durante o Carnaval, levantou novamente o debate sobre o uso do chá de ayahuasca no tratamento medicinal.

Segundo informações publicadas pela imprensa nacional, Fábio Assunção teria visitado a aldeia acreana a fim de buscar cura para a dependência química. A comunidade visitada pelo ator constuma ministrar aos visitantes dose de chá de ayahuasca, rapé e rituais com banhos regados a ervas medicinais retiradas na própria aldeia.

O uso do chá de ayahuasca por parte do ator levantou o debate sobre o uso da planta medicinal em tratamentos alternativos contra a dependência química.

“Consagro ayahuasca há 10 anos e sei o bem que me fez. Proporciona uma expansão de consciência e compreensão de questões emocionais e evolução espiritual. Não é a toa que a medicina da floresta está sendo estudada amplamente para diversos tratamentos e trazendo muita cura interior, afinal, estamos ali para aprender sobre amor e respeito. Pelo menos é esse o propósito da planta de poder. Que tal pregarmos o mesmo? Também conheço e tive o prazer de acompanhar pessoas que se livraram de vícios através do chá”, escreveu.

Já Emanuel Luis, afirma que Fábio precisa é da ajuda da família e médica. “Este cidadão precisa urgentemente da ajuda da família, pai, mãe e filho (os), e um profissional médico da área, melhor ele parar com estas palhaçadas e se tratar de verdade”.

À esq., o ator com o Cacique Carlos Brandão Shanenawa e a mulher, Flaviana

Ayahuasca contra o alcoolismo e depressão

O uso do chá no tratamento de pessoas com depressão e alcoolimos se tornou tema de pesquisa do Instituto do Cérebro (ICe) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. A pesquisa testou a ayahuasca como antidepressivo, e obteve resultados iniciais positivos em pessoas que apresentam quadro de depressão.

De acordo com o que afirma a pesquisadora Fernanda Palhano, que defendeu este ano sua tese de doutorado com base nesse teste, orientada pelo professor Draulio Araújo, a maior parte das pessoas que tomou a ayahuasca apresentou melhora nos sintomas depressivos. Segundo ela, foram 64% dos pacientes que beberam o chá com melhora clínica em até sete dias após o experimento.

“Fizemos o que se conhece por ensaio clínico duplo cego randomizado. Isso significa pegar um grupo de pacientes, dividi-lo ao meio e de maneira aleatória separar os pacientes que vão fazer parte do tratamento que se quer testar, no nosso caso a ayahuasca, ou do grupo placebo. Além disso, nem pacientes nem pesquisadores sabiam qual a substância, ayahuasca ou placebo, estava sendo administrada, daí o termo duplo (para pacientes e pesquisadores) cego”, explica.

Os estudos atuais sobre o uso terapêutico da ayahuasca têm focado principalmente em pacientes com depressão, e no tratamento do uso abusivo de substâncias, principalmente de álcool.

O psiquiatra e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Dartiu Xavier da Silveira desenvolveu uma pesquisa em que relaciona o uso do chá de ayahuasca em contexto religioso ao tratamento de alcoolismo. “O que chamou a atenção pra gente de cara foi que a gente descobriu várias pessoas que eram alcoólatras há mais de 40 anos e, quando entraram em uma dessas religiões ayahuasqueiras simplesmente abandonaram o uso de álcool”, relata.

De acordo com Dartiu Xavier, quatro desses casos foram estudados e documentados na pesquisa de uma tese de doutorado.

Depois disso, o professor passou a estudar os efeitos da ayahuasca em adolescentes. Foram comparados adolescentes que tomavam o chá com outros que nunca haviam tomado. “Foram oitenta adolescentes. Os que usavam ayahuasca tinham menos sintomas depressivos, menos sintomas ansiosos, mais capacidade de se concentrar. As meninas adolescentes que tomavam ayahuasca tinham menos alterações da imagem corporal, menos problemas de transtornos alimentares. Ou seja, era um grupo mais sadio do que o que não usava ayahuasca”, resumiu.

Segundo Dartiu, as pessoas que participaram dos experimentos tomavam o chá duas vezes por mês. Com relação aos possíveis efeitos colaterais e segurança de tomar a ayahuasca, os efeitos colaterais do chá, o professor diz que esse tema também foi alvo de investigação pelos pesquisadores. Foram feitos testes psicológicos com pessoas que começaram a tomar a bebida ainda crianças, para saber se elas tinham alguma alteração.

“E não. O desempenho delas foi excelente, mostrando que a ayahuasca, mesmo que começando a ser usada precocemente, desde que seja no contexto ritualizado, contexto de ritual religioso, não é prejudicial ao cérebro”, revela. (Com informações do G1)

Área do assinante

Receba publicações exclusivas.

REDES SOCIAIS

MAIS LIDAS

WhatsApp chat