ACRE
Zombar de Deus deveria estar fora dos limites? – DW – 01/07/2025
PUBLICADO
1 ano atrásem
Como os cartunistas deveriam satirizar o Todo-Poderoso? Para homenagear as vítimas do ataque terrorista de 2015 em sua redação, a revista satírica francesa Charlie Hebdo realizou um concurso intitulado #MockingGod, com vencedores anunciados em 7 de janeiro.
Caricaturistas e cartunistas profissionais da imprensa foram chamados para desenhar “a caricatura mais cruel e engraçada sobre Deus”, com os vencedores publicados na revista.
O concurso marca o 10º aniversário desde o massacre na redação da revista em 7 de janeiro de 2015. Doze pessoas, incluindo 8 membros da Charlie Hebdo equipe editorial, foram assassinados por Extremistas islâmicos.
A revista satírica foi visada porque ridicularizou repetidamente o Profeta Maomé. Entre aqueles que perderam a vida estavam alguns dos cartunistas mais famosos da França, incluindo Cabu, Charb e Wolinski.
Liberdade de imprensa sob ataque
O Charlie Hebdo assassinatos foram vistos como um ataque à liberdade de imprensa, e liberdade de expressão em geral.
O slogan “Je suis Charlie” (Eu sou Charlie) se tornou tendência em todo o mundo. Mas também provocou uma reação negativa de alguns que achavam que a publicação costumava ir longe demais.
Uma década após o ataque, alguns observadores dizem que a necessidade de cartunistas e a sua capacidade de gerar risos – mesmo que controversa – é maior do que nunca devido à repressão da liberdade de expressão em todo o mundo.
“Estamos monitorando a situação dos cartunistas internacionais onde quer que estejam no planeta, e devo dizer que a tendência é muito ruim”, disse o cartunista Patrick Lamassoure, conhecido pelo pseudônimo Kak.
“China, Rússia, Irã, Índia, IndonésiaMalásia e Brasilentre outros, a maioria da população mundial vive em países onde há imprensa censura (e) cartunistas são frequentemente atacados e ameaçados.”
Lamassoure é presidente do Cartooning for Peace, uma rede internacional de cartunistas de imprensa “que usam o humor para lutar pelo respeito às culturas e às liberdades”.
Charlie HebdoO concurso de 2025 exigia inscrições de “todos que estão fartos de viver em uma sociedade dirigida por Deus e pela religião”, disse o site do concurso.
Embora os resultados possam causar mais controvérsia, Lamassoure, cuja organização organiza uma série de eventos dedicados ao Charlie Hebdo em Janeiro, apoia plenamente.
“Acho ótimo porque é algo que Charlie Hebdo teriam feito, mesmo que ninguém os tivesse atacado”, disse ele à DW.
A longa história de cartoons políticos na França
Em Françaos cartoons políticos ganharam popularidade após a Revolução Francesa, quando os cartoonistas expunham abusos de poder.
Desde então, a tradição de caricaturas anti-religiosas permaneceu forte na França.
“Os desenhos animados representam a capacidade dos cidadãos de olharem nos olhos dos nossos líderes e dizerem ‘vemos o que vocês estão fazendo e podemos rir de vocês’”, disse Lamassoure.
Desde que foi fundada em 1970, Charlie Hebdo é conhecido por testar os limites do que pode e do que não pode ser dito de acordo com as leis francesas contra o discurso de ódio.
A revista não apenas zomba islãomas também de cristandade e judaísmo.
De acordo com a lei francesa, desde que a violência não seja incitada e as minorias sejam protegidas, a zombaria da religião é permitida.
Quão longe é muito longe?
Mesmo que os cartoons incomodem algumas pessoas, Lamassoure argumenta que só a lei pode decidir o que é aceitável.
“Porque qualquer coisa que eu diga e faça irritará alguém – qualquer coisa. E o único limite pode ser a lei, porque é a lei com a qual todos concordamos”, disse ele.
Mas mesmo antes de 2015, a revista ganhou notoriedade por desenhos animados que, segundo os críticos, ultrapassaram os limites da intolerância – e foram alvo de ataques.
Pouco depois Charlie Hebdo lançou uma edição paródia “editada por convidado” pelo profeta Maomé, uma bomba incendiária danificou o prédio que abriga a revista em 2011.
Mas esse tipo de comentário provocativo faz parte do trabalho diário dos cartunistas políticos.
“E se as pessoas estão zangadas porque não gostam do que você diz, isso é bom, isso é liberdade de expressão – desde que você não infrinja nenhuma lei”, disse Lamassoure.
A responsabilidade de zombar daqueles que estão no poder
Mas ainda há pessoas dispostas a infringir a lei para expressarem a sua objecção à Charlie Hebdoexpressão artística legalmente protegida.
Isto significa que o pessoal da revista parisiense deve realizar o seu trabalho em instalações secretas e rigorosamente vigiadas. Alguns funcionários também permanecem sob proteção policial.
De acordo com o Cartooning for Peace, a França é um dos últimos bastiões que mantém viva a sátira. Nenhum assunto – incluindo religião – está fora dos limites.
“Não restam muitos países onde você possa realmente rir do que quiser e não ser ameaçado por isso”, diz Lamassoure.
Ele sente a “responsabilidade de manter essa chama acesa” porque a capacidade de rir das pessoas no poder é uma “necessidade fundamental das sociedades (e) da liberdade muito importante”.
“Mesmo as pessoas que criticam os cartunistas precisam dessa liberdade”, acrescentou.
Editado por Tanya Ott
Livrarias de Hong Kong enfrentam mais censura e menos liberdade
Para ver este vídeo, ative o JavaScript e considere atualizar para um navegador que suporta vídeo HTML5
Relacionado
VOCÊ PODE GOSTAR
ACRE
Ufac recebe visita da RFB para apresentação do projeto NAF — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
4 dias atrásem
26 de março de 2026A Ufac recebeu, nesta quarta-feira, 25, no gabinete da Reitoria, representantes da Receita Federal do Brasil (RFB) para a apresentação do projeto Núcleo de Apoio Contábil e Fiscal (NAF). A reunião contou com a participação da Coordenação do curso de Ciências Contábeis e teve como foco a proposta de implantação do núcleo na universidade.
O reitor em exercício e pró-reitor de Planejamento, Alexandre Hid, destacou a importância da iniciativa para os estudantes e sua relação com a curricularização da extensão. Segundo ele, a proposta representa uma oportunidade para os alunos e pode fortalecer ações extensionistas da universidade.
A analista tributária da RFB e representante de Cidadania Fiscal, Marta Furtado, explicou que o NAF é um projeto nacional voltado à qualificação de acadêmicos do curso de Ciências Contábeis, com foco em normas tributárias, legislação e obrigações acessórias. Segundo ela, o núcleo é direcionado ao atendimento de contribuintes de baixa renda e microempreendedores, além de aproximar os estudantes da prática profissional.
Durante a reunião, foi informada a futura assinatura de acordo de cooperação técnica entre a universidade e a RFB. Pelo modelo apresentado, a Ufac disponibilizará espaço para funcionamento do núcleo, enquanto a receita oferecerá plataforma de treinamento, cursos de capacitação e apoio permanente às atividades desenvolvidas.
Como encaminhamento, a RFB entregou o documento referencial do NAF, com orientações para montagem do espaço e definição dos equipamentos necessários. O processo será enviado para a Assessoria de Cooperação Institucional da Ufac. A expectativa apresentada na reunião é de que o núcleo seja integrado às ações de extensão universitária.
Também participaram da reunião o professor de Ciências Contábeis e vice-coordenador do curso, Cícero Guerra; e o auditor fiscal e delegado da RFB em Rio Branco, Claudenir Franklin da Silveira.
Relacionado
ACRE
Startup Day-2026 ocorre na Ufac em 21/03 no Centro de Convivência — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
2 semanas atrásem
12 de março de 2026A Pró-Reitoria de Inovação e Tecnologia (Proint) da Ufac e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Acre (Sebrae-AC) realizam o Startup Day-2026, em 21 de março, das 8h às 12h, no espaço Sebrae-Lab, Centro de Convivência do campus-sede. O evento é dedicado à inovação e ao empreendedorismo, oferecendo oportunidades para transformar projetos em negócios de impacto real. As inscrições são gratuitas e estão abertas por meio online.
O Startup Day-2026 visa fortalecer o ecossistema, promover a troca de experiências, produzir e compartilhar conhecimento, gerar inovação e fomentar novos negócios. A programação conta com show de acolhimento e encerramento, apresentações, painel e palestra, além de atividades paralelas: carreta game do Hospital de Amor de Rio Branco, participação de startups de game em tempo real, oficina para crianças, exposição de grafiteiros e de projetos de pesquisadores da Ufac.
Relacionado
ACRE
A lógica de valor da Thryqenon (TRYQN) é apoiar a evolução da economia verde por meio de sua infraestrutura digital de energia
PUBLICADO
3 semanas atrásem
10 de março de 2026Com a aceleração da transição para uma economia de baixo carbono e a reestruturação do setor elétrico em diversos países, cresce a discussão sobre como a infraestrutura digital pode sustentar, no longo prazo, a evolução da economia verde. Nesse contexto, a plataforma de energia baseada em blockchain Thryqenon (TRYQN) vem ganhando atenção por propor uma estrutura integrada que combina negociação de energia, gestão de carbono e confiabilidade de dados.
A proposta da Thryqenon vai além da simples comercialização de energia renovável. Seu objetivo é construir uma base digital para geração distribuída, redução de emissões e uso colaborativo de energia. À medida que metas de neutralidade de carbono se tornam compromissos regulatórios, critérios como origem comprovada da energia, transparência nos registros e liquidação segura das transações deixam de ser diferenciais e passam a ser requisitos obrigatórios. A plataforma utiliza registro descentralizado em blockchain, correspondência horária de energia limpa e contratos inteligentes para viabilizar uma infraestrutura verificável e auditável.
A economia verde ainda enfrenta obstáculos importantes. Existe descompasso entre o local e o momento de geração da energia renovável e seu consumo final. A apuração de emissões costuma ocorrer de forma anual, dificultando monitoramento em tempo real. Além disso, a baixa rastreabilidade de dados limita a criação de incentivos eficientes no mercado. A Thryqenon busca enfrentar essas lacunas por meio de uma estrutura digital que integra coleta, validação e liquidação de informações energéticas.
Na arquitetura da plataforma, há conexão direta com medidores inteligentes, inversores solares e dispositivos de monitoramento, permitindo registro detalhado da geração e do consumo. Na camada de transações, o sistema possibilita verificação automatizada e liquidação hora a hora de energia e créditos de carbono, garantindo rastreabilidade. Já na integração do ecossistema, empresas, distribuidoras, comercializadoras e consumidores podem interagir por meio de interfaces abertas, promovendo coordenação entre diferentes agentes do setor elétrico.
O potencial de longo prazo da Thryqenon não está apenas no crescimento de usuários ou no volume de negociações, mas em sua capacidade de se posicionar como infraestrutura de suporte à governança energética e ao mercado de carbono. Com o avanço de normas baseadas em dados e reconhecimento internacional de créditos ambientais, plataformas transparentes e auditáveis tendem a ter papel relevante na transição energética e no financiamento sustentável.
Relacionado
PESQUISE AQUI
MAIS LIDAS
ESPECIAL6 dias agoEm Tarauacá, Governo realiza encontro especial com a jornalista Maria Cândida
Economia e Negócios6 dias agoLançamento Global do CYCJET B900: Aberto para OEM, Quebrando o Monopólio dos Consumíveis, Capacitando Marcas Independentes
Oportunidade5 dias agoTudo sobre bônus, cadastro e segurança no Flagman Casino
ACRE4 dias agoUfac recebe visita da RFB para apresentação do projeto NAF — Universidade Federal do Acre
Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48
You must be logged in to post a comment Login