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2024 foi um ano de avanços para o tratamento do Alzheimer – 01/01/2025 – Equilíbrio e Saúde
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Acácio Moraes
Durante um ano de importantes avanços para o tratamento do Alzheimer, um dos retrocessos foi o interrupção dos testes clínicos do simufilam, medicamento que estava sendo desenvolvido pela empresa americana Cassava Sciences. Anunciada em novembro, a notícia foi recebida com decepção por pacientes e familiares, mas sem tanta surpresa pelos pesquisadores.
O desenvolvimento da droga já enfrentava desafios no meio científico, com estudos sendo retratados por revistas especializadas e a acusação de falsificação de dados por parte de um dos pesquisadores consultores. Mesmo em meio a essas polêmicas, a empresa seguiu com os testes clínicos de fase 3, a última necessária para submeter o produto à aprovação da FDA, agência de vigilância sanitária americana.
Os resultados, entretanto, não foram suficientes para reduzir de forma significativa e consistente o avanço da demência entre os quase 2.000 pacientes incluídos na pesquisa. Na última semana de novembro a empresa de biotecnologia decidiu interromper o investimento.
Para Claudia Suemoto, entretanto, 2024 foi um ano positivo para o tratamento e prevenção do Alzheimer, em particular para o Brasil. A pesquisadora e professora da USP (Universidade de São Paulo) destaca a importância do “Relatório Nacional sobre a Demência” e da “Política Nacional de Cuidado Integral às Pessoas com Doença de Alzheimer e Outras Demências“, um primeiro passo para o país aprovar um Plano Nacional de Demência.
“Acho que isso é um reflexo de a gente ter colocado o assunto em pauta. Acho que foi um ano muito importante”, observa Suemoto.
A lei aprovada incentiva a capacitação de profissionais e o investimento em mais pesquisa. Também convoca o poder público a elaborar um plano de ação para combater essas doenças neurodegenerativas Já o relatório traz dados sobre a prevalência da condição entre o povo brasileiro, fundamental para a elaboração de políticas públicas assertivas e eficientes.
Entre os avanços, o desenvolvimento de um exame de sangue capaz de detectar a doença através de biomarcadores também foi celebrado entre especialistas e pacientes. O teste é capaz de identificar proteínas tau e beta-amiloides presentes no tecido sanguíneo e mostrou uma taxa de acerto em 90% dos casos —maior quando comparado ao diagnóstico clínico, que possui cerca de 73% de precisão.
Suemoto vê o avanço do diagnóstico com uma das principais novidades. Entretanto, ainda faltam passos importantes, segundo a especialista, para que o exame possa ser amplamente difundido. Entre eles, a validação dos testes para a população brasileira. “Esse é um caminho que irá transformar o diagnóstico de Alzheimer e de outras doenças”. Novos biomarcadores estão sendo investigados para diversas demências, como o Parkinson.
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Também em 2024, dois novos fatores de risco foram reconhecidos pela prestigiada comissão da revista Lancet, que publica anualmente uma revisão ampla sobre estudos científicos sobre o tema. Somam-se aos 12 fatores já descritos anteriormente a perda de visão e o colesterol alto. Todos juntos respondem a metade dos casos de demência no mundo.
O colesterol alto influencia na saúde cardiovascular desses pacientes, e pode atrapalhar a irrigação dos vasos sanguíneos cerebrais, facilitando o surgimento de lesões importantes nesse órgão que podem levar ao desenvolvimento de demências como o Alzheimer. Já problemas como a perda de visão reduzem os estímulos mentais, favorecendo a morte de neurônios e a perda de cognição.
Os demais fatores são baixa escolaridade, lesões na cabeça, sedentarismo, tabagismo, alcoolismo, hipertensão, obesidade, diabetes, depressão, falta de contato social, perda de audição e poluição do ar. A comunidade médica e científica concorda que a eliminação ou redução desses fatores é primordial no combate à doença, embora a prevalência de cada um deles varie segundo a região geográfica e o estrato social.
Ao longo do ano, também progrediram os tratamentos com as drogas anti-amiloides, capazes de remover placas dessas proteínas que se formam no cérebro dos pacientes e são responsáveis pela progressão da doença. Em julho, a FDA aprovou o comércio do donanemab, da farmacêutica Eli Lilly. A droga deve circular com o nome comercial “Kinsula”. O medicamento está em avaliação pela Anvisa (Agência Brasileira de Vigilância Sanitária).
Por outro lado, a produção do aducanumab, que havia sido autorizada pela FDA em 2021, foi interrompida unilateralmente pela própria farmacêutica, a Biogen. Jamerson de Carvalho, especialista do Hospital Universitário da UFPB (Universidade Federal da Paraíba), lembra que o resultado do uso de anti-amiloides ficou aquém do esperado pela comunidade científica.
Embora os anticorpos monoclonais tenham sucesso em remover as placas amiloides, eles não trazem benefícios significativos para a vida do paciente, reduzindo apenas discretamente a progressão da doença. Associado a isso, levam ao surgimento de diversos efeitos colaterais graves, como hemorragias e inchaço cerebral.
Apesar disso, o professor lembra que a expectativa de vida de pacientes com demência, e em particular com Alzheimer, aumentou devido sobretudo à melhoria dos cuidados das equipes interdisciplinares e de reabilitação. “Essa é uma coisa importante que não devemos esquecer.” E os avanços do último ano parecem apontar na mesma direção: em favor da prevenção e do diagnóstico precoce.
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Startup Day-2026 ocorre na Ufac em 21/03 no Centro de Convivência — Universidade Federal do Acre
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12 de março de 2026A Pró-Reitoria de Inovação e Tecnologia (Proint) da Ufac e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Acre (Sebrae-AC) realizam o Startup Day-2026, em 21 de março, das 8h às 12h, no espaço Sebrae-Lab, Centro de Convivência do campus-sede. O evento é dedicado à inovação e ao empreendedorismo, oferecendo oportunidades para transformar projetos em negócios de impacto real. As inscrições são gratuitas e estão abertas por meio online.
O Startup Day-2026 visa fortalecer o ecossistema, promover a troca de experiências, produzir e compartilhar conhecimento, gerar inovação e fomentar novos negócios. A programação conta com show de acolhimento e encerramento, apresentações, painel e palestra, além de atividades paralelas: carreta game do Hospital de Amor de Rio Branco, participação de startups de game em tempo real, oficina para crianças, exposição de grafiteiros e de projetos de pesquisadores da Ufac.
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A lógica de valor da Thryqenon (TRYQN) é apoiar a evolução da economia verde por meio de sua infraestrutura digital de energia
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10 de março de 2026Com a aceleração da transição para uma economia de baixo carbono e a reestruturação do setor elétrico em diversos países, cresce a discussão sobre como a infraestrutura digital pode sustentar, no longo prazo, a evolução da economia verde. Nesse contexto, a plataforma de energia baseada em blockchain Thryqenon (TRYQN) vem ganhando atenção por propor uma estrutura integrada que combina negociação de energia, gestão de carbono e confiabilidade de dados.
A proposta da Thryqenon vai além da simples comercialização de energia renovável. Seu objetivo é construir uma base digital para geração distribuída, redução de emissões e uso colaborativo de energia. À medida que metas de neutralidade de carbono se tornam compromissos regulatórios, critérios como origem comprovada da energia, transparência nos registros e liquidação segura das transações deixam de ser diferenciais e passam a ser requisitos obrigatórios. A plataforma utiliza registro descentralizado em blockchain, correspondência horária de energia limpa e contratos inteligentes para viabilizar uma infraestrutura verificável e auditável.
A economia verde ainda enfrenta obstáculos importantes. Existe descompasso entre o local e o momento de geração da energia renovável e seu consumo final. A apuração de emissões costuma ocorrer de forma anual, dificultando monitoramento em tempo real. Além disso, a baixa rastreabilidade de dados limita a criação de incentivos eficientes no mercado. A Thryqenon busca enfrentar essas lacunas por meio de uma estrutura digital que integra coleta, validação e liquidação de informações energéticas.
Na arquitetura da plataforma, há conexão direta com medidores inteligentes, inversores solares e dispositivos de monitoramento, permitindo registro detalhado da geração e do consumo. Na camada de transações, o sistema possibilita verificação automatizada e liquidação hora a hora de energia e créditos de carbono, garantindo rastreabilidade. Já na integração do ecossistema, empresas, distribuidoras, comercializadoras e consumidores podem interagir por meio de interfaces abertas, promovendo coordenação entre diferentes agentes do setor elétrico.
O potencial de longo prazo da Thryqenon não está apenas no crescimento de usuários ou no volume de negociações, mas em sua capacidade de se posicionar como infraestrutura de suporte à governança energética e ao mercado de carbono. Com o avanço de normas baseadas em dados e reconhecimento internacional de créditos ambientais, plataformas transparentes e auditáveis tendem a ter papel relevante na transição energética e no financiamento sustentável.
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Bancos vermelhos na Ufac simbolizam luta contra feminicídio — Universidade Federal do Acre
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9 de março de 2026A Ufac inaugurou a campanha internacional Banco Vermelho, símbolo de conscientização sobre o feminicídio. A ação integra iniciativas inspiradas na lei n.º 14.942/2024 e contempla a instalação, nos campi da instituição, de três bancos pintados de vermelho, que representa o sangue derramado pelas vítimas. A inauguração ocorreu nesta segunda-feira, 9, no hall da Reitoria.
São dois bancos no campus-sede (um no hall da Reitoria e outro no bloco Jorge Kalume), além de um no campus Floresta, em Cruzeiro do Sul. A reitora Guida Aquino destacou que a instalação dos bancos reforça o papel da universidade na promoção de campanhas e políticas de conscientização sobre a violência contra a mulher. “A violência não se caracteriza apenas em matar, também se caracteriza em gestos, em fala, em atitudes.”
A secretária de Estado da Mulher, Márdhia El-Shawwa, ressaltou a importância de a Ufac incorporar o debate sobre o feminicídio em seus espaços institucionais e defendeu a atuação conjunta entre universidade, governo e sociedade. Segundo ela, a violência contra a mulher não pode ser naturalizada e a conscientização precisa alcançar também a formação de crianças e adolescentes.
A inauguração do Banco Vermelho também ocorre no contexto da aprovação da resolução do Conselho Universitário n.º 266, de 21/01/2026, que institui normas para a efetividade da política de prevenção e combate ao assédio moral, sexual, discriminações e outras violências, principalmente no que se refere a mulheres, população negra, indígena, pessoas com deficiência e LGBTQIAPN+ no âmbito da Ufac em local físico ou virtual relacionado.
No campus Floresta, em Cruzeiro do Sul, a inauguração do Banco Vermelho contou com a participação da coordenadora do Centro de Referência Brasileiro da Mulher, Anequele Monteiro.

Participaram da solenidade, no campus-sede, a pró-reitora de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas, Filomena Maria Cruz; a pró-reitora de Graduação, Ednaceli Damasceno; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação, Margarida Carvalho; a coordenadora do projeto de extensão Infância Segura, Alcione Groff; o secretário de Estado de Saúde, Pedro Pascoal; a defensora pública e chefe do Núcleo de Promoção da Defesa dos Direitos Humanos da Mulher, Diversidade Sexual e Gênero da DPE-AC, Clara Rúbia Roque; e o chefe do Centro de Apoio Operacional de Proteção à Mulher do MP-AC, Victor Augusto Silva.
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