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A descoberta que revela luxo espetacular em Pompeia – 18/01/2025 – Ciência

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Rebecca Morelle, Alison Francis

Após ficar escondida sob metros de rocha vulcânica e cinzas por 2.000 anos, uma descoberta do tipo que “que acontece a cada século” foi feita na antiga cidade romana de Pompeia.

Arqueólogos encontraram uma suntuosa terma particular —possivelmente a maior já descoberta no local— com câmara quente, morna e fria, obras de arte requintadas e uma piscina de imersão enorme.

O complexo semelhante a um spa fica no centro de uma grande residência descoberta nos últimos dois anos durante uma escavação importante.

“São estes espaços que realmente fazem parte do ‘efeito Pompeia’ —parece que as pessoas saíram de lá há apenas um minuto”, diz Gabriel Zuchtriegel, diretor do Parque Arqueológico de Pompeia, que revelou a nova descoberta com exclusividade à BBC News.

A análise de dois esqueletos descobertos na casa também mostra o horror enfrentado pelos habitantes de Pompeia quando o Monte Vesúvio entrou em erupção em 79 d.C.

Os restos mortais pertenciam a uma mulher, com idade entre 35 e 50 anos, que estava segurando joias e moedas, e a um homem mais jovem, que estava na adolescência ou com 20 e poucos anos.

Eles haviam se trancado em um pequeno cômodo, mas foram mortos quando um tsunami de gás vulcânico superaquecido e cinzas —conhecido como fluxo piroclástico— devastou a cidade.

“Este é um lugar dramático, e tudo o que você encontra aqui remete ao drama”, diz Ludovica Alesse, restauradora de Pompeia.

Um terço da cidade antiga ainda está escondido sob os escombros vulcânicos da tragédia, mas a nova escavação —a mais extensa em uma geração— fornece novas perspectivas sobre como era a vida romana antiga.

Os arqueólogos foram acompanhados por uma equipe de documentários da BBC e da Lion TV, para uma série chamada “Pompeii: The New Dig” (“Pompeia: a nova escavação”, em tradução livre).

Um quarteirão inteiro de Pompeia foi descoberto, revelando uma lavanderia e padaria, assim como uma grande residência particular. Acredita-se que tudo isso pertencia a um indivíduo rico, possivelmente Aulus Rustius Verus, um político influente de Pompeia.

A descoberta da terma é mais uma confirmação de seu status de elite, segundo Zuchtriegel.

“Há apenas algumas casas que possuem um complexo de terma particular, então era algo realmente para os mais ricos dos ricos”, ele explica.

“E é tão grande —provavelmente é o maior complexo de terma em uma casa particular de Pompeia.”

Aqueles que tiveram a sorte de usar a terma teriam se despido em um vestiário com paredes vermelhas vibrantes e um piso de mosaico com formas geométricas feitas de mármore de todo o Império Romano.

Em seguida, eles iriam para a câmara quente, mergulhariam em uma banheira e desfrutariam do calor semelhante ao de uma sauna, proporcionado por um piso suspenso que permitia que o ar quente fluísse por baixo, e paredes com uma cavidade por onde o calor podia circular.

Depois, eles iriam para a câmara morna, pintada de cores vivas, onde óleo era esfregado em suas peles, antes de ser raspado com um instrumento curvo chamado estrígil.

Finalmente, eles entrariam na maior e mais espetacular sala de todas —o frigidário ou câmara fria. Cercado por colunas vermelhas e afrescos de atletas, um visitante poderia se refrescar na enorme piscina de imersão, que comporta de 20 a 30 pessoas.

“Nos verões quentes, você poderia sentar com os pés na água, conversando com seus amigos, talvez desfrutando de uma taça de vinho”, diz Zuchtriegel.

A terma é a descoberta mais recente a emergir desta casa extraordinária.

Um enorme salão para banquetes com paredes pretas e obras de arte de cenas clássicas de tirar o fôlego foi encontrado no ano passado. Um cômodo menor e mais íntimo, pintado de azul claro, onde os moradores iam rezar para os deuses, também foi descoberto.

A residência estava passando por uma reforma —ferramentas e materiais de construção foram encontrados por toda parte. No cômodo azul, uma pilha de conchas de ostras está no chão, pronta para ser moída e aplicada nas paredes para dar a elas um brilho cintilante.

Ao lado deste belo espaço, em um cômodo apertado com quase nenhuma decoração, foi feita uma descoberta surpreendente: os restos mortais de dois moradores de Pompeia que não conseguiram escapar da erupção.

O esqueleto de uma mulher foi encontrado deitado em cima de uma cama, curvado em posição fetal. Os restos mortais de um homem estavam no canto deste pequeno cômodo.

“O fluxo piroclástico do Vesúvio veio pela rua, do lado de fora deste cômodo, e causou o colapso de uma parede, que basicamente o esmagou até a morte”, explica Sophie Hay, arqueóloga de Pompeia.

“A mulher ainda estava viva enquanto ele estava morrendo —imagina o trauma—, e então este cômodo se encheu com o resto do fluxo piroclástico, e foi assim que ela morreu.”

A análise do esqueleto masculino mostrou que, apesar de sua pouca idade, seus ossos apresentavam sinais de desgaste, sugerindo que ele era de status social inferior, possivelmente até mesmo um escravizado.

A mulher era mais velha, mas seus ossos e dentes estavam em boas condições.

“Ela provavelmente era alguém de uma posição mais alta na sociedade”, avalia Hay.

“Pode ter sido a esposa do proprietário da casa ou talvez uma assistente que cuidava da esposa —simplesmente não sabemos.”

Uma variedade de itens foi encontrada em uma mesa de mármore no cômodo —copos, jarras de bronze e cerâmica—, talvez levados para o local onde a dupla havia se escondido na esperança de esperar a erupção passar.

Mas são os itens que as vítimas estavam segurando que são de particular interesse. O homem estava com algumas chaves, enquanto a mulher foi encontrada com moedas de ouro e prata e joias.

Estes itens estão guardados no cofre de Pompeia, junto a outras descobertas de valor inestimável da cidade, e tivemos a chance de vê-los com o arqueólogo Alessandro Russo.

As moedas de ouro ainda brilham como se fossem novas, e ele nos mostra delicados brincos de ouro e pérolas naturais, pingentes de colar e pedras semipreciosas intrincadamente entalhadas. Segundo ele, eram itens muito pessoais.

“Quando encontramos este tipo de objeto, a distância entre os tempos antigos e os tempos modernos desaparece”, diz ele.

“E podemos tocar em um pequeno pedaço da vida destas pessoas que morreram na erupção.”

Sophie Hay descreve o complexo da terma particular como uma descoberta única em um século, que também lança mais luz sobre um lado mais sombrio da vida romana.

Logo atrás da câmara quente, há uma sala de caldeira. Um cano trazia a água da rua, sendo que uma parte era desviada para a piscina de imersão fria —e o restante era aquecido em uma caldeira de chumbo destinada à câmara quente. As válvulas que regulavam o fluxo parecem tão modernas que é como se você pudesse ligá-las e desligá-las ainda hoje.

Com uma fornalha embaixo, as condições neste cômodo teriam sido insuportavelmente quentes para os escravizados que tinham de manter todo o sistema funcionando.

“A coisa mais poderosa destas escavações é o forte contraste entre a vida dos escravizados e a dos muito, muito ricos. E aqui vemos isso, a diferença entre a vida suntuosa da terma e a sala da fornalha, onde os escravizados alimentavam o fogo e trabalhavam o dia todo”, afirma Sophie Hay.

“Uma parede é suficiente para dividir você entre dois mundos diferentes.”

A escavação está em suas últimas semanas —mas novas descobertas continuam a emergir das cinzas. Um número limitado de visitantes tem permissão para visitar a escavação enquanto ela está em andamento, mas posteriormente ela será totalmente aberta ao público.

“Todo dia aqui é uma surpresa”, diz Anna Onesti, diretora da escavação.

“Às vezes, pela manhã, venho trabalhar pensando que é um dia normal de trabalho —e, então, descubro que encontramos algo excepcional. É um momento mágico para a vida de Pompeia, e este trabalho de escavação nos oferece a possibilidade de compartilhar isso com o público.”



Leia Mais: Folha

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VÍDEO: Veja o que disse Ministra em julgamento do ex-governador Gladson Cameli

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No julgamento desta quarta-feira, dia 15/04/2026, a Corte Especial do STJ, por unanimidade, determinou o imediato desentranhamento dos Relatórios de Inteligência Financeira de n°s 50157.2.8600.10853, 50285.2.8600.10853 e 50613.2.8600.10853, a fim de que fosse viabilizada a continuidade do julgamento de mérito da ação penal. A própria Ministra Relatora Nancy Andrighi foi quem suscitou referida questão de ordem, visando regularizar e atualizar o processo. 

O jornalista Luis Carlos Moreira Jorge descreveu o contexto com as seguintes palavras:

SITUAÇÃO REAL
Para situar o que está havendo no STJ: o STF não determinou nulidade, suspensão de julgamento e retirada de pauta do processo do governador Gladson. O STF apenas pediu para desentranhar provas que foram consideradas ilegais pela segunda turma da Corte maior. E que não foram usadas nem na denúncia da PGR. O Gladson não foi julgado ontem em razão da extensão da pauta do STJ. O julgamento acontecerá no dia 6 de maio na Corte Especial do STJ, onde pode ser absolvido ou condenado. Este é o quadro real.

A posição descrita acima reflete corretamente o quadro jurídico do momento.

Veja o vídeo:

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Ufac participa de lançamento de projeto na Resex Cazumbá-Iracema — Universidade Federal do Acre

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Ufac participa de lançamento de projeto na Resex Cazumbá-Iracema — Universidade Federal do Acre

A Ufac participou do lançamento do projeto Tecendo Teias na Aprendizagem, realizado na reserva extrativista (Resex) Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira (AC). O evento ocorreu em 28 de março e reuniu representantes do poder público, comunidade acadêmica e moradores da reserva.

Com uma área de aproximadamente 750 mil hectares e cerca de 500 famílias, a Resex é território de preservação ambiental e de produção de saberes tradicionais. O projeto visa fortalecer a educação e promover a troca de conhecimentos entre universidade e comunidade.

O presidente da reserva, Nenzinho, destacou que a iniciativa contribui para valorizar a educação não apenas no ensino formal, mas também na qualidade da aprendizagem construída a partir das vivências no território. Segundo ele, a proposta reforça o papel da universidade na escuta e no reconhecimento dos saberes locais.

O coordenador do projeto, Rodrigo Perea, sintetizou a relação entre universidade e comunidade. “A floresta ensina, a comunidade ensina, os professores aprendem e a Ufac aprende junto.” 

Também estiveram presentes no lançamento os professores da Ufac, Alexsande Franco, Anderson Mesquita e Tânia Mara; o senador Sérgio Petecão (PSD-AC); o prefeito de Sena Madureira, Gerlen Diniz (PP); e o agente do ICMBio, Aécio Santos.
(Fhagner Silva, estagiário Ascom/Ufac)



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Educação Física homenageia Norma Tinoco por pioneirismo na dança — Universidade Federal do Acre

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Educação Física homenageia Norma Tinoco por pioneirismo na dança — Universidade Federal do Acre

 Os professores Jhonatan Gomes Gadelha e Shirley Regina de Almeida Batista, do curso de Educação Física da Ufac, realizaram a mostra de dança NT: Sementes de uma Pioneira, em homenagem à professora aposentada Norma Tinoco, reunindo turmas de bacharelado e licenciatura, escolas de dança e artistas independentes. O evento ocorreu na noite de 25 de março, no Teatro Universitário, campus-sede, visando celebrar a trajetória da homenageada pela inserção e legitimação da dança no curso.

Norma recebeu uma placa comemorativa pelos serviços prestados à universidade. Os alunos do curso, André Albuquerque (bacharelado) e Matheus Cavalcante (licenciatura) fizeram a entrega solene. Segundo os organizadores, os anos de dedicação da professora ao curso e seu pioneirismo jamais serão esquecidos.

“A ideia, que ganhou corpo e emoção ao longo de quatro atos, nasceu do coração de quem viveu de perto a influência da homenageada”, disse Jhonatan Gomes Gadelha, que foi aluno de Norma na graduação. Ele contou que a mostra surgiu de uma entrevista feita com ela por ocasião do trabalho dele de conclusão de curso, em 2015. “As falas, os ensinamentos e as memórias compartilhadas por Norma naquele momento foram resgatadas e transformadas em movimento”, lembrou.

Gadelha explicou que as músicas que embalaram as coreografias autorais foram criadas com o auxílio de inteligência artificial. “Um encontro simbólico entre a tradição plantada pela pioneira e as ferramentas do futuro. O resultado foi uma apresentação carregada de bagagem emocional, autenticidade e reverência à história que se contava no palco.”

Mostra em 4 atos

A professora de Educação Física, Franciely Gomes Gonçalves, também ex-aluna de Norma, foi a mestre de cerimônias e guiou o público por uma narrativa que comparava a trajetória da homenageada ao crescimento de uma árvore: “A Pioneira: A Raiz (ato I), “A Transformadora: O Tronco” (ato II), “O Legado: Os Frutos” (ato III) e “Homenagem Final: O reconhecimento” (ato IV).

O ato I trouxe depoimentos em vídeo e ao vivo, além de coreografias como “Homem com H” (com os 2º períodos de bacharelado e licenciatura) e “K Dance”, que homenageou os anos 1970. O ex-bolsista Kelvin Wesley subiu ao palco para saudar a professora. A escola de dança Adorai também marcou presença com as variações de Letícia e Rayelle Bianca, coreografadas por Caline Teodoro, e o carimbó foi apresentado pelo professor Jhon e pela aluna Kethelen.

O ato II contou com o depoimento ao vivo de Jhon Gomes, ex-aluno que seguiu carreira artística e acadêmica, narrando um momento específico que mudou sua trajetória. Ele também apresentou um solo de dança, seguido por coreografias da turma de licenciatura e uma performance de ginástica acrobática do 4º período.

No ato III foi exibido um vídeo em que os atuais alunos do curso de Educação Física refletiram sobre o que a dança significa em suas formações. As apresentações incluíram o Atelier Escola de Dança com “Entre o que Fica e o que Parte” (Ana Fonseca e Elias Daniel), o Estúdio de Artes Balancé com “Estrelas” (coreografia de Lucas Souza) e a Cia. de Dança Jhon Gomes, com outra versão de “Estrelas”. A escola Adorai retornou com “Sarça Ardente”, coreografada por Lívia Teodoro; os alunos do 2º período de bacharelado encerraram o ato.

No ato IV, após o ministério de dança Plenitude apresentar “Raridade”, música de Anderson Freire, a professora Shirley Regina subiu ao palco para oferecer palavras à homenageada. Em seguida, a mestre de cerimônias convidou Norma Tinoco a entrar em cena. Ao som de “Muda Tudo”, os alunos formaram um círculo ao redor da professora, cantando o refrão em coro.

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